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Da legitimidade dos grupos juvenis de coco de roda

6 BREVE HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS DO GRUPO XIQUE XIQUE-

7.1 Da legitimidade dos grupos juvenis de coco de roda

Como visto na seção três, é crescente o número de grupos juvenis de coco de roda em Alagoas e galopante o aumento do número de jovens adeptos dessa dança. Apesar desse panorama, a ASFOPAL permanece em sua postura de não reconhecimento e não legitimação do coco realizado por esses jovens.

Nesse contexto, observa-se a falta de comunicação entre os grupos juvenis e a ASFOPAL. Essa instituição, mantendo-se afastada do trabalho que vem sendo desenvolvido por esses grupos juvenis, não conhece as transformações por que vem passando a dança por eles realizada, na medida em que eles têm buscado apreender as referências da tradição. O marco dessa busca por referências dos mestres da tradição ocorreu em 2011, quando esses jovens tiveram acesso aos conhecimentos do filho do mestre Verdilinho, Josenildo de Assis, (como visto na seção 4), passando a incorporar um repertório variado de tipos tradicionais de trupés em suas coreografias. Além disso, do ponto de vista da produção sonora, foram reintroduzidos instrumentos tradicionalmente usados no coco alagoano como o ganzá e o pandeiro. Diríamos até que tais instrumentos não só foram retomados na dança como também foram enaltecidos, a exemplo do ano de 2013, em que no grupo Xique-xique, em um dado momento da coreografia, todos os dançarinos tocavam pandeiro e ganzá.

Esses grupos de jovens buscam, ainda, estabelecer relação com os mestres tradicionais de forma representativa, através da realização de homenagens durante as apresentações,

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quando citam seus nomes, fazem referência às suas músicas, levam painéis com desenhos dos rostos desses mestres para a arena dos concursos, ou representam os mestres mais reconhecidos por meio de personagens interpretados pelos integrantes desses grupos em meio às coreografias.

A ASFOPAL, por sua vez, mantém-se distanciada de todo esse processo de busca desses jovens de relação com a tradição do coco alagoano. Exemplo desse desconhecimento foi a conduta retaliativa ao trabalho do grupo Xique-xique feita por uma folclorista70, ex- membro da ASFOPAL, durante a apresentação do referido grupo no Festival do Folclore de Olímpia71. Nesse Festival, adota-se uma consulta pública, online, transmitida ao público presente nas apresentações dos grupos de danças populares em que um apresentador lê, publicamente, mensagens enviadas sobre o grupo em atuação no momento. Foi por meio desse mecanismo que a citada folclorista enviou mensagem referindo-se ao Xique-xique, advertindo à plateia que o que estava assistindo não era coco, que o coco alagoano autêntico apresentava elementos que não estavam ali presentes, como, por exemplo o ganzá, o pandeiro e o sapateado. Desconhecia ela que todos esses elementos agora compunham o coco apresentado pelo Xique-xique.

Conduta diferente foi adotada pelos folcloristas locais com relação à inventividade do professor Pedro Teixeira, quando este promoveu alterações significativas na estrutura musical e coreográfica tradicional do coco alagoano, contrariando seu discurso folclorizado, como já posto em capítulo anterior. A diferença é que, em relação aos jovens não se poupam os discursos retaliativos ao trabalho por eles desenvolvido, enquanto em relação ao Professor Pedro, adota-se o silenciamento de opiniões.

Entendo que a dimensão das interferências desse professor sobre o coco o torna o modelo referencial do processo de transformação por que passou essa dança, gerando o grande distanciamento entre as formas apresentadas pelos mestres e as apresentadas pelos jovens. O coco, que era uma dança social e possuía organizações espaciais bastante simples, ganhou, através do Professor Pedro, variações coreográficas específicas, além da significativa alteração na sonoridade pela introdução de um bumbo e um tarol.

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Para enviar mensagem e participar do chat, era necessário incluir o nome do remetente. Foi assim que, segundo Nilton Rodrigues, ele e os demais integrantes do Xique-xique puderam testemunhar quem havia enviado essa mensagem.

