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Dados Complementares de VL

No documento LILIAN APARECIDA TEIXEIRA (páginas 104-108)

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.5 D ADOS C OMPLEMENTARES DOS S UJEITOS DE P ESQUISA

4.5.2 Dados Complementares de VL

VL começou a participar do EDUCIM um semestre antes de passar na seleção do doutorado. Neste mesmo período, fazia duas disciplinas como aluna especial e ambas eram lecionadas pelos professores orientadores do grupo de pesquisa. Como o tempo entre o término do mestrado e o início de doutorado foi de seis anos, o grupo é apontado por ela como uma importante oportunidade de poder acompanhar as pesquisas em andamento e assim, participar das discussões das mesmas.

Então, para mim, que trabalhei seis anos e não tinha mais contato com pesquisa, textos, artigos, discussões... Não tinha mais este contato e no grupo que eu recomecei a ler, a ouvir e a participar de discussões. Então, isso para mim foi excelente. (VL).

Assim como MC, ela considera que poder acompanhar outras pesquisas em desenvolvimento é algo muito enriquecedor, pois elas tratam de assuntos diversos, o que aumenta a bagagem teórica própria.

Você escuta sobre diferentes teorias, sobre diferentes pesquisadores, diferentes contextos de pesquisa e o nosso grupo é muito heterogêneo. No grupo nós temos matemáticos, físicos, químicos, biólogos e o professor M que é filósofo. Então isso enriquece muito o conhecimento. (VL).

No início do doutorado, VL começou a coleta de dados e, para tanto, passou a participar da disciplina de prática de ensino da graduação em Matemática, que era lecionada pela professora que também é orientadora do grupo. Assim, ela contou que levava o que havia coletado para apresentar e discutir no grupo e que, estas apresentações foram de fundamental importância para o desenvolvimento da tese, pois exigia que ela organizasse as ideias, aquilo que estava sendo construído, de forma que os outros membros compreendessem.

Isso foi bom para mim, você tem que se organizar, você tem que pensar na sua pesquisa e tem que expor isto para os colegas. E quando você expõe para os colegas, você tem que ter tudo sistematizado, para que os colegas entendam o que você está pesquisando. (VL).

Ela argumenta, ainda, que os seminários no grupo ajudam a orientar o rumo da pesquisa, pois ela já tinha os dados, mas não sabia como analisá-los. E que, em uma discussão do grupo surgiu a ideia de utilizar o instrumento de análise da ação docente, denominado de matriz 3x3.

Procurei entender a matriz para começar fazer análise dos meus dados.

Porque eu tinha os dados, apresentava no grupo, mas ainda não sabia onde iria chegar. Então essa coisa de apresentar no grupo e tal, você já tinha que estruturar né, já tinha que ter um tipo de estrutura né. E isso é muito bom porque você começa de alguma forma a se organizar, o começo, meio e fim. Então é uma forma de você se organizar. (VL).

Na entrevista, VL apontou que o grupo era sua única tarefa do programa de pós-graduação durante o doutorado, pois ela já havia cumprido os créditos das disciplinas, e que assim o grupo ajudou a delinear sua pesquisa.

O fato de você socializar acaba gerando discussões e isso enriquece muito a sua pesquisa. Porque você tem um alicerce. O alicerce é o grupo, ele está ali para te dar suporte. Então qualquer insegurança, qualquer dúvida que você tenha, tem o momento do grupo para discutir. E você compartilha isso porque você vê que tem outros colegas que também têm essas dúvidas, ou essas incertezas e que no momento do grupo, muitas delas são sanadas.

Então acredito que a participação no grupo é fundamental. (VL).

Quando questionada a respeito de outras atividades realizadas em paralelo ao grupo, VL indicou que fazia estágio de docência, já que era bolsista e que, portanto, participava da disciplina de prática de ensino no curso de licenciatura em Matemática. Disse também que, durante o doutorado prestou alguns concursos públicos, para os quais estudou bastante, além de realizar muitas leituras e pensar em trabalhos para eventos e revistas, e participar da construção de um livro do programa de pós-graduação, do qual ela era estudante.

