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Os efeitos do divórcio vão muito além daqueles descritos pelo juiz na sentença, à exemplo da divisão de bens. A sentença, conforme esclarece Leite (2015), pode até acelerar o processo de cicatrização de algumas mágoas e rancores, mas dificilmente será capaz de curar

por completo o conflito. Isso porque o divórcio implica na ruptura de relações, não somente a

relação de amor entre os cônjuges, como também nas existentes entre os pais e filhos.

É por esta razão que Ricardo Vainer (1999), citado por Leite (2015, p. 99), afirma que “a separação emocional não acompanha a separação legal e uma ou ambas as partes não superam as perdas”.

Uma destas perdas, talvez a mais difícil, é a da convivência diária com os filhos. Ora, a separação dos genitores tem como consequência a saída de um deles da residência familiar. Com isso, se tem estreitados, desde esse momento, a relação daquele que sai com o seu filho.

Essa foi a descoberta das investigações com filhos de pais separados realizados por Leila Brito (2008). Segundo a autora, os filhos do divórcio ao serem questionados sobre o contato com o genitor não guardião, expressavam a maioria não ser o contato suficiente. As crianças declararam, ainda, que o relacionamento com esses genitores não era natural, por exemplo, os filhos não tinham vontade de conversar sobre determinadas questões, como: namoro, escolha profissional, não havia também o hábito de realizar ligações telefônicas com o genitor não guardião.

A incapacidade de superação do luto da vingança leva às Varas de Família os conflitos não resolvidos, juntamente com o anseio de vingança, punição, desmoralização, raiva, disputa de poder, destruição. Isto ocorre porque, no mundo moderno as pessoas desejam as delícias que um relacionamento possa oferecer, evitando, ou melhor, fugindo dos momentos amargos e penosos. (BAUMAN, 2004)

Ocorre que evitar os momentos dolorosos, inerentes à vida social, nem sempre são possíveis. Com isso surge os relacionamentos descartáveis que não permitem a vivência de momentos adversos do prazer, possibilitando que um desentendimento esporádico, uma crise de ciúmes, um não ao seu desejo se tornem motivos para o término de um relacionamento.

Assim, leva-se ao Poder Judiciário os conflitos que, muitas vezes, poderiam ser resolvidos pelo decurso do tempo ou de uma boa prática de diálogo. O problema decorre quando já se tem um filho fruto deste relacionamento conjugal. Isto porque é comum que estes sejam armas em meio a esta disputa.

Dessa forma, a dissolução conjugal leva os filhos a enfrentarem uma abrupta solidão na busca incessante por um cuidado parental. O grande problema é que esse sentimento conduz o

filho ao “alinhamento”10 a um dos cônjuges, o que favorece a prática da alienação parental, já

que a partir de então o filho, no processo de recepção das dores do genitor alienador, cria uma “raiva amarga contra o outro” revelando delicadamente os traços da manipulação. Com isso, “o desejo de que o outro se torne infeliz é tão forte que a pessoa utiliza o próprio filho como meio de retaliação, pois nada pior que ser odiado pela sua prole”. (COSTA, 2010, s/p)

O resultado disso é um relacionamento desgastado, um verdadeiro cansaço pela pressão exercida pelo filho em união ao genitor alienador. Há aqui um caso de fidelidade no amor, no sofrimento e na raiva. A dependência de alguém que supra a minha solidão, as minhas carências conduzem a afeição ao genitor guardião, apenas.

Naturalmente as forças para reatar a convivência e o companheirismo vão diminuindo, conforme afirma Eduardo Leite (2015). O lapso temporal entre as visitas vai se tornando maior, quando não ocorre o afastamento completo do cônjuge afastado. Assim, o desejo do alienador se concretiza, resultando em um conjunto de padecimento psicológico, desde a culpa pela ruptura da instituição familiar, até a depressão, estendendo-se ainda em “comportamento hostil, sentimento de deslealdade com o genitor alienado, transtornos de identidade, distúrbios

psicossociais”.(SCANDELARI, 2013)

2.2.1 O aumento da ruptura da sociedade conjugal no Brasil

O divórcio traz sérias implicações no instituto da alienação parental. Na visão jurídica e psicológica de Luiz Marques e Marisa Santos (2011) esse instituto surge em 80 % dos casos de divórcio com filhos. Este foi também o entendimento de Gardner (2001), criador do termo SAP, citado por Fernandes e Refosco (2018), o qual acreditava serem a alta litigância entre os

10 Para as psicólogas Judith Wallerstein e Joan Kelly (1998) citadas por LEITE (2015, p. 112) o alinhamento é um relacionamento que surge da ocasião do divórcio que se caracteriza união de um dos pais a um ou mais filhos a afim de atacar o outro progenitor.

pais após a dissolução do casamento e a disputa pela guarda dos filhos os maiores desencadeadores da SAP.

