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CAPÍTULO III – O RETRATO DA TERCEIRIZAÇÃO NO BRASIL: DA

3.3 SETOR DE LIMPEZA: A PREPONDERÂNCIA DA TRABALHO TERCEIRIZADO

3.3.3 Dados do setor de limpeza no Brasil dos anos 2000

Tendo como referência a Pesquisa Anual de Serviços (PAS), do IBGE, observa-se que o trabalho no setor de limpeza encontrava-se, no período de 2004 a 2007, segmentado. Parte dele concentrava-se na categoria “Serviços Prestados às Empresas”, no segmento nomeado “Serviços de Limpeza em Prédios e Domicílios”. Outra parte, na categoria “Outros Serviços”, no segmento “Limpeza Urbana e de Esgoto” – incluindo atividades conexas. Entretanto, levando em consideração o foco desta pesquisa, ou seja, os sujeitos de pesquisa e as atividades exercidas por estes, o enfoque será dado para o primeiro segmento mencionado, a saber, “Serviços de Limpeza em Prédios e Domicílios”.

É possível ter uma noção do comportamento desse setor, no referido período, através da visualização da tabela 3, que expõe o percentual de ocupados na atividade de limpeza, o percentual de empresas que prestam esse tipo de serviço e o salário médio mensal dos trabalhadores do setor.

Tabela 3 – Comportamento do segmento “Limpeza em Prédios e Domicílios” no período de 2004 a 2007 Pessoal Ocupado (%) Empresas no setor (%) Limpeza em Prédios e Domicílios Salário Médio Mensal 2004 42,5 43,7 2,2 2005 45,5 37,3 2,0 2006 47,1 42,9 1,8 2007 46,2 40,7 1,7 Fonte: IBGE/PAS (2004; 2005; 2006; 2007).

O segmento nomeado “Limpeza em prédios e domicílios” liderou durante todo o período, sendo responsável pelo maior percentual de pessoas ocupadas na categoria “Serviços Prestados às Empresas”58

.Como é possível visualizar na tabela, houve leves alterações no

58 De acordo com o IBE/PAS, essa categoria atende, em geral, o setor empresarial e o governamental, que são

fortes demandas de serviços de terceiros como elementos de complementação e apoio ao desempenho de suas atividades principais. Além disso, esses serviços caracterizam-se, em geral, por ser uma mão de obra de baixa escolaridade.

percentual de pessoas ocupadas durante o intervalo destacado; entre 2004 - 2006 verifica-se crescimento e em 2007 observa-se um pequeno decréscimo deste. De maneira geral, pode-se afirmar que, no que se refere ao percentual de pessoas ocupadas no segmento, há um crescimento leve, contínuo e constante no período de 2004 a 2007.

A mesma estabilidade não se repete com relação às empresas. É fato que o número de empresas de prestação de serviços de limpeza se sobressai frente às demais empresas de prestação de serviços abarcadas pela categoria. Todavia, observa-se que houve redução do percentual no período de 2004 a 2005. No período subsequente (2005 a 2006) há um crescimento e, entre 2006 e 2007 verifica-se, novamente, a queda desse percentual.

Tais dados permitem verificar a importância do setor de limpeza no período, visto que, dentro da categoria “Serviços Prestados às Empresas” este foi responsável pelo maior percentual de pessoas ocupadas e pelo maior percentual de empresas atuando no ramo. Entretanto, a relevância do setor não implicou em melhor remuneração para os funcionários, pelo contrário: observou-se queda constante no salário médio mensal dos trabalhadores da limpeza, que reduziu de 2,2 salários mínimos em 2004 para 1,7 salários mínimos em 2007.

A partir de 2008, com a implementação da CNAE 2.0, a categoria “Serviços Prestados às Empresas” passou a ser designada “Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares” e, em consequência disso, o segmento “Limpeza de prédios e domicílios” passou a fazer parte de “Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas”. Essa divisão refere-se às empresas que fornecem mão de obra para a prestação de uma série de serviços de apoio em instalações prediais, sem envolvimento ou responsabilidade com a atividade empresarial das contratantes. De acordo com o IBGE/PAS (2008, p. 56) “inclui os serviços de limpeza de prédios, máquinas, meios de transporte, ruas, as atividades paisagísticas de construção e manutenção de jardins e gramados, bem como a imunização e controle de pragas urbanas”.

Como é possível perceber, sob a égide dessa nova designação, foram englobados outros serviços junto da limpeza, como os serviços de paisagismo e de controle de pragas, tornando inacessíveis os dados específicos da limpeza de prédios e domicílios. Ou seja, se por um lado a nova classificação, baseada na CNAE 2.0 facilita as coisas, por aproximar-se dos padrões internacionais, por outro ela dificulta, face sua característica englobante.

O comportamento do segmento “Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas” (pessoas ocupadas no setor, percentual de empresas atuando na área e salário médio mensal dos trabalhadores), no período de 2008 a 201359, pode ser visualizado na tabela 4.

