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figurar no polo passivo do mandado de injunção, eis que os mesmos não possuem o dever de editar quaisquer normas, vale dizer, eles não emitem comandos normativos. Esse posicionamento foi confirmado pela Lei nº 13.300/2016, em seu art. 3º, ao dispor que:

“São legitimados para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editar a norma regulamentadora.”

Questão para fixar

[CESPE - 2012 - MPE-PI - Promotor de Justiça] Julgue o item:

O polo passivo do mandado de injunção jamais poderá ser ocupado por particular.

Comentário:

Assertiva correta. No polo passivo do mandado de injunção deverá figurar sempre o órgão ou entidade responsável pela elaboração do ato normativo e nunca um particular (ainda que ele esteja se beneficiando da omissão), visto que este não possui o dever de editar normas (criar leis).

Gabarito: Certo

Vejamos agora como podem ser compreendidas cada uma das teorias mencionadas acima.

Segundo a teoria não concretista, o Poder Judiciário se limita a, tão somente, reconhecer que há inércia do Poder Público em regulamentar o tema e comunicar ao órgão competente a existência de uma omissão inconstitucional. Assim, não tem o Poder Judiciário atribuição para efetivar/concretizar o exercício do direito/liberdade suprindo a lacuna (lembre-se: o judiciário não legisla!). O Supremo Tribunal Federal adotou essa teoria não concretista por aproximadamente vinte anos; somente a partir de 2007 passou a adotar a teoria concretista, comentada a seguir.

De acordo com a teoria concretista, sempre que os pressupostos constitucionalmente exigidos para a impetração do mandado de injunção estiverem presentes, o Poder Judiciário deverá reconhecer a omissão inconstitucional (decorrente da falta de regulamentação) e, na sequência, viabilizar o exercício e a efetiva concretização do direito. Essa corrente pode ser subdivida em duas: (i) concretista geral e (ii) concretista individual.

(i) Conforme a teoria “concretista geral”, a decisão judicial no mandado de injunção deveria produzir efeitos erga omnes (ou seja, para todos), permitindo a viabilização do exercício do direito/liberdade para todos os titulares, até que o órgão ou autoridade competente resolva sair da inércia e produzir a norma regulamentadora pendente.

(ii) Já para a teoria concretista individual, a decisão prolatada pelo Poder Judiciário somente pode alcançar aquele que impetrou o MI, ou seja, possui efeitos “inter partes” (só atingindo quem foi parte no processo). E como essa teoria se subdivide em duas, falemos de cada uma delas:

- para a teoria concretista individual direta, o Poder Judiciário, ao julgar a procedência do MI, vai concretizar o direito do autor de forma imediata, sendo desnecessário aguardar que o órgão ou a autoridade competente se disponham a fazê-lo;

- para a teoria concretista individual intermediária, o Poder Judiciário não poderá viabilizar o direito de forma imediata, devendo, primeiro, reconhecer a mora e dar ciência ao órgão ou autoridade impetrada, fixando um prazo para que possam apresentar a regulamentação. Somente após o transcurso do prazo, sem que a omissão tenha sido suprida, é que o órgão julgador do mandado de injunção poderá tomar as providências pertinentes.

Como já mencionado, após quase 20 anos aplicando a teoria não concretista, em decisões mais recentes o STF passou a adotar a teoria concretista, ou seja, a Corte tem viabilizado o exercício do direito/liberdade que ainda carece de regulamentação. Podemos citar como exemplo o julgamento conjunto dos mandados de injunção nº 670, nº 708 e nº 712 (em outubro de 2007), no qual nossa Suprema Corte, além de reconhecer a omissão legislativa quanto ao dever de editar norma regulamentadora sobre o direito de greve do servidor público (art. 37, VII, CF/88), também viabilizou de forma imediata o seu exercício, determinando que fosse aplicada a todos os servidores públicos, no que coubesse, a lei de greve do setor privado (Lei nº 7.783/1989), até que seja editada norma específica para o setor público (o que até o presente momento, ainda não aconteceu).

Aliás, note que, nesse caso específico, o STF adotou a teoria concretista geral, visto que o exercício do direito de greve dos servidores públicos foi garantido de forma imediata e com eficácia erga omnes, ou seja, a decisão valeu de forma ampla para todos os servidores públicos.

Como em junho de 2016 foi editada a lei regulamentadora do MI, vejamos agora qual foi a posição do legislador com relação aos efeitos da sentença concessiva do remédio.

Como o art. 9º, caput, determina que “a decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora”, fica fácil notar que a teoria concretista individual foi inequivocamente adotada. A decisão que concede o MI, portanto, terá efeitos para as partes do processo.

No entanto, conforme indica o art. 9º, §1º da lei, é possível conferir eficácia mais ampla para a decisão (“ultra partes” ou “erga omnes”) desde que isso seja inerente ou indispensável ao exercício do direito, liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração.

Note, caro aluno, que o legislador seguiu a posição que já estava sendo adotada pelo STF, no intuito justamente de fortalecer esse remédio constitucional e sua importância. Foi-se o tempo em que o Poder Judiciário simplesmente se limitava a declarar a mora legislativa! Agora, reconhecida a mora legislativa, o mandado de injunção será deferido e terá como objetivo: (i) determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; (ii) estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em

que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado (ver o art. 8º, da Lei nº 13.300/2016).

Por fim, o parágrafo único, do art. 8° da lei, nos informa que será dispensada a determinação de fixar prazo razoável, para que o órgão omisso promova a edição da norma regulamentadora, quando comprovado que este deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma.

Vejamos como este tema tem sido explorado nas provas:

Questões para fixar

[CESPE - 2014 - MPE-AC - Promotor de Justiça] Julgue o item:

No âmbito do mandado de injunção, a atual jurisprudência do STF adota a posição não concretista em defesa apenas do reconhecimento formal da inércia do poder público para materializar a norma constitucional e viabilizar o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

Comentário:

Item incorreto. A teoria do efeito não concretista era adotada pela STF até o ano de 2007. Segundo este entendimento, a decisão proferida em sede de mandado de injunção apenas declarava a mora legislativa, ou seja, a impontualidade do poder público na regulamentação de um direito. Disso não resultava nenhum efeito prático, pois o poder omisso não ficava obrigado a legislar e o dono do direito permanecia sem os meios para o seu exercício. Atualmente, contudo, o entendimento do STF é outro e corresponde à teoria do efeito concretista, segundo a qual ao julgar o mandado de injunção, além de declarar a mora do poder omisso, a Corte torna o direito exercitável, tornando-o concreto.

Gabarito: Errado [CESPE - 2015 - AGU - Advogado da União] No que se refere a ações constitucionais, julgue o item subsequente:

De acordo com o atual entendimento do STF, a decisão proferida em mandado de injunção pode levar à concretização da norma constitucional despida de plena eficácia, no tocante ao exercício dos direitos e das liberdades constitucionais e das prerrogativas relacionadas à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

Comentário:

Item verdadeiro. A partir de outubro de 2007 o STF passou a adotar a teoria concretista quanto aos efeitos do mandado de injunção, prolatando sentenças geradoras de efeitos que viabilizam imediatamente o exercício de direitos previstos constitucionalmente, mesmo que ainda dependentes de complementação legislativa. Nesse mesmo sentido é a determinação dos artigos 8º e 9° da Lei nº 13.300/2016.

Gabarito: Certo

(4.5) Habeas data - HD (Art. 5º, LXXII, CF/88 c/c Lei nº 9.507/1997) (A) Introdução

Para você entender bem esse remédio, preciso lhe contar um pouco da história dele. Foi concebido pela nossa Assembleia Nacional Constituinte, enquanto elaborava a atual Constituição (de 1988), como sendo um instrumento importante para conceder às pessoas o acesso aos dados constantes dos bancos de informações dos órgãos governamentais, para que elas pudessem saber quais dados o Estado havia reunido sobre elas e, em caso de erro ou inveracidade, poderem solicitar a alteração.

Claro que o momento histórico explica a criação desse remédio: eram os arquivos do Governo Militar que reuniam as informações (por vezes falsas ou obtidas de modo ilegal) que representavam a matéria-prima que alimentava a perseguição política. Mas como as pessoas ordinariamente não tinham acesso a esses arquivos, elas nunca sabiam quais elementos informativos o Estado havia reunido a respeito delas, tampouco poderiam verificar se eram dados verdadeiros ou falsos. E, se as informações fossem mentirosas, também não havia nenhum instrumento que permitisse à pessoa pedir a correção.

Enfim, foi neste cenário de transição de regime (do ditatorial para o democrático) que o HD surgiu.

