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3 METODOLOGIA

4.5 DA EXPERIMENTAÇÃO, IMPLEMENTAÇÃO E VALIDAÇÃO COM

(pós-teste) da aplicação da SD, em que as questões respondidas pelos alunos foram classificadas em não respondida (NR), respondida insatisfatoriamente (RI), respondida

parcialmente (RP) e respondida satisfatoriamente (RS), de acordo com as respostas

esperadas descritas na metodologia. Observou-se um aumento no número de respostas consideradas satisfatórias (RS) no pós-teste e uma diminuição de questões respondidas parcialmente (RP) e respondidas insatisfatoriamente, como mostra o gráfico da Figura 6.

Figura 6 – Gráfico da visão geral das cinco questões respondidas pelos alunos no pré-teste e no pós- teste. NR= questão não respondida, RI= questão respondida insatisfatoriamente, RP= questão respondida parcialmente e RS= questão respondida satisfatoriamente. Fonte: Dados da pesquisa.

A Figura 6 demonstra que o efeito da SD foi positivo, ainda que discreto, no processo de aprendizagem sobre o tema “Poluição da água e cianobactérias” para os discentes de 6º ano.

Analisando separadamente a sexta questão, que foi aplicada somente no pós-teste, também houve uma tendência positiva no sentido do processo de aprendizagem dos alunos sobre o tema. A sexta pergunta questionava sobre conceitos novos aprendidos pelos alunos durante a aplicação da SD, mais de 50% das questões foram respondidas satisfatoriamente, de acordo com a representação gráfica a seguir.

0 10 20 30 40 50 NR RI RP RS PRÉ 0,5 20,0 46,0 33,5 PÓS 0,5 16,3 43,3 40,0 % d e R e sp o stas

Figura 7 – Gráfico da questão número seis, aplicada somente no pós-teste, que indaga sobre novos conceitos aprendidos na SD. NR= questão não respondida, RI= questão respondida insatisfatoriamente, RP= questão respondida parcialmente e RS= questão respondida satisfatoriamente. Fonte: Dados da pesquisa.

Essa análise dos resultados com base em respostas estabelecidas previamente mostra como o aluno recebeu a SD e seus conteúdos, sem levar em consideração a complexidade do processo de construção do conhecimento a partir do contato com a temática.

Uma segunda análise das respostas dos alunos permitiu verificar seus conteúdos, além de comparar o tipo de concepção e formulação de resposta no pré-teste e no pós-teste. A classificação das respostas não seguiu dessa vez um “gabarito”, foi realizada a partir do que os alunos escreveram. Os resultados encontram-se na Tabela 5.

Tabela 5: Comparação das respostas dos alunos entre o pré-teste e o pós-teste.

(Continua) 0 10 20 30 40 50 60 NR % RI % RP % RS % RESPOSTAS 11,6 30,2 2,3 55,8 % d e R e sp o stas

Categorias de respostas dos alunos

Número de respostas no Pré-teste Número de respostas no Pós-teste

Os alunos citaram micro-organismos em suas respostas 6 26

Os alunos não citaram micro-organismos em suas respostas

35 16

Os alunos citaram medidas preventivas para combater a proliferação de cianobactérias

21 30

Os alunos citaram medidas remediadoras para combater a proliferação de cianobactérias

14 5

Nenhum tipo de medida foi citado para combater a proliferação de cianobactérias

9 7

Os alunos referiram-se a conceitos como “eutrofização” e “cianobactérias” em suas respostas

Tabela 5: Comparação das respostas dos alunos entre o pré-teste e o pós-teste.

(Conclusão)

Categorias de respostas dos alunos

Número de respostas no Pré-teste Número de respostas no Pós-teste

Os alunos não se referiram a conceitos como “eutrofização” e “cianobactérias” em suas respostas

43 19

Os alunos citaram a falta de cuidado com a água e a poluição (lixo) como os principais causadores da má qualidade da água

36 41

Os alunos relacionaram as suas atitudes do cotidiano com o impacto na problemática apresentada

0 3

Os alunos não relacionaram as suas atitudes do cotidiano com o impacto na problemática apresentada

43 39

Fonte: Dados da pesquisa.

Antes de analisar a Tabela 5, tem que se levar em consideração que nem todas as questões foram respondidas. Na tabela acima houve um aumento expressivo no pós-teste de respostas citando micro-organismos, evidenciando que os alunos começaram um processo de observação além do que se pode ver.