Tabela 4 – Comportamento do segmento “Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas” no período de 2008 a 2013

Pessoal Ocupado (%)

Empresas no Setor (%)

Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas Salário Médio Mensal 2008 23,3 - 1,5 2009 20,9 3,7 1,4 2010 21,2 4,1 1,3 2011 20,6 4,2 1,4 2012 20,6 4,6 1,4 2013 20,8 4,8 1,4 Fonte: IBGE/PAS (2008; 2009; 2010; 2011; 2012; 2013).

Observa-se que o percentual de pessoas ocupadas no setor variou entre 2008 e 2010. Mais especificamente, houve redução do pessoal ocupado de 2008 para 2009 e, de 2009 para 2010 foi possível verificar uma recuperação, frente o aumento de 1,3% - mas, apesar do aumento, o percentual de ocupados no setor em 2010 ainda foi inferior ao de 2013. A bem verdade, o percentual atingido em 2013 foi o maior durante o período em tela: de 2010 para 2011, observa-se, novamente, uma redução e, de 2011 para 2012 não houve alteração. Um leve crescimento, de 0,2% pode ser visualizado de 2012 para 2013. É importante salientar que, a despeito das alterações no que se refere ao percentual do pessoal ocupado entre 2008 e 2013, pode-se verificar uma regularidade no mesmo, sobretudo, entre 2009 e 2013.

No que diz respeito ao percentual de empresas atuando no setor, é possível verificar um crescimento leve e constante durante o período de 2009 a 2013. E, com relação ao salário médio dos trabalhadores do setor, identifica-se que este foi, na maior parte do tempo, de 1,4 salários mínimos (à exceção do ano de 2008, com a marca de 1,5 salários mínimos, que configurou o maior salário do período; e do ano de 2010, com a marca de 1,3 salários mínimos, que configurou o menor salário do período).

59 A intenção era contemplar até o ano de 2014, contudo, a PAS de 2014 ainda encontra-se indisponível no site

Faz-se necessário ratificar que os serviços prestados às empresas, sob a nova nomenclatura de “Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares” também foram expandidos, abarcando também serviços técnico profissionais; aluguéis não imobiliários e gestão de ativos intangíveis não financeiros; seleção, agenciamento e locação de mão de obra; agências de viagens, operadores turísticos e outros serviços de turismo; serviços de investigação, vigilância, segurança e transporte de valores; serviços para edifícios e atividades paisagísticas; serviços de escritório e apoio administrativo e outros serviços prestados principalmente às empresas. Assim, com a maior segmentação da categoria, o percentual de “Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas”, que inclui atividades de limpeza, tem sua importância relativa reduzida frente ao todo. E é simples compreender o porquê: se antes a categoria “Serviços Prestados às Empresas” comportava quatro segmentos, atualmente, frente a modificação, a categoria “Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares” comporta oito segmentos – ou seja, o dobro.

Apesar do percentual do referido segmento ter reduzido, salienta-se que de 2008 a 2013 os “Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas” absorveram a maior parte do pessoal ocupado nos “Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares”, com a média salarial mais baixa da categoria. Ou seja, esse novo segmento de serviços, que abarca a limpeza, repetiu a dinâmica do extinto segmento “Limpeza em Prédios e Domicílios”, pertencente a também extinta categoria “Serviços Prestados às Empresas”, no período de 2004 a 2007. Salienta-se que, nos anos de 2004 e 2005 a média salarial de serviços de “Limpeza em prédios e domicílios” empatou com “Seleção e Agenciamento de Mão de Obra Temporária”, ambas com as remunerações mais baixas da categoria no período. Nos anos subsequentes (2006 e 2007), o segmento “Limpeza em Prédios e Domicílios” liderou com a média salarial mais baixa da categoria a qual pertencia.

Esses dados, tanto os de 2004/2007 quanto os de 2008/2013, permitem verificar que, no país, no contexto dos anos 2000, as categorias do setor de serviços que abarcam o serviço de limpeza têm como característica o maior número de ocupados e os menores níveis salariais. Além disso, como o próprio IBGE/PAS (2004) identifica, esses serviços identificam-se, em geral, por ser uma mão de obra de baixa escolaridade.

Outra característica do setor de limpeza, que está para além dos dados do IBGE/PAS, diz respeito à relevância adquirida pelas empresas de terceirização de serviços nos últimos

tempos. Conforme o SEBRAE Nacional60 a introdução da terceirização como “conceito gerencial e estratégico” alavancou o mercado de prestação de serviços e fez florescer um grande número de novas empresas no setor de limpeza, de forma que a terceirização nesse setor ainda é considerada um segmento “jovem”, marcado por uma grande quantidade de pequenas empresas, das quais, quase 70% empregam menos de 20 funcionários.

Segundo a Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (ABRALIMP, 2011), entre 45 e 55% do mercado de limpeza profissional61 no setor privado está terceirizado, especialmente nas grandes empresas; já no setor público o nível de terceirização nos serviços de limpeza é estável e maior, atingindo de 80 a 90% do total. Através do cruzamento dos dados do nível de terceirização nos setores público e privado, a ABