Capítulo 3. A POLÍTICA DE FINANCIAMENTO DA INTERIORIZAÇAO DA
3.2 Da política de interiorização da UFPA, nas décadas de 1980 e 1990, ao
Acreditamos que a essência da concepção da política de interiorização da Universidade Federal do Pará esteja contida em um trecho do discurso da aula inaugural da primeira turma de interiorização da UFPA, proferida no dia 9 de janeiro de 1987, pelo então reitor, Professor Doutor Seixas Lourenço, epigrafado na tese de Coelho (2008):
Interiorizar é colocar-se em meio à comunidade, como parte dela, solidarizando-se, mimetizando-se, auscultando-lhe os anseios e identificando-lhe os obstáculos, de modo que, de mãos dadas, sob o ímpeto que se irradia da própria força viva da Universidade, possam todos caminhar juntos, descobrindo os seus próprios roteiros, levando consigo as suas riquezas locais, o seu estrato cultural próprio, a sua história, o seu perfil local definido. O que é vedado à política de interiorização é, sob qualquer pretexto, desfigurar a fisionomia das comunidades por onde passa, alijando-as das decisões e negando-lhes a participação crítica e criativa, sem a qual estaria comprometida a vocação democrática da universidade. E sendo, portanto, a interiorização um processo vivo e vitalizante de trocas e intercâmbio, a Universidade deve chegar com a disposição de aprender, enriquecer-se, expandir-se, também aqui, num sentido de qualificação, a partir da experiência concreta da realidade. (SEIXAS LOURENÇO, 1987 apud COELHO, 2008, p. 13).
O autor destaca que a função histórica da universidade é “entranhar-se” no processo de formação social, cultural e econômica dos membros de cada comunidade. Percebe-se assim, a relação entre universidade e poder local, possibilitando o empoderamento das comunidades, no sentido de construírem as suas próprias estratégias de desenvolvimento.
Nosso estudo analisa não só o processo de interiorização, que, muitas vezes, é confundido com desconcentração do ensino superior dos grandes centros urbanos, mas, principalmente, as implicações da política de financiamento da Educação Superior adotada pelo governo federal sobre o papel e a presença efetiva da UNIVERSIDADE no interior do estado do Pará. Pois,
A interiorização das ações universitárias teve início em 1971, sob o modelo renovado das ações extensionistas dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ações Comunitárias (CRUTACs), do final da década de 60, e teve como ações iniciais a realização de cursos especiais de Licenciatura curta nas áreas: Letras, Estudos Sociais e Ciências Naturais, destinados à “preparação de docentes de 1º e 2º graus” e de Cursos de Licenciatura plena para a formação de administradores e supervisores escolares. A segunda fase toma forma quinze anos depois, com o I Projeto de Interiorização da UFPA, regulamentado pela Resolução Nº 1.355, quando foram eleitos oito campi para o trabalho. As prefeituras locais se uniram ao
projeto, doando prédios para a instalação da sede do campus, cedendo servidores para o apoio administrativo, vigilantes e motoristas. No mesmo
período, em maio de 1986, representantes das universidades amazônicas elaboraram o I Projeto Norte de Interiorização, que incorporou objetivos, metas e estratégias já delineadas pela UFPA. (UFPA. Universidade Multicampi/Histórico. [Online]. Grifos nossos.).
Considerando as informações apresentadas acima, podemos afirmar que é fundamental destacar pelo menos duas dimensões dessa concepção do processo de interiorização da Universidade Federal do Pará.
A primeira se refere ao processo de interiorização, propriamente dito, que se inicia com as ações extensionistas dos Centros Rurais Universitários de Treinamento e Ações Comunitárias (CRUTAC), em 1971, muito antes da presença efetiva da universidade com seus campi, que só se concretizou com o I Projeto de Interiorização da UFPA, em 1986.