Apesar de até algum tempo atrás a disputa pela guarda dos filhos em razão da separação dos genitores ser algo inconcebível, em virtude de se acreditar que ao homem cabia somente a função de prover o lar familiar.

Isso é resultado, comenta Francielle Ornelas (2012), da revolução feminista dos anos 60 quando a mulher começou a buscar a igualdade entre os sexos no que concerne não somente a equiparação da remuneração pelo exercício profissional, como também o alargamento das áreas profissionais passíveis de ocupação por mulheres. Com isso, o ingresso da mulher no mercado de trabalho, levou-a para fora de casa, passando o homem a exercer dupla função: sustentar a família e participar das atividades domésticas, oferecendo cuidado à prole.

Em razão disso, o Poder Judiciário, mesmo diante de casos em que os genitores estejam separados, passou a tutelar a necessidade afetiva como bem jurídico, passível inclusive de indenização. Segundo entendimento do STJ no julgamento do Recurso Especial 1.087.561, em consonância com a jurisprudência majoritária, acredita que “estabelecida a correlação entre a omissão voluntária e injustificada do pai quanto ao amparo material e os danos morais ao filho dali decorrentes, é possível a condenação ao pagamento de reparação por danos morais, com

fulcro também no princípio constitucional da dignidade da pessoa humana”. 11

A indenização pelo abandono afetivo não é uma punição pela não prestação de amor ao filho menor. Do contrário, o que valida a indenização do abandono afetivo é o dever de cuidado dos pais para com os filhos já que o Direito não pode obrigar ninguém a amar, ainda que sob o fulcro de ser filho. Nas palavras de Maria Berenice Dias (2009) essa indenização desempenha papel pedagógico no seio das relações familiares.

Desta maneira, a estrutura de convivência familiar se modificou, intensificando-se a ponto de permitir que o genitor e a genitora se sintam responsáveis pelo desenvolvimento, educação e condições de saúde de seus filhos. (DIAS, 2010)

A partir desse processo de chamamento do homem a assumir seu papel para além de genitor, sendo verdadeiramente pai, a vivência do divórcio se tornou ainda mais difícil não somente para o cônjuge que fica sob a guarda dos filhos, como também do que deixa o lar familiar. Logo, é necessário investigar o quantitativo de pessoas que vivenciam essa realidade no Brasil.

11 STJ – Resp.: 1.087.561 RS 2008/0201328-0, Relator: Ministro Raul Araújo, Data de Julgamento: 13/06/2017, T4 – Quarta turma, Data de Publicação: DJe 18/08/2017. Disponível em: < Resp.: 1.087.561 RS 2008/0201328-0>. Acesso em 10 jul. 2019.

De acordo com os dados das Estatísticas do Registro Civil divulgados pelo IBGE12 foram concedidos, em 2017, em primeira instância ou por escrituras extrajudiciais, 373.216 casos de divórcio. Esses dados comparados aos publicados em 2016, representam um aumento de 2,48% de divórcio no Brasil em apenas um ano.

Restringindo um pouco mais os dados da referida pesquisa que, em 2017, revelou a ocorrência somente no Rio Grande do Norte de 3.252 concessões de divórcio, sendo 2.685 autorizados em primeira instância e 567 por escritura extrajudicial. Desses 2.685 divórcios concedidos em primeira instância, 46% corresponde a casais que já tinham filhos, sendo todos menores de idade, ou seja, foram 1.247 divórcios autorizados em primeira instância a casais com filhos menores de idade.

