Com a exigência da discussão e comprovação do abandono como requisito da modalidade para seu reconhe-cimento, muitos casos foram parar nos tribunais em busca de ajudas para resguardar seus direitos e poder assim obte-rem uma decisão favoráveis, pretendendo o reconhecimento da propriedade integral do imóvel.
Como pode se notar o instituto é recente e ainda demandam soluções, que em sua maioria são necessárias a verificação do caso concreto. Mas seu intuito é o de prote-ger e preservar o imóvel para a pessoa que nele reside.
Observa-se a seguir alguns julgados referentes a esse assunto:
Conflito negativo de competência. Ação de usucapião fa-miliar. Art. 1.240-A, CC. Questão principal. Ausência de pretensão relativa a reconhecimento ou dissolução de ralação familiar. Natureza exclusivamente patrimonial.
Usucapião familiar
Competência da Vara Cível.
1. O conflito negativo de competência se refere a de-manda sobre o reconhecimento de exclusividade quanto ao imóvel, em razão da denominada “usucapião familiar”, constante no art. 1.240-A do Código Civil.
2. A única e principal pretensão formulada nos autos diz respeito, exclusivamente, à questão patrimonial, haja vista que não houve qualquer pedido para o reconhecimen-to ou para dissolução da união estável. Desse modo, por não vislumbrar matéria que atraia a competência do juízo familiar, a competência é da Vara Cível. 3. Acolho o con-flito negativo de competência para declarar competente o juízo da 1ª Vara Cível de Samambaia, ora suscitado, para o processamento e julgamento da Ação de Usucapião nº 2017.09.1.008590-0.
Conflito de competência
Usucapião familiar
nº 0700073-32-2018.8.07.0000-DF TJDFT – 1ª Câmara Cível
Relator: Des. Robson Barbosa de Azevedo Julgamento: 16/04/2018
Votação: Unânime
Apelação cível pela parte autora. Ação de usucapião fa-miliar. Sentença de improcedência. Pleito pela reforma.
Alegação de preenchimento dos requisitos legais.
Não acolhimento. Imóvel usucapiendo objeto de divórcio consensual entre o autor e a ré, que ficou definida partilha a proporção de 50% para cada cônjuges. Requerente perma-neceu residindo no imóvel de forma exclusiva. Posse exer-cida por mera tolerância da requerida, proprietária da parte ideal do imóvel. Ausência de animus domini. Abandono do lar pela ré que não restou demonstrado nos autos.
Requisi-Usucapião familiar
tos do art. 1.240-A do CC não comprovado pelos autores.
Inobservância do ônus probatório do art. 373, I, do CPC.
Ausência de posse com ânimo de dono que impede a pres-crição aquisitiva em qualquer de suas espécies. Sentença que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Verba honorária recursal. Negado provimento ao recurso.
Apelação nº 0001592-39.2015.8.16.0194-PR TJPR – 17ª Câmara Cível
Relator: Des. Tito Campos de Paula Julgamento: 15/08/2018
Votação: Unânime
Apelação Cível. Direito de família e direito real. Ação de extinção de condomínio de bem comum do casal, cuja sentença de separação judicial remeteu à partilha ulte-rior.
Usucapião familiar
Pretensão deduzida pelo ex-cônjuge varão, repelida pela ré com a alegação de usucapião familiar (art. 1.240-A, CC/2002). Situação concreta que se distingue daquela con-cebida pelo referido dispositivo normativo. Ausência de abandono de lar e de animus domini. Precedente no âmbito do STJ. Sentença de improcedência que se reforma. Reco-nhecimento do direito da apelada de se ver ressarcida de metade das despesas do imóvel com que arcou sozinha após a separação judicial (financiamento, condomínio, IPTU).
Decretação da extinção do condomínio. Apelo a que se dá provimento.
Apelação Cível nº 0042582-27.2016.8.19.0203-RJ TJRJ – 13ª Câmara Cível
Relator: Des. Fernando Fernandy Fernandes Julgamento: 25/04/2018
Usucapião familiar
Votação: Unânime
Usucapião especial familiar. Art. 1.240-A, CC. Indeferi-mento da petição inicial. Insurgência dos autores.
Peculiaridade do caso em que a ausência de partilha não gera óbice à aquisição da propriedade por meio da usuca-pião. Réu, ex-cônjuge cujo regime de casamento era da co-munhão universal de bens, que havia abandonado o lar an-tes da aquisição do imóvel objeto da lide. Extinção afastada.
Sentença anulada. Recurso provido.
Apelação Cível nº 1002615-26.2018.8.26.0127 – Carapi-cuíba-SP TJSP – 10ª Câmara de Direito Privado
Relator: Des. Maria de Lourdes Lopez Gil Julgamento: 20/09/2018
Votação: Unânime
Usucapião familiar
Apelação Cível. Ação divorcio c.c partilha de bens. Ca-samento sobre o regime de comunhão universal de bens.
