Ao observar a techné – esfera do conhecer – percebemos que seus feitos na Idade Clássica eram eticamente neutros por não colocarem em risco o equilíbrio da natureza e, consequentemente, a vida. Este fato deixava a ética somente para os problemas do homem do presente, não havia necessidade de pensar as condições que seriam deixadas para os homens do futuro. Ao contrário da tecnologia contemporânea que é o oposto da techné, na Idade Antiga, os resultados dos seus empreendimentos vão além do presente e, muitas vezes, do futuro a curto e médio prazos.
150 Cf. CHÂTELET, 1994. 151 Cf.STIEGLER, 1998. 152 Idem, p. 65.
Há na cultura do século XXI uma crescente necessidade de se repensar a conduta humana do ponto de vista ético. Nesse século, mais do que em qualquer outra época, a ética é vista como horizonte fundante de legitimidade política, jurídica e até científica. Dizer isto é o mesmo que afirmar que é indispensável estabelecer deveres a serem cumpridos para respeitar os limites mínimos necessários à sobrevivência da humanidade no planeta Terra. Daí porque é necessário
decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre, bem como com nossa comunidade local. Somos ao mesmo tempo cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um comparte responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e do grande mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo presente da vida, e com humildade, considerando o lugar que ocupa o ser humano na natureza. Necessitamos com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à emergente comunidade mundial.153
É fato que o planeta Terra vem dando sinais de que a vida, como um todo, corre perigo de extinção. Escassez de água potável, poluição do ar, desertificação, seca, enchentes são alguns dos sinais que o planeta chegou ao limite da capacidade de tolerar as fortes agressões sofridas pelo homem, fruto da sua racionalidade econômica.
Este processo, fundado na racionalidade econômica e no direito privado, gerou uma corrida desenfreada das forças produtivas, ignorando as condições ecológicas de sustentabilidade da vida no planeta. Suas consequências foram não só a devastação da natureza – do sistema ecológico que é o suporte físico vital de todo sistema produtivo, mas também a transformação e destruição de valores humanos, culturais e sociais [...]. Isto desencadeou desequilíbrios ecológicos em escala planetária, a destruição da diversidade biótica e cultural, a perda de práticas e valores culturais, o empobrecimento de uma população e a degradação da qualidade de vida das maiorias.154
Todo este poder econômico, assim como a forma de produção e também de consumo, desestabilizaram o equilíbrio ecológico do planeta. Precisa-se, portanto, de referências que promovam uma mudança de postura entre os seres humanos. No entanto, sabemos que isso só ocorrerá através de um ethos básico que expresse a mesma vontade de manter a vida no planeta. Há atualmente, no campo da ética e da moral, várias formas de argumentação que oferecem uma possível base para a formulação de uma ética, não necessariamente vinculada a pressupostos antropológicos – ou seja, valorar a natureza pelo que ela é e não pelo que ela serve ao homem.
153 Cf. BOFF, 2001, p.150. 154
Pela primeira vez, com o fim das ideologias que legitimavam certo tipo de sociedade e de Estado, bem como com os novos desafios científico-tecnológicos e econômico-políticos próprios dos tempos em que vivemos, a humanidade encontra-se frente ao desafio de assumir, em escala mundial, a responsabilidade pelos efeitos presentes e futuros de suas ações. O desafio ético do homem contemporâneo é construir um modo de vida em sociedade no qual as relações intersubjetivas de reconhecimento e consenso tenham primazia superando o individualismo destrutivo. Desse modo, ser humano necessita
orientar as formas de desenvolvimento para eliminar a pobreza crítica e passar da sobrevivência à melhoria da qualidade de vida [...]. Reivindicam-se assim valores associados à qualidade de vida, o prazer estético, o desenvolvimento intelectual e as necessidades afetivas, através da reconstrução do ambiente. Além do direito a um bem-estar fundado na satisfação de necessidades básicas (vestido, trabalho, educação, moradia), a carta dos Direitos Humanos incorporou o direito a um ambiente sadio e produtivo, inclusive os novos direitos coletivos para a conservação do patrimônio comum de recursos da humanidade.155
Para que tudo isso seja concretizado será preciso formular uma conduta ética que possua como elemento articulador variantes conceituais que não estão presas à simples satisfação das necessidades individuais, e sim dirigidas, primordialmente, ao bem comum. Mas um bem comum ampliado que envolva as várias espécies habitantes do planeta, preenchendo o vazio ético que nos assola.
