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SUA INSERÇÃO E PARTICIPAÇÃO MUNDIAL 2.1 Considerações Iniciais

3.3 Década de 1990: o período de estabilidade

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Após inúmeras crises e as diversas estratégias adotadas para que não só o poderio norte-americano não fosse afetado, mas também se expandisse, os anos que se seguiram não estavam imunes de mais eventos. A citar, com o início da Guerra do Golfo, em 1990, o preço do barril de petróleo volta a subir. Dando início à terceira fase da crise do petróleo, na qual o barril chegou a US$ 40. Tal como nas outras fases, a crise dos anos 1990 também tem impacto na economia norte-americana, como pode ser observado na Figura 5:

Figura 5 – Variações de Preço do Óleo Bruto Importado & Recessões Econômicas (1970-2000)

Fonte: KODJA, Claudia C (2009).

Logo, as crises do petróleo tiveram efeito sobre os períodos de recessão econômica norte-americana, como Barsky e Kilian defendem:

This irregular pattern argues against a mono-causal role for oil, but is still consistent with the view that oil events at least contribute to recessions (...) Even if we do not necessarily accept the view that exogenous political events in the Middle East cause recessions in the United States, it is undoubtedly true that many recessions since 1972 have been associated with major oil price increases, although again the association is less than perfect (BARSKY;

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Como já argumentado por Rosecrance (1990), em um texto do começo da década de 1990, existiam três tipos de visão sobre o futuro dos Estados Unidos. O primeiro se referia à ideia de que o país, do mesmo modo que a Grã-Bretanha no século XIX, estavam passando por um momento de esgotamento e consequente declínio.

Compõe esse grupo os que acreditam na tese de Paul Kennedy, apresentada em

The Rise and Fall of the Great Powers (1987), como previsão do poderio norte-

americano. Na mesma linha de pensamento eles pontuavam que tanto a Holanda do século XVII como a Grã-Bretanha tinham consciência que sua posição apontava para sua derrocada, mas não tinham como deter tal fim. Da mesma forma, os Estados Unidos poderiam se encontrar na mesma posição no século XXI.

A segunda visão alega que por mais que os Estados Unidos tenham enfrentado momentos de altos e baixos, sua posição não apresentou grande mudança. Os defensores dessa visão alegam que os Estados Unidos não declinaram ou que qualquer declínio é de natureza temporária e explicável, inofensivo ou facilmente remediado (ROSECRANCE, 1990, p. 69).

Por exemplo, em meados da década de 1960, os Estados Unidos eram responsáveis por 24% do PND mundial. O que por sua vez, nos anos 1990, apenas 22%. A alegação de que a fatia de participação norte-americana do PNB mundial diminuiu é verdadeira, mas vale ressaltar que tal porcentagem não se difere muito da apresentada em 1938(ROSECRANCE, 1990, p. 69). Ou seja, pode ser algo recuperável.

Vale salientar que dentro dessa segunda visão existe um subgrupo, que aceita em partes a teoria declinista, mas reconhecem que o argumento foi longe demais. A exemplo do que Aaron Friedberg (1988) argumenta - contradizendo o argumento de que o exacerbante valor de investimento militar por parte do governo norte-americano é causa de seu declínio – esse também não é o motivo dos declínios das grandes potências do passado e que sim o fardo com os gastos com defesa acentuaram os problemas de países que já enfrentavam fraqueza econômica (ROSECRANCE, 1990, p. 70).

Enquanto a terceira perspectiva defende que os Estados Unidos apresentam fatores de declínio, mas que tem acapacidade de voltar à posição anterior, a qual se encaixa a visão de Richard Rosecrance (ROSECRANCE, 1990, p. 67). Em conformidade com tal visão, são irrefutáveis as evidências do declínio norte-americano. Antes mesmo de seu ápice no que concerne à liderança no contexto pós Segunda Guerra, em 1929, “the United

States claimed more than 43 percent of world manufacturing production. Today, it claims only 22 percent” (ROSECRANCE, 1990, p. 71).

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Apesar disso, o autor alega que se poder é a capacidade de fazer com que os outros sigam os propósitos que o país poderoso deseja, os Estados Unidos usaram desse poder para administrar o pós-Guerra. Segundo Rosecrance,

After World War II, America created a world community in which it deliberately shared its economic and industrial power in order to encourage other countries to adopt its purposes: more open political systems and more competitive economic markets. Today, all of the world's industrial countries, many developing ones, and even the socialist countries are democratic and market-oriented or struggling to become so. America now has less relative economic power, to be sure, but it also needs less to promote its most basic political and economic purposes (ROSECRANCE, 1990, p. 72).

Deste modo, Rosecrance alega que os que defendem o declínio norte-americano tendem a focar em medidas estreitas de poder industrial e econômico e a ignorar que tal poder material é exercido no campo político (ROSECRANCE, 1990, p. 72).

Tais visões eram fortes no início dos anos 1990, com as sucessivas crises. Como destaca Corsi, dentro da dinâmica de acumulação de capital, as crises são partes componentes, servindo como soluções momentâneas de suas contradições (CORSI, 2014, p. 271). A despeito de ser conhecido como a década do boom econômico do país, por ser um ator com dimensões globais, vale destacar que não se tratou de um período anti-crise, principalmente pelo capitalismo ser instável em si (HARVEY, 1990, p. 196).