Ela afirma que o grupo contribuiu com estas atividades:

O grupo sempre estimulou este tipo de conduta. Vamos pesquisar e vamos divulgar os nossos resultados. Então, paralelamente ao grupo eu ia tentando produzir e pensar sobre os dados que eu estava coletando no momento. Participei do EREBIO, [...] e fiz um trabalho para o ENDIPE também. (VL).

Assim como no caso do sujeito de pesquisa anterior, apesar de a entrevista não ter sido focada no papel do EDUCIM para a formação de pesquisadores, VL também apresenta algumas considerações a respeito das contribuições que a participação no grupo propicia:

Você tem uma certa autonomia [...]. Participando do grupo você tem o apoio dos outros e dos orientadores e isso é bom porque você se torna, de certa forma, mais autônomo. Então eu fui coletar os dados e, assim, no primeiro momento eu precisei de ajuda pra saber como iria fazer. No segundo momento de coleta de dados eu já tinha mais autonomia [...] e na quarta entrevista já foi uma coisa muito mais ao natural. Então é a questão da segurança. Autonomia e segurança no que você está fazendo. É isso que acontece hoje, coleto os dados porque tenho uma certa autonomia para fazer isso que antes do doutorado eu não tinha. O grupo ajudou a construir isso, essa autonomia. De pesquisador mesmo. (VL, grifo nosso).

Desta forma, VL ressalta que o grupo corroborou com a construção de sua autonomia para a pesquisa, proporcionando segurança em diversos momentos, como na coleta e análise dos dados.

Atualmente, ela diz estar lecionando em uma universidade pública, como professora da disciplina de estágio, diz que participa do grupo que criou o

regulamento de estágio na faculdade em que dá aula e que faz parte de um projeto de pesquisa em licenciaturas internacionais, para o qual irá a Portugal coletar dados.

Então a minha ideia é sair daqui com alguma coisa bem estruturada, muito bem estruturada, para chegar a Portugal e já fazer entrevista para escrever algum artigo ou trabalho. Então é ir para Portugal com olhar de pesquisadora, é minha intenção. (VL).

Portanto, podemos perceber que ela já vê como pesquisadora e sobre isso, comenta a respeito de, atualmente, estar sempre atenta às situações que possam gerar pesquisas. Diz que sempre procura coletar dados que possam desenvolver determinadas investigações.

Hoje eu dou aula pensando no que eu vou pesquisar disto. Então, até eu começar o doutorado, [...] ia lá, dava aula, mas, em nenhum momento, eu pensava em coletar dados para escrever alguma coisa sobre. Isso que mudou hoje. Hoje tudo que vou fazer, seja um curso que eu vou dar, ou alguma coisa assim, sempre penso: “Vou coletar algum tipo de informação”.

[...] Então acredito que hoje eu sou uma pesquisadora, realmente. (VL).

Ao final da entrevista, VL comentou sobre a leitura das Memórias do grupo, e aponta isso como uma forma de se manter informada a respeito das discussões e temas tratados no EDUCIM.

Uma pena que não consigo agora fazer parte do grupo. Não estou de corpo presente, mas eu sempre leio as Memórias. Porque é uma forma de eu estar por dentro do que está acontecendo no grupo. E isso me deixa muito mais tranquila, [...] as Memórias me deixam por dentro do que o grupo está discutindo. Isso é ótimo. (VL).

Interpretamos assim, que o grupo teve papel importante na formação de VL, fornecendo subsídios para análise dos dados, por meio da observação do desenvolvimento de outras pesquisas e pelas próprias apresentações no grupo. Ela aponta ainda, que o grupo a tornou mais autônoma e que contribuiu para se ver hoje, como uma pesquisadora, que procura sempre investigar situações que envolvam o ensino de Matemática, como no estágio supervisionado da licenciatura em Matemática.

No documento LILIAN APARECIDA TEIXEIRA (páginas 104-108)