A complexidade dos problemas enfrentados pelo homem no século XXI gera a necessidade de uma mudança radical no edifício ético, até então alicerçado por princípios que regulam a conduta humana desde antes do surgimento da técnica moderna. Daí a necessidade de parâmetros éticos que direcionem o uso da tecnologia para a manutenção da vida na terra, nos quais a questão ambiental se torne um componente essencial de sua formulação.
Como dito anteriormente, o século XXI é notadamente marcado por riscos que chamam a atenção para os grandes desafios que surgirão no horizonte bem próximo da sociedade contemporânea. Estes riscos, na grande maioria das vezes, delineavam um devir no qual o esboço de um mundo virtuoso, esperado e desejado desde o final do século XIX, muito bem expresso no conceito de progresso e nas oportunidades alardeadas pela ciência, não mais surgia como inevitável e inexorável. Ao contrário disso, nos últimos cinquenta anos do século passado, muito mais do que em qualquer outro período da história, os acontecimentos resultantes do progresso produziram na humanidade um sentimento de desassossego e de grande perplexidade. Este mesmo dilema adentrou o século XXI e revela-se ainda mais
155
assustador: basta ver as catástrofes ambientais e as promessas de felicidade que viriam para a humanidade na esteira da tecnologia e da ciência que não foram nem de longe concretizadas.156
As noções de progresso – compreendido como crescimento econômico – bem como o desenvolvimento científico – representado na contemporaneidade pelo avanço tecnológico – tornaram-se para a humanidade aquilo que lhe deu forma, o fio condutor para a realização das utopias do século XIX, mas, no entanto, acarretaram em sua esteira , graves problemas. A realidade é que estamos em rota de colisão com o sistema ecológico do planeta, destruindo seus componentes mais vulneráveis e imprescindíveis para a continuidade da vida na terra. Quiçá o castigo que Prometheus sofreu por nos presentear com o fogo não tenha sido em vão, pois juntamente com a sabedoria dos deuses nos foi deixado, também, o poder de aniquilamento dos demônios, representado pelas consequências do uso irrestrito e desmesurado da Natureza.157
A gravidade e intensidade de problemas como o que ocorreu na costa nordeste do Japão, em 2011, quando um terremoto de magnitude de 8,9 graus na escala Richter, gerou uma tsunami de dez metros que arrastou carros e construções nas cidades litorâneas perto do epicentro resultaram em danos críticos à Usina Nuclear de Fukushima. Desde o incidente, muita radiação vaza no local e isso causa sérios problemas à saúde dos japoneses de maneiras diretas e indiretas — contaminando a água e o solo, por exemplo. Tal situação não compromete somente a saúde dos japoneses, porque as questões referentes a problemas ambientais desconhecem fronteiras e acabam por contaminar muitos ecossistemas terrestres.
Além da situação supracitada, ainda existem os riscos que perpassam a vida no dia-a-dia, quais sejam a violência endêmica tanto na esfera pública quanto na esfera privada, a desestruturação das relações de trabalho, a poluição, a exclusão de muitos e o problema ambiental. Parece não haver mais nenhuma ideologia ou lugar nos quais se possa viver longe de tais problemas. Estas e outras situações-problema são resultado do progresso. E a questão é que
o problema justamente é que a busca do progresso, tão enaltecida em nosso processo civilizatório industrial, gerou um Frankenstein. Aprendiz de feiticeiro, o homem deixou-se levar pelo canto da sereia tecnológico, misturando num mesmo pote
156
Cf. SANTOS, 1989.
elementos tão diversos como a natureza (que se torna recurso natural), o trabalho (que se torna recurso humano) e o capital. Resultado: surge o conceito de fator de produção, envolvendo esses três componentes. Em nome do progresso e do bem- estar material era chegada a hora de ‘dobrar’ a natureza.158
Em todos os lugares, na terra e nas águas, no gelo que se derrete e na neve que desaparece, nas secas prolongadas e nas chuvas que arrasam comunidades inteiras, vemos provas crescentes e inegáveis de que os ciclos da natureza estão passando por profundas mudanças. Tudo isto é um conjunto de fenômenos que inclui a deterioração crescente do meio ambiente natural, o esgotamento dos recursos naturais, o crescente buraco na camada de ozônio, a chuva ácida, o desflorestamento, a desertificação causada pela superexploração do solo, a perda da biodiversidade e a contaminação das águas que, obrigam o homem de hoje a repensar a sua relação com a natureza, pois a cada dia torna-se mais urgente a solução para esta questão.
O que não é possível esquecer, contudo, é o fato de que a questão ambiental, fruto da ciência moderna e do desenvolvimento ilimitado, não é somente um problema de limites dos recursos ambientais, mas também de crescimento econômico, das aspirações e ambições de sociedades não só ocidentais, como é o caso mais recente, Brasil, Rússia, Índia, China (BRIC) e África do Sul. Este tipo de crescimento que transforma ecossistemas naturais em ecossistemas artificiais não se dá sem atrito, ou seja, sem aparecimento de efeitos secundários, muitos deles não previstos e mesmo negativos.159
No entanto, até bem pouco tempo, a questão ambiental não permeava o cotidiano dos grandes centros urbanos. O homem do século XIX, por exemplo, cultivava a terra com a ajuda de instrumentos que funcionavam apenas como uma extensão do corpo humano: exemplo disto é a enxada e o arado, usados por todos na agricultura. Com o passar do tempo o homem criou um ambiente artificial, proporcionado pelo avanço da tecnociência e usado indevidamente nos moldes da tecnocracia,160 a relação homem-natureza, desde então, passou a ser vista como
sendo de pouca importância.161
158 Cf.BURSZTYN, 1995, p. 58.
159Cf. VIDEIRA, 2004, p 130.
160
O termo tecnocracia foi criado a partir das palavras gregas techné e kratos. E foi usado inicialmente para representar a utilização do método científico na solução das questões sociais, em oposição aos clássicosenfoques
político, econômico e filosófico Cf. JONES, 1995, p. 214. O significado de kratos é poder, habilidade de controle, força para ordenação. Igualmente, o conceito tecnocracia – norteamento da relação do homem por meio da perspectiva do controle, ordenação e exploração. Por isso, a tecnocracia é muito mais do que o simples estar subjugado às máquinas. Representam um modo de ser que pensa o real unicamente através do ideal do cálculo, controle, dominação, normatização. A tecnocracia, dessa maneira, coloca o modo de compreensão humana da totalidade do real, onde este se mostra como fonte de energia pronta para ser explorado pela vontade
Infelizmente, o pensamento de Leff pode ser comprovado pelo incremento dado ao aquecimento global por ações humanas que aceleram o aquecimento global, o buraco na camada de ozônio, dentre outros, que foi solenemente ignorado pelos candidatos à presidência dos EUA. Segundo a cientista americana Amanda Staudt, da Federação Nacional da Vida Selvagem, as mudanças climáticas amplificam a intensidade e a duração dos fenômenos e o aquecimento global funciona como “esteroide para furacões”. Ou seja, o impacto do furacão Sandy, em 2012, foi intensificado pelas temperaturas alteradas da atmosfera.162
Kevin Trenberth – diretor da Seção de Análise do Clima do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas – NCAR tem a mesma percepção. Ele afirma que “as temperaturas da superfície do mar ao longo da costa do Atlântico têm subido mais de 3 graus Celsius acima do normal”. E continua: “O aquecimento global fornece um novo pano de fundo, no sentido de aumentar os riscos de furacões mais ativos”. Mike Tidwell, diretor da Rede de Ação Climática de Maryland e autor do livro The Ravaging Tide (A Maré Devastadora), é também taxativo. “Nós já aquecemos o planeta”, diz. “Todos concordam que os oceanos estão mais quentes? Que as temperaturas terrestres têm se elevado? Que há mais umidade no ar? A resposta é sim. Portanto, é impossível ter uma super tempestade que não possua a impressão digital da mudança climática sobre ela.”163
Penso que, enquanto os destemidos novaiorquinos iniciaram a tarefa de secar a cidade, deveriam, assim como qualquer outro cidadão que sofra consequências do efeito estufa, da exploração do xisto, entre outros, nomear essas tempestades com os nomes das companhias exploradoras de petróleo e xisto que fazem tudo para esconder suas formas erradas de lidar com um tipo de trabalho tão arriscado?
