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Segundo Morato (2010), a Associação Americana para a Deficiência Mental (AAMR), mudou de nome desde abril de 2007 para Associação Americana para as Dificuldades Intelectuais e Desenvolvimentais (AAIDD), devido ao incorreto uso do termo deficiência mental na atualidade e devido às progressivas evoluções e conhecimentos respeitantes a esta problemática.

Para o mesmo autor, o funcionamento inteletual, o comportamento adaptativo e todo o desenvolvimento humano na sua globalidade desencadeado como base na interação

social, veio promover uma nova classificação para o termo deficiência mental, que se considerava “pouco rigoroso conceptualmente” e o qual não abrangia o pleno desenvolvimento humano e antes pelo contrário, não atribuia a importância do domínio adaptativo da pessoa com deficiência inteletual.

Desta forma, para o autor, a anterior definição para deficiência mental, não abarcava a dimensão social, ecológica e a adaptação do comportamento, fatores hoje em dia considerados fundamentais para classificar a dita deficiência, já que anteriormente a mesma era definida através de ”medidas estatísticas psiquícas” ou seja, a quantificação, o rigor e a objetividade dos dados obtidos desta forma tornavam-se o principal fundamento ciêntifico para conotar alguém de deficiente mental, nunca considerando os fatores extrinsecos supra- citados.

Morato (2010) refere ainda que esta necessidade de mudança de paradigma na concepção da deficiência inteletual deve-se fundamentalmente “à distinção entre o construto usado para descrever o fenómeno e o termo usado para designar o fenómeno da dificuldade inteletual.”

Na sua essência, o termo deficiência é mais estigmatizante, preconceituoso e transmite uma conotação mais negativa já que traduz insuficiência; por outro lado o termo dificuldade traduz uma incapacidade que pode ser minimizada devido às interações sociais produzidas no meio envolvente ao sujeito e, portanto pode tornar-se um termo muito menos redutor de capacidades e competências, ou seja, pejorativo e com certo grau de irrecuperabilidade total atribuindo uma conotação de total inutilidade ao sujeito com deficiência inteletual.

Para o autor, este questionamento surge nos últimos 50 anos e tem vindo a progredir na sua concepção através de vários teóricos:

- Nos anos 60 na Europa e EUA, autores como Doll, Ajuriaguerra, Heber, apontam

novos fatores para a definição e compreensão da deficiência mental, sendo eles: o ajustamento social e a adaptação do comportamento;

- Nos anos 70, Grossman avança com novas medidas da insuficiência /falta inteletual

e com a importância de uma medida que avalie o comportamento adaptativo;

- Nos anos 80, movimentos vários principalmente no Reino Unido lutam por uma

definição alternativa para o termo deficiência, de forma a enfocar mais as necessidades da pessoa e não a sua insuficiência numa ou mais áreas concretas;

- Nos anos 90, a lei norte americana aponta as necessidades específicas de alguém e

a necessidade de apoio e diminui o enfase dado às carateristicas das deficiências, relancando-se uma nova edição do manual de definição e classificação da

deficiência mental que abrange as medidas que contemplam o ajustamento social e o comportamento adaptativo.

Seguindo esta linha de pensamento, Morato (2010) refere-nos ainda que de fato a conotação estigmatizante associada á deficiência mental resulta de à longos anos nas mais diferentes sociedades o que confere por si só um “impato social negativo”, mas que foi colocado em causa e propenso a um maior questionamento pela comunidade ciêntifica a partir do século XIX.

Os progressos na forma de pensar, nas atitudes e nos comportamentos face a esta problemática, levam á reflexão que o termo deficiência reduzia e limitava o sujeito na sua vida ativa e social e condicionava o seu desenvolvimento global, o que contraria a defesa cada vez mais acérrima na atualidade acerca da necessidade de interações sociais em contexto com os pares, do sujeito com deficiência inteletual.

O autor afirma que:

aqui reside toda a diferença, ou seja, não é mais o sujeito pessoa pelas suas caraterísticas que deve ser objeto de estudo isolado mas sim e de forma exaustiva, a sua relação no contexto, a sua compatibilidade com as exigências do envolvimento (Morato, 2010,p.4).

Neste sentido, o autor aponta a “realidade sujeito/meio”, a sua ação, interação/relação e envolvimento com os contextos como a principal diferença para se mudar a concepção do termo deficiêcia mental e aponta-nos assim o sujeito como a variável independente e o meio como a variável a manipular, visto que vai influenciar o sujeito no seu desenvolvimento.

Baseando-se então numa visão ecológico/relativista e desenvolvimentista o mesmo autor refere ainda que:

o desenvolvimento humano como construto, passa então a ser considerado um processo em evolução, mutável portanto, e jamais como um processo conhecido e estabelecido como exclusivamente dependente do factor genético, determinista, o tal passivel de medida intrinseca exclusiva, o Q.I ( Morato, 2010 ,p.5).

Com isto, o autor transmite-nos a ideia que a dificuldade pode ter progressões, ainda que adaptativas, conforme a manipulação com o meio e daí decorre uma melhor reabilitação para os sujeitos com dificuldades, aumentando desta forma as expetativas positivas e diminuindo a conotação negativa e tão frágil atribuida ao sujeito com deficiência. Por outro lado a designação inteletual abrange fatores verbais, númericos entre outros enquanto a designação mental, aquando da sua avaliação é muito mais global e, portanto mais subjetiva na sua compreensão, o que significa que a junção do termo desenvolvimental ao termo dificuldade inteletual faz todo o sentido na medida em que abrange uma relação, interação de fatores adaptativos, que se interrelacionam

entre si e com o próprio sujeito, numa perspetiva ecológica que se baseia num micro, meso e macro sistema que rodeia e complementa a pessoa.

Podemos assim, como o autor atrás mencionado, caraterizar então a Dificuldade Inteletual e Desenvolvimental como uma dificuldade que se manifesta ainda antes dos 18 anos de idade e que apresenta expressivas limitações do funcionamento inteletual e do comportamento adaptativo expressos em 3 domínios cruciais: “conceptual, social e prático (habilidades adaptativas).”

Para tal realça-se a importância de cinco fatores essenciais na definição de Dificuldades Inteletuais e Desenvolvimentais (DID):

1. As limitações observadas em contexto comparadas com os pares e em função da cultura vigente nesse sistema;

2. A validade da avaliação deve fundamentar-se na diversidade cultural e línguistica, nas diferenças observáveis como por exemplo a comunicação, aspetos sensoriais, motores e adaptativos;

3. A consideração das competências e capacidades do sujeito em primeiro lugar em segundo lugar as suas limitações como carateristicas inerentes ao mesmo;

4. A descrição das limitações implica um plano de ação e desenvolvimento das necessidades específicas a apoiar;

5. A apropriação de apoios específicos individualizados e das caraterísticas únicas das pessoas, e com esta percepção as melhorias na funcionalidade generalizada da vida de uma pessoa com DID.(Morato, 2010).

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