Como descreve Corsi (2014), apesar da crise estrutural que ocorreu na década de 1970 e as diversas crises60, o capitalismo foi reestruturado. Conforme o autor,

No centro, iniciou-se um processo de desmonte do Estado de Bem-Estar Social. A emigração para países centrais , a reestruração produtiva (toyotismo, novas tecnologias) e a realocação espacial de vários segmentos produtivos, que incorporou milhões de trabalhadores da Ásia à economia mundial remunerados com salários diminutos, colocaram em xeque as conquistas do movimento operário nos países desenvolvidos e recompuseram o exército industrial de reserva em escala global (CORSI, 2014, p. 273).

Ademais, a reestruturação do capitalismo para Ásia também contou com transformações internas dos países da região, com políticas de desenvolvimento. Em sua maior parte, contou com políticas que fomentavam a industrialização com finalidade de exportação, que produziu a inserção desses países na economia mundial (CORSI, 2014, p. 273). Consequentemente, houve um aumento no fluxo de capitais para a região, sustentando suas elevadas taxas de acumulação, principalmente para a China.

Como pode ser visto na Figura 6, a partir da década de 1990, houve uma intensificação dos fluxos de IED para o país. Como ressalta Cunha e Xavier (2010, p.

60 Crise da superprodução, crise do sistema financeiro internacional, estabelecido em Bretton Woods, crise energética e crise de hegemonia dos Estados Unidos.

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497), com a segunda etapa das reformas econômicas da China, tal crescimento ascendeu até 2005. Assim, a China era o maior receptor do Leste Asiático, contando com mais de 50% de participação.

Figura 6 – Fluxos de IED na economia chinesa (1980-2006)

Fonte: CUNHA e XAVIER (2010).

De acodo com Corsi, “a dominância do capital financeiro gerou uma dinâmica economica instável, baseada em bolhas especulativas”, estas se tornando “padrão de acumulação do capitalismo globalizado” (CORSI, 2014, p. 274). A citar, houve o período de recessão norte-americana em 1990 com estabilização em 1991.

Outrossim, ocorreram as crises de 1994 no México, três anos depois no Sudeste asiático e em 1998 e 1999, as da Rússia, Brasil e Argentina, todas relacionada à bolhas especulativas. Desta maneira, no final da década de 1980, as crises direcionaram-se para a periferia, na direção do fluxo de capitais especulativos, somado ao de investimento direto.

Independentemente desse cenário, os Estados Unidos continuaram a crescer. Em conformidade com o que Cezar (2009, p. 70)61 explana, tratou-se do período mais longo sem recessões nos Estados Unidos em 150 anos. Foi nesse período que houve o crescimento das empresas de alta tecnologia, de internet e telecomunicações.

Outro fator importante é a liderança da política econômica de Alan Greenspan, o então presidente do FED, somado à criação do Nafta, que aumentou o comércio de seus produtos para o Canadá e o México. Ademais, segundo Cezar, “além de sua importância

61 Apesar do “conhecimento da maturação de uma bolha nos últimos anos da década de 1990” (CEZAR, 2009, p. 70).

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intrínseca, a bolsa de valores assumiu o papel ‘keynesiano’ de ‘estabilizar a economia doméstica e a internacional que se encaminhava para uma crise” (CEZAR, 2009, p. 70).

Como é capaz de serem observadas, as taxas de desemprego caíram nesse período. Com exceção dos anos 1990 e 1991, que foram afetados pela recessão desses anos. Como resultado, em 1992, a taxa chegou aos 7,5% enquanto em 2000, alcançou a marca de 4,0%.

Figura 7- Taxa de desemprego (1970-2000)

Fonte: KODJA, Claudia C. Crise Econômica ao final do século XX. 2009, p. 124.

Além disso, a partir de 1990, a produção industrial apresentou crescimento, com ressalva no início da década devido à recessão:

88 Fonte: Trading Economic. Disponível em: <http://pt.tradingeconomics.com/united- states/industrial-production> Acesso em: 21 de dezembro de 2016.

Já em referência ao PIB, observa-se que, de acordo com a Figura 8, o período a partir dos anos 1990 apresenta estabilidade em relação às décadas anteriores, saindo de - 0,19% em 1990, para 3,34% em 1991 e fechando a década com 3,69% de crescimento.

Figura 8 – Crescimento do PIB em % anual (1970-2000)

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Nas Figuras 9 e 10 abaixo, pode-se observar a evolução do PIB e do PIB per capita norte-americano, em dólares, nas três ultimas décadas do século XX:

Figura 9 – PIB norte-americano em US$ (1970-2000)

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Figura 10 - PIB per capita norte-americano (1970-2000)

Fonte: Banco Mundial. Dados retirados de KODJA (2009)

Diferentemente dos anos anteriores, a década de 1990 é marcante para os Estados Unidos no que concerne a retomada do status de grande potência do sistema internacional (KODJA, 2009; TAVARES, 2004). Com bases diferentes do seu estabelecimento pós Segunda Guerra Mundial, o país passaria a exercer o seu poder a partir de estruturas de segurança, de produção, financeiro e de conhecimento sem precedentes. Contudo, o século XXI traria novos desafios a serem superados.