Sabemos que o aquecimento global não foi “a causa” desse furacão, porque eles são causados quando uma onda tropical lava a costa da África e começa girar pelo Atlântico. Mas essa tempestade nasceu nas águas oceânicas 6ºC graus mais quentes do que o normal, então não é chocante que tenha se tornado monstruoso. A maior parte dos estragos veio do surto selvagem
de dominação humana. As implicações do ideal tecnocrático são sinistras. Como assinalado por Heidegger, os sintomas do modo de ser tecnocrático representa devastação da terra e massificação do ser humano Cf. HEIDEGGER, 1999, p. 71-77. 161 Cf. LEFF, 2006. 162 Cf. http://diariodocentrodomundo.com.br 163 Idem.
do furacão. A razão? O nível do mar no porto de Nova York aumentou conforme o clima esquentou.164
Por isso, é justo que devamos batizar tempestades com o nome de tais companhias a partir de agora. Certamente causaria um grande impacto negativo quando os repórteres: “Exxon está vindo para a terra através de Nova Jersey, deixando estragos em seu rastro.” “Chevron força evacuação de 375 mil”. A 350.org, uma campanha de mudanças climáticas que ele criou, está enviando um apelo por email que consiste em dois pedidos: que as pessoas enviem dinheiro para a Cruz Vermelha para os esforços de recuperação ao longo do litoral do Atlântico, e que eles enviem uma mensagem para as companhias petrolíferas, pedindo-lhes para parar o financiamento de campanhas eleitorais e usar o dinheiro para a reconstrução.165
Urge, portanto, uma relação harmoniosa com a natureza. Sem esta, fica comprometida a existência saudável dos seres no presente e acaba a possibilidade de existência de gerações futuras. Um grande passo seria termos uma ética baseada em uma relação de responsabilidade, fator decisivo para a mudança de pensamento e de atitude existencial. A humanidade atual é convidada a dar o “Sim” perpetuador da espécie humana e reconhecer a necessidade de ser responsável pelas demais criaturas deste universo. Um “Sim” vital, de escolha preferencial pela vida.
Se por um lado sabemos que a tecnociência gerou impactos sem precedentes sobre o meio ambiente, por outro há o reconhecimento que a própria tecnociência pode ser a chave para solucionar esses problemas ambientais. Assim, fica claro que precisamos é de mais tecnociência para solucionar questões, que surgem pela falta de cuidado de algumas empresas, bem como de políticos inescrupulosos que se utilizam de verbas destinadas às obras públicas para pagar gastos pessoais.
Um novo padrão de desenvolvimento tecnológico capaz de colaborar para a preservação e recuperação ambiental já existe e sustenta-se em dois grandes grupos de tecnologias: as limpas e as de end-of-pipe (EOP).166 Assim, modifica-se o conceito da tecnociência
viabilizando a crença de que com ela é possível, também, recuperar áreas degradadas e ampliar a eficiência dos recursos naturais em paralelo ao incremento da produtividade. Deste
164
Cf. LYNAS, M. 2008.
165
Cf. http://www.democracynow.org
166 Tecnologia EOP (end-of-pipe, final de circuito) é aquela que remedia os impactos ambientais e são
adicionadas a um sistema de produção já existente para minimizar a emissão de poluentes e resíduos. Ver Andrade, 2004.
modo, a tecnociência pautada em ações éticas passaria a ser vista não como um fator externo, mas como elemento integrante dos processos de tomada de decisão.
