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MATERIAL E MÉTODOS

5.2.1 DADOS DO CÓRREGO

Os dados referentes às dimensões do córrego Jataí foram retirados dos modelos topográficos gerados no programa ArcGIS. O comprimento do talvegue foi calculado nos anos de 1962 e 2009, sendo respectivamente, 4,21 km e 3,97 km.

No ano de 1962, a altitude máxima encontrada é de 940 m e a mínima de 832 m e no ano de 2009, a máxima de 949 m e a mínima de 819 m. A diferença de dimensões nos períodos estudados, deve-se à movimentação do terreno, com cortes e aterros em conseqüência a canalização e retilinização do curso do córrego, além da ocupação por meio dos loteamentos no entorno da área.

5.2.2 – CN (NÚMERO DE CURVA)

O algorítmo do “S.C.S.”, para o cálculo de chuva excedente, utiliza o conceito do “número de deflúvio” – CN, que procura definir, através de um único valor numérico, a influência do terreno no comportamento do escoamento superficial. Os valores de CN dependem de três fatores: umidade antecedente do solo, o tipo do solo e o tipo de ocupação.

Para a umidade do solo existem as condições:

Condição I – Solos Secos: As chuvas nos últimos dias não ultrapassam 1 mm;.

Condição II – Situação muito freqüente em épocas chuvosas. As chuvas nos últimos cinco dias não ultrapassam valores entre 1 e 40 mm;

Condição III – Solo Úmido (próximo da saturação) – as chuvas nos últimos dias foram superiores a 40 mm e as condições meteorológicas foram desfavoráveis a altas taxas de evaporação.

O SCS distingue em seu método quatro grupos hidrológicos de solos, conforme apresentado por Tucci, (2000), Usbr (1997) e Mccuen (1982). A adaptação do trabalho daquela entidade para o Estado de São Paulo classificou tipos de solos como se segue. Embora adaptada para as condições do Estado de São Paulo, a classificação que se segue é bastante geral e pode ser aplicada a outras regiões do Brasil.

Grupo A - Solos arenosos com baixo teor de argila total inferior a 8%. Não há rocha nem camadas argilosas e nem mesmo densificadas até a profundidade de 1 m. O teor de húmus é muito baixo, não atingindo 1%;

Grupo B - Solos arenosos menos profundos que os do grupo A e com maior teor de argila total, porém ainda inferior a 15%. No caso de terras roxas, este limite pode subir a 20%, graças a maior porosidade. Os dois teores de húmus podem subir respectivamente a 1.2 e 1.5%. Não pode haver pedras e nem camadas argilosas até 1m, mas é quase sempre presente camada mais densificada do que a camada superficial;

Grupo C - Solos barrentos com teor total de argila de 20 a 30%, mas sem camadas argilosas impermeáveis ou contendo pedras até a profundidade de 1.2m. No caso de terras roxas estes dois limites máximos podem ser 40% e 1m. Nota-se, a cerca de 60 cm de profundidade, camada mais densificada que no grupo B, mas ainda longe das condições de impermeabilidade;

Grupo D - Solos argilosos (30-40% de argila total) e ainda com camada densificada a uns 50 cm de profundidade ou solos arenosos como B, mas com camada argilosa quase impermeável ou horizonte de seixos rolados;

A determinação do grupo hidrológico e as características do solo na área de estudo foram determinadas por meio da análise dos estudos de Nishiyama (1998) e de Andrade (2005), que elaboraram um mapeamento geotécnico do município de Uberlândia-MG.

Devido à diversidade dos grupos hidrológicos e da cobertura vegetal encontrados na área de estudo, foi utilizado o cálculo do CN ponderado para cada cenário estudado, conforme Equação 01.

A

cn

a

cn

a

cn

a

cn

a

CN

(

1*

1)(

2*

2)(

3*

3)(

4*

4)....