Os membros da nossa Assembleia Constituinte voltaram seus olhos para o passado, concluíram que um remédio constitucional deveria tutelar e amparar a esfera íntima dos indivíduos contra: (i) uso abusivo dos registros de dados pessoais coletados por meios fraudulentos, desleais ou ilícitos; (ii) introdução nesses registros de dados sensíveis (assim chamados os de origem racial, opinião política, filosófica ou religiosa, filiação partidária e sindical, orientação sexual etc.); (iii) conservação de dados falsos ou com fins diversos daqueles autorizados em lei.

História já contada, vejamos como foi feita a previsão do HD em nossa Constituição Federal de 1988, no inciso LXXII do art. 5°: conceder-se-á habeas data: (A) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público”; e “(B) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo”.

Pela redação da Constituição22, vê-se logo que é um remédio que possui duas finalidades centrais:

(a) permitir que a pessoa tenho acesso as informações relativas a si mesma, constantes de registros (ou bancos de dados) de entidades governamentais ou de caráter público;

(b) permitir que a pessoa retifique (corrija) dados, se não preferir fazê-lo por processo sigiloso, judicial

22. A lei que regulamenta o HD (9.507/1997) vai trazer mais uma hipótese de cabimento do remédio, como veremos no próximo item.

ou administrativo.

Os próximos itens vão lhe ajudar a entender quem (e em quais hipóteses) poderá manejar o HD.

Vamos em frente, futuro Técnico do INSS!

(B) Cabimento

O habeas data é uma ação (ou um remédio) constitucional de natureza civil23 e procedimento especial. A lei que o regulamenta é a Lei nº 9.507/1997.

Qual é o intuito desse remédio? Você já deve ter percebido que ele tem uma correlação muito direta com o direito de informação, certo? Seria importante, no entanto, já lhe adiantar que o HD não tutela o direito genérico a obter informações (esse direito, inscrito no inciso XXXIII24 do art. 5° é tutelado pelo mandado de segurança) mas , sim, tão somente, o direito que o sujeito tem de conhecer (ou corrigir) informações próprias, que estão em registros ou bancos de dados específicos.

Assim, o direito genérico à informação (constante do art. 5°, XXXIII) é um direito fundamental de obter informações do Poder Público, que será exercitado na via administrativa e se relaciona não com informações pessoais (da própria pessoa), mas sim com informações que são interesse geral ou coletivo.

Nesse caso, havendo recusa no fornecimento de certidões, ou informações de terceiros ou de interesse coletivo ou geral, o remédio cabível será o mandado de segurança.

Veja o resumo que estruturei no esquema abaixo, para você não confundir o cabimento do HD com a defesa do direito genérico de obter informações:

23. O HC tem natureza penal, lembra disso?

24. Art. 5°, XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº 12.527, de 2011)

Bom, sigamos agora verificando quando o HD será cabível. A Constituição lista pra nós duas hipóteses nas quais esse remédio poderá ser usado. A 1ª é para viabilizar o conhecimento de uma informação própria, isto é, ter acesso aos dados que foram reunidos sobre si mesmo. A 2ª é para a retificação, ou seja, para que o sujeito que já conhece a informação, mas sabe que ela é equivocada, possa pedir sua alteração.

Existe uma 3ª hipótese de cabimento do HD que não foi trazida pela Constituição – e sim pela Lei nº 9.507/1997 –, que é a anotaçãode contestação ou explicação sobre dado verdadeiro, mas justificável, e que esteja sob pendência judicial ou amigável. O art. 7º, III, da Lei nº 9.507/1997, assim estabelece: “Conceder-se-á habeas data: III – para a anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação sobre dado verdadeiro mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou amigável”. O STF considerou constitucional a previsão legal, conforme julgamento no HD nº 1-DF. No mesmo sentido é a posição da doutrina majoritária, para quem tal hipótese legal de cabimento do HD é constitucional, visto que ampliou (e não restringiu ou mesmo aboliu) os direitos defendidos e resguardados no art. 5º, LXXII, CF/88.

