Lista de acrónimos e siglas
3. E NQUADRAMENTO PROFISSIONAL
3.2. D IMENSÃO PROFISSIONAL
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.
Paulo Freire, 2003, p. 47
3.2.1.
Ser Professor como agente de mudança
Ainda hoje, se continua a associar ao ato de ensinar o método expositivo, no qual a criança cumpre a sua função de aprender ouvindo a voz do professor (Duarte & Moreira, 2019). É tempo de mudança e de se alterarem este tipo de conceções.
A sociedade enfrenta grandes alterações ideológicas, culturais, sociais e profissionais, “aponta-se a educação como o cerne do desenvolvimento da pessoa humana e da sua vivência na sociedade, sociedade da qual se espera um desenvolvimento econômico acrescido e uma melhor qualidade de vida”
(Alarcão, 2001, p.9). Ainda de acordo com a autora, o professor sustenta a responsabilidade acrescida no processo de “compreensão do presente e na preparação para o futuro” (p.10), preparando as crianças de hoje para serem os adultos de amanhã.
Nesse sentido e fazendo face a estas mudanças, o professor tem de intervir de maneira a melhorar as práticas e consequentemente a promoção das aprendizagens dos alunos. De acordo com Estrela (1997, p.164, citado por Torres, Mouta & Meneses, 2003, p.56), “o agente educativo necessita, (…) de estar imbuído de determinadas características que lhe garantam a possibilidade de, respeitando os outros, “ensinar”, as quais são, normalmente, referenciadas como “autoridade moral”: “(…) ser educador obriga a um modo particular de ser e estar, obriga a uma autonomia moral”. Assim, a escola assume papéis muito diversos. O ditado popular “a família dá a educação e a
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escola dá a instrução” já caiu em desuso. Hoje, a escola e o professor têm novas responsabilidades. “Designadamente, espera-se que as escolas reforcem os seus laços de cooperação com as famílias e as comunidades, multiplicando os acordos e os contratos de partenariado com a pluralidade de actores sociais, instituições, redes e serviços” (Baptista, 2011, p.18).
Deste modo o professor depara-se com novos desafios profissionais diários resultantes tanto da evolução da sociedade e da tecnologia, como da mudança
“constante” dos currículos, como dos progressos da educação, sobretudo no que se refere ao ensino e aprendizagem.
Nesse sentido ser professor é ser um agente de mudança, para tal será essencial que o docente detenha todo um conjunto de saberes e competências que o capacitem para um ensino atual e de qualidade, isto é, um ensino que permita dar resposta “às exigências da contemporaneidade, marcada pela multiculturalidade, complexidade, constante avanço científico e processos de permanente mudança” (Cunha, 2009, p. 1048).
Impõe-se a cada cidadão que pense por si, que não faça igual ao que outros tantos fazem, que faça diferente, que saia da sua zona de conforto, que seja criativo. Nesse sentido, este século é marcado pelo rápido avanço da tecnologia e, por isso, a escola tem que acompanhar todos estes avanços tecnológicos com diversas implicações sociais. A escola deve ser uma escola digital, que recorre à metodologia ativa e onde as práticas inovadoras se assumem como uma mais-valia, uma vez que “os alunos sentem-se motivados e produzem trabalhos com níveis superiores, além de estarem mais concentrados na tarefa e [serem] mais criativos “(Flores e Escola, 2009, p. 91 citado em Cunha, 2019, p.12).
Na sua atividade profissional, o professor é confrontado com uma complexidade de relações que se estabelecem naturalmente e, consequentemente, a diversidade de papéis que tem obrigatoriamente que desempenhar. As relações estabelecidas têm início com o professor, o currículo e as crianças, que são a essência da sala de aula. No que concerne ao currículo, o professor para além de conhecer a estrutura curricular deve saber interpretá-lo, desenvolvendo-o tendo em consideração, os interesses, as necessidades e as características dos alunos e do contexto social (Diogo, 2010). Para tal deverá
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existir cooperação entre os colegas para interrelacionar todas as componentes, e utilizar as metodologias mais adequadas, para que os seus alunos possam alcançar aprendizagens significativas. Considerando os poderosos efeitos que a aprendizagem cooperativa exerce sobre os alunos em áreas tão importantes e variadas e que a distingue das outras atividades de ensino e aprendizagem, esta metodologia constitui uma das ferramentas mais importantes para se garantir o sucesso dos alunos, tanto a nível académico como a nível da aquisição e desenvolvimento de competências sociais (Niza, 200). É necessário desenvolver esforços nas comunidades educativas no sentido de encorajar os professores a trabalharem em conjunto e introduzir mudanças para construir escolas assentes em práticas de cooperação (Sanches, 2005).
Considera-se também muito importante que o docente planifique o momento letivo, já que este processo desempenha um suporte que o guia nas suas práticas (Alvarenga, 2011). Zabalza (2001) defende que a planificação ajuda o docente a encontrar o rumo da aula, as atividades a realizar e a sua sequência, baseando-se em estratégias de procedimento. Para além de a planificação permitir ao professor ir ao encontro das necessidades da turma, ao planificar, deve ter em conta as diferentes áreas de conteúdo e a sua coerente articulação, assim como, a capacidade de previsão de imprevistos que se concretizam ou modificam, de acordo com as situações e ritmos de aprendizagens dos alunos (Diogo, 2010).
O professor tem um papel crucial, na seleção das tarefas a desenvolver, elas representam oportunidades que são criadas para que os alunos possam aprender nas salas de aula. Tendo em consideração o trabalho de Azcárate e Castro (2006), as tarefas têm um papel fundamental num ensino que tem por objetivo proporcionar condições ao aluno para que ele construa o seu próprio conhecimento. Assim, pode dizer-se que através das tarefas os alunos podem aprender que o professor pode ensinar e que ambos podem avaliar o seu trabalho. Neste contexto a Direção-Geral de Educação assume que a avaliação é uma dinâmica que regula o ensino e a aprendizagem tendo em atenção os documentos curriculares em vigência, proporcionando ao docente, ao aluno,
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ao encarregado de educação e a outros intervenientes, conhecimento sobre a progressão do trabalho que está a ser desenvolvido, de modo a permiti melhorá-lo (Despacho normativo n.º 1-F/2016, de 5 de abril). Para Roldão (2003), “avaliar é o conjunto organizado de processos que visam o acompanhamento regulador de qualquer aprendizagem pretendida, e que incorporam, por isso mesmo a verificação da sua consecução” (p. 41).
Em suma, pode dizer-se que o professor deve estar ciente e consciencializado do seu papel na mudança e na inovação do processo educativo. Deste modo é fundamental que seja capaz de criar ambientes propícios à aprendizagem, de despoletar o interesse pela construção de saberes nos estudantes, de respeitar os diferentes ritmos de trabalho dos seus estudantes, de valorizar as experiências realizadas e a troca de saberes através da interação e promover a socialização (Fernandes, 1994). O professor deve ter sempre presente, que as suas ações se refletem na vida das gerações futuras (Cardoso, Taveira, & Teixeira, 2014). Um professor que sabe inspirar e conduzir a mudança pode preparar com sucesso os alunos para os inúmeros desafios que encontrarão no futuro. Desse modo, o professor pode ser um agente de mudança nas suas escolas, iniciando e conduzindo processos de mudança nas suas práticas educativas e consequentemente fazer a diferença, tentando
“chegar a todos” (Fernandes, 2018), promovendo nos estudantes para além das aprendizagens formais, o desenvolvimento social e afetivo, assim como com o bem estar das crianças (Duarte et al. 2019).
3.2.2.