(01) Onde: CN = CN Ponderado;

A = Área total da micro-bacia; (a1,a2,a3,a4...) = áreas específicas;

(cn1,cn2,cn3,cn4...) = cn específicos.

Foram identificadas, na bacia do córrego Jataí, três unidades geotécnicas de materiais inconsolidados: Hidromórfico (H), Residuais da Formação Marília - arenoso I (RMA - Ar I) Retrabalhado argiloso II - Cobertura de chapadas (Arg II), conforme apresentado na Figura 111 para o cenário A, em condição natural e a Figura 112, para os cenários B e C e Figura 113 para o cenário D, em condições de urbanização ideal.

Os solos hidromórficos são predominantes das contribuições dos arenitos da formação Marília que sofreram erosão e transporte, assim ocupando as áreas de fundo de vale dos córregos que deságuam no rio Uberabinha (Andrade, 2005). Na área de estudo foram encontrados índices de argila em torno de 15 a 41% e de areia entre 45 a 75%, sendo assim, apesar de ser encontrado um teor de argila superior a 15%, a maioria dos pontos estudados nesta região possuem uma alta taxa de areia, e portando sendo considerado como solo arenoso e como grupo hidrológico do solo “B”.

Os solos residuais da Formação Marília- arenoso I são geneticamente relacionado aos arenitos da formação Marília, sendo distribuídos em sua maior parte na vertente direita do Rio Uberabinha. O índice de argila encontrado nessas áreas foi de 14 a 65% e areia 17 a 77%, considerado como grupo hidrológico do solo “C”.

E os solos de material retrabalhado argiloso II – Cobertura de chapadas são contribuições dos arenitos da formação Marília e, principalmente da Formação Serra Geral e são considerados relevos com baixa declividade. O índice de argila encontrado ficou entre 55 a 72% e areia em torno de13 a 33%, e assim caracterizado como grupo hidrológico do solo “D”, por apresentar um elevado índice de argila.

Além disso, a ocupação do solo é caracterizada pela sua cobertura vegetal e pelo tipo de defesa contra erosão eventualmente adotada. Os valores de CN foram obtidos através das curvas de escoamento superficial de chuvas intensas, conforme o tipo hidrológico do solo e sua cobertura vegetal, conforme apresentado nas Tabelas 04 e 05, respectivamente para bacias rurais (também utilizados para condições naturais) e bacias urbanas (também utilizado para as condições de urbanização), considerando a condição de umidade antecedente II (média).

Tabela 04 – Valores do parâmetro CN para bacias rurais

Tabela 05 – Valores de CN para bacias urbanas e suburbanas.

Na área de estudo, para a condição natural e, portanto no Cenário A, foram identificados na Tabela 04, como uso do solo, os campos permanentes para as áreas de campo limpo e florestas para as áreas de veredas, conforme delimitado na Figura 97 e, como superfícies, os campos permanentes, esparsas e de baixa transpiração e as florestas esparsas.

Foram encontradas 15,93 km² de campo limpo, em torno de 93 % da microbacia, sendo que 13,60 km² encontram-se em solos de material retrabalhado argiloso II, resultando no CN ponderado em 81,4, cujos resultados são apresentados na Tabela 06.

FIGURA 97 – Tipos de solos por cobertura vegetal original no ano de 1962 – Cenário A. FONTE: Prefeitura Municipal de Uberlândia – Adaptado pela autora.

TABELA 06 – Cálculo CN Ponderado – Cenário A.

ÁREA DOS TIPOS DE SOLOS POR VEGETAÇÃO ORIGINAL (km²)

Hidromórfico (H) Residuais da Formação Marília - arenoso I (RMA - Ar I) Retrabalhado argiloso II - Cobertura de chapadas (Arg II)

TOTAL

Campo limpo 0,27 2,06 13,60 15,93

Vereda 0,46 0,64 0,01 1,12

TOTAL 0,74 2,70 13,61 17,05