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O Festival do Folclore de Olímpia está em sua 53ª edição neste ano de 2017. É reconhecido como um dos mais importantes festivais do gênero no Brasil. Por sua existência, a cidade de Olímpia ficou conhecida como capital do folclore. O grupo Xique-xique foi convidado a apresentar-se nesse Festival em 2011 e em 2016. Para mais detalhes, ver http://www.folcloreolimpia.com.br/index.php

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Será a partir das configurações musicais e coreográficas inventadas pelo Professor Pedro Teixeira que terá início a já citada, instalação de duas configurações estéticas diferenciadas com um nome comum - coco. Contudo, a credibilidade social a ele atribuída legou ao seu modelo de coco o status de referência de tradição, sendo adotado nas escolas e, por conseguinte, pelos grupos juvenis. Uma tradição inventada (HOBSBAWM & RANGER, 1997) em um passado bastante recente, a qual o poder sócio-cultural e político ocupado por esse professor permitiu legitimar.

Em direção oposta, o processo de resgate das formas tradicionais de trupé realizado a partir de 2011 pelos grupos de coco formados pelos jovens periféricos de Maceió, que traz junto a retomada da função percussiva do movimento na dança, faz-se invisível diante dos olhos dos integrantes da ASFOPAL, virados que estão na direção contrária ao movimento protagonizado por esses jovens. O depoimento de uma das folcloristas entrevistadas, ex- membro da ASFOPAL, aqui denominada Tereza, demonstra o desconhecimento desse processo de busca dos jovens pelo conhecimento da tradição. Ao perguntar-lhe como via o trabalho desenvolvido por eles com o coco de roda, ela assim me respondeu: ―Não tenho nada contra o trabalho deles, mas a gente tem que preservar a raiz. Se a gente só olha pra o galho, sem saber de onde vem a raiz, os galhos não se sustentam‖ (em entrevista concedida a autora em 07 de março de 2016).

É visto que permanece entre os membros e ex-membros da ASFOPAL a visão de que esses grupos juvenis realizam mudanças aleatórias nas configurações tradicionais do coco, ou seja, ―desconhecem a raiz‖. O depoimento de um dos integrantes afastados, apresentado no grupo de discussão e abaixo transcrito, demonstra que essa é uma visão equivocada sobre esses jovens:

Cm: eu acho que, a cultura do coco, ela tem que seguir, mas tem que seguir no caminho certo, que é o caminho de não deixar se perder as raízes. A gente tava se distanciando demais do que era o tradicional e aí foi quando Bozo chegou em 2011 e deu uma repaginada total, não só no Xique-xique mas eu acho que na maioria dos grupos da época, e tá aí, todo grupo hoje em dia, se você for falar sobre os trupés, todo mundo sabe fazer.

Fala-se que esses grupos juvenis de coco, destituídos de compromisso com a tradição, se espelham no modelo das quadrilhas juninas, estas também imbuídas do espirito competitivo que se sobrepõe a tudo. O depoimento de uma das folcloristas entrevistadas, então membro da ASFOPAL, aqui denominada Silvana, reitera esse posicionamento. Ao indagar-lhe sobre como via os cocos realizados pelos grupos juvenis, obtive a seguinte resposta:

141 Eu acho terrível! Se quer fazer transformações, faça, mas não diga que é coco! Tem que botar outro nome. Veio do coco mas é outra coisa. - Aquela dança veio do coco mas tem que botar outro nome e não empurrar que aquilo é coco. É como o caso da quadrilha... Ranilson sempre dizia: quer acabar com uma dança, crie um concurso, porque as invenções vêm da vontade de ganhar o prêmio. No folclore não existe o melhor (em entrevista concedida à autora em 29 de fevereiro de 2016).

A referência ao fato de os cocos se espelharem no modelo da quadrilha junina é recorrente, não só pelo fato de terem aderido ao modelo competitivo dos concursos (fato que é assumido pelos jovens praticantes de coco de roda), mas também por buscarem semelhanças com as configurações visuais e coreográficas. No grupo de discussão, o depoimento da integrante veterana Af se contrapõe a esse fato, quando ela se refere ao que seria essencial à manutenção da identidade do coco enquanto marca da tradição, como se vê a seguir:

Af: O coco pra mim, a essência dele, né, pra mim, são os trupés, porque assim, o povo dizia muito que a gente era quadrilha, mas não, a gente inova num arranjo, bota um arranjo cheio de pedras na cabeça, mas a essência que tem, do trupé, do cavalo manco, de ter um xipapá, de ter a rodada, não sai, as coreografias, a roda, isso não deixa de existir, isso é a essência, o coco de roda! É isso, é pisada, é uma roda, é grito é chapéu. Só que a gente tem essa essência sendo que com outras características, com um vestido mais bonito, com um vestido mais brilhoso, uma roupa mais bem detalhada, um babado, sem deixar de ser, sem virar quadrilha como o pessoal diz que é, porque, se fosse pra virar quadrilha, os passos não seriam esses, não teria trupé, não teria pisada...

Propositalmente grifei o termo essência, que aparece por quatro vezes na breve fala dessa dançarina, denunciando a absorção do discurso essencialista folclórico, como um modo de convalidar a legitimidade do coco realizado por seu grupo. Ao mesmo tempo, ela revela entender ser o movimento o elemento estruturador da linguagem da dança, colocando os elementos da visualidade como coadjuvantes na configuração identitária da dança tradicional em questão. Esse ponto de vista comunga com o que aponta Preston-Dunlop (1979), uma das continuadoras da obra de Rudolf Laban, que considera ser o movimento a ―estrela máxima da dança‖, aquele componente que é base estruturante da linguagem e em torno do qual os demais componentes, como a sonoridade e os elementos do espaço geral (figurinos , cenários, luzes, etc), se articulam para gerar o sentido da composição coreográfica como um todo.

Para a folclorista Silvana, está exatamente na visualidade adotada pelos grupos juvenis de coco o aspecto mais chocante, aquele que denota com maior ênfase a disparidade com o modelo tradicional do coco alagoano. Ao perguntar-lhe como achava que se havia chegado nessa configuração de dança apresentada pelos jovens, ela assim respondeu: - ―Eu acho que são pessoas que não tinham muito compromisso com a cultura, que devem ter dançado em algum momento em um coco e começaram a inventar coisas, botar músicas...‖ (Em entrevista concedida a autora em 29 de fevereiro de 2016).

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A referência ao comprometimento com a cultura é algo recorrente na fala dos jovens pesquisados. Eles se dizem expressamente comprometidos, sendo esse um dos motivos de se fazer a dança, conforme colocado por vários deles nos grupos de discussão. Segundo Nilton Rodrigues, no entanto, essa foi uma resposta dada a mim pelos jovens arguidos porque eles acharam que seria isso que eu queria ouvir, mas que eles dançam, acima de tudo, porque gostam de dançar, pelo prazer que têm em dançar. Ora, mas não seria esse o motivo central para os mestres da tradição? Isto é, não seria pelo prazer de dançar o coco que eles se mantinham em sua prática? Não seria esse um compromisso em si com a cultura? É possível se manter uma tradição sem que haja um sentido de identificação genuíno com a manifestação cultural a que se dedica o praticante? O que quero reiterar aqui é que, nos últimos sete anos, esses jovens vêm assumindo o compromisso com a preservação de modos tradicionais de se dançar o coco, e que esse fato não tem notoriedade entre os folcloristas.

Já quando perguntei a folclorista Silvana sobre sua visão acerca do coco realizado pelo Professor Pedro Teixeira, ela me falou que, estranhamente, já havia assistido à apresentação de vários folguedos executados pelo grupo do Professor Pedro, mas que nunca tinha presenciado uma apresentação do coco... Recorreu assim à lembrança do que Ranilson França dizia a esse respeito. Falou que ele se perguntava: - ―Onde será que o Professor Pedro teria visto aquilo? Referindo-se a algo que ele via na apresentação do coco executado pelo grupo de alunos do Professor Pedro Teixeira e que ele não identificava nos cocos realizados por mestres da tradição. Lembrava a folclorista Ana que Ranilson logo respondia a própria pergunta dizendo: - ―Acho que ele deve ter achado em algum desses livros antigos dele‖ (em entrevista concedida à autora em 29 de fevereiro de 2016).

