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4.2 DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

4.2.2 Da imagem

Na linguagem comum, imagem pode ser conceituada, como sendo a representação física da pessoa humana através de pinturas, fotografias, vídeos, esculturas, dentre outros.129

124

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: parte geral. São Paulo: Saraiva, 2013. v. 1.

125

MORAES, Guilherme Peña de. Curso de direito constitucional. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

126

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: parte geral. São Paulo: Saraiva, 2013. v. 1.

127

FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de direito constitucional. 3. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.

128

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro: parte geral. São Paulo: Saraiva, 2013. v. 1.

129

CHAVES, Antonio. Direito à própria imagem. Revista de informação legislativa, abr./jun. 1972. Disponível em:

Moraes citado por Franciulli Netto, ao tratar do conceito de imagem, leciona:

Toda expressão formal e sensível da personalidade de um homem é imagem para o Direito. A idéia de imagem não se restringe, portanto, à representação do aspecto visual da pessoa pela arte da pintura, da escultura, do desenho, da fotografia, da figuração caricata ou decorativa, da reprodução em manequins e máscaras. Compreende, além, a imagem sonora da fonografia e da radiodifusão, e os gestos, expressões dinâmicas da personalidade. A cinematografia e a televisão são formas de representação integral da figura humana. De uma e de outra pode dizer-se, com De Cupis, que avizinham extraordinariamente o espectador da inteira realidade, constituindo os mais graves modos de representação no que tange à tutela do direito. Não falta quem inclua no rol das modalidades figurativas interessantes para o direito, os ‘retratos falados’ e os retratos literários, conquanto não sejam elas expressões sensíveis e sim intelectuais da personalidade. Por outro lado, imagem não é só o aspecto físico total do sujeito, nem particularmente o semblante, como o teriam sustentado Schneickert e Koeni. Também as partes destacadas do corpo, desde que por elas se possa reconhecer o indivíduo, são imagem na índole jurídica: certas pessoas ficam famosas por seus olhos, por seus gestos, mesmo pelos seus membros.130

Maria Helena Diniz contribui para a conceituação da imagem retrato:

[...] a representação física da pessoa como um todo ou em partes separadas do corpo, desde que identificáveis, implicando o reconhecimento de seu titular por meio de fotografia, escultura, desenho, pintura, interpretação dramática, cinematográfica, televisão, sites, que requer autorização do retratado.131

O direito a própria imagem é um dos direitos da personalidade, sendo no entanto dotado de características próprias, qual seja, a sua disponibilidade e autonomia, podendo dessa forma o seu titular dela dispor firmando contratos econômicos.132

O art. 20 do Código Civil (CC) disciplina a tutela do direito de imagem, conferindo violação nas hipóteses de divulgação para fins comerciais sem

<https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/180562/000344882.pdf?sequence=1>. Acesso em: 24 ago. 2017.

130

MORAES apud FRANCIULLI NETTO, Domingos. A proteção ao direito à imagem e a constituição federal. Informativo Jurídico da Biblioteca Min. Oscar Saraiva, v. 16, n. 1, p. 1-74, jan./jul. 2004. Disponível em:

<http://www.stj.jus.br/publicacaoinstitucional/index.php/informativo/article/viewFile/436/394>. p.20. Acesso em: 24 ago. 2017.

131

DINIZ, Maria helena. Código civil anotado. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 43.

132

RODRIGUES apud LEMOS FILHO, Olni. A normatização do direito de imagem e suas limitações. Âmbito Jurídico, Rio Grande, v. 16, n. 108, jan. 2013. Disponível em: <http://www.ambito-

autorização ou quando essas atingirem a honra, boa fama ou respeitabilidade do seu titular:

Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.133

Rodrigues citado por Olni Lemos Filho, também fez sua consideração ao tema, informando que as imagens possuem conteúdo positivo quando o detentor da imagem autoriza sua publicação e negativo que seria o direito de impedir sua reprodução.134

E cabível indenização pelo uso da imagem para fins comerciais e lucrativos sem a prévia autorização já é matéria pacificada conforme a súmula 403 do STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.”135

O direito a imagem não é um direito absoluto, pois poderá colidir com outros direitos fundamentais. Sobre esse tema vejamos a explanação de Carlos Alberto Bittar:

[...] o direito à imagem sofre, como todos os direitos privados, certas limitações decorrentes de exigências da coletividade - enunciadas, por exemplo, na lei italiana – que compreendem: a notoriedade da pessoa (em que se pressupõe o consentimento) desde que preservada a sua vida íntima; o exercício de cargo público (pela necessidade de exposição); os serviços de justiça e de polícia; a existência de fins científicos, didáticos ou culturais; a repercussão referente a fatos, acontecimentos ou cerimônias de interesse público (dentro do direito de informação que, ademais, é limite natural e constitucional à preservação da imagem).136

133

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Brasília: Casa Civil, 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 13 ago. 2017.

134

RODRIGUES apud LEMOS FILHO, Olni. A normatização do direito de imagem e suas limitações. Âmbito Jurídico, Rio Grande, v. 16, n. 108, jan. 2013. Disponível em: <http://www.ambito-

juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=12670>. Acesso em: 2 nov. 2017.

135

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula nº 403. Direito à imagem. Modelo profissional. Utilização sem autorização. Dano moral. Cabimento. Prova. Desnecessidade. Quantum. Fixação nesta instancia. Possibilidade. Embargos providos. DJe, 24 nov. 2009. Disponível em:

<https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas- 2014_38_capSumula403.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2017.

136

BITTAR, Carlos Alberto. Os direitos da personalidade. 7. ed., rev. e atual. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004, p. 100.

O direito a imagem não se mostra absoluto, ele encontra fronteiras quando se depara com outro direito existente na carta magna, ademais o interesse da população é relevante quando se analisa o interesse da vida privada. Nesta linha de raciocínio a Constituição deve ser interpretada como um todo em um conjunto harmônico, não podendo tal interpretação ser feita isoladamente.

O direito a imagem é muito amplo e complexo, possuindo várias nuances, não pretendendo esse trabalho esgotar o assunto.

Atualmente a imagem possui grande relevância no mundo publicitário e midiático e consequentemente a sua captação e difusão tornou-se objeto de consequências no meio jurídico, quando utilizada sem consentimento ou de forma contrária ao previamente autorizado.

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