Dessa maneira, esses filhos do divórcio, despeito do sadio convívio afetivo dos filhos para com seus pais, em consequência a dissolução conjugal se afastam do genitor não guardião. Por essa razão que Gardner (2001), citado por Fernandes e Refosco (2018), declara ser consequência da SAP a recusa do contato e o início do processo de denegrir, injustificadamente, uma de suas figuras parentais.

Os dados desta estatística exposta pelo IBGE indicam, ainda, que os divórcios concedidos em 2017 no Rio Grande do Norte deixaram 1.792 filhos, na maioria das vezes, sem o convívio com um dos pais, o que, como já exposto, aumenta a possibilidade de serem vítimas da alienação parental.

Nesse sentido a citada pesquisa revelou que, dos divórcios autorizados em primeira instância no Rio Grande do Norte, em 2017, a casais com filhos menores de idade, 64% tinham somente um filho com essa idade.

Preocupa, todavia, saber que somente 11% dos filhos dos casais divorciados em 2017 no Rio Grande do Norte tem como responsáveis pela sua guarda ambos os cônjuges, conforme dados do IBGE. Isso porque, o poder familiar deve ser exercido por ambos os genitores já que cada um tem um papel singular na formação individual de seus filhos.

O que se tem notado é que, com o estabelecimento da guarda unilateral onde os filhos ficam apenas com um dos pais, há notável prejuízo para o cônjuge não guardião, uma vez que tal modelo propicia seu afastamento de um dos genitores, podendo acarretar de início um distanciamento lento, que, paulatinamente, pode se tornar definitivo em decorrência da escassez dos encontros bem como das separações repentinas. (MONTEIRO, 2011, p. 5)

12 Disponível

Assim, a guarda unilateral, muitas vezes, resultado de um rompimento conjugal, deixa sob a responsabilidade de apenas um dos genitores a totalidade da autoridade parental, normalmente, a figura feminina da mãe. É o que se pode notar da citada Pesquisa do Registro Civil a qual demonstrou que, em 2017, a maior parte (82%) dos filhos dos casais que viveram o rompimento conjugal no estado do Rio Grande do Norte tem como responsável pela sua guarda a figura feminina.

Talvez, em razão de, ainda, a grande maioria dos casos de divórcio os filhos ficarem sob a vigilância da mãe que Gardner (2001), citado por Sousa e Brito (2011) tenha afirmado que a SAP correria especialmente devido ao comportamento materno. Ou seja, o criador da SAP acreditava que 80% dos casos de alienação decorreria dos atos da mãe sobre o filho alienado, o que, observando-se os dados acima demonstrados, revela-se como uma grande probabilidade de ser premissa verdadeira já que constatada na realidade familiar.

A importância do conhecimento de tais dados reside na compreensão da extensão do falso entendimento, arcaico, de que somente a mãe é responsável pelos cuidados educacionais dos filhos, sendo os homens meros reprodutores e administradores financeiros de um lar familiar.

Preocupados com esse contexto social, um conjunto de pais e mulheres em 2007 reuniram e criaram o movimento Pais por Justiça que busca romper o entendimento de que,

diante de um divórcio, os pais não têm condições de deter a guarda dos filhos. 13

Muito a despeito desse engajamento social, a inclusão do pai no cuidado de sua prole está em processo lento de mudança. Comumente se observa que à este resta resguardado meramente o direito de visita, quando este também não é cerceado. (SCANDELARI, 2013)

Porém, a lei de alienação parental no artigo 4º, parágrafo único, determina a garantia mínima da visitação, ainda que para isto seja necessário, algumas vezes, a designação de um profissional pelo juiz ao genitor. Assim, é de certo a preocupação da legislação em analisar o estabelecimento de alternativas que impossibilitem qualquer forma de cerceamento do direito à convivência com ambos os cônjuges.

2.2.2. Os efeitos do divórcio sobre os filhos

13 Movimento Pais por Justiça. Disponível em: <https://paisporjustica.wordpress.com/about/>. Acesso em: 19 jul. 2019.

É fato que os motivos de um rompimento conjugal vão além da perda de afetividade para com o outro cônjuge, adentrando ao viés de respeito, afinidade, situação e nível econômico, nível cultural, compreensão da personalidade. Tudo isso contribui para a formação da harmonia em um lar, mas, na ausência de um desses fatores se tem um ambiente em que, muitas vezes, impera a impaciência, o ódio, a raiva, a desavença.

