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5 Da oitava coisa que se deve observar ao declarar seus pe cados.

P - Qual é q oitava coisa que se deve observar ao declarar seus pecados na confis- são?

R - É dar a conhecer inteiramente seus pecados.

P - Que significa dar a conhecer inteiramente seus pecados?

R - Significa dizer clara e simplesmente tudo o que servir a torna-los conhecidos tais quais são, sem nada omitir nem ocultar.

P - Que é que deve pensar aquele que na Confissão deixasse de dizer alguma coisa que deveria declarar para dar a conhecer seu pecado tal qual é?

R - Ele certamente faria uma Confissão má. Assim seria a de quem roubou um tostão a um pobre que só tem isto para comprar pão, e declarasse apenas: “Eu roubei um tostão”, porque não daria a conhecer inteiramente seu pecado tal qual é.

P - Está correto, quando alguém se confessa, exagerar seus pecados, fazê-los parecer mais graves do que são?

R - Isto nunca é permitido, porque, quem dissesse na Confissão: “Eu blasfemei contra o nome de Deus”, quando apenas blasfemou contra a fé, ou “Blasfemei”, quando apenas disse o nome do demônio, esse tal se confessaria muito mal. É preciso ape- nas dizer seus pecados tais quais são, sem nada acrescentar nem tirar.

P - Em caso de dúvida de ter cometido algum pecado, como é que se deve acusar? R - Deve-se dizer assim: “Duvido, ou não sei, ou não estou bem certo de ter cometido

P - Quando sem reflexão ou sem muita atenção se cometeu um ato que, por si, é peca- do, como é que se deve declarar isto na Confissão?

R - Neste caso deve-se declarar a pouca ou nenhuma atenção que se teve, se foi uma mentira que se cometeu, deve-se dizer: “Menti sem refletir no que eu estava dizen- do” ou se houve um pouco de atenção: “Menti sem prestar muita atenção ao que eu estava dizendo”. É assim que se deve fazer a acusação em casos semelhantes. P - Se ao cometer um pecado ou mesmo sem o cometer se incitou alguém ou aconse-

lhou a cometê-lo, ou se ele o cometeu porque se lhe deu exemplo, como é que se deve acusar disso?

R - É preciso declarar ao Confessor que se incitou, se foi assim, ou que se aconselhou, se foi o caso, a cometer este pecado, e dizer depois quantas pessoas foram incitadas a comete-lo, ou quantas pessoas foram aconselhadas, e que prejuízo se causou aos outros por este pecado; porque também se é culpado pelos pecados que os outros cometeram, quando foram incitados ou aconselhados como se os tivéssemos come- tido nós mesmos. Por conseguinte estamos obrigados a reparar todo prejuízo que esses pecados pudessem ter causado a outras pessoas; mas se foi somente por nos- so mau exemplo que outra pessoa tivesse cometido um pecado, e não o tivéssemos incitado ou aconselhado, então basta dizer ao Confessor que uma ou várias pessoas cometeram tal pecado porque lhes demos o exemplo para tanto, sem dizer qual foi o dano causado, porque quem deu mau exemplo não está obrigado a reparar o dano causado pelo pecado cometido por outra pessoa por este mau exemplo.

P - Quando já passou algum tempo depois que se cometeu um pecado e a pessoa não se lembra se o confessou, é preciso acusá-lo junto com os outros sem dar a conhe- cer ao Confessor que há muito tempo que se cometeu esse pecado?

R - Não; ao se confessar nunca se deve declarar junto com os outros e sem discerni- mento um pecado que se cometeu antes de sua última Confissão e que não se está seguro de o ter confessado, mas deve-se acusá-lo em primeiro lugar por medo de esquece-lo e dizer ao Confessor desde quanto tempo ele foi cometido e que não se lembra se o confessou.

P - Quando alguém ocultou algum pecado na Confissão, basta declará-lo com os ou- tros que acusa na Confissão seguinte, sem dizer nada ao Confessor que desse a conhecer que se trata de um pecado ocultado?

R - Não, não basta; mas é preciso confessar esse pecado separadamente e dizer ao Confessor que se trata de um pecado que não ousou declarar e, se ele se confessou uma ou várias vezes desde então, está obrigado a dizer quantas vezes se confessou e comungou desde que ocultou esse pecado.

P - Quando se teve vontade de cometer um pecado e que não se executou, de que mo- do deve-se acusá-lo, para dar a conhecer seu pecado inteiramente tal qual é? R - É preciso dizer ao Confessor quanto tempo durou essa má vontade, se ela foi inter-

rompida, e quantas vezes se renovou depois de interrompida: por exemplo, quando alguém teve a vontade de roubar, é preciso acusá-lo da seguinte maneira: Tive von- tade de roubar o que pude encontrar ou tomar, dinheiro ou outra coisa, e tive esse pensamento ou vontade durante três horas ou durante um dia, ou dois dias e duran- te esses dois dias interrompi e renovei essa má vontade cerca de vinte vezes (se foi verdade) e cada vez essa vontade durou cerca de meia hora (se foi assim) ou se es- sa vontade não foi interrompida, deve-se declarar assim: “Tive uma vontade má durante dois dias sem interrupção”, ou mais ou menos, conforme o tempo que se manteve esse pensamento, se foi certa quantia ou um objeto determinado que se te- ve vontade de roubar, é preciso declarar que quantia ou que objeto se queria pegar.

P - Quando alguém teve o pensamento ou a vontade de cometer um pecado, por que está obrigado a declarar ao Confessor quanto tempo durou esse mau pensamento ou má vontade, se foi interrompido, quantas vezes o renovou depois de o interrom- per?

R - A razão pela qual ele está obrigado a declarar todas essas coisas ao Confessor é porque um pensamento ou uma vontade que durou duas horas ou mesmo um dia inteiro constitui um pecado bem diferente daquele que se comete por um pensa- mento ou uma vontade que apenas passou e que só durou um momento e porque todas as vezes que um pensamento ou uma vontade foi interrompida e renovada se comete outros tantos pecados diferentes e distintos um do outro; por exemplo, se a pessoa interrompeu e renovou um mau pensamento ou má vontade doze vezes, comete doze pecados, se a interrompeu trinta vezes e renova, comete trinta peca- dos.

P - Quando alguém tem algum pensamento ou desejo de impureza, como é que deve acusar isso na Confissão para dar a conhecer seu pecado tal qual é?

R - Deve dizer se esse pensamento ou esse desejo foi simples e sem relação com al- guém, ou se contudo ele o teve pensando em alguma pessoa, se foi um rapaz ou uma garota, uma viúva, um religioso ou uma religiosa, uma pessoa casada, se era um parente, e em que grau; o que é que se pensou ou desejou com essa pessoa, quanto tempo durou esse pensamento ou desejo, e se esse pensamento e desejo foi interrompido e renovado e quantas vezes e quanto tempo esse pensamento ou esse desejo durou cada vez. Deve-se dizer, por exemplo: “Tive alguns pensamentos de impureza que não se referiam a nenhuma pessoa, ou, se referiam a uma garota, ou a uma pessoa casada, ou a uma religiosa, que é minha parente em segundo grau, ou, se não se sabe o que é ser parente em segundo grau, que é minha sobrinha ou mi- nha prima irmã, sem intenção de desejo, ou com intenção de desejo de cometer o pecado com ela, este pensamento durou um momento ou um quarto de hora, ou uma ou duas horas, ou mais ou menos, conforme o tempo que ele durou; eu o inter- rompi e renovei uma ou duas vezes, ou dez vezes ou vinte vezes, ou trinta vezes, conforme o número de vezes que se interrompeu e renovou; eu o rejeitei uma, du- as, ou quatro ou seis vezes, ou sempre tantas vezes que se renunciou a ele; ou, fui negligente em rejeitá-lo uma, ou duas ou seis ou oito vezes, tantas vezes que se te- ve essa negligência; ou, consenti nele e tive prazer nele duas, quatro, seis, dez ve- zes ou sempre, conforme o número de vezes que ficou com prazer nele; ou, não te- nho certeza se consenti, em caso de dúvida. Deve-se dizer também se esses pensa- mentos incentivaram em nós alguns movimentos desregrados, se depois se caiu em alguma impureza. É assim que se deve acusar na Confissão os pensamentos e dese- jos contrários à pureza.