Há um grande empecilho, por outro lado, para a geração de tecnologias limpas que acaba tornando-se um desafio, a saber, seus objetivos de curto e longo prazo não são compatíveis com as políticas vigentes recheadas com atitudes tecnocráticas. Considerando esses pontos, na visão de Foray e Grübler,167 são quatro as questões ambientais referentes ao desenvolvimento
de tecnociência: a distinção entre os objetivos de curto e longo prazo, entre a resolução da atual situação de poluição e degradação que se encontra o planeta, bem como a prevenção de problemas futuros através do desenvolvimento de tecnologias limpas com ganhos econômicos no uso de insumos e no tratamento dos resíduos; o dilema entre a busca por tecnologias como opções alternativas para obter flexibilidade na solução de problemas e a tendência dos sistemas tecnológicos de padronização para redução de custos; e, por último, a questão entre a necessidade de criar e difundir tecnologias ambientalmente saudáveis e a necessidade de diminuir as irreversibilidades que possam trazer prejuízos ao meio ambiente.168
É importante aceitarmos o fato de que precisamos de mais e não menos tecnociência. Por conseguinte, o problema reside, acima de tudo, nos modelos políticos e econômicos que usamos para suscitar novos modos de geração de conhecimento, regulação flexível, diversidade tecnológica, bem como do aumento da capacidade de observação e aprendizado para evitar impactos ambientais advindos do uso de novas tecnologias. De tal modo, a geração e adoção de tecnologias limpas depende não só de mecanismos coercitivos, mas também de outros fatores como preço e qualidade das inovações; conhecimento e informação dos possíveis usuários sobre a disponibilidade de tecnologias, porque devemos ter cautela durante o uso para evitar efeitos indesejáveis; riscos e incertezas.
Além de ficarmos atentos não podemos deixar de pensar no fato de que o uso de padrões ecologicamente corretos por parte dos que fazem tecnociência, ou seja, a mudança de postura na produção científico-tecnológica direcionada também por parâmetros éticos e morais, que acabaria com os danos irreparáveis que comprometem o planeta e a continuação da vida. Assim sendo, nada seria mais lógico do que aproveitar os produtos da tecnociência para criar novos padrões sustentáveis.
167 Cf. FORAY & GRÜBLER, 1996. 168
Igualmente podemos afirmar que cabe aproveitar as inovações criadas pelas grandes corporações e agências governamentais disseminando-as para o conjunto dos grupos sociais, para podermos, assim, criar condições para o estabelecimento de ambientes plurais e eficientes. Contudo deve-se frisar: desde que conjugados aos imperativos da ética e da sustentabilidade.169
Daí porque a mudança dos padrões tecnológicos pelas exigências ambientais e pela busca de padrões ecologicamente sustentáveis deve resultar na necessidade de convergência de diferentes trajetórias tecnológicas e de um conjunto extenso de mudanças institucionais, que representam o espaço em que esses padrões se manifestam.
Mudanças no campo da ética, no tocante a estes problemas mencionados, podem ser vistas na obra do filósofo Hans Jonas que, nesse sentido, ocupa um papel singular no debate das ideias ecológicas, encontrando ampla aceitação entre variadas correntes éticas que defendem uma relação mais harmoniosa entre o homem/natureza/tecnociência. Seu pensamento ajudará a entender melhor as limitações de nossa época por abordar a questão ético-tecnociência em toda sua expressividade e em seus fundamentos ontológicos. É evidente as dificuldades que existem nas “éticas tradicionais” para abranger todos os problemas causados pelo mau uso da técnica atual. A Ética da Responsabilidade de Hans Jonas é uma proposta que reconhece a natureza como tendo direito próprio e uma significação ética, independentemente de sua condição de meio para satisfazer os desejos e necessidades dos seres humanos. De certo modo, ele pauta a agenda ética ambiental a partir de um horizonte ontológico, escapando da lógica do ganho econômico a qualquer custo.
A concepção ética defendida por Jonas, no Das prinzip verantwortung: Versuch einer Ethik für die technologische Zivilisation (1979), ao abandonar a postura das éticas antropocêntricas, insere-se na corrente das éticas biocêntricas que pretendem mostrar ao homem contemporâneo