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Antes de destacar a previsão constitucional que cerca a liberdade de imprensa, é necessário para o trabalho conceituar as duas principais liberdades no que tange a expressão da mesma, que abordaremos no presente. São elas a liberdade de comunicação e a liberdade de opinião e expressão. Vejamos.

A liberdade de comunicação é um gênero da liberdade de expressão, sendo essa mais abrangente. Tal liberdade especifica encontra apoio no artigo 220

§ 1º segundo o qual “ nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veiculo de comunicação social”

Sobre o tema e o alcance de tal liberdade Helena ABDO (2011; p.33) elenca:

O que diferencia o alcance da liberdade de comunicação é justamente o meio utilizado pelo agente para expressar a sua manifestação, ou sob outro ponto de vista, aquele utilizado para ter acesso a essa expressão (uma vez que o processo de comunicação jamais se desenvolve num só sentido, envolvendo, ao menos, três elementos: o emissor, a mensagem e o receptor). Assim, está-se diante de manifestação da liberdade de comunicação toda vez que o exercício da liberdade de expressão valer-se da utilização de qualquer dos meios de comunicação social.

Conclui-se então que atrelada está a liberdade de comunicação a liberdade de expressão, embora possam coexistir dependendo do meio utilizado para exteriorização. E a importância é tal que a liberdade de comunicação ganhou destaque na Constituição Federal de 1988, que reservou à liberdade de comunicação ou informação um artigo único, separado da liberdade de expressão.

A Constituição assegura também a liberdade de pensamento em seu em um dos seus principais e maiores artigos, o 5º, no inciso VI e VIII. Porém, o direito ao pensamento é considerado uma liberdade primária, sendo portanto de foro intimo. O individuo pensa da forma como bem entende e possui a crença que deseja. Porém, ao exteriorizar essa forma de pensar surge a necessidade de

proteção da opinião e da expressão. Boa parte dos doutrinadores tratam a liberdade de expressão e de opinião como se sinônimos fossem, contudo, algumas diferenciações são possíveis de serem feitas. A liberdade de expressão pode ser situada dentro de um gênero, o que a torna mais ampla, abarcando por exemplo a liberdade de opinião, que no caso, de forma singela, seria o direito à liberdade de expressar opiniões, exteriorizar ideais, conceitos pessoais ou de outros, expondo-os a terceiros, difundindo formas gerais de pensamento.

A proteção da liberdade de opinião se encontra no artigo 5º, inciso IV, da Magna Carta Brasileira de 1988, na qual lemos que “É livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato.”

O artigo 5º, IX da Constituição Federal declara “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença.”

Ainda no artigo 220 da Constituição, lemos:

“Art.220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observando o disposto nesta constituição”

Manifestar o pensamento é tornar pública a opinião. Tal direito é assegurado pela constituição, porém como muitos outros direitos, não é tido como absoluto, possuindo, portanto ressalvas, que mais a frente serão abordadas.

Para Ruy BARBOSA (1987 ;p.22), a liberdade de pensamento era a mais importante. Ele comenta:

De todas as liberdades, a do pensamento é a maior e mais alta. Sem ela todas as demais deixam mutilada a personalidade humana, asfixiada a sociedade entregue à corrupção o governo do estado.

Ainda discorrendo sobre o tema, Sidney Cesar Silva GUERRA (1999;

p.75)

As manifestações intelectuais, artísticas e cientificas são formas de difusão e manifestação do pensamento, tomado esse termo em sentido abrangente dos sentimentos e dos conhecimentos intelectuais, conceptuais e intuitivos.

Está assegurado no artigo 5º, IX da Constituição. Assim, é lícito a todas as pessoas produzir obras artísticas e filosóficas, bem como divulga-las sem censura a qualquer pessoa.

A imprensa no que tange a manifestar opinião exerce um papel fundamental. Tal publicidade não raramente é decisiva em grandes questões e decisões tomadas pela massa. Facilmente se observa isso em épocas de eleições ou de discussão de temas de grande repercussão político-social, por exemplo.

Não foi a toa que criou-se em 1967 a Lei Federal n.º 5.250/1967, conhecida como lei de Imprensa no Brasil, que tinha por finalidade regular “a liberdade de manifestação do pensamento e de informação”.

Tal lei trazia em seus 77 artigos as responsabilidades dos meios de comunicação, a incidência penal no que tange aos abusos no exercício do direito de comunicação bem como a responsabilização civil por atos abusivos. Foi editada no contexto histórico da ditadura militar, sendo que em 2009, o STF a declarou inconstitucional pela ADPF n.º130-DF por maioria com eficácia geral e efeito vinculante. A bem da verdade os dispositivos que a lei trazia possuíam normas de grande valia, embora alguns artigos carregavam em seu corpo traços ditatoriais, porém que poderiam ser facilmente revogados, aproveitando os artigos devidamente úteis a nossa democracia.

Foi declarada a “inconstitucionalidade em bloco”, assim chamada por declarar como não recepcionada pela Constituição, ou seja, por não ser compatível com o novo ordenamento. Não se trata de uma declaração de inconstitucionalidade propriamente dita, mas sim de uma não recepção integral pelo novo ordenamento.

O artigo 1º da referida lei declarada inconstitucional enunciava:

Art. 1º - “É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e difusão de informações ou ideias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.”

Nota-se no artigo transcrito, a semelhança com o artigo 5º, inciso IV da Constituição de 1988, na qual permite a livre manifestação de pensamento porém veda o anonimato, ou seja, não torna o direito como absoluto, podendo inclusive o violador que por excesso abusou desse direito responder por seus atos civil e penalmente.

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