para acharmos a resposta certa:
(1) Algum deles não poderia trabalhar? Linda, pois é menor de 14 anos e não está autorizada sequer a ser aprendiz.
(2) Kassia pode ser aprendiz? Sim, pois é maior de 14 anos.
(3) Ronaldo e Rodineia podem ser empregados? Sim, pois são maiores de 16 anos e não desempenham trabalho noturno, perigoso ou insalubre.
Concluímos que a Constituição Federal está sendo respeitada para Ronaldo, Rodineia e Kassia, apenas. A alternativa ‘d’ é nossa resposta.
Gabarito: D
Obs.2: Novamente Atenção! Segundo decidiu o Plenário do STF (na ADI 6327, em abril de 2020), considera-se a data da alta da mãe ou do recém-nascido como marco inicial para o início da contagem da licença-maternidade. De acordo com nossa Corte Suprema, a medida deve se restringir aos casos mais graves, como internações que excederem o período de duas semanas. Ainda consoante firmou o STF, como não há previsão em lei de extensão da licença em razão da necessidade de internações mais longas, especialmente nos casos de crianças nascidas prematuramente (antes de 37 semanas de gestação), tal medida é a forma de suprir essa omissão legislativa. Ademais, consoante asseverou o ministro Fachin (relator da ação direta), essa omissão resulta em proteção deficiente às mães e às crianças prematuras, que, embora demandem mais atenção ao terem alta, têm o tempo de permanência no hospital descontado do período da licença. Ele lembrou que, no período de internação, as famílias são atendidas por uma equipe multidisciplinar, e é na ida para casa que os bebês efetivamente demandarão o cuidado e a atenção integral de seus pais, especialmente da mãe.
Também destacou que não se trata apenas do direito da mãe à licença, mas do direito do recém-nascido, no cumprimento do dever da família e do Estado, à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar.
Obs.3: Ainda sobre a licença-maternidade, vale destacar um importante pronunciamento do STF, de maio de 2022, proferido no RE 1348854/DF8, no qual foi estabelecido a seguinte tese:
À luz do art. 227 da Constituição Federal, que confere proteção integral da criança com absoluta prioridade e do princípio da paternidade responsável, a licença maternidade, prevista no art. 7º, XVIII, da CF/88 e regulamentada pelo art. 207 da Lei nº 8.112/90, estende-se ao pai genitor monoparental.
No caso em tela, um determinado servidor público federal (perito médico do INSS), tornou-se pai solo de uma criança (gerada por meio de fertilização in vitro e barriga de aluguel) – não, havendo, pois, mãe registral. Após o nascimento do bebê, o servidor requereu a licença-maternidade de 180 dias9, argumentando que, diante da ausência da mãe na configuração familiar, ele deveria fruir do mesmo tempo de licença que seria destinado à figura materna, para que pudesse cuidar do bebê.
Acionada, a Administração Pública não concedeu o pedido, por não haver previsão legal estendendo a licença-maternidade a um pai, ainda que solo – em decisão, a Administração definiu que o servidor teria direito apenas à licença-paternidade de 20 dias (5 iniciais + 15 de prorrogação). Diante da negativa da
8. Tema 1182 – noticiado no Informativo 1054.
9. Lembremos que o texto constitucional assegura a licença-maternidade de 120 dias. A prorrogação deste período foi assegurada pela Lei n° 11.770/2008 (que criou o “Programa Empresa Cidadã”) e regulamentada pelo Decreto n° 6690/2008.
Administração Pública, o servidor ajuizou uma ação insistindo em sua tese e solicitando o reconhecimento do seu direito à fruição da licença-maternidade. Quando o processo chegou ao STF, o pleito do servidor foi acatado. Segundo nossa Corte Suprema, o servidor público que seja pai solo – ou seja, constitua família na qual não há a presença materna – faz jus à licença maternidade e ao salário maternidade pelo prazo de 180 dias, da mesma forma em que garantidos à mulher pela legislação de regência.
(iv) Licença-paternidade, nos termos fixados em lei (art. 7º, XIX).
Obs: Vale recordar que o art. 10, § 1º do ADCT determinou que até que a lei venha a disciplinar o disposto no inciso em comento o prazo da licença-paternidade é de cinco dias.
(v) Aposentadoria (art. 7º, XXIV).
Questões para fixar
[FGV - 2022 - TJ-AP - Juiz de Direito Substituto] Maria, servidora ocupante de cargo em comissão no Município Delta, adotou João Pedro, de 11 anos de idade. Ato contínuo, consultou o regime jurídico único dos servidores públicos municipais e constatou que a licença parental básica, reconhecida aos servidores adotantes, era de noventa dias, período reduzido para trinta dias quando o adotado tivesse mais de 10 anos de idade, isso sem qualquer consideração em relação a possíveis períodos de prorrogação. No entanto, somente faziam jus a essa licença os servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo, não aqueles livremente demissíveis pela autoridade competente.
