INTRODUÇÃO
A expressão meio ambiente (milieu ambiant) foi provavelmente introduzida por GEOFFROY ST.-HILAIRE em 1835 255.
Em seu significado filosófico corrente trazido por ABBAGNANO,
apresenta a seguinte definição: “um complexo de relações entre
255 Abordagem em sua obra Études progressives d'un naturaliste. In A
BBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo, Martins Fontes, 2000. p. 36. Também mencionado por MILARÉ, Édis. Direito do ambiente. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004. p. 77.
mundo natural e ser vivo, que influem na vida e no comportamento do mesmo ser vivo”. 256
Conforme exposição de AMÉRICO LUÍS MARTINS DA SILVA, entende-se
por meio ambiente:
a) as circunvizinhanças de um organismo , incluindo as plantas, os animais e os microorganismos com os quais ele interage; 257
b) o mundo biótico (de seres vivos) e abiótico (de coisas sem vida); 258
c) o meio físico, químico e biológico de qualquer organismo vivo; 259
d) o conjunto de todas as condições e influências externas que afetam a vida e o desenvolvimento de um organismo. 260
Para JOSÉ AFONSO DA SILVA, por outro lado, o meio ambiente pode ser
dimensionado como: “a interação do conjunto de elementos naturais,
256 A
BBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. São Paulo, Martins Fontes, 2000. p. 36.
257 R
ICKLEFS, R. E. A economia da natureza. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1996. p.
35. Apud SILVA, Américo Luís Martins da. Direito do meio ambiente e dos recursos naturais. Vol. 1. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004. p. 52.
258 M
ORÁN, E. F. A ecologia humana das populações da Amazônia. Rio de Janeiro, Vozes,
1990. p. 29. Apud SILVA, Américo Luís Martins da. Ob cit. p. 52.
259 P
OPE, 1991. Apud ANDRADE, Sueli Amália de. Fundamentos de ecologia básica. In LEITE,
Ana Lúcia Tostes de Aquino & MININNI-MEDINA, Naná (Coord). Educação ambiental – curso
básico à distância: questões ambientais: conceito, história, problemas e alternativas. Vol. 2. Brasília, Ministério do Meio Ambiente, 2001. p. 149. Apud SILVA, Américo Luís Martins da.
Ob cit. p. 52.
260 B
ATALHA, Ben-Hur. Glossário de engenharia ambiental. Rio de Janeiro, Nuclebrás, 1987.
artificiais e culturais que propiciem o desenvolvimento equilibrado da vida em todas as suas formas” 261.
ALEXANDRE DE MORAES 262 aponta que a preocupação com o meio
ambiente remonta às Ordenações Filipinas, que previam no Título LXXV do Livro Quinto uma pena de açoite e degredo à África por quatro anos ao agente que cortasse uma árvore ou fruto e gerasse um dano mínimo. Caso o dano fosse maior, o degredo seria eterno.
No caso brasileiro as primeiras legislações com referência ao meio ambiente surgiram na década de 30. No entanto foi na década de 60 que iniciou-se a pressão mundial pela necessidade de preservação ao meio ambiente. 263
Nesse ambiente foi elaborada a Declaração sobre o Ambiente Humano, durante a Conferência das Nações Unidas em Estocolmo em 1972, que previu: 264
O homem (...) é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. (...) Os recursos naturais da Terra, incluídos o ar, a água, o solo, a flora e a fauna e, especialmente, parcelas representativas dos ecossistemas naturais, devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras, mediante um
261 S
ILVA, José Afonso da. Direito ambiental constitucional. São Paulo, Malheiros, 2002. p.
20. 262 In M
ORAES, Alexandre de. Direito constitucional. São Paulo, Atlas, 2005. p. 741.
263 B
ENJAMIN, Antônio Herman. O meio ambiente na Constituição federal de 1988. In KISHI,
Sandra Akemi Shimada & SILVA, Solange Teles da & SOARES, Inês Virgínia Prado (Org).