Note-se que há uma retaliação imediata ao coco apresentado pelos grupos juvenis e uma tendência a justificar as diferenças em relação ao modelo da tradição, presentes no coco apresentado pelo grupo do Professor Pedro Teixeira.

Embora seja preciso ressaltar que a diferença entre o período auge de atuação do Professor Pedro e dos grupos de jovens em atividade atualmente seja de mais de vinte anos, e considerando que esse aspecto deva ser ponderado em meio a proposições comparativas, o que está em foco neste momento não é estabelecer comparações entre o trabalho desenvolvido por esse Professor e o trabalho desenvolvido pelo grupo Xique-xique. Aqui se quer contextualizar a questão como um meio para aprofundar o conhecimento sobre o grupo pesquisado no sentido de entender seu modo de operar frente a tal situação de retaliação do seu trabalho por parte da ASFOPAL, verificando como a relação com a tradição é aí operada.

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Na perspectiva de Nilton Rodrigues, líder do grupo Xique-xique, existe uma linha limite entre tradição e mudança e o grande desafio está em conseguir mover essa linha a cada ano. Conseguir mudar, porém mantendo os fundamentos da tradição, como denotam suas palavras:

Eu digo sempre que existe uma linha que divide a estilização e o coco. Eu digo sempre que a cada ano a gente chega perto dessa linha e a cada ano que passa, a linha, ela anda um pouquinho. Essa é a minha visão. Essa linha sempre dá um passo pra frente, a cada ano que passa ela dá um passinho e a cada ano que passa a gente tenta chegar mais perto da linha pra tentar fazer um coco mais bonito, pra tentar fazer alguma coisa que convide o jovem a participar. Eu acho que deve ser uma das grandes dificuldades de alguns folguedos, do fato de eles estarem morrendo porque não existem mais brincantes como antigamente. O pessoal não se interessa mais pela valorização. E o fato desses concursos terem acontecido e de grupos terem se formado e ter essa busca pelo melhor, faz com que a gente consiga trazer uma juventude pra dentro do contexto da cultura. É lógico que a responsabilidade de quem comanda é grande, porque a gente não pode ultrapassar essa linha imaginária e os concursos estão aí pra justamente dar essa resposta, se a gente ultrapassou ou não ultrapassou essa linha imaginária. Isso é um desafio grande, você tentar fazer o melhor sem passar dessa linha (em entrevista concedida à autora em 08 de julho de 2015).

Vê-se que é bastante claro para Nilton Rodrigues que o coco que eles realizam se distingue daquele realizado pelos mestres, os quais toma como referência, assim como é claro, também, que existe um limite nas possibilidades de alterações para que não se perca o elo, a ligação com a referência. A percepção das diferenças entre o coco que eles realizam e os dos mestres da tradição se efetivou após o grupo ter passado pelo processo de resgate do trupé, como antes já descrito. A partir dessa experiência, Nilton passou cada vez mais a buscar os referenciais dos mestres, e ver-se mais motivado pelo exercício em conciliar tradição e mudança na sua prática da dança do coco. Desse acesso ao conhecimento da tradição veio ainda a percepção de que a necessidade de transformação da tradição também era vivenciada pelos mestres e, para Nilton, essa provavelmente foi uma necessidade vivida por esses mestres em suas juventudes. Nilton associa a necessidade de mudança, de novidade, de inovação, como característica da condição juvenil de um brincante, tal como pode ser visto no trecho de sua entrevista transcrito a seguir:

