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CAPÍTULO II: DESENVOLVIMENTO E O PAPEL DO ESTADO

2.1. D ESENVOLVIMENTO E M EIO A MBIENTE

A questão ambiental está intimamente relacionada à problemática do desenvolvimento, especialmente nos países subdesenvolvidos e naqueles em desenvolvimento77, uma vez que a sustentabilidade reclama um modelo de desenvolvimento que não comprometa os recursos naturais e o meio ambiente, já que não deve comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas necessidades. Não pretendemos, no presente trabalho, explorar a fundo a temática do desenvolvimento, mas apenas pontuá-la, dada a correlação entre ela e o tema aqui tratado.

O desenvolvimento é um fenômeno com dimensão histórica, de forma que cada economia enfrenta problemas que lhe são específicos, não existindo fases do desenvolvimento pelas quais, necessariamente, passam todas as sociedades78.

Ao criar estruturas concentradoras, o poder econômico influencia, desde a época colonial, os padrões de distribuição de renda e de pobreza no Brasil e em outras ex-colônias79. A regulação exerceu papel fundamental na ocupação econômica das colônias, de forma que o direito possuiu um papel determinante na formação das estruturas econômicas e instituições do período.

Em que pesem os argumentos expostos pelos teóricos das hipóteses institucionalista80 e geográfica81, fato é que os ciclos econômicos trouxeram diferentes perfis institucionais e

77 A discussão sobre os conceitos de “país subdesenvolvido” e “país em desenvolvimento” não será objeto do presente estudo. Este trabalho pretende apenas pontuar a questão com o objetivo de contextualizar a tributação sustentável. Assim, o presente estudo examinará o caso Brasileiro, ainda que as conclusões possam ser aplicadas a outros países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos.

78 Nesse sentido: Gilberto BERCOVICI, O Estado Desenvolvimentista e seus impasses: uma análise do Caso Brasileiro, p. 14.

79 Calixto SALOMÃO FILHO SALOMÃO FILHO, Concentração, Estruturas e Desigualdade: As origens coloniais da pobreza e da má distribuição de renda, p.19.

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Resumidamente, acreditam que o subdesenvolvimento se deu como um efeito indesejado do processo inicial de ocupação do novo mundo, pela criação de instituições ineficientes.

81 Resumidamente, acreditam que as diferenças de desenvolvimento entre os países pode ser justificada a partir das dimensões continentais que estiveram sob o domínio do mesmo colonizador.

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estruturas jurídicas e econômicas, que marcaram de forma incisiva o processo de desenvolvimento (ou subdesenvolvimento) brasileiro. A condição de colônia criou estruturas internas de poder no campo econômico que podem recontar nosso processo de desenvolvimento e as origens da nossa condição82.

A instalação de estruturas concentradoras e a dificuldade de rompimento dos laços de dependência seriam, portanto, as principais causas da pobreza e desigualdade social atuais no Brasil. As estruturas econômicas que existiam durantes os ciclos da cana, do ouro e do café influenciaram de forma definitiva o desenvolvimento, em decorrência da drenagem social de recursos que criavam83.

Alterações nas estruturas econômicas e sociais, portanto, são fundamentais para o desenvolvimento, de forma que parece necessário desenvolver mecanismos que detalhem e influenciem referidas estruturas para que seja possível atuar sobre o processo de desenvolvimento.

As matrizes teóricas anglo-saxãs influenciam de tal forma a teoria econômica, que as premissas em que se baseiam a teoria do desenvolvimento muitas vezes mostram-se inadequadas à realidade economia e social dos países subdesenvolvidos.

Ainda que a literatura econômica tenha criticado o neoclassicismo84, fato é que não há uma solução unitária para o desenvolvimento. Os processos de desenvolvimento dependem de instituições e valores85, mas é necessário que seja estabelecido em que sentido estes devem apontar. A capacidade de acesso a importantes elementos da cidadania social é fundamental

82 Sobre o tema, ver Calixto SALOMÃO FILHO, Concentração, Estruturas e Desigualdade: As origens coloniais da pobreza e da má distribuição de renda.

