No que diz respeito aos títulos de créditos o prazo prescricional está previsto em sua lei específica, no caso do cheque entra respaldo na Lei nº 7.357/85, onde em seus arts. 59 e seguintes prevêem a prescrição, no entanto, ainda, dos pontos que restarem lacunosos este título utiliza-se subsidiariamente das disposições do Código de Processo Civil. (RESTIFFE NETO, 2000, p. 349).
No âmbito do direito comercial, particularmente em relação às ações executivas inerentes ao cheque, o prazo é de 6 meses que, conforme o caput do art. 59 da Lei do Cheque, começa a correr a partir do momento em que expira o prazo para apresentação do cheque.
Assim, verifica-se o caput do artigo supramencionado na íntegra: “Art. 59 . Prescrevem em 6 (seis) meses, contados da expiração do prazo de apresentação, a ação que o art. 47 desta Lei assegura ao portador.”
Sendo, conforme o art. 47 da Lei do Cheque, o prazo para apresentação de 30 dias para cheques pagáveis na mesma praça e 60 dias para cheques pagáveis em praças distintas, é a partir do término destes prazos que se inicia a contagem do prazo prescricional.
Este prazo ligeiro se dá em razão do desejo da Lei chéquica de fazer com que o cheque tenha uma vida breve, tento em vista o fato de ser um título de exação, de modo que, diminuiu consideravelmente o prazo prescricional. Levando- se em consideração o prazo utilizado no ano de 1912, pela Lei nº 2.591, antiga lei que dispunha sobre o cheque no Brasil, que era de cinco anos. (FRAN MARTINS, 2008, p. 395).
O prazo prescricional, ainda que desrespeitado o prazo para apresentação, ou seja, que não tenha sido apresentado tempestivamente ao banco sacado ou ao serviço de compensação, começará a correr como a lei indica. (RESTIFFE NETO, 2000, p. 337).
Como entende Rizzardo (2006, p. 213) ainda que na teoria o prazo seja de 6 meses, na prática o decurso prescricional será de 7 ou 8 meses da emissão do título, pois após a data da emissão conta-se 30 ou 60 dias e então mais 6 meses. Já Mamede (2008, p. 297) tem a opinião contrária, sendo que não se deve realizar um somatório dos prazos diante da divergência jurisprudencial, pelo fato de a cártula ser apresentada antes do fim do prazo de apresentação.
Essa divergência na doutrina e na jurisprudência ocorre em relação ao momento em que o prazo prescricional se inicia, notadamente em relação aos cheques que foram apresentados tempestivamente, se começa a partir da primeira apresentação, ou, em conformidade com a lei, quando expirado o prazo para apresentação.
No entanto, como expõe, com destreza, Restiffe Neto (2000, p. 343), quando menciona a corrente que defende a lei, debate sobre três aspectos, sendo um no sentido de que não há razão para prejudicar aqueles que apresentaram o cheque em conformidade com o prazo que a lei dispõe, diminuindo o seu prazo para intentar com a demanda, desmerecendo-os, ainda, em frente àqueles que foram
negligentes e apresentaram o cheque fora do prazo, pois terão um prazo prescricional mais longo.
Outro aspecto diz respeito ao problema que poderá acarretar aos assuntos pertinentes à Convenção sobre Conflitos de Leis, no momento em que for se tratar no âmbito internacional.
E por último refere-se ao aspecto que diz respeito à interpretação da lei, contrapondo-se a outra corrente no sentido de que esta interpretação deve seguir à risca, por se tratar de uma exceção que extingue um direito, qual seja, o de entrar com a ação.
A corrente contrária à lei, que entende ser a partir da primeira apresentação, argumenta que não há motivos para esperar até o término do prazo da apresentação para começar a contar o prazo prescricional.