A segunda, que o processo de interiorização obteve, desde a sua origem, o auxílio das prefeituras. Essas ofereceram apoio não só na infraestrutura predial como na cessão de servidores de apoio administrativo aos campi da interiorização, em seu nascedouro. Os cursos de contrato, portanto, inauguram uma nova fase do apoio oferecido pelas prefeituras ao processo de interiorização da Educação Superior nesse estado.
O primeiro momento tem sua origem vinculada à proposta do Estado Desenvolvimentista, localizando no CRUTAC e nos Campi Avançados a gênese da política, sendo a UFPA, por intermédio do Centro de Educação, sujeitos importantes do referido processo. O segundo momento situa-se no bojo da “Nova República” com a articulação das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) da Amazônia brasileira em torno dos Projetos Norte de Interiorização (PNI). O I PNI (1986 a 1989), o II PNI (1994 a 1997) e o III PNI (1998 a 2001). (COELHO, 2008, p. 53).
Essas informações nos mostram a importância estratégica do processo de interiorização da universidade para a melhoria da qualidade da educação na região onde estão inseridas, por meio dos seus cursos de licenciatura, que têm contribuído para o processo de formação dos professores leigos das redes estadual e municipais.
Segundo Camargo (1997), o projeto de interiorização, na sua fase inicial, tratou-se “[...] de um amplo programa para qualificar professores para o ensino de 1º e 2º graus e que, portanto, deve ter conseqüências na melhoria do ensino na região.” (CAMARGO, 1997, p. 3).
Por outro lado, Camargo (1997) destaca o caráter regionalizado do processo de interiorização da Educação Superior, na Amazônia. Para essa autora, esse processo se deu por meio das seguintes ações:
Implantação ou consolidação de 25 (vinte e cinco) campi universitários, localizados no interior dos estados: Pará (08), Amazonas (02), Maranhão (06), Acre (02), Rondônia (03) e Mato Grosso (04). Esses campi serviram de base para a realização de cursos de licenciatura, reciclagem e capacitação, projetos artísticos-culturais, projetos de pesquisa aplicada, treinamento e assessoramento a comunidade. (CAMARGO, 1997, p. 3).
Nesse sentido, considerando informações fornecidas pela Universidade Federal do Pará, no seu portal (<http://www3.ufpa.br/multicampi/novo/>), podemos perceber, no mapa abaixo, a distribuição geográfica dos nove campi no interior do estado, mais o campus de Belém, contemplando as principais microrregiões do estado.
FIGURA 1. DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS CAMPI DA UFPA NO ESTADO DO PARÁ – 2008.
Fonte: UFPA, 2008 (http://www3.ufpa.br/multicampi/mapa.html).
A política de organização multicampi possibilita, portanto, uma melhor integração da produção científico-acadêmica com os problemas reais vividos pelos povos de cada região onde estão localizados os campi da UFPA. Essas escolhas, entretanto, são condicionadas pela estrutura de cada campus. Em outras palavras, podemos afirmar que a interiorização nasce, em grande parte, conforme já defendemos, para oferecer formação aos professores leigos espalhados por esse estado, tanto na rede estadual como nas redes municipais.
Uma dimensão que é fundamental nesse processo de implementação de uma política de organização multicampi é a “desconcentração centralizada”, que se tenta superar por uma
concepção “descentralizadora” da gestão superior.
Camargo (1997), ao analisar os critérios para a definição do número de campi e suas respectivas localizações, afirma que “referente aos critérios para a localização, número de
campi e cursos criados há constantes afirmações de ausências de maiores discussões,
provocando dificuldades na implementação do projeto.” (CAMARGO, 1997, p.66). Essa condição é explicitada em diversos depoimentos descritos no texto, reafirmando ausência de um debate mais consistente acerca da construção do projeto de interiorização.
