3. U M PERCURSO U MA VIDA
3.6 C ORTICEIRO DE C IMA
3.7.5 D E VOLTA À ESCOLA
Paralelamente ao trabalho pedagógico realizado como educadora fomos continuando o nosso percurso profissional investindo no âmbito da formação contínua, das ciências da especialidade, promovida pelos centros de formação ou outras instituições acreditadas pelo
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Ministério da Educação. Realizámos, igualmente formação no âmbito dos projetos que desenvolvíamos.
Destacamos o nosso envolvimento num círculo de estudos que contribuiu com a sua análise e propostas para a construção das orientações curriculares em educação pré-escolar. As reflexões apresentadas integraram o documento orientador, “orientações curriculares”, posteriormente distribuído a todos os jardins de infância. Esta publicação, como refere Vasconcelos (1997) no seu preâmbulo, apresenta o “culminar de um processo” que envolveu diferentes intervenientes, nomeadamente professores, formadores, investigadores e técnicos da administração central e local, associações profissionais e sindicais, representantes dos pais, entre outros, “na construção de um documento que fosse o espelho daquilo que hoje sabemos que a educação pré-escolar deve proporcionar às crianças” (Ministério da Educação, 1997, p.7). Da nossa participação no círculo de estudos resultou uma comunicação no encontro “construção curricular em educação pré-escolar”, organizado pela Escola Superior de Educação com o apoio do Centro da Área Educativa de Coimbra. Os círculos de estudos, entendidos como “comunidades de aprendizagem”, facilitaram os procedimentos de aprendizagem colaborativos com grandes potencialidades ao nível da transformação das estruturas sociais. Para atingir estas aspirações tornou-se relevante a dinâmica colaborativa entre os professores e o desenvolvimento de mecanismos, conhecimentos e capacidades valorizadas, designadamente, através da consistência e coerência entre conteúdos e a pedagogia utilizada, num processo de formação refletido. Ao participarmos nesta modalidade de formação sentimos que foram criadas oportunidades para a mobilização dos nossos conhecimentos no confronto com as práticas pedagógicas. Esta reflexão partilhada contribuiu para a produção de saberes.
A formação contínua de professores tem como finalidade aperfeiçoar a pessoa do professor, os seus saberes, técnicas, atitudes e disposições necessárias ao exercício da profissão (Formosinho, 1991). Deste modo, não deve ser entendida como um fim em si mesma, mas antes como um recurso ao serviço da inovação e da melhoria da qualidade do ensino e da educação. A formação em contexto apresenta-se, assim, como uma interpretação ampla da formação contínua na escola, enquanto organização, favorecendo processos de mudança e transformação protagonizados pelos diversos atores da comunidade educativa.
No desempenho das nossas funções letivas, sendo confrontadas com a dificuldade de comunicação com uma criança surda, sentimos a necessidade de realizar uma formação que
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nos permitisse desenvolver mecanismos para comunicar com a mesma. Deste modo, para além da aprendizagem, de alguns suportes educativos aumentativos da comunicação, considerámos importante frequentar, ao longo de dois anos, um curso de “Língua Gestual Portuguesa”. Na verdade e de acordo com Alarcão (1998, p.13), as formações têm “domínios e níveis de aprofundamento muito variados (nas vertentes científica de base, educacional e prática, mas agora privilegiando ainda mais a ótica integradora e multidisciplinar), virada para as necessidades dos professores”.
Se a formação contínua é um aspeto importante da formação dos professores, não podemos esquecer que a formação inicial deve ser, igualmente, complementada. Recordamos que, na época em que fizemos a nossa formação inicial, o curso de educadoras de infância apenas conferia o grau académico de um bacharelato. Posteriormente procurámos obter o grau académico de licenciatura. A oferta do Ministério da Educação passava pela frequência dos cursos de complemento de formação para educadores de infância. Estes constituíram “um importante momento de reflexão e de alguma inovação ao nível da organização e gestão curriculares” (Nico & Costa, 2004, p.145). Assim, frequentámos um curso de formação complementar em educação de infância – ensino especial – apoios educativos, obtendo o grau de licenciatura no curso de educação de infância. Paralelamente frequentámos um curso de estudos superiores especializados em administração escolar.
Estávamos em 2002 e tínhamos retomado, com prazer, “os bancos de escola”. Assim, sentíamo-nos impelidas a prosseguir o nosso percurso formativo, pelo que nos inscrevemos, em seguida, no curso de Pós Graduação em “Família e Sistemas Sociais” promovido pela Escola Superior de Altos Estudos, do Instituto Superior Miguel Torga, à qual se sucedeu a frequência no Curso de Mestrado em Supervisão Pedagógica e Formação de Formadores na Universidade Católica Portuguesa. Nesta última apenas nos foi possível, nessa altura, concluir o primeiro ano. Após o interregno de alguns anos retomámos esta formação.
Mais uma vez, valorizamos a formação como um aspeto essencial na profissão ser educadora, sabemos de antemão que ela não se restringe apenas a ações de reciclagens pedagógicas, pois a experiência profissional adquirida, quando é recriada, valoriza a “reflexão formativa e a investigação conjunta em contexto de trabalho” (Alarcão 1998, p.118). Por conseguinte, não pudemos deixar de partilhar com outros docentes as nossas experiências e os nossos conhecimentos, quer no âmbito da participação dos pais no jardim de infância, num seminário internacional, organizado pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho,
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subordinado ao tema “pais e escola – parceria para o sucesso”, quer no âmbito das aprendizagens curriculares, num encontro de investigação em educação matemática, denominado “a investigação na aprendizagem e na formação de professores”, organizada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, apresentando a comunicação “a brincar… aprendemos matemática” que foi, posteriormente, publicada na revista “educação e matemática” da associação de professores de matemática (anexo - IV).
Mais recentemente, em outubro de 2010, dinamizámos, também na área da matemática, uma ação de formação sobre “a matemática no pré-escolar”, dirigida a alunos do mestrado do ensino da matemática no 3º ciclo do ensino básico e secundário, no departamento de matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.