Segundo os ensinamentos no nobre doutrinador Sérgio Pinto Martins, “aviso prévio é a comunicação que uma parte do contrato de trabalho deve fazer à outra de que pretende rescindir o referido pacto sem justa causa, de acordo com o prazo previsto em lei, sob pena de pagar indenização substitutiva.” (MARTINS, 2012, p. 431).
O aviso prévio encontra sua base legal, na Constituição Federal de 1988, que no art. 7º, XXI, da CF, dispõe o seguinte:
São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
[...]
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de 30 dias, nos termos da lei.
Para Carvalho (2014), tal norma é incompleta quanto a sua eficácia. Possuindo assim, o dispositivo supracitado limitando quanto a sua eficácia prática. Necessitando para tanto, que outra norma a completasse a fim de maximizar a sua
eficácia. O que ocorreu no ano de 2011, com a Lei 12.506.
Foi a Lei 12.506/11 que passou a regulamentar o prazo proporcional de trinta dias no mínimo e no máximo de noventa dias, a depender do tempo de serviço. Para Carvalho (2014), esse benefício pode ser aplicado somente ao empregado e nunca ao empregador.
Desta forma, quando a rescisão contratual parte do empregado, segundo o entendimento extraído da lei, este deve conceder ao empregador trinta dias de aviso prévio, independente do tempo em que este laborou na empresa.
O aviso prévio quando solicitado por uma parte, à outra não poderá modificá-lo, ou tão pouco negá-lo (CARVALHO, 2014). Segundo a autora, a finalidade do aviso prévio consiste em não deixar o trabalhador desamparado, quando recebe a notícia de que não fará mais parte do quadro de colaboradores da empresa na qual tem laborado.
Existe desta forma, a previsão da diminuição da jornada de trabalho, facultada as escolhas da hipótese pelo empregador; ou conceder um tempo ao empregado para que possa estar encontrando um novo emprego.
Existe a previsão de renúncia ao aviso prévio, somente ao empregado que já tiver um novo emprego, durante o curso, comprovadamente, quando dispensado pelo empregador (CARVALHO, 2014).
Carvalho (2014), ainda destaca que, quando solicitado o aviso prévio pelo empregado, este deve conceder ao empregador o aviso prévio, sob pena de indenizá-lo.
O aviso prévio é cabível na rescisão de contrato de trabalho por tempo indeterminado, sem justa causa, por ambas as partes, podendo ser de duas formas, trabalhada ou indenizada (CARVALHO, 2014). Segundo o artigo 483, da CLT, é possível ainda o aviso prévio em caso de falência da empresa, bem como na despedida indireta. Enquanto que os contratos por prazo determinado, por já estarem previamente cientes ambas as parte do período em que ocorrerá a finalização do contrato, a Constituição Federal, ou a legislação específica não estende tal direito as partes.
Não somente a Constituição Federal regulamenta o aviso prévio, mas ainda, a CLT, a partir do artigo 487, e seguintes. Um de 8 (oito) dias, situação em que o salário é pago por semana ou tempo inferior, e um de 30 (trinta) dias, para os
empregados que recebem salário quinzenal ou mensal.
O aviso prévio contempla o contrato de trabalho. Desta forma, para Carvalho (2014), o contrato de trabalho se encerrará somente no último dia do aviso prévio, seja ele trabalhado ou indenizado. Estabelece a OJ Nº 82, da SDI, do TST, que deve ser anotado na carteira de trabalho do empregado, o último dia de trabalho, ou seja, o último dia do aviso prévio, caso trabalhado.
Determina a Súmula 348, do TST, que o empregado que estiver no curso da garantia de emprego, não poderá receber o aviso prévio do empregador.
Até a promulgação da Lei 12.812/2013, muito se discutia no âmbito jurídico sobre a estabilidade provisória da gestante durante o aviso prévio. Porém, após a promulgação da referida Lei, tornou-se pacífico o entendimento jurídico sobre tal questão.