Eu às vezes eu falo...talvez eu vá falar uma besteira, mas na minha visão, até os mestres empurraram essa linha, eles empurraram a linha no passado. Eu pesquiso muito, em vídeos, áudios, essas coisas e eu estava vendo mestra Hilda, que Deus a tenha, o Pagode Comigo Ninguém Pode, o grupo dela, em uma das últimas gravações que fizeram dela em vida e eu tava reparando no figurino que eles estavam usando, uma chita muito bonita que dava um aspecto bem nordestino, uma coisa bem da terra, e, ao mesmo tempo, estava usando um cetim laranja bem chamativo, bem brilhoso, cheio de lantejoulas, bem chamativo. Eu disse: tá vendo? Até os mestres empurravam essa linha, porque certamente, quando eles tinham 15, 16 anos que brincavam coco, que eles eram jovens e eram brincantes - porque antes de serem mestres eles eram brincantes como nós, como nós! - então eles também vieram com novas ideias, com coisas novas, lógico que sem perder a tradição, isso eu acho bom! É um desafio fantástico! É uma coisa que me encanta! Sabe, é o que

144 me faz a cada ano ter vontade de fazer! É um desafio grande você tentar trazer o diferente, o bonito que os jovens querem. É o que eles buscam porque, se eles perderem o desafio de está cada vez melhor, eles se desinteressam pela dança, se desinteressam pelo trabalho. E, ao mesmo tempo, ficar atrás dessa linha que a cada ano ela anda um passinho, mas é curto. E a gente tem que está ali, cada ano que passa tentando fazer o melhor sem passar essa linha e nem sempre a gente consegue (em entrevista concedida à autora em 08 de julho de 2015).

Em sua fala, Nilton deixa claro o quanto as inovações sobre o modelo tradicional do coco são imprescindíveis à adesão da juventude a essa dança. Evidencia que o desafio entre inovar e manter a tradição é fator de grande motivação no seu fazer do coco. Ele demonstra profundo compromisso e consciência do seu papel como continuador de uma tradição e da importância crucial em manter os jovens motivados a permanecerem nessa prática do coco, uma vez que serão eles os provedores da continuidade dessa manifestação tradicional local. A escolha por realizar mudanças sobre as formas tradicionais de dançar o coco foi também uma opção do folclorista e professor Pedro Teixeira, conduta estabelecida com pelo menos 30 anos de antecedência ao grupo Xique-xique. Esse fato pode ser comprovado através do depoimento de ex-aluna e integrante durante 20 anos do grupo coordenado pelo referido Professor, aqui denominada Rita:

Ele criava, agora, no discurso oficial, ele dizia que só quem podia mudar era o homem folk. Professor Pedro criou muito, muito mesmo, de roda de valsar principalmente. Ele sempre criou, as coreografias, ele montava, montava claramente, quando ele dizia, olha, vi uma música tal... Presenciei, num pagode...Ele botou um sambinha dentro do coco. Professor Pedro, no coco, sempre, sempre colocou tarol , tarol e bumbo. Era uma invenção dele, mas era o som, a gente ia para os festivais e tinha festival que exigia mais zuada, na verdade, na verdade, na verdade, a gente vai observando que quem vai organizando festivais já vai exigindo muita coisa. E ele dizia: Ou a gente muda uma linhagem, toda a nossa história, ou não cabe mais a gente no Festival Nacional do Folclore. (em entrevista concedida à autora em 29 de maio de 2015).

Ora, é fácil entender o quanto uma viagem em grupo, para realizar apresentações fora do Estado de Alagoas, era motivador àqueles jovens estudantes coordenados pelo Professor Pedro. Assim, manter a possibilidade de continuar sendo convidado para os grandes festivais de folclore era fator importante para manter a motivação dos jovens em permanecerem na prática da dança.

A alegação de trazer novas proposições sobre as formas tradicionais de dançar o coco como elemento motivacional à adesão e à permanência dos jovens na prática dessa dança, aparece tanto do discurso de Nilton Rodrigues, quanto na prática do Professor Pedro Teixeira A diferença é que o primeiro assume essa escolha e posicionamento frente ao próprio trabalho e o segundo parece ter optado pela omissão, valendo-se de uma postura dúbia frente à

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admissão de processos de mudança nos elementos estruturais constitutivos do coco, numa conduta estratégica para a legitimação social de seu trabalho.

Quando Nilton Rodrigues referiu-se à linha imaginária que estabelece os limites de alterações sobre os elementos da tradição, também ressaltou o aspecto social do trabalho realizado pelo Xique – xique, dando a dimensão das ações realizadas pelo grupo na vida dos