Desafios do direito ambiental no século XXI. São Paulo, Malheiros, 2005. p. 370. 264 Vide M
AZZUOLI, Valério de Oliveira. Coletânea de direito internacional. São Paulo, Revista
cuidadoso planejamento ou administração adequados. Deve ser mantida e, sempre que possível, restaurada ou melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres, bem assim o seu ‘habitat’, que se encontram atualmente em grave perigo, por uma combinação de fatores adversos. Em conseqüência, ao planificar o desenvolvimento econômico, deve ser atribuída importância à conservação da natureza, incluídas a flora e a fauna silvestres.
Coadunando com os interesses mundiais, o Brasil, a partir dos anos de 1980 e 1990, construiu um ordenamento ambiental exemplar, cujo
ápice pode ser considerado a própria Constituição de 1988. 265
Consagra a Constituição Pátria o direito de todos a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida. Para garantir efetividade ao mandamento constitucional, impõe a obrigatoriedade de zelo tanto pelo Poder Público quanto pela coletividade. 266
A CONSTITUIÇÃO DE 1988
No texto da Constituição de 1988 encontram-se várias remissões ao meio ambiente, além do capítulo próprio a ele destinado. As
265 B
ENJAMIN, Antônio Herman. O meio ambiente na Constituição federal de 1988. In KISHI,
Sandra Akemi Shimada & SILVA, Solange Teles da & SOARES, Inês Virgínia Prado (Org).
Desafios do direito ambiental no século XXI. São Paulo, Malheiros, 2005. p. 370. 266 F
ERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de direito constitucional. São Paulo, Saraiva,
obrigações da sociedade e do Estado encontram-se esparsas em
vários dispositivos, dentre os quais merecem destaque: 267
Artigo 5º, incisos XXIII, LXXI e LXXIII; 268
Artigo 20, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX, X, XI e Parágrafos 1º e 2º; 269
267 Destaques apresentados por S
ILVA, Américo Luís Martins da. Direito do meio ambiente e
dos recursos naturais. Vol. 1. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004. p. 501-507.
268 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...)XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; (...) LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; (...) LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; (...).
269 Art. 20. São bens da União: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a
ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. § 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar
Artigo 21, incisos XIX, XX, XXIII (alíneas a, b e c), e XXV; 270
Artigo 22, incisos IV, XII e XXVI; 271 Artigo 23, incisos I, III, IV, VI, IX e XI; 272 Artigo 24, incisos VI, VII e VIII; 273
territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. § 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei.
270 Art. 21. Compete à União: (...) XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de
recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso; XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos; (...) XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional; b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; (...) XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma associativa.
271 Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: (...) IV - águas, energia,
informática, telecomunicações e radiodifusão; (...) XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; (...) XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; (...).
272 Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; (...) III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; (...)VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; (...) IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; (...) XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; (...).
Artigo 43, Parágrafos 2º (inciso IV) e 3º; 274
Artigo 49, incisos XIV e XVI; 275 Artigo 91, caput e Parágrafos; 276
Artigo 129, inciso III; 277
273 Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente
sobre: (...) VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; (...).
274 Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo
complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. (...) § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) IV - prioridade para o aproveitamento econômico e social dos rios e das massas de água represadas ou represáveis nas regiões de baixa renda, sujeitas a secas periódicas. § 3º Nas áreas a que se refere o § 2º, IV, a União incentivará a recuperação de terras áridas e cooperará com os pequenos e médios proprietários rurais para o estabelecimento, em suas glebas, de fontes de água e de pequena irrigação.
275 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...) XIV - aprovar iniciativas
do Poder Executivo referentes a atividades nucleares; (...) XVI - autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais; (...).