Carvalho (2014) destaca duas correntes, daqueles que concordavam com a aquisição e daquelas que não concordavam. Para a autora,
O entendimento daqueles que não concordavam com a aquisição, se pautava no fato de que o aviso prévio firma um tempo final para o contrato, portanto as partes já teriam ciência de quando terminaria a relação contratual; também, afirmavam que a projeção desse período se limitava às vantagens econômicas somente, não cabendo a estabilidade nesse caso tanto no curso do aviso prévio trabalhado, quanto indenizado. Aqueles que entendiam que a gravidez nesse período gerava a estabilidade, fundamentaram o fato na dignidade da pessoa humana, a proteção à mãe e ao nascituro, como já explanado no presente trabalho, bem como informava que tudo poderia ocorrer no curso do aviso, como por exemplo, uma dispensa por justa causa; por esse motivo, esse período não poderia ser considerado como final do contrato, já que estava sujeito a alterações, mas seria considerado como término no último dia. Assim, o aviso prévio tornaria sem efeito até que terminasse a estabilidade (CARVALHO, 2014, p. 49).
Com a inclusão do art. 391-A na CLT, que se deu por meio da promulgação da Lei 12.812/2013, ficou firmado o entendimento de que a empregada que engravidar no curso do aviso prévio, seja ele trabalhado ou indenizado, terá direito a estabilidade, conforme segue:
Art. 391-A. A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
Sobre tal matéria observa-se a inclinação da jurisprudência no mesmo sentido, conforme abaixo observado.
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. CONCEPÇÃO NO CURSO DO AVISO-PRÉVIO INDENIZADO. Em razão de provável caracterização de ofensa ao art. 10, II, -b-, do ADCT, dá-se provimento ao agravo de instrumento para determinar o prosseguimento do recurso de revista. Agravo de instrumento provido. RECURSO DE REVISTA. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. CONCEPÇÃO NO CURSO DO AVISO- PRÉVIO INDENIZADO. A concepção no curso do aviso prévio, ainda que indenizado, dá direito à estabilidade provisória da gestante, porquanto, além de o contrato de trabalho ainda estar vigendo, a rigor da letra do art. 487, § 1ºda CLT e OJ 82 da SBDI-1/TST, há de ser observada a dicção do artigo 10, II, "b", do ADCT, que veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Na compreensão do item I da Súmula nº 244 desta Casa, o direito da gestante à indenização equivalente ao período estabilitário, decorrente da garantia de emprego, não está condicionado ao conhecimento do estado gravídico pelo empregador ou pela empregada. Recurso de revista conhecido e provido. Processo: RR - 984- 43.2011.5.02.0381 Data de Julgamento: 20/08/2014, Relator Ministro: Breno Medeiros, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 22/08/2014.
Não resta dúvida, com base na legislação e na jurisprudência de que, a mulher, mesmo no aviso prévio possui direito a estabilidade. Uma vez que o aviso prévio não se dá por finalizado o contrato de trabalho.
3. ADOÇÃO
Dias (2016), afirma que o instituto da adoção é um dos mais antigos que se tem notícia. Uma vez que, da mesma forma que muitas famílias desejavam ter filhos, existiam aqueles filhos que não eram desejados, cujos pais não querem ou então se encontram impedidos de alguma forma de assumir (DIAS, 2016).
Venosa (2008) destaca que a adoção é um modelo artificial de filiação que tende a buscar uma imitação a filiação natural. Por isso, segundo o autor, pode ainda ser chamada de filiação civil, uma vez que seu resultado não é dependente de uma relação biológica, mas sim, da manifestação de vontade das partes.
Enquanto que a filiação natural ou biológica tem seu repouso sobre o vínculo sanguíneo, genético e/ou biológico; a adoção possui seu vínculo sobre questões jurídicas, que se sustenta sobre a pressuposição de uma relação não biológica, mas sim afetiva. (VENOSA, 2008)
Pereira (2007, p. 392), conceitua adoção como sendo, “o ato jurídico pelo qual uma pessoa recebe outra como filho, independentemente de existir entre elas qualquer relação de parentesco consanguíneo ou afins”.
Desta forma, percebe-se que a adoção segundo análise doutrinária, consiste na ideia de vínculo afetivo, dispensando desta forma, o vínculo sanguíneo, genético ou biológico, como ocorre no processo natural.