As perguntas que envolviam medidas a serem tomadas para combater a proliferação de cianobactérias no ambiente aquático foram respondidas de forma que, no pré-teste, houve uma predominância de medidas remediadoras e imediatistas. Já no pós-teste, as medidas predominantes foram as preventivas e mais efetivas no combate à proliferação desses micro- organismos. No pré-teste, nove alunos não propuseram nenhum tipo de medida de combate à proliferação de cianobactérias, enquanto no pós-teste, houve sete alunos. Verificando as repostas, observou-se que os discentes que responderam algo tiveram claramente dificuldade de interpretação quanto à questão que solicitava que elencassem medidas antipoluição. Dos sete alunos que não listaram medidas no pós-teste, seis já haviam dado o mesmo tipo de resposta no pré-teste e um preferiu não responder à questão.

No pré-teste, nenhum aluno fez referência a conceitos como eutrofização e cianobactérias, já no pós-teste, esse número subiu para 24. O que permite afirmar que a SD cumpriu seu objetivo de apresentar e discutir tais conceitos com os alunos.

Apesar de grande parcela das respostas, tanto no pré-teste quanto no pós-teste, citar a falta de cuidado com a água e a poluição (lixo) como os principais causadores da má qualidade da água, a maioria dos alunos não relacionou as suas atitudes do cotidiano com o impacto na problemática apresentada. Com base nesse resultado, pode-se concluir que os discentes compreendem que é a atitude humana que causa os danos ao ambiente aquático, no entanto, eles não se consideram parte desse processo e encaram os problemas como se sempre o outro os causasse.

Com a análise das respostas é possível perceber que os alunos têm novos conhecimentos prévios para continuar o processo de construção do próprio conhecimento. A formulação do novo conhecimento, de acordo com a "Reconstrução Educacional" de Kattmann et al. (1995), emerge da reformulação do conhecimento científico a partir do que os estudantes sabem, essa reformulação acontece a partir do confronto entre o conhecimento prévio do aluno com o novo conhecimento. De acordo com a "Reconstrução Educacional", uma comparação dos itinerários cognitivos efetivamente observados com os preditos pode validar ou desafiar as hipóteses envolvidas na construção de situações de aprendizagem.

Quanto à análise à luz da Engenharia Didática, é dada atenção ao conhecimento científico na forma dos conteúdos, quando se analisam as respostas dos alunos com base em conceitos pré-estabelecidos. Por outro lado, é dada atenção às dificuldades de aprendizagem, às concepções dos alunos e às formas de raciocínio, quando são analisadas as mesmas respostas com base nos conhecimentos prévios dos discentes, sendo possível observar o processo de construção do conhecimento. Nesse sentido, a SD aplicada protagonizou um papel importante na elaboração do conhecimento dos estudantes.

Apresentando uma visão geral do que constitui uma sequência didática, Leach & Scott (2000) mostram, em seu estudo teórico, as dificuldades encontradas na avaliação dos resultados. Eles destacam que grande parte das avaliações da eficácia do ensino é feita aplicando-se pré-testes e pós-testes que permitem levantar considerações sobre os objetivos das SD, principalmente ao definir o grau em que as SD foram bem-sucedidas. Porém, para os autores, estudos que consideram essa perspectiva não permitem avaliar a eficácia do material didático ao ser comparado ao ensino tradicional. Segundo suas análises, para comparar as duas metodologias de ensino (a tradicional e a proposta na SD), é necessário um grau de compatibilidade da população, à qual as sequências serão aplicadas. É importante ter instrumentos de avaliação que não favoreçam a nenhuma das metodologias. Para o presente trabalho, o sistema de pré-teste e pós-teste foi esclarecedor e suficiente para avaliar a SD internamente, focando em sua eficácia para o público a que ela se destinou. No entanto, destacou-se a necessidade de estender a aplicação desta SD em estudos posteriores com outras formas de testá-la, sendo, para este estudo, os resultados obtidos satisfatórios.

Vale ressaltar que durante a execução deste trabalho diversas barreiras foram encontradas no sentido de cumprir com rigor as etapas previstas na metodologia da engenharia didática. Uma das dificuldades foi adaptação das etapas à dinâmica corrida da escola e à pouca disponibilidade de tempo por parte dos professores que se dividiam entre as escolas e os seguidos horários de aula. Na etapa de validação com os professores, só foi possível reuni-los pois estavam nas avaliações finais e os alunos haviam sido liberados logo

após as provas, foi de grande importância também contar com a boa vontade dos docentes em colaborar com as pesquisas. Durante as análises dos dados não é realístico dizer que todos os aspectos foram fielmente contemplados, visto que as dimensões didática e epistemológica têm que se integrar de forma profunda, todas as etapas foram seguidas, mas muitos aspectos ainda devem ser explorados com a mesma profundidade, isso é trabalho para uma vida de magistério e é isso que este trabalho deixou de experiência, minhas ações didáticas a partir dessa vivência passam a ser diferentes de forma positiva. Como Zborowski & Pigatto (2018) afirmaram as contribuições da engenharia didática para o ensino de Ciências são a possibilidade de avaliação contínua das atividades propostas e ponderação das dificuldades ou atitudes dos alunos frente às atividades que são propostas, entre outras contribuições que não só atingem o aluno como também o professor.

