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TIPOS DE PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NOS CAPS- EQUIPE MÍNIMA

4.1 DA ESCOLHA DO OBJETO A ELABORAÇÃO DO PROJETO

O interesse pela área de estudo da saúde mental em que estamos atualmente desenvolvendo o presente trabalho teve a origem de suas primeiras raízes há alguns anos, logo no início do curso de Serviço Social, mesmo que durante muito tempo, tenha ficado apenas no plano imaginário da pesquisa.

A primeira visita ao Hospital Doutor João Machado no semestre de 2009.2 para a realização de trabalho em grupo e aproximação com a prática profissional do assistente social na saúde mental, logo fez despertar o meu interesse pela respectiva área de atuação profissional, tão dinâmica e repleta de desafios.

Assim, desde cedo já tinha em mente uma direção para onde seguir no momento de desenvolver o último trabalho do curso que poderia me levar ou não, a obtenção do diploma de bacharel em Serviço Social.

O estágio curricular obrigatório durante o período de um ano na Clínica Pedagógica Professor Heitor Carrilho30- situada na rua estância velha, no bairro de Neópolis e na cidade de Natal-RN, me fez de fato ter a certeza de que estava no caminho certo, ou pelo menos, na área de estudo em que gostaria de desenvolver o trabalho de conclusão de curso.

No entanto, apesar da Clínica Heitor Carrilho ser uma instituição multidimensional em que oferece a oportunidade de muitos aprendizados, contemplando também outras áreas de trabalho, como a educação e a assistência, a área da saúde mental que me chamava à atenção se enquadrava mais no padrão das instituições que surgiram após o Movimento de Reforma Psiquiátrica, tendo um trabalho semelhante aos desenvolvidos nos Centros de Atenção Psicossocial, fazendo parte da rede de atenção extra-hospitalar.

Então a observação ao trabalho do assistente social desenvolvido na respectiva Clínica me fez repensar se realmente eu gostaria de continuar a desenvolver os meus estudos naquele âmbito profissional e me distanciar daquele forte interesse de aproximação com as práticas profissionais no âmbito do hospital psiquiátrico, que tanto me chamou atenção nos primórdios do curso.

30 Clínica que busca promover e articular ações para a efetiva inclusão de crianças e adolescentes na sociedade, através da educação básica de qualidade, da reabilitação e profissionalização, contribuindo para a qualidade de vida da pessoa com deficiência por meio da Inclusão Social e do Exercício Pleno da Cidadania.

Nesse sentido, ao final do estágio curricular obrigatório na Clínica Heitor Carrilho, mais especificamente no semestre de 2012.1, com o projeto de intervenção e relatório final de estágio concluídos, resolvi voltar as minhas idéias que ainda rondavam os hospitais psiquiátricos de Natal/RN e colocar no papel o que esteve sempre até então, no meu plano imaginário de pesquisa.

Foi a partir daí que o Serviço Social na Saúde Mental tornou-se o meu objeto de estudo, e que a inserção dos assistentes sociais na área de saúde mental com foco nos pacientes com transtornos sociais, tornou-se o meu problema de pesquisa.

Assim, ao longo do desenvolvimento do projeto eu pretenderia: analisar a política de saúde mental no Brasil, compreender o trabalho dos assistentes sociais quanto aos pacientes com transtornos mentais- considerando os fatores externos, identificar os desafios profissionais na saúde mental, como também estudar as possíveis causas dos transtornos sociais e contribuir para pesquisas posteriores quanto à inserção do assistente social na saúde mental.

A fim de alcançar os objetivos estabelecidos no projeto, pretenderia realizar tal pesquisa através de algumas técnicas de estudo, como a observação de campo, de registros de caso e de prontuários, além de entrevistas com as assistentes sociais.

A primeira técnica seria ideal para permitir a aproximação da realidade social a ser pesquisada, identificando os sujeitos envolvidos no estudo, suas principais necessidades e causas dos transtornos sociais, já a segunda, nos permitiria obter informações que não pudessem ser encontradas nos prontuários e nos registros de caso das instituições psiquiátricas, sendo portanto, alguns dos métodos ideais para a concretização dos objetivos do trabalho.

No entanto, transtornos sociais na minha concepção de participante de uma sociedade capitalista, dinâmica, e desigual, em que muitos indivíduos sociais são obrigados a ter uma vida intensa de trabalho para garantir a sua própria sobrevivência no sistema, penso que são freqüentes os desgastes emocionais por questões como miséria, violência e desemprego. Daí o surgimento do interesse em estudar o trabalho do assistente social voltado para essas pessoas.

Conseguintemente, ao debruçar-me sobre o acervo teórico dos transtornos sociais, descobri que existiam poucos estudos na área de Serviço Social e que a causa destes iria muito além dos fatores externos ou sociais (como desemprego,

violência, pobreza e miséria), existia também, uma predisposição genética do indivíduo para desenvolver tais transtornos.

Sendo assim, a fim de realizar um trabalho compreensivo aos olhos do leitor sobre o objeto de estudo, teria de me aprofundar sobre outras áreas profissionais do qual não tenho a aproximação e compreensão necessárias- é o caso da medicina psiquiátrica e da psicologia, pois estas explicariam mais detalhadamente a origem dos “transtornos sociais” que já não eram puramente “sociais” sob os parâmetros do Serviço Social.

Diante de tal situação, decidi redirecionar o objeto de estudo e trabalhar apenas na inserção do assistente social na área da saúde mental, no espaço sócio-ocupacional dos hospitais psiquiátricos, acompanhando assim, as suas atribuições e desafios profissionais naquele âmbito de trabalho.

Dessa forma, com o objeto de estudo redirecionado e com o propósito de colocar em prática as minhas idéias para o trabalho de conclusão de curso, iniciei durante um período de quatro meses a construção da monografia e a observação do fazer profissional de quatro assistentes sociais em dois hospitais psiquiátricos da cidade de Natal/RN: Hospital Psiquiátrico Doutor João Machado, Hospital Psiquiátrico Professor Severino Lopes, e ainda, na Clínica Santa Maria.