Sentença que determinou a divisão do imóvel adquirido pelos litigantes. Recurso da ré. Decisão extra petita. Ino-corrência. Juiz que decidiu conforme interpretação dos fatos narrados pelas partes. Apelante que alega que o ex-marido abandonou o lar conjugal e portanto o imóvel deve ser excluído da partilha, pois configurou-se a usu-capião familiar. Apelado que sempre manteve contato com a filha do casal. Abandono do lar não comprovado.
Requisitos da usucapião familiar (art. 1.240-A Código Civil) não preenchidos. Competência da Vara da Famí-lia a ação que versa sobre usucapião famiFamí-liar. Ação co-nexa por identidade de objetos a ação de divórcio, dado que envolve relação familiar. Sentença mantida. Recur-so conhecido e desprovido.
Usucapião familiar
Para que se configura a usucapião familiar, é necessário que o ex-cônjuge ou ex-companheiro tenha abandonado o lar conjugal de forma dolosa, deixando o núcleo familiar a própria sorte, ignorando o que a família um dia representou.
Assim, a simples saída de casa não configura o abandono do lar, que deve ser interpretado de maneira cautelosa, com provas robustas amealhados ao longo da instrução proces-sual.
Apelação Cível nº 03034703-85.2016.8.24.0075 – Tuba-rão – SC TJSC – 3ª Vara de Direito Civil
Relator: Des. Saul Steil Julgamento: 6/3/2018 Votação:
Unânime
Agravo de Instrumento. Ação de extinção de composse.
Usucapião familiar. Art. 1.240-A do CC/2002. Comissão
Usucapião familiar
do Leiloeiro.
Direito da agravada à partilha em partes iguais das benfei-torias realizadas em imóvel adquirido pelo agravante an-tes do início da união estável foi reconhecido na sentença proferida nos autos da ação de reconhecimento e dissolu-ção de união estável, já transitada em julgado. Descabida a pretensão de reconhecimento da prescrição aquisitiva pre-vista no art. 1.240- A do CC; A uma, porque não configu-rado elemento essencial abandono do lar; a duas, porque a questão diz respeito ao direito à partilha das benfeitorias realizadas, e não à propriedade do imóvel. O leiloeiro tem direito de receber do arrematante a comissão estabelecida em lei ou arbitrada pelo juiz (parágrafo único do art. 884 do CPC/2015). Descabido impor ao agravante o ônus do paga-mento da comissão do leiloeiro, que só a recebera na hipó-tese de arrematação do bem, nos termos do parágrafo único
Usucapião familiar
do art. 884 do CPC/2015. Precedentes do STJ e do TJRJ.
Provimento parcial do recurso.
Agravo de Instrumento nº 0018854-13.2018.8.19.0000 – RJ TJRJ – 6ª Câmara Cível
Relator: Des. Teresa de Andrade Julgamento: 1/8/2018
Votação: Unânime
Apelação Cível. Usucapião familiar (bens imóveis). Pos-sibilidade jurídica do pedido. Promitentes compradores.
Requisitos preenchido. Art. 1.240-A CC/2002.
Possibilidade jurídica do pedido. Pode ocorrer de o casal não ser titular do domínio, mas sim de direitos de promi-tentes compradores, ou cessionários, como com frequência acontece, e a tais situações se estende a usucapião familiar,
Usucapião familiar
embora não aja ainda registro em nome de ambos os cônju-ges ou companheiros. Caso. Muito embora o imóvel perma-neça em nome da coabitação -RS, toda as parcelas do con-trato de promessa de compra e venda foram satisfeitas, não havendo interesse do ente publico na demanda. Requisitos preenchidos. Art. 1.240-A CC/2002. Usucapião familiar.
Aquele que exercer por dois anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre o imóvel urbano de ate 250 m², cuja propriedade divida com ex-côn-juge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir- lhe-á o domí-nio integral, desde que não seja proprietário de outo imóvel urbano ou rural. Caso. Na hipótese dos autos, o conjunto probatório enseja uma conclusão segura no sentido de que os requisitos para a aquisição por usucapião se encontram devidamente preenchidos, deve ser dado provimento ao apelo e julgada procedente a demanda. Deram provimento
Usucapião familiar
ao apelo. Unanime.
Apelação Cível nº 70078413242 – RS TJRS – 17ª Câmara Cível
Relator: Des. Giovanni Conti Julgamento: 30/8/2018 Vo-tação: Unanime
Apelação Cível. Ação de divorcio e partilha de bens.
Regime da comunhão universal de bens. Pleito de co-nhecimento da modalidade de usucapião familiar. Afas-tamento. Não preenchimento dos requisitos necessários.
Sentença confirmada.
Caso dos autos em que ficou comprovado o não preenchi-mento dos requisitos necessários para o reconhecipreenchi-mento da modalidade de usucapião especial familiar previsto no art.
1.240-A do Código Civil, ainda que de forma involuntária,
Usucapião familiar
somado ao farto de que a união conjugal se deu pelo regime da comunhão universal de bens, comunicando-se os bens presentes e futuros.
Apelação desprovida.
Apelaçao nº 70076542851 -RS TJRS – 8ª Câmera Cível Relator: Des. José Antônio Daltoé Cezar
Julgamento: 4/10/2018 Votação: Unânime