276 Art. 91. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do Presidente da República
nos assuntos relacionados com a soberania nacional e a defesa do Estado democrático, e dele participam como membros natos: (...) § 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional: I - opinar nas hipóteses de declaração de guerra e de celebração da paz, nos termos desta Constituição; II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; III - propor os critérios e condições de utilização de áreas indispensáveis à segurança do território nacional e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente na faixa de fronteira e nas relacionadas com a preservação e a exploração dos recursos naturais de qualquer tipo; IV - estudar, propor e acompanhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias a garantir a independência nacional e a defesa do Estado democrático. § 2º A lei regulará a organização e o funcionamento do Conselho de Defesa Nacional.
Artigo 170, inciso VI; 278
Artigo 174, Parágrafos 3º e 4º; 279 Artigo 176, caput e Parágrafos; 280
Artigo 182, caput e Parágrafos; 281
277 Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: (...) III - promover o inquérito
civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; (...).
278 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (...).
279 Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. (...) § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros. § 4º As cooperativas a que se refere o parágrafo anterior terão prioridade na autorização ou concessão para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpáveis, nas áreas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei.
280 Art. 176. As jazidas, em lavra ou não, e demais recursos minerais e os potenciais de
energia hidráulica constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. § 1º A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais a que se refere o caput deste artigo somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União, no interesse nacional, por brasileiros ou empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País, na forma da lei, que estabelecerá as condições específicas quando essas atividades se desenvolverem em faixa de fronteira ou terras indígenas. § 2º É assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra, na forma e no valor que dispuser a lei. § 3º A autorização de pesquisa será sempre por prazo determinado, e as autorizações e concessões previstas neste artigo não poderão ser cedidas ou transferidas, total ou parcialmente, sem prévia anuência do Poder concedente. § 4º Não dependerá de autorização ou concessão o aproveitamento do potencial de energia renovável de capacidade reduzida.
Artigo 186; 282
Artigo 200, incisos VII e VIII; 283
Artigo 216, inciso V e Parágrafos 1º, 3º e 4º; 284
281 Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público municipal,
conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. § 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. § 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. § 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro. § 4º É facultado ao poder público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: I - parcelamento ou edificação compulsórios; II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo; III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.
282 Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: I - aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
283 Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da
lei: (...) VII - participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; VIII - colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.
284 Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: (...) V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. § 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas
Artigo 231, caput e Parágrafos; 285
Artigo 232; 286
Artigo 43 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias;
287e
de acautelamento e preservação. (...) § 3º A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais. § 4º Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão punidos, na forma da lei.
285 Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas,
crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições. § 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo- lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes. § 3º O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei. § 4º As terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis. § 5º É vedada a remoção dos grupos indígenas de suas terras, salvo, ad referendum do Congresso Nacional, em caso de catástrofe ou epidemia que ponha em risco sua população, ou no interesse da soberania do País, após deliberação do Congresso Nacional, garantido, em qualquer hipótese, o retorno imediato logo que cesse o risco. § 6º São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé. § 7º Não se aplica às terras indígenas o disposto no art. 174, §§ 3º e 4º.
286 Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para
ingressar em juízo em defesa de seus direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do processo.
Artigo 44 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 288
Pela enumeração acima podemos perceber o caráter interdisciplinar abrangente do direito do meio ambiente, conforme apontado por PAULO DE BESSA ANTUNES 289.
Percebe-se, nos dizeres de ANTÔNIO HERMAN BENJAMIN 290, que a
Constituição de 1988 “sepultou o paradigma liberal que via no Direito apenas um instrumento de organização da vida econômica”.
PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE COMO PRINCÍPIO DA ORDEM ECONÔMICA
287 Art. 43. Na data da promulgação da lei que disciplinar a pesquisa e a lavra de recursos e
jazidas minerais, ou no prazo de um ano, a contar da promulgação da Constituição, tornar- se-ão sem efeito as autorizações, concessões e demais títulos atributivos de direitos minerários, caso os trabalhos de pesquisa ou de lavra não hajam sido comprovadamente