Vou ilustrar um cenário em que o HD seria cabível para a feitura de uma anotação ou complementação de dados. Imagine que ‘A’ seja assaltado e toda a sua documentação, inclusive bancária (talão de cheques e cartões) seja subtraída. Logo após, o autor do furto se aproveita do fato de estar de posse desses documentos e fraudulentamente faz inúmeras dívidas em nome de ‘A’. Por não ter saldo suficiente no banco para cobrir as compras e gastos do larápio, o nome de ‘A’ é enviado aos cadastros de devedores. ‘A’

já tem conhecimento dessa situação (não precisa ter acesso à informação) e sabe que a inscrição é verdadeira (não deseja corrigir nenhum dado). Mas quer anotar no cadastro as informações de que tais dívidas estão sendo discutidas (as vezes judicialmente). Ou seja, o que ele pretende no caso é complementar a anotação, como se dissesse: “Você que está consultando meu nome no cadastro de

Direito Genérico à informação

Art. 5º, XXXIII, CF/88

Direito fundamental de obter informações do Poder Público, exercitado na via administrativa (as

informações podem estar relacionadas a interesse particular,

geral ou coletivo)

A tutela deste direito é feita

pelo mandado de

segurança

Habeas data

Art. 5º, LXXII, CF/88

Conhecer ou retificar informações relativas a si mesmo

devedores, saiba que realmente eu devo esses valores, mas o motivo é ...”. Pronto! Está anotada a explicação.

E para você memorizar as 3 hipóteses de cabimento do HD (as duas que estão na CF/88 e aquela que está na Lei nº 9.507/1997), veja o esquema25 organizado abaixo:

Bom, mas agora que você já entendeu que a informação deve ser própria (sobre a pessoa do impetrante) e que o sujeito poderá pedir para (i) conhecer a informação pessoal, ou (ii) corrigi-la, ou (iii) fazer uma anotação para complementa-la, precisamos entender onde essa informação pode estar guardada para o HD ser cabível.

A Constituição diz assim: “(...) registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público”. Vamos entender o que isso quer dizer. Primeiro, vamos lembrar que “registros ou bancos de dados das entidades governamentais”, representam os assentamentos (as anotações) de informações que os órgãos dos Poderes Públicos armazenam sobre as pessoas.

E para entendermos o outro tipo de banco de dados ou registros (a CF fala em “ou de caráter público”) vamos ler o art. 1° da Lei nº 9.507/1997, que define como de caráter público “todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade produtora ou depositária das informações.” Ou seja, são bancos de dados geridos por pessoas privadas, mas que tem caráter público, pois as informações ali armazenadas não ficam guardadas em sigilo, elas são partilhadas com o público.

Para exemplificar, pense nos serviços de proteção ao crédito (SPC ou Serasa), nos quais pessoas jurídicas privadas (que não integram os Poderes Públicos) reúnem informações sobre bons e maus pagadores. Mas esses dados não são só reunidos em um banco de dados para ficarem ali guardados. Esses

25. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2020, p. 605.

dados podem ser partilhados com as pessoas em geral. Se você é um lojista, por ex., você pode ter acesso a esses dados antes de fechar um contrato com um cliente (você verifica nesses registros de proteção ao crédito se seu cliente é ou não mau pagador).

Dando continuidade à nossa análise sobre o cabimento do HD (quando ele poderá ser utilizado), já sabemos que: (i) a informação deve ser própria (sobre a pessoa do impetrante) e que o sujeito poderá pedir para (a) conhecer a informação pessoal, ou (b) corrigi-la, ou (c) fazer uma anotação para complementa-la;

e (ii) que essa informação deve estar em um registro ou banco de dados de uma entidade governamental ou de uma entidade privada que dê publicidade a esses dados (que os divulgue).

Agora vamos trazer mais um elemento para você compreender quando o HD poderá ser utilizado: o impetrante deve comprovar o “interesse de agir”, isto é, na petição inicial de HD ele deverá mostrar que houve recusa por parte da autoridade administrativa competente em apresentar (ou corrigir ou anotar) as informações pessoais26 ou então que ele não recebeu uma resposta dentro do prazo previamente estabelecido pela lei. É o que nos indica o art. 8º da Lei nº 9.507/1997, que estabelece que a petição inicial deverá ser instruída com prova:

- da recusa ao acesso às informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão;

- da recusa em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou

- da recusa em fazer-se a anotação a que se refere o § 2º do art. 4º ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão.

Esquematicamente, temos27:

26. Nesse sentido, súmula nº 2 do STJ: “Não cabe o habeas data (CF, Art. 5º, LXXII, letra a) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa”.

27. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 8ª. ed. Salvador: Juspodivm, 2020, p. 660.

