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De maneira mais ampla, o conceito de DA refere-se a dados publicados de forma proativa, em formatos legíveis por máquina e sob licenças livres, de modo que qualquer cidadão possa acessá-los e reutilizá-los nos seus diferentes contextos e necessidades (DIETRICH et al., 2012; WORLD BANK, 2013; DAVIES, 2014; GURIN, 2014).

Janssen et al. (2012) definem DA como dados não privativos, não restritos e não confidenciais, fornecidos por organizações públicas ou privadas, produzidos com recursos públicos e que é disponibilizado sem quaisquer restrições à sua utilização ou distribuição.

Para Geiger e Lucke (2012), DA são todos os dados armazenados que podem ser disponibilizados para fins de interesse público, sem quaisquer restrições para o uso ou distribuição.

Segundo a Open Knowledge Foundation, para garantir a qualidade e incentivar a compatibilidade entre os diferentes conjuntos de materiais abertos, há a necessidade de se definir o significado de aberto em termos de DA e conteúdo aberto (OKF, 2015b). De forma simplificada, aberto significa que qualquer um pode acessar livremente, usar, modificar e compartilhar para qualquer finalidade. Sendo assim, DA é o conteúdo que pode ser livremente usado, modificado e compartilhado por qualquer pessoa para qualquer finalidade.

Entendido o conceito de DA como uma categoria mais ampla no universo de dados disponíveis e de interesse público, há a necessidade de compreender a definição de DGA nesse contexto.

O termo DGA tornou-se evidente há pouco tempo, tornando-se popular em 2008, após a publicação de um conjunto de oito princípios por defensores de DGA nos EUA, tendo dois elementos principais: “Dados de Governo” que são quaisquer dados e informações produzidos ou encomendados por órgãos públicos e “Dados Abertos” que é definido como material que qualquer pessoa pode usar para qualquer finalidade (AIE; OKF, 2011).

De acordo com a Dietrich et al. (2012), DGA são dados abertos produzidos pelo governo e obtidos durante o curso das atividades habituais do governo e que não identificam indivíduos ou violam sensibilidade comercial. Portanto, DGA é um subconjunto de informações do setor público, que é de âmbito mais abrangente.

Heimstädt et al. (2014) ressaltam que DGA não é um equivalente a DA, mas uma subcategoria ou subconjunto, que pode ter origem nos setores comercial, acadêmico ou em organizações não governamentais.

Para Ribeiro e Almeida (2011, p.2571), DGA “são entendidos como o esforço para a publicação e disseminação das informações do setor público na web, permitindo a reutilização e a integração destes dados”. Assim, uma consulta em uma página ou aplicativo na internet que, por exemplo, mostre informações em tempo real da previsão do tempo, transporte público ou utilize Global Positioning System (GPS), provavelmente tem como fonte DA. Mais precisamente DGA, uma vez que esses dados são, em sua maioria, disponibilizados com recursos cuja origem são os governos. Assim, o cidadão comum já utiliza DGA no seu dia a dia.

A Figura 1 abaixo, demonstra a abrangência dos DGA no governo aberto, dados abertos e dados de governo. Portanto, DGA são dados abertos do governo ou produzidos em nome deste, no âmbito do governo aberto.

Figura 1 – Abrangência de DGA (UN, 2013. p.15).

A utilização de DA e DGA pelo cidadão, de modo quase imperceptível, gera um potencial em criar novos negócios e novas maneiras de visualizar informações públicas, sejam elas de origem privada ou governamental. Isto tem despertado o interesse de empreendedores e

pesquisadores em ampliar o acesso aos demais dados públicos, gerados pelos órgãos governamentais.

Dessa forma, diversos argumentos têm sido utilizados para justificar a sua disponibilização, tais como, reutilizar e cruzar essas informações, prover transparência e

accountability, permitir que o cidadão tenha maior controle sobre as ações do governo, impulsionar a geração de novos empregos e negócios na web, ou ainda, ajudar na solução de problemas estratégicos.

Para a UN (2013), precisamos de uma revolução dos dados que seja capaz de resolver os problemas hoje existentes no acompanhamento e controle das ações dos governos. Na sua essência, a revolução de dados é compreendida de dois objetivos principais: a integração plena das estatísticas sociais para tomada de decisões públicas e privadas; e a construção da confiança entre a sociedade e o Estado por meio da transparência e prestação de contas.

Entretanto, Davies (2014) pondera que esses dois aspectos da revolução de dados provoca um ponto de tensão na evolução de DGA. Isto decorre devido à exigência atual da sociedade para que todos os dados públicos sejam abertos por padrão, de maneira online em formatos legíveis por máquina para o reuso e análise, e a necessidade financeira que os governos têm para explorar mais obtenção de dados produzidos pelo setor privado para dentro do seu processo.

Portanto, transpor o desafio do processo de abertura de dados, por mais simples que possa parecer, não tem sido uma tarefa fácil para os governos democráticos em todo o mundo. Há a necessidade de implementar normas, legislações, políticas para garantir a perpetuidade das ações, apoiar quem consome esses dados, mapear as informações a serem disponibilizadas, adotar padrões quanto à segurança, qualidade e confiabilidade, implementar infraestrutura de TIC, adequar sistemas internos, disponibilizar dados que realmente sejam úteis ao cidadão, o que leva tempo e consome recursos.

Esse esforço dos governos requer a participação intensa da sociedade. Pois, segundo Yu e Robinson (2012), a nova ambiguidade do Governo Aberto, utilizada sob o rótulo de DGA, poderia referir-se a dados, que faz com que o governo seja mais aberto, prestando contas publicamente, em vez de referir-se a divulgações politicamente neutras do setor público que sejam fáceis de reutilizar, mesmo que não tenham nada a ver com a prestação pública de contas.

Nesse sentido, para gerar valor à sociedade, há a necessidade de se ampliar o monitoramento dos dados disponíveis, pois tem sido comum governos chamarem-se de abertos por construir o tipo certo de site, mesmo isso não os tornando mais responsáveis ou transparentes. Essa mudança de vocabulário torna mais difícil para os políticos e ativistas promoverem a articulação de prioridades claras e elaborarem exigências convincentes.

Ressalta-se, pois, a importância de estabelecer indicadores de avaliação por meio de métodos de verificação de padrões que realmente produzam efeito sobre a utilidade dos dados disponibilizados pelos governos. Além disso, é importante que essas avaliações sirvam para a reflexão dos publicadores de dados sobre a real necessidade da sua publicação.

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