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scMUTM 2. À esquerda, o epitélio expressando o gene GUS com a construção do controle

4.2.3 DADOS DE REGIÕES PROMOTORAS DOS GENES MUTM

Para compreender como estão organizados os promotores e motivos reguladores, foram analisadas as sequências nucleotídicas contendo até 1500 pb à montante dos genes MUTM de algumas monocotiledôneas, além da cana- de-açúcar. Estas sequências foram submetidas ao banco de dados PLACE

database® que contém elementos reguladores para analisar a relação entre

estas sequências e as prováveis condições nas quais, estes genes possam ser expressos (http://www.dna.affrc.go.jp/PLACE/).

Portanto, em todos os promotores foram encontrados tanto elementos relacionados a diferentes condições de estresse, como: temperaturas extremas, estresse hídrico, estresse osmótico, salinidade, exposição à luz, patógenos e estresse oxidativo; bem como, elementos para expressão em partes específicas da planta, como: raiz, nódulos, semente, mesófilo e pólen (Tabela 2 - Anexo I e Tabela 3 - Anexo II).

Estes resultados são indícios de que a expressão dos genes MUTM pode ocorrer em resposta a diferentes condições de estresse que causem a produção de agentes oxidantes nas células. Além disso, é possível que a expressão destes genes seja mais bem regulada em tecidos com alta taxa de proliferação, o que é percebido pela presença de elementos que regulam a expressão em semente, e pólen.

45 Nos promotores dos genes AtMMH e AtOGG1 (Arabidopsis thaliana), contendo 1000 pb e 300 pb, respectivamente, encontram-se muitos elementos reguladores comuns aos presentes nos promotores de MUTM da cana-de- açúcar. Dentre os quais, -300element, de expressão na semente;

POLLEN1LELAT52, de expressão no pólen; GT1consensus, de reposta à luz;

entre outros; Estes elementos foram avaliados em outras espécies para testar as suas funcionalidades (THOMAS & FLAVELL, 1990; Le GOURRIEREC, et

al., 1999; FILICHKIN, et al., 2004).

Através da técnica de RT-PCR semiquantitativa, SCORTECCI et al., (2007) utilizaram as sequências dos cDNAs de MUTM1 e MUTM2 de cana-de- açúcar para medir os níveis de expressão dos genes MUTM nesta espécie. O resultado foi que scMUTM1 teve maior nível de expressão em tecidos proliferativos, como flores e ápice meristemático. Entretanto, scMUTM2 apresentou um padrão de expressão constitutivo, sendo expresso em todos os tecidos em níveis semelhantes.

Em sementes transgênicas de Arabidopsis thaliana, a superexpressão induzida de AtOGG1, um gene cuja proteína tem função análoga à MUTM, aumentou a longevidade devido a uma redução no nível de lesões no DNA causadas pela exposição destas sementes a altas temperatura, superóxido e peróxido de hidrogênio (CHEN et al., 2012).

Quando ocorre neofuncionalização ou subfuncionalização a divergência de expressão entre os genes duplicados pode ser assimétrica, variando os níveis de expressão, ou os genes podem ser complementares, onde a cópia com nível superior varie entre órgãos e tecidos (LIU, et al. ,2011). Neste aspecto, os genes scMUTM1 e scMUTM2 podem ser complementares, visto que, como citado acima, scMUTM1 é expresso em tecidos proliferativos e

46 5. CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS

Os BACs da cana-de-açúcar são fortemente marcados pela presença de elementos de transposição, o que afeta sua organização e pode alterar a forma de expressão do seu genoma. É necessário caracterizar melhor a atividade destes elementos para reconhecer os verdadeiros impactos que podem ser causados por eles, ou o que já foi alterado até agora.

Os genes scMUTM1 apresentam-se estruturalmente bem conservados, com os tamanhos e a disposição dos éxons e íntrons bastante semelhantes. A diferença mais destacada foi a expansão do terceiro íntron em ambos os BACs, SHCRBa014G09 e SHCRBa179G22, embora não haja sequências de transposons detectáveis nestas regiões. É importante avaliar se a alteração destes íntrons pode influenciar regulação da expressão nestes genes.

Já os genes scMUTM2 mantêm-se conservados em comparação ao sorgo, mas comparando às outras espécies de gramíneas pode-se destacar a presença de elementos transponíveis que alteram a estrutura do gene significativamente. Resta saber se a expressão destes genes pode ser alterada por estes transposons. Ensaios de complementação bacteriana, com linhagens deficientes em reparar DNA, estão sendo realizados para avaliar a capacidade de reparo dos produtos dos cDNAs de genes scMUTM1 e suas remoções da cana-de-açúcar, de modo a caracterizar a atividade de reparo de DNA das proteínas. Estes resultados permitirão caracterizar quais domínios da proteína MUTM afetam a sua atividade de reparo.

O aprofundamento nas análises das regiões promotoras dos genes

MUTM pode contribuir para entender como suas expressões são reguladas e

quais elementos reguladores podem ser utilizados no desenvolvimento de novos promotores que regulem a expressão de genes alvos de forma mais específica. É importante considerar que vários tipos de estresse bióticos e abióticos promovem o aumento das ROS, consequentemente, aumentando os danos por oxidação. .

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