Quer ver uma questão sobre a necessária comprovação desse requisito (interesse de agir)? Vamos lá!

Questões para fixar

[FGV - 2013 - OAB - Adaptada] Em relação aos remédios constitucionais, julgue a assertiva:

O habeas data pode ser impetrado ainda que não haja negativa administrativa em relação ao acesso a informações pessoais.

Item incorreto. A negativa administrativa do acesso à informação é um requisito indispensável à propositura do HD, de acordo com o art. 8º da Lei 9.507/1997 e a Súmula 2 do STJ.

Comentário:

Item incorreto. A negativa administrativa do acesso à informação é um requisito indispensável à propositura do HD, de acordo com o art. 8º da Lei 9.507/1997 e a Súmula 2 do STJ.

Gabarito: Errado [FCC - 2019 – Câmara de Fortaleza – Agente Administrativo] Ao indivíduo que pretenda obter acesso a informações relativas a si próprio, constantes de bancos de dados de entidades de caráter público, caberá valer-se, em juízo, de:

(A) mandado de segurança, assegurada gratuidade desde que seja reconhecidamente pobre, na forma da lei.

(B) habeas data, assegurada gratuidade desde que seja reconhecidamente pobre, na forma da lei.

(C) mandado de segurança, gratuitamente, ainda que não seja reconhecidamente pobre, na forma da lei.

(D) habeas data, gratuitamente, ainda que não seja reconhecidamente pobre, na forma da lei.

(E) mandado de injunção, não lhe sendo assegurada, contudo, gratuidade.

Comentário:

O remédio correto é o HD. Mas a questão exigia, ainda, que o candidato se lembrasse que o HD é uma ação gratuita, conforme prevê o art. 5°, inciso LXXVII, CF/88. Nossa resposta, portanto, está na letra ‘d’.

Gabarito: D

(C) Legitimidade ativa e passiva

O writ (remédio) poderá ser impetrado por qualquer pessoa, tanto natural quanto jurídica, seja nacional ou estrangeira28, para ter acesso às informações a seu respeito (ou para pedir a correção delas ou a anotação de algum dado complementar).

Note que, ao contrário do que vimos em nosso estudo do HC, em que uma pessoa jurídica podia ser a impetrante mas não a paciente, no HD a pessoa jurídica pode ser a impetrante na busca por acesso (ou retificação) de informações sobre si mesma. O examinador tentará lhe confundir sobre a possibilidade de a pessoa jurídica ser legitimada ativa no HD. Não caia nessa! Resolva comigo as próximas questões, ilustrativas desse ponto:

Questões para fixar

[TRT 1ªR - 2010 - TRT 1ªR - Juiz] Julgue o item:

Como a garantia constitucional do habeas data tem por finalidade disciplinar o direito de acesso a informações constantes de registros ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público relativo a dados pessoais pertinentes à pessoa do impetrante, a pessoa jurídica não tem legitimidade para o ajuizamento desse tipo de ação.

Comentário:

O HD pode ser ajuizado tanto por pessoa física, nacional ou estrangeira, quanto por pessoa jurídica. Estas últimas também têm direito de conhecer (ou retificar ou anotar) informações próprias, constantes de bancos de dados ou registros de entidades governamentais ou de caráter público. Sendo assim, a assertiva apresentada é falsa.

Gabarito: Errado [FUNDEP - 2015 - CORECON-MG – Advogado - Adaptada] Considere a seguinte afirmativa sobre a legitimação no âmbito das ações constitucionais:

O habeas data pode ser ajuizado tanto por pessoa física quanto por pessoa jurídica.

Comentário:

Assertiva correta. O habeas data pode ser impetrado por qualquer pessoa, tanto natural quanto jurídica, seja nacional ou estrangeira, para ter acesso às informações a seu respeito.

Gabarito: Certo

Um ponto muito importante sobre a legitimidade é o seguinte: o caráter personalíssimo do HD. Sabe

28. Residente ou não no Brasil, desde que seja observado, como requisito, a escrita da petição inicial em português.

o que isso significa? O HD só pode ser impetrado para o acesso, retificação ou anotação de informações relativas à pessoa do próprio impetrante e não de terceiros. Ou seja, o HD não é o remédio a ser usado para você obter informações acerca de outras pessoas, ou informações de interesse coletivo ou geral. O interessado vai ajuizar a ação em seu próprio nome no intuito de proteger interesse próprio.

