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Da possibilidade de prisão preventiva

No documento A Lei Maria da Penha e sua efetividade (páginas 48-51)

3. MEDIDAS PROTETIVAS

3.4 Da possibilidade de prisão preventiva

Inicialmente, cumpre asseverar que a prisão preventiva é cabível nos crimes dolosos cuja pena máxima cominada seja superior a quatro anos e nos casos de reincidência em crime doloso, isto previsto no artigo 31311 do Código de Processo Penal. Ocorre, que a Lei Maria da Penha adicionou a possibilidade de prisão preventiva nos casos em que envolva violência doméstica e familiar contra mulher, como forma de garantir a execução das medidas protetivas de urgência (DIAS, 2012, p. 77-78).

Nucci (2013, p. 627), esclarece sobre a nova redação do artigo 313 do CPP com a autorização da Lei 11.340/06:

Embora essa modalidade de prisão cautelar encontre0se regida, no Código de Processo Penal, basicamente, pelo art. 312, onde se encontram seus requisitos, a lei especial terminou por ampliar a possibilidade de prisão preventiva para os casos de violência doméstica. A reforma implementada pela Lei 12.403/2011, conferindo nova redação ao art. 313, III, do CPP, permite a decretação da preventiva nas situações envolventes de violência doméstica contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. O ideal seria a presença dos requisitos do art. 312 do CPP para a decretação da preventiva, mas somente se La se destinar a durar toda a instrução. Quando não for o caso, voltada apenas para o período em que se executa uma medida protetiva de urgência (como a separação de corpos), dispensam-se os elementos formais do art. 312 do CPP. Entretanto, finda tal execução, deve-se liberar o indiciado ou réu. Por outro lado, mesmo se estiverem presentes os requisitos do art. 312 do CPP, a duração da prisão cautelar precisa ser cuidadosamente acompanhada pelo magistrado, visto existirem delitos cuja pena é de pouca monta.

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Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos;

II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal;

III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência;

IV - (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida.

Ademais, Porto (2014, p. 125-126), saliente que conforme artigo 2012 da Lei Maria da Penha, existe a possibilidade de prisão preventiva do ofensor, diante do preenchimento de alguns requisitos, os quais são cumulativos, porém, somente será decretada caso se esgotem as previsões contidas no artigo 22 da Lei Maria da Penha:

Assim, combinando-se as regras do art. 20 da LMP, com a nova hipótese acrescentada ao art. 313, IV do CPP, pode-se concluir que são requisitos para a decretação da prisão preventiva, em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher: a) prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria (art. 312 do CPP; b) os pressupostos tradicionais do art. 312 do CPP: garantia da ordem pública, conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal; e c) necessidade de garantir a execução das medidas protetivas de urgência, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Tais requisitos são cumulativos, sendo necessário, antes de recorrer à medida extrema da custódia prisional, esgotarem-se medidas menos severas, previstas no art. 22 da LMP.

A previsão do artigo 313, III do CPP, refere-se à possibilidade de decretação da prisão preventiva diante da notícia de descumprimento de medida protetiva de urgência e, após apurado o seu descumprimento, a decretação será a medida a ser tomada (FULLER, 2013, p. 365).

Nesse sentido, vem decidindo nosso Tribunal de Justiça, conforme recente decisão:

HABEAS CORPUS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. PRISÃO PREVENTIVA.

DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA. PERICULOSIDADE DO

AGENTE. NECESSIDADE DE RESGUARDO DA INTEGRIDADE FÍSICA E PSÍQUICA DA VÍTIMA. Demonstrada a materialidade delitiva e indicada a presença de indícios suficientes de autoria, a prisão preventiva foi decretada para

garantir a integridade física da vítima e a execução das medidas protetivas de urgência. Prisão suficientemente fundamentada. No caso em análise, o paciente

teria ameaçado e agredido a vítima depois de deferida medida protetiva de urgência. Os elementos constantes dos autos indicam, ademais, possível caráter recidivante da conduta, pois registra outras ocorrências relatando violência doméstica e familiar. Medidas alternativas, neste contexto, não são suficientes para garantir a integridade física da ofendida. ORDEM DENEGADA. (Habeas Corpus Nº 70073140204, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jayme Weingartner Neto, Julgado em 12/04/2017)(grifou-se).

Além disso, vale destacar sobre a previsão de notificação da mulher da saída do agressor da prisão, revelando uma louvável preocupação do legislador em efetivamente

12 Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão preventiva do

agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial.

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

proteger a vítima, a qual não pode ser surpreendida pro seu algoz liberado da prisão e revoltado com as denúncias por ela realizadas (CAVALCANTI, 2010, p. 227).

Diante do exposto, e olhando para o conflito entre a proteção do sistema acusatório e a da vida ou integridade física da vítima, este último deve sempre prevalecer, visto que mais próximo do princípio da dignidade da pessoa humana, tão cortejado como regra supraconstitucional (PORTO, 2014, p. 128).

No documento A Lei Maria da Penha e sua efetividade (páginas 48-51)