Porém, comumente, as pessoas enfrentam dificultadas em desfazer laços de relacionamento, seja porque tem medo de viver uma realidade nova, seja pelo medo do que pode vir a perder ao cessá-lo. Afinal, um verdadeiro relacionamento sempre leva à união de vida, a uma rotina compartilhada, à formação de vínculos comuns de amizade e, as vezes, até a geração de novas vidas.

Os filhos oriundos desse cessado relacionamento adquirem com esse fato perturbações que interferem no desenvolvimento físico e psíquico, principalmente quando este ainda é menor de idade. Corroborando, o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFam), citado por Ana Augusta Rodrigues (2015, p. 677) afirma que o filho do divórcio apresenta algumas

características, muitas vezes irreversíveis14, à exemplo do “isolamento, baixo rendimento

escolar, depressão, melancolia, angústia, fugas, rebeldia, regressões, condutas antissociais e culpa".

Nesse sentido, quando se tem filhos o processo de término de um relacionamento conjugal se torna tarefa ainda mais difícil. Ora, pensa-se: como vou permanecer exercendo o meu poder de pai/mãe? Será que ele(a) vai querer me visitar? Mas, meu ex-companheiro(a) vai deixar que ele(a) saía comigo? Ele(a) vai permanecer me contando sobre as suas vivências, ou serei um estranho? São essas algumas das preocupações daqueles que saem do lar familiar. (LEITE, 2015)

Não obstante a isso, o artigo 1.579 do Código Civil Brasileiro declara que “o divórcio

não modificará os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos” (BRASIL, 2002, s/p). De

igual modo, a Constituição da República Federativa brasileira de 1988 (CRFB/88) alude, no seu artigo 227 ser dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao

adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao

lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência

familiar e comunitária, colocando-os a salvo de qualquer forma de negligência, discriminação,

exploração, crueldade e opressão. (BRASIL, 1988) (grifo nosso)

A CRFB/88, então, se preocupa com a celeridade na garantia dos elencados direitos às crianças e adolescentes que, à propósito, não constituem em um rol taxativo, mas meramente exemplificativo. A razão de ser é permitir por essa abrangência de direitos o completo cumprimento do princípio da proteção integral das crianças e adolescentes ilustrados no supracitado artigo.

Embora as já citadas normativas e a própria essência da formação humana, biologicamente falando, contribua para que os laços sanguíneos tornem a paternidade e a maternidade vínculos eternos, expõe Maria Berenice Dias (2009, p. 409) que

quando da ruptura da vida conjugal, um dos cônjuges não consegue elaborar adequadamente o luto da separação e o sentimento de rejeição, de traição, o que faz surgir um desejo de vingança: desencadeia um processo de destruição, de desmoralização, de descrédito do ex-parceiro. O filho é utilizado como instrumento da agressividade – é induzido a afastar-se de quem ama e de quem também a ama.

A prática revela que é inerente à realidade da separação o ódio e o desprezo ao ex-cônjuge, o sentimento de culpa do filho pelo fim do casamento, o impedimento à visita do genitor ausente.

O sentimento de culpa do filho surge, principalmente, quando o rompimento da vida conjugal ocorre de forma repentina, já que é difícil a enumeração por este de outros fatores que possam ter interferido para essa realidade. Tal sentido segundo Wesley Monteiro (2011) é um dos efeitos mais gravosos à formação de uma criança. A solução para isso exige diálogo a fim de esclarecer o ocorrido, afastando a ideia de responsabilidade pelo divórcio.

Quando o filho não sente culpa, sem grandes sofrimentos pela diminuição de convívio com um dos pais, se tem o ambiente mais favorável para a formação da fidelização ao genitor guardião, sendo passível à alienante a mais rápida destruição da relação do filho com o pai (Ornelas, 2012). Ao passo que a criança ou o adolescente não sente falta do que não está mais no lar familiar e que o alienador guardião repassa sentimentos de ódio para com o ex-cônjuge, não é difícil pensar que aqueles replicarão as mesmas emoções a este.