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Como bem destacado por Calixto Salomão Filho “Essas estruturas, e não a motivação individual, são os principais fatores que levam a diferenças entre economias baseadas no monopólio extrativo e sociedades em que essas estruturas não prevaleceram. Elas acabam por determinar os ciclos econômicos e influenciam todo o sistema social e econômico, sobrepondo-se às diferenças que regiões de estabelecimento definitivo das populações e regiões meramente extrativas podem ter do ponto de vista da motivação individual dos exploradores”. (Concentração, Estruturas e Desigualdade: As origens coloniais da pobreza e da má distribuição de renda, p. 34).

84 No âmbito da literatura econômica, podemos distinguir três correntes em alguma medida críticas ao neoclassicismo, quais sejam, os teóricos das imperfeições do mercado, a escola da nova economia institucional e o grupo formado por economistas que individualmente buscam destacar a importância dos valores dentro da teoria econômica. Tais escolas não serão objeto de análise no presente trabalho.

85 Nesse sentido, ver D. NORTH, Institutions, institutional change and economic performance, Cambridge, Cambridge University Press, 1990 e A. SEN, Choice, ordering and morality in “Choice, Welfare and measurement”, Oxford, Blackwell, 1997, p. 74 e ss.

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para que se verifique um verdadeiro desenvolvimento econômico e social. Assim, o desenvolvimento depende de uma transformação das estruturas socioeconômicas e institucionais, de forma que inclui, mas não se confunde com o crescimento econômico86.

O desenvolvimento pode ser entendido como um processo de conhecimento social, que deve levar à maior inclusão social possível, de forma que depende do conhecimento da melhor escolha econômica da sociedade. Nesse contexto, é necessário conhecer as preferências econômicas dos agentes e, portanto, eliminar valores e instituições que impedem a eliminação da exclusão do processo econômico e que incentivem meios de transmissão dessas preferências87.

O desenvolvimento depende de uma construção jurídica adaptada à realidade específica do subdesenvolvimento, ou seja, de um método que elimine as imperfeições estruturais por meio da ou fomentando a difusão de conhecimento econômico.

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 170, estabelece os princípios da ordem econômica, trazendo opções econômicas básicas à sociedade. A interpretação e a aplicação de referidos princípios devem levar em conta os aspectos históricos e necessidades sociais específicas do contexto em que inseridos.

As compensações e a tendência à manutenção das estruturas devem ser superadas, devendo ser adotada uma solução estrutural que influencie e reorganize estruturas econômicas e jurídicas de poder.

Dessa forma, o direito deve intervir e influenciar as estruturas econômicas em diversos setores88. Mais do que adotar fórmulas pré-concebidas ou importar “soluções estrangeiras”, os responsáveis pelas políticas públicas devem buscar o desenvolvimento econômico por meio de inovações institucionais, buscando alternativas criativas formuladas especificamente para a sociedade brasileira.

Adotaremos, então, o conceito de desenvolvimento como um processo de crescimento econômico, aliado à superação da pobreza, diminuição das desigualdades e acesso aos demais

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Nesse sentido: Gilberto BERCOVICI, O Estado Desenvolvimentista e seus impasses: uma análise do Caso Brasileiro, p. 15-16.

87 Calixto SALOMÃO FILHO, Regulação e Desenvolvimento, p. 32.

88 Irma ADELMAN, Cynthia Taft MORRIS, Habib FETINI e Elise Golan-HARDY, Institutional Change, Economic Development, and the Environment.

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direitos fundamentais do homem, que inclui o direito ao meio ambiente equilibrado. Partindo da premissa de que o direito pode ser um instrumento nesse processo89, verificaremos primeiro as formas pelas quais o Estado pode intervir no Domínio Econômico, pelo direito, e posteriormente analisaremos a utilização de mecanismos tributários como instrumento de intervenção do Estado na política ambiental, mais especificamente como instrumentos na busca da sustentabilidade.