5 CONCLUSÕES

Após todas as etapas, a sequência didática foi concluída e mostrou-se uma ferramenta para os professores capaz de facilitar a abordagem prática do tema “Poluição da água e cianobactérias” nas aulas de Ciências com alunos do 6º ano.

Após análise dos resultados, pôde-se concluir que os objetivos do trabalho foram alcançados, pois a sequência didática elaborada no processo foi testada, avaliada e aceita de forma positiva pelos professores de Ciências do 6º ano do Ensino Fundamental das três escolas estaduais envolvidas na pesquisa, reelaborada e implementada posteriormente com os alunos.

Na implementação da SD, concluiu-se que sua utilização no processo de aprendizagem sobre o tema “Poluição da água e cianobactérias” com os discentes de 6º ano foi favorável no contexto aplicado, permitindo aos alunos reconhecerem e discutirem os fatores poluidores da água, suas origens, consequências para o ambiente e para o ser humano, bem como serem capazes de propor soluções para os problemas apresentados.

Para o presente trabalho, que representa o primeiro uso da sequência didática produzida, os resultados mostraram-se satisfatórios. No entanto, não são definitivos, visto que a SD deve ser testada, revista, utilizada e validada futuramente para outros contextos.

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APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS MESTRADO PROFISSIONAL

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Você está sendo convidado(a) a participar, como voluntário(a), do estudo/pesquisa intitulado

Cianobactérias e poluição da água: uma prática no ensino de Ciências Ambientais pela produção de uma sequência didática, conduzida por Rosa de Fátima Silva Atroch. Este estudo tem

por objetivo propor uma sequência didática para facilitar a abordagem prática do tema “Poluição da água e cianobactérias” nas aulas de Ciências do 6º ano do Ensino Fundamental.

Você foi selecionado (a) por ser professor (a) de Ciências do 6º ano e poder contribuir com sua experiência em docência para a construção de uma sequência didática. Sua participação não é obrigatória. A qualquer momento, você poderá desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa, desistência ou retirada de consentimento não acarretará prejuízo.

Sua participação na pesquisa não é remunerada nem implicará em gastos para você. Eventuais despesas podem ser custeadas ou ressarcidas pela pesquisa.

Sua participação nesta pesquisa consistirá em responder aos questionários, participar de um encontro na escola sobre sequência didática com duração de duas horas e data a ser definida com a coordenação da escola. Estarão presentes, juntamente com o propositor da pesquisa, os outros professores participantes da pesquisa. Durante as atividades eventualmente haverá registro de imagens que serão utilizadas na pesquisa.

Os dados obtidos por meio desta pesquisa serão confidenciais e não serão divulgados em nível individual, visando assegurar o sigilo de sua participação. A pesquisadora responsável se comprometeu a tornar públicos nos meios acadêmicos e científicos os resultados obtidos de forma consolidada sem qualquer identificação de indivíduos [ou instituições] participantes.

Caso você concorde em participar desta pesquisa, assine ao final deste documento, que possui duas vias, sendo uma delas sua, e a outra, da pesquisadora responsável. Seguem os telefones e o endereço institucional da pesquisadora responsável e da orientadora, onde você poderá tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua participação nele, agora ou a qualquer momento.

Contatos da pesquisadora responsável: Rosa de Fátima Silva Atroch, Celular: (91) 98970- 3076, e-mail: [email protected]. Contatos da orientadora: Maria Paula Schneider, Celular (91) 98805-7008, e-mail: [email protected]..

Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na pesquisa, e que concordo em participar.

Soure, ____ de _________________ de _____. Assinatura do(a) participante: ________________________________ Assinatura da pesquisadora: ________________________________

APÊNDICE B – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS PROFESSORES

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – UFPA INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO DE CIÊNCIAS AMBIENTAIS MESTRADO PROFISSIONAL

Título: Cianobactérias e poluição da água: uma prática no ensino de Ciências Ambientais a

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