Se o restabelecimento do convívio com o genitor que saiu do lar familiar já era difícil somente com a barreira da incomunicabilidade entre os ex-cônjuges, com a prática da catequese feita pelo alienador à criança contra o genitor não guardião há ainda mais complicação. Do mesmo modo compreende Ana Augusta Rodrigues (2015, p. 679) quando afirma que “uma vez instalada a síndrome, o processo de reversão se torna mais complexo e dificultoso, pois há casos em que os filhos preferem não ter mais contato com o outro genitor”.

Por essa razão, como se pode imaginar, não sendo o contato entre os ex-companheiros algo comum, as visitas do genitor não guardião passa a ser evento de problema. A guarda compartilhada, recentemente criada pela legislação brasileira, quando deveria ser uma solução para diversos problemas dessa ruptura conjugal, a ponto que possibilitaria a diminuição dos sentimentos de perda e rejeição, normalmente surgidos com o processo de mudança da conjuntura familiar, já que permite uma convivência mais frequente dos pais com os filhos, ainda padece de aplicação eficaz.

Timidamente já se observa a preocupação da sociedade em construir uma convivência harmoniosa e equilibrada entre os pais a fim de beneficiar os filhos. Isso é o que se pode notar, exemplificativamente, na criação da organização SOS Papai e Mamãe que desde 2005 visa desenvolver e promover ações práticas para que as crianças tenham contato com ambos os pais. Para tanto esses pais e mães lutam para separar a dissolução da sociedade conjugal da dissolução

da família em vista de participar da formação social, pessoal e educacional de seus filhos.15

Entretanto, a regra social ainda é trágica para a maioria das crianças. Nota-se que, quando elas são condicionadas à presença do genitor alienador, há uma regulação cronológica. Fere-se, assim, o princípio da vida privada. Gera-se um diálogo monótono, ensaiado, no qual o genitor não guardião luta contra o tempo para expressar o seu amor e o seu cuidado para com o seu amado filho.

Por essa razão, Eduardo Leite (2015) compara essas visitas às realizadas nos parlatórios das prisões, já que sabendo os interlocutores que o encontro terá um tempo predeterminado, limitam-se a um ensaio superficial. “O que poderia ser um momento de confissão e abertura do coração, de ambos os lados, do pai para o filho e vice-versa, se reduz à objetividade das palavras contidas empregadas nos encontros formais”. (LEITE, 2015, p. 118)

Diante desses casos a melhor medida que deve ser garantida de pronto pelos juízes é ampliar a convivência familiar em favor do alienado, na conformidade do inciso II do artigo 6º da Lei de alienação parental. Isto é necessário para que se restabeleça, urgentemente, os laços com o genitor não guardião, sob pena de aumentar a dependência dos filhos ao alienador, tornando o restabelecimento do convívio com o genitor ausente irreversível. (GUILHERMANO, 2012)

Ainda mais, essas visitações são preenchidas, durante a audiência de guarda, de pedidos inusitados feitos sem nenhum senso crítico o que demonstra está aquele que suplica (o genitor

15 SOS Papai e Mamãe. Disponível em: <http://www.sos-papai.org/br_index.html>. Acesso em: 19 jul. 2019.

guardião) imbuído de raiva e psicologicamente afetado pela ruptura conjugal. Nesse interim, as psicólogas Judith Wallerstein e Joan Kelly (1998) expõem a história de um pai que buscou uma ordem do tribunal exigindo que a mulher estivesse invisível quando ele fosse buscar os filhos.

Essas visitas, por vezes, são recheadas de presentes. Uma maneira fácil e rápida de ter a atenção da criança ou do adolescente. Porém, seus efeitos são estrategicamente calculados já que, caso não tenha o genitor guardião condições de proporcionar a esses filhos igualmente essas generosidades, haveria um jogo desleal. Logo, os genitores afastados, se tornam, desde então, verdadeiros “Papais Noéis”. (LEITE, 2015)

Portanto, é fácil observar os efeitos do instituto do divórcio sobre os filhos do divórcio que são, nessa relação conflituosa, colocados como instrumento de revanchismo e retaliação. Certamente, como visto, esse objetivo fere a afetividade e tem diminuídos a sua identidade, já que a privação de convívio com um dos genitores é ausência não somente na vida social, mas também em todo o processo de formação pessoal.

3. PROCEDIMENTO DE AVERIGUAÇÃO MULTIDISPLINAR DA ALIENAÇÃO

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