P - Quando alguém deu um beijo ou lançou um olhar ou cantou alguma canção deso- nesta, ou se pronunciou algumas palavras ou fez alguma ação de impureza, de que modo ele deve se acusar disso na Confissão, para declarar seu pecado inteiramen- te tal como é?

R - Quando este pecado foi cometido por um beijo, deve-se dizer se foi por um simples prazer que se beijou, ou se o beijo foi acompanhado de desejo de cometer o pecado de impureza com essa pessoa, e de que tipo de pessoa se trata, garota, religiosa, ca- sada, parente, em que grau; se depois desse beijo sentiu em si algum movimento desregrado, se causou depois algum pecado de impureza. Deve-se acusar os olha- res, as canções e as palavras da mesma forma que os beijos. Se a pessoa cometeu um ato de impureza, deve dizer em particular qual foi esse ato, e foi consigo mes-

mo somente, e se que efeito produziu, ou se o ato foi com outra pessoa, que tipo de pessoa era, se tinha de fato o desejo ou a intenção de cometer o pecado com essa pessoa, se caíram ao mesmo tempo, ou depois em algum ato de impureza; se essa ação foi interrompida e retomada várias vezes, e quantas vezes. Enfim, se foi um ato de impureza consumada, com alguma pessoa, se foi um rapaz ou uma garota, com uma pessoa casada, se era parente em que grau, etc.

P - Quando alguém cometeu algum pecado em que recai habitualmente, como é que deve se acusar dele para dá-lo a conhecer inteiramente tal qual é?

R - Deve dizer quanto tempo há que caiu nesse pecado, e quantas vezes o cometeu desde sua última Confissão; se trabalhou para se corrigir ou ficou negligente, se gosta desse pecado e se não está decidido a não recair nele; e se disse que está de- cidido, não pode contentar-se com palavras, mas dar sinais que sejam provavel- mente seguros: deve dizer, por exemplo, Eu blasfemei vinte vezes “Que o diabo me carregue” e tenho este hábito de pecado há cerca de três anos, ou mais ou me- nos conforme o tempo que esse hábito durou efetivamente; não me esforcei muito para me corrigir, recaí nele cerca de quatro vezes por semana, ou mais ou menos, de acordo com as vezes que recaiu.

P - Quando alguém cometeu um pecado porque está e sempre permanece numa ocasi- ão próxima desse pecado, como é que ele deve se acusar dele para dá-lo a conhe- cer inteiramente e tal como é?

R - Ele deve declarar ao Confessor qual é essa ocasião próxima. Se, por exemplo, está casado e freqüenta uma pessoa solteira de outro sexo, ou se ele permanece junto dela numa mesma casa, ele está numa ocasião próxima de pecado de impureza; en- tão, para declarar corretamente esse pecado e dá-lo a conhecer tal qual é, deve di- zer ao Confessor: “Padre, há seis meses (se é este o tempo) que freqüento uma mo- ça, muitas vezes entro na casa dela e quando não vou para lá, procuro a ocasião de lhe falar em outro lugar; eu me encontro com ela cerca de três vezes por semana. Todas as vezes que a visito tenho pensamentos ou desejos de cometer o pecado com ela; quando não a encontro, penso muitas vezes nela, o que me causa pensa- mentos ou desejos de impureza, isto me aconteceu três vezes, ou seis ou dez, ou quinze ou vinte vezes desde minha última Confissão. Contudo posso evitar o en- contro com essa moça ou meu pai e minha mãe me proíbem visitá-la. Da mesma forma, quando alguém se deixa levar à blasfêmia ou à raiva cada vez, ou quase ca- da vez que blasfema, ou quase cada vez que joga, o jogo se torna uma ocasião pró- xima desses pecados de blasfêmia e de raiva. Por isso, para dar a conhecer esses