Veja que interessantes essas questões, que bem ilustram esse ponto:

Questões para fixar

[CESGRANRIO - 2012 - Caixa - Advogado] O correntista Y pretende obter dados sobre a conta-corrente de sua genitora na instituição financeira W. Para isso, realiza o devido requerimento que vem a ser indeferido pelo gerente da agência onde a conta deveria ser cadastrada. Diante disso, Y impetra habeas data contra a instituição financeira.

Sobre o habeas data, tem-se que:

A) é instituto restrito à prestação de informações pessoais, não podendo ser utilizado por terceiros B) é instituto substitutivo de ação com preceito condenatório para obtenção de perdas e danos C) pode ser utilizado por pessoa física para acesso de informações de pessoa jurídica.

D) deve ser acessado por ente de núcleo familiar desde que autorizado por procuração.

Comentário:

Muito interessante essa questão, concorda? Será que por meio do HD o sujeito conseguiria obter da instituição financeira informações acerca da conta bancária da sua mãe? Claro que não! A letra ‘a’ é nossa resposta justamente por nos lembrar do caráter personalíssimo da ação.

Gabarito: A [CESPE - 2013 - TRT 5ªR-BA - Juiz do Trabalho - Adaptada] Acerca dos tipos de ação previstos na CF para a tutela das liberdades, julgue a assertiva:

Caso órgão público negue, ilegalmente, a determinada pessoa informação de terceiros e de interesse coletivo, caberá a impetração de habeas data.

Comentário:

Alternativa incorreta, visto que o habeas data somente poderá ser impetrado para o acesso, retificação ou anotação de informações relativas à pessoa do próprio impetrante e não para o acesso de informações a respeito de terceiros ou informações de interesse geral ou coletivo. Se o órgão público se recusou ilegalmente a entregar tais informações, o sujeito poderá pensar em pleiteá-las em juízo via mandado de segurança, pois o HD não pode ser usado.

Gabarito: Errado [TRT 8ªR - 2013 - Juiz do Trabalho - Adaptada] Julgue a assertiva:

Conceder-se-á “habeas-data” para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do

impetrante ou de sua família, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.

Comentário:

Notou o erro deste item? O habeas data sempre será impetrado para o acesso, retificação ou anotação de informações relativas à pessoa do próprio impetrante e não de terceiros, mesmo que sejam familiares.

Gabarito: Errado [FGV - 2011 - OAB] O habeas data não pode ser impetrado em favor de terceiro PORQUE visa tutelar direito à informação relativa à pessoa do impetrante. A respeito do enunciado acima é correto afirmar que:

A) ambas as afirmativas são verdadeiras, e a primeira justifica a segunda.

B) a primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda é falsa.

C) a primeira afirmativa é falsa, e a segunda é verdadeira.

D) ambas as afirmativas são falsas.

Comentário:

Pode assinalar a letra ‘a’, caro aluno. Considerando que o HD é uma ação destinada a assegurar o conhecimento (ou a retificação ou anotação) de informações relativas à pessoa do impetrante (art. 5º, LXXII, da CF/88), ela tem caráter de ação personalíssima e, portanto, não pode ser impetrada em favor de terceiros.

Gabarito: A

No entanto, preciso lhe informar que existem entendimentos jurisprudenciais (dos tribunais) reconhecendo exceções a essa ideia de que no HD somente a própria pessoa pode usar o remédio para ter acesso às suas próprias informações. Essas exceções surgiram em causas referentes à transmissão de direitos em havendo o falecimento do titular dos dados. Nesse contexto, o extinto TFR (Tribunal Federal de Recursos29) reconheceu a legitimidade dos herdeiros do de cujus (falecido) e do cônjuge supérstite (sobrevivente) para a correção de dados do morto. O STJ também já se manifestou pela possibilidade de o cônjuge sobrevivente ser parte legítima para propor habeas data com o objetivo de obter informações do de cujus.

Uma outra importante consequência que podemos extrair do caráter personalíssimo dessa ação constitucional é a impossibilidade de a Administração negar acesso às informações requeridas pelo impetrante sob o fundamento de que tais informações são sigilosas. Ora, no âmbito habeas data, as informações a que se pretende ter acesso dirão sempre respeito a dados pessoais do impetrante, não se

29. Hoje já não existe mais.

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