À luz da sistemática constitucional, o regime jurídico único dos servidores públicos do Município Delta:
A) é inconstitucional na parte que restringe a fruição da licença aos ocupantes de cargos de provimento efetivo e estabelece períodos de fruição inferiores ao da licença gestante;
B) é inconstitucional apenas na parte em que estabelece o período de fruição de trinta dias quando o adotado tiver mais de 10 anos de idade;
C) não apresenta qualquer vício de inconstitucionalidade em relação aos servidores que podem fruir a licença e aos respectivos períodos de fruição;
D) é inconstitucional apenas na parte que restringe a fruição da licença aos servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo;
E) é inconstitucional apenas na parte em que estabelece períodos de fruição inferiores ao da licença gestante.
Comentário:
Vamos assinalar a letra ‘a’ como nosso gabarito, pois está em conformidade com o entendimento do STF:
“Tese da repercussão geral: os prazos da licença adotante não podem ser inferiores aos prazos da licença gestante, o mesmo valendo para as respectivas prorrogações. Em relação à licença adotante, não é possível fixar prazos diversos em função da idade da criança adotada” – RE 778889, Rel. Min. Roberto Barroso, DJe 01-08-2016. Ademais, nossa Suprema Corte exarou decisão quanto à concessão da licença maternidade às servidoras ocupantes de cargo em comissão: “As servidoras públicas, em estado gestacional, ainda que
detentoras apenas de cargo em comissão, têm direito à licença-maternidade e à estabilidade provisória, nos termos do art. 7º, inciso XVIII, c/c o art. 39, §3º, da Constituição Federal, e art. 10, inciso II, alínea b, do ADCT”
– RE 420839 DF, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe 26-04-2012.
Gabarito: A [FUNDATEC - 2022 - IPE Saúde - Técnico de Gestão em Saúde] Previstos na Constituição Federal de 1988, o fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS), o repouso semanal remunerado, as férias anuais remuneradas e a licença à gestante são alguns dos direitos dos trabalhadores:
A) Urbanos.
B) Rurais.
C) Urbanos e rurais.
D) Informais.
E) Urbanos, rurais e informais.
Comentário:
Nossa resposta está na alternativa ‘c’, em razão do disposto no art. 7º, III, XV, XVII e XVIII, CF/88: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: III – fundo de garantia do tempo de serviço; XV – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos; XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XVIII – licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias”.
Gabarito: C [Quadrix - 2018 - CRM-DF - Assistente Administrativo] Julgue o item seguinte a respeito do princípio da igualdade na Constituição Federal de 1988 (CF):
A vedação de tratamento discriminatório entre homens e mulheres evidencia a dimensão formal do princípio da isonomia, enquanto as distinções constitucionalmente asseguradas, como o prazo da licença-maternidade, conservam a isonomia em seu aspecto material.
Comentário:
Perfeito! De fato, a consagração constitucional da igualdade entre homens e mulheres não significa que não possa haver tratamento diferenciado entre eles. Isto porque, o princípio da igualdade deve ser efetivar não apenas a aparente igualdade formal, mas, principalmente, a igualdade material o que permite que o Estado adote de políticas públicas que visem reduzir as desigualdades fáticas entre diferentes. Assertiva correta. -
Gabarito: Certo [IBFC - 2017 - Polícia Científica - PR - Auxiliar de Perícia] Considerando as normas da Constituição Federal, assinale a alternativa correta sobre o prazo nela prevista para a licença gestante:
a) 150 dias para todas as trabalhadoras b) 180 dias para todas as trabalhadoras c) 120 dias para todas as trabalhadoras
d) 120 dias apenas para trabalhadoras do setor privado
e) 180 dias apenas para trabalhadoras do setor público Comentário:
Essa questão é bem simples, pois exige apenas que você lembre o tempo de duração da licença gestante fixado pela Constituição Federal (art. 7º, XVIII) que é de 120 dias (esse prazo cai muito!). Portanto, a resposta certa dessa questão é a letra ‘c’. Vamos para a próxima.
Gabarito: C [CESPE - 2017 - PGM - Belo Horizonte-MG - Procurador do Município - Adaptada] À luz do entendimento do STF, julgue o item subsequente, a respeito dos direitos e garantias fundamentais:
A licença-maternidade não é garantida à mulher adotante.
Comentário:
Errado! A licença maternidade prevista no artigo 7º, XVIII, da Constituição abrange tanto a licença gestante quanto a licença adotante, ambas asseguradas pelo prazo mínimo de 120 dias. Esse é o entendimento do STF (RE 778.889) que reafirma a igualdade entre filhos biológicos e adotados. Este é um importante assunto tem sido cobrado de forma recorrente pelas provas. A seguir vamos resolver mais uma questão a respeito.
Gabarito: Errado [FMP Concursos - 2019 - TJ-MT - Juiz - Adaptada] No que se refere a direitos sociais individuais e coletivos dos trabalhadores, julgue a afirmação a seguir:
O direito à licença paternidade, sem prejuízo do emprego e do salário, não está constitucionalmente previsto, mas é determinado pela CLT.
Comentário:
Essa é fácil. O direito à licença paternidade está, sim, consagrado constitucionalmente no art. 7º, XIX, dispositivo este que, entretanto, não prevê o seu tempo de duração (ao contrário da licença maternidade que tem o prazo expresso de 120 dias). Por isso, a afirmação está errada.
Gabarito: Errado