De fato que há alguns que apóiam as disposições da lei, por considerarem esta correta e outros que, abertamente, demonstram-se contrários à letra da lei, abdicando esta, a exemplo de Requião (2006, p. 549):
O prazo de apresentação do cheque é de trinta dias quando sacado na praça onde tiver de ser pago, e sessenta dias quando em outra praça ou no exterior. Assim, se o cheque não foi apresentado no prazo previsto, de trinta dias, por exemplo, a prescrição começa a correr após o decurso desse prazo: se for apresentado e não pago, por qualquer motivo, inclusive por falta de provisão de fundos, a prescrição começa a contar a partir do dia da primeira apresentação.
Esse entendimento encontra-se divergente também na jurisprudência, como visto, no entanto a corrente majoritária é a favor da expiração do prazo de apresentação, para ai sim iniciar o prazo prescricional, como se verifica no julgado do Recurso Especial o STJ:
RECURSO ESPECIAL - PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO - CHEQUE PRAZO PRESCRICIONAL - TERMO INICIAL – DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL – SÚMULA 83/STJ - RECURSO NÃO CONHECIDO 1 - Consoante entendimento desta Corte, o lapso prescricional previsto no art. 59 da Lei nº 7.357/85 (de seis meses), somente tem início a partir da expiração do prazo para apresentação do cheque (de trinta dias), independentemente de o credor havê-lo feito em data anterior. Incidência da Súmula 083/STJ.
2 - Recurso especial não conhecido. (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2006).
Encontra-se ainda no STJ um terceiro entendimento em relação ao início da contagem do prazo prescricional, sendo que entendem que quando o cheque é apresentado fora do prazo de apresentação, os seis meses, a partir desta apresentação se inicia o prazo prescricional, como se observa na ementa do Recurso Especial nº 435558:
Cheque. Prescrição. Art. 59 da Lei nº 7.357/85. Dissídio.
1. Já assentou a Corte que a prescrição do art. 59 da Lei nº 7.357/85 pressupõe que o cheque haja sido apresentado no prazo legal, "caso contrário, a prescrição passa a correr da data da primeira apresentação" (REsp nº 45.512/MG, Relator o Senhor Ministro Costa Leite, DJ de 09/5/94). No caso, porém, o especial não tem trânsito porque ausente a necessária similitude fática dos paradigmas, com os termos do julgado recorrido. 2. Recurso especial não conhecido. (SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, 2003).
No caso em tela, o cheque foi apresentado após transcorrido o prazo para apresentação.
Outro assunto pertinente à este capítulo diz respeito ao parágrafo único do art. 59 da Lei do cheque dispõe que: “A ação de regresso de um obrigado ao pagamento do cheque contra outro prescreve em 6 (seis) meses, contados do dia em que o obrigado pagou o cheque ou do dia em que foi demandado.”
Essa ação é uma forma de o obrigado ser reembolsado por aquilo que pagou, após o pagamento ser recusado pelo banco sacado, fazendo cessar a relação jurídica relativa ao crédito entre o portador e o beneficiário, passando a assumir o lugar de credor da relação. (RESTIFFE NETO, 2000, p. 344).
Sendo então que, se o obrigado que pagou, o fez de forma amigável, isto é, não houve a demanda, o prazo prescricional começa a contar a partir do dia que ocorreu o pagamento. (FRAN MARTINS, 2008, p. 396).
No entanto, se nenhum dos obrigados se oferecerem a quitar a dívida, o titular do direito poderá ingressar com uma ação contra um ou todos os obrigados, escolhendo um particularmente, este um terá o prazo prescricional, para intentar ação contra os outros obrigados, contado do momento em que lhe foi exigido judicialmente o pagamento da cártula. (FRAN MARTINS, 2008, p. 396).
Este prazo prescricional da ação de regresso existe independente se o pagamento ocorreu após o prazo prescricional da ação de execução proposta pelo titular. (RIZZARDO, 2006, p. 213).
3.3 CAUSAS DE INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO DA AÇÃO EXECUTIVA