Existe, entretanto, uma estratégia de desconstrução desse discurso pelos membros da administração superior da época, afirmando que foram realizados estudos no sentido que definir a distribuição geográfica dos campi, demonstrando aqueles certo consenso, “salvo
raras exceções”, como, por exemplo, os campi de Soure e Altamira, que se localizam na confluência de outros campi. (CAMARGO, 1997, p. 67-68).
Entretanto, cada um dos campi possui sua história particular de desenvolvimento, que, por sua vez, está ligada às potencialidades de cada município ou região. Apresentaremos, sucintamente, cada um dos campi, considerando as datas de implantação de cada um e sua oferta de ensino de graduação.
3.2.1 Campus de Santarém.
O primeiro campus interiorizado da UFPA foi criado em 14 de outubro de 1970, através da Resolução nº 39/70, do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), a partir do Núcleo de Educação, da Universidade Federal do Pará, em Santarém, que, posteriormente, passou à designação de Campus Universitário de Santarém.
No ano seguinte, foi iniciado o processo de interiorização dos cursos de graduação do Núcleo. Inicialmente, foram ofertados cursos de licenciatura de curta duração, entre os anos
de 1971 a 1973, que funcionaram na Escola Estadual “Álvaro Adolfo da Silveira”. No ano de 1980, a Universidade recebeu da Prefeitura de Santarém o prédio da Escola Municipal “Everaldo de Souza Martins” e teve o Núcleo de Educação reativado, ofertando a complementação dos estudos existentes anteriormente. Além disso, iniciaram novas turmas de licenciatura curta em Geografia, História, Letras, Matemática e Pedagogia, entre 1980 e 1983. A partir deste ano, iniciou o primeiro curso, em caráter permanente – Licenciatura Plena em Pedagogia, por meio de um convênio assinado com a (então) Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM).
O Campus de Santarém oferta, atualmente, os seguintes cursos de graduação: Ciências Biológicas, Direito, Física Ambiental; Licenciatura Plena em Letras, Licenciatura Plena em Matemática, Licenciatura Plena em Pedagogia, Licenciatura Plena em Química; Sistemas de Informação, Ciências Sociais, Física e Tecnólogo em Processamento de Dados. Esse campus serviu de base para a criação da primeira universidade com sede no interior da Amazônia – a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), que foi criada em 05 de novembro de 2009, por meio da Lei Nº 12.085/2009. Essa universidade atenderá a uma reivindicação histórica dos alunos provenientes dos municípios do oeste do Pará.
TABELA 10.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS UNIVERSITÁRIO
DE SANTARÉM, MAIO – 2001; 2009. ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substitutos 2001 12 1.841 63 20 09 2009 33 1.411 67 21 26 %Δ 2001; 2009 175 -23,0 6,3 5 188,9 Fonte: UFPA, 2009.
matriculados nos cursos de graduação, em 2009, para um corpo docente de 88 professores. Isso significa que, ao analisarmos a relação professor/aluno desse campus, temos 16,03 alunos para cada professor.
Destacamos ainda o grande crescimento do número de servidores técnico- administrativos, que saltou de nove, em 2001, para 26, em 2009, o que representou um aumento percentual de 188,9%. Esses profissionais geram a possibilidade da criação de um suporte acadêmico-administrativo para as atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas pelos professores.
3.2.2 Campus de Castanhal.
Em 14 de abril de 1978, no Ginásio de Esportes "Loyola Passarinho", realizou-se a sessão solene de assinatura do convênio para a implantação do Campus Universitário de
Castanhal, através do Núcleo de Educação e do Serviço de Extensão. O convênio foi assinado
pelo, então, Reitor da Universidade Federal do Pará, Dr. Aracy Amazonas Barreto e pelo Prefeito de Castanhal.
Os primeiros cursos ofertados foram de Matemática, História, Letras, Geografia e Pedagogia, que beneficiariam também as Zonas Bragantinas, Guajarinas e de Salgado.
Atualmente, o campus de Castanhal oferta os seguintes cursos de graduação: Medicina Veterinária, Educação Física, Licenciatura Plena em Letras, Licenciatura Plena em Matemática, Licenciatura Plena em Pedagogia, Administração e Ciências Sociais.
A Tabela 11, a seguir, apresenta o número de cursos, alunos, docentes e técnico- administrativos do campus de Castanhal. Esses números demonstram que, mesmo com o aumento de docentes e técnico-administrativos, ainda houve diminuição do número de
matrículas. Nesse sentido, enquanto, em 2001, a relação professor/aluno era de um professor para 31,3 alunos, essa relação caiu, em 2009, para 10,7 alunos para cada professor.
TABELA 11.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE CASTANHAL, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substitutos 2001 10 1.223 25 14 09 2009 13 987 76 16 39 %Δ 2001-2009 30 -19,3 204 14,3 333,3 Fonte: UFPA, 2009
Os dados acima demonstram que o campus de Castanhal recebeu um aumento de 30% no número de cursos ofertados, mas que, por outro, resultou uma redução de 19,3% no número de alunos matriculados, no período de 2001 a 2009. Por outro lado, vale ressaltar que esse campus recebeu um aumento orçamentário de 315,4%, no período de 2002 a 2008, além de receber um significativo acréscimo no número de docentes e técnico-administrativos, fatos esses que não justificam a diminuição do número de matrículas.
3.2.3 Campus de Abaetetuba.
O Campus Universitário de Abaetetuba, identificado como Campus do Baixo Tocantins, foi implantado, em 1987, no município de Abaetetuba, sob a coordenação da professora Conceição Solano, indicada a esse cargo pelo reitor da época, o Prof. José Seixas Lourenço.
Atualmente, o campus de Abaetetuba oferta os seguintes cursos de graduação: Licenciatura Plena em Pedagogia, Licenciatura Plena em Letras, Licenciatura Plena em
Matemática, Licenciatura Plena em Física, e Ciências Sociais.
O campus de Abaetetuba, segundo os dados apresentados na Tabela abaixo, sofreu uma queda de 37,3% no número de alunos matriculados, no período de 2001 a 2009.
TABELA 12.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE ABAETETUBA, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substitutos 2001 08 1.063 15 12 05 2009 18 666 24 05 08 %Δ 2001-2009 125 -37,3 60 -58,3 60 Fonte: UFPA, 2009.
Os dados da Tabela 12 nos mostram que houve um aumento no número de cursos de graduação (125%) e, contraditoriamente, queda no número de alunos matriculados (-37,3%), no período de 2001 a 2009. Essa queda, por sua vez, é acompanhada do crescimento de 60% no número de docentes efetivos e de técnico-administrativos.
Por outro lado, considerando a queda no número de docentes substitutos e o crescimento do número de docentes efetivos, percebemos que o número de alunos por docente sofreu uma significativa alteração. Ou seja, em 2001, a relação professor/aluno era 39,4; em 2009, esse número ficou em 22,9 alunos por professor.
3.2.4 Campus de Altamira.
O Campus Universitário de Altamira está localizado à margem esquerda do rio Xingu assim como num ponto estratégico da rodovia Transamazônica, numa hábil iniciativa para facilitar o acesso à Educação Superior dos jovens tanto dos municípios da microrregião de
Altamira (Altamira, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Pacajá, Anapu, Placas, Rurópolis, Vitória do Xingu e Senador José Porfírio) quanto de São Félix do Xingu, Itaituba, Novo Repartimento, entre outros.
Esse campus iniciou suas atividades, em 1987, apenas com cursos intervalares de Licenciaturas Plenas em Letras, Pedagogia, Matemática, História e Geografia.
A partir de 1992, foram instalados os cursos regulares. Atualmente, o campus oferece os cursos de Ciências Biológicas, Ciências Agrárias, Agronomia, Ciências Sociais e de Licenciatura Plena em Letras, Pedagogia e Matemática.
A Tabela 13, a seguir, apresenta que esses sete cursos possuem 420 alunos regularmente matriculados, em 2009, para os quais o campus dispõe de 60 docentes, sendo 56 efetivos e quatro substitutos. Além desse corpo docente, o campus conta, também, com sete servidores técnico-administrativos.
TABELA 13.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVO Docentes
Efetivos Substitutos Docentes
2001 10 950 16 16 06
2009 17 420 56 04 07
%Δ 2001-2009 70 -55,8 250 -75 16,7
Fonte: UFPA, 2009.
Analisando os dados da Tabela 13, para a série histórica 2001 a 2009, destaca-se a significativa queda no número de matrículas (-55,8%). Mas, por outro lado, o que nos chama bastante atenção é o crescimento de 250% no número de docentes efetivos e a consequente redução no de docentes substitutos (-75%).
Considerando o número de docentes desse campus, entendemos que houve uma redução significativa no número de alunos por professor. Em 2001, essa relação era de 29,7; em 2009, esse número caiu para 7 alunos por professor.
3.2.5 Campus de Bragança.
O Campus Universitário de Bragança foi criado, em 1987, e funcionou, primeiramente, com os cursos de Licenciatura Plena nas áreas de Geografia, História, Letras, Matemática e Licenciatura Plena em Pedagogia.
A partir de 1997, foram implantados os cursos de Ciências Biológicas, Ciências Sociais e Licenciatura Plena em Ciências do Ensino Fundamental. Além desses cursos com o escopo de formar profissionais que suprissem às necessidades da região, a Universidade Federal do Pará criou o curso de Engenharia de Pesca, inserindo-se, assim, de forma efetiva, na dinâmica socioeconômica da região, ou seja, formando profissionais locais para atuarem da área de vocação econômica da região.
Hoje, o campus de Bragança oferta os seguintes cursos de graduação: Licenciatura Plena em Pedagogia e em Letras, Ciências Biológicas, Licenciatura Plena em Matemática (Intervalar), Ciências Sociais e Engenharia de Pesca. Além da graduação, o campus de Bragança possui um programa de Pós-Graduação em Biologia Ambiental, aprovado, em 2006, pela CAPES.
O dados da Tabela 14, referentes ao campus de Bragança, demonstram a mesma tendência do campus de Altamira, ou seja, redução do número de alunos matriculados (- 32,3%), no período de 2001 a 2009, com crescimento no quadro de docentes efetivos (168,2%) queda de no número de docentes substitutos (-25,7).
TABELA 14.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE BRAGANÇA, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substituto s 2001 08 1.003 22 15 14 2009 17 679 59 11 20 %Δ 2001-2009 112,2 -32,3 168,2 -25,7 42,8 Fonte: UFPA, 2009.
Essa movimentação no número de docentes mudou, também, a proporção de alunos por professor, nesse campus; ou seja, em 2001, eram 27,1 alunos por professor, já em 2009, essa relação caiu para 9,7. Além desse aumento no número de docentes, esse campus ainda recebeu um aumento de 42,8% no número de técnico-administrativos.
3.2.6 Campus de Cametá.
O Campus Universitário de Cametá foi fundado, em 1987, durante a administração do Reitor José Seixas Lourenço, como resultado do Projeto Norte de Interiorização da Universidade Federal do Pará. O campus, não possuindo sede própria, foi instalado nas dependências da Escola Municipal de 1º Grau “Maria Cordeiro de Castro”, cujo prédio foi, posteriormente, doado à UFPA pelo município, através da Lei Municipal Nº 1.207, de 27 de março de 1991.
O projeto de interiorização da UFPA expandiu-se para o interior do estado, ofertando cursos de licenciaturas que objetivaram preparar recursos humanos para trabalharem no ensino fundamental e no ensino médio dos municípios e regiões vizinhos. Nesse sentido, esse campus possui, atualmente, os seguintes cursos de Licenciatura Plena: Pedagogia, Letras e Matemática.
No que tange ao número de cursos de graduação e ao de alunos matriculados nesses cursos, observamos, com base na Tabela 15, que o campus de Cametá possui 08 cursos e 529 alunos nestes matriculados.
O campus dispõe, atualmente, de 17 professores, ou seja, são 31,1 alunos para cada professor. Conta, também, com cinco funcionários técnico-administrativos.
TABELA 15.
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE CAMETÁ, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substitutos 2001 05 647 05 10 01 2009 08 529 10 07 05 %Δ 2001-2009 60 -18,2 100 -30 400 Fonte: UFPA, 2009.
Considerando os dados relativos ao campus de Cametá, podemos afirmar, ainda, que houve uma queda no número de alunos matriculados, de -18,2%, seguida por um aumento de 100% no número de professores efetivos.
3.2.7 Campus de Marabá.
O Campus Universitário de Marabá atua em uma área que abrange 38 municípios das regiões sul e sudeste do Pará, desde 1987. Possui sua sede em Marabá, principal polo urbano da região nordeste, além de quatro Núcleos de Integração Regional, nas cidades de Jacundá, Parauapebas, Rondon do Pará e Xinguara, onde se desenvolvem atividades de extensão universitária e cursos de graduação em período intervalar.
Em convênios estabelecidos com prefeituras municipais da região, ainda foram ofertados cursos de graduação (Licenciatura Plena em Pedagogia, Matemática e Letras; Ciências Sociais e Ciências Naturais) em outras localidades, tais como Ourilândia do Norte, São Geraldo do Araguaia, Itupiranga e Canaã dos Carajás. O campus de Marabá oferta, atualmente, os seguintes cursos de graduação: Agronomia, Ciências Sociais, Direito, Engenharia de Materiais, Engenharia de Minas e Meio Ambiente, Geologia, Sistema de Informação, Ciências Naturais, Administração, Ciências Biológicas e Ciências Agrárias, além dos cursos de Licenciatura Plena em Letras, Matemática, Pedagogia, Química e Física.
Ao analisarmos a Tabela 16, percebemos que o campus de Marabá apresenta o único percentual de aumento do número de alunos matriculados, de apenas 14,4%. Todos os outros indicadores sofreram crescimento no período da pesquisa, 2001 a 2009: 192,8%, no número de cursos; 241,4% de aumento no número de docentes efetivos; e 583,3%, no número de técnico-administrativos.
TABELA 16
NÚMERO DE CURSOS DE GRADUAÇÃO, ALUNOS DE GRADUAÇÃO, DOCENTES (EFETIVOS E SUBSTITUTOS) E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS. CAMPUS
UNIVERSITÁRIO DE MARABÁ, MAIO – 2001; 2009.
ANO NÚMERO DE CURSOS ALUNOS MATRICULADOS DOCENTES TÉCNICO- ADMINISTRATIVOS Docentes Efetivos Docentes Substitutos 2001 14 1.426 29 14 06 2009 41 1.631 99 23 41 %Δ 2001-2009 192,8 14,4 241,4 64,3 583,3 Fonte: UFPA, 2009.
São 1.631 alunos matriculados nesses 41 cursos de graduação, para um corpo docente de 122 professores, o que demonstra uma proporção de 13,4 alunos para cada professor. Entretanto, vale destacar que esse campus recebeu um aumento de 583,3% no número de
técnico-administrativos, o maior aumento de todos os campi. Somando-se a isso o aumento de 241,4% no número de docentes, aliado ao único aumento no número de vagas dos cursos de graduação de todos os campi no interior, podemos afirmar que Marabá foi aquele que ofereceu o maior crescimento dentre todos os campi do interior da Universidade Federal do Pará.
Por outro lado, esses dados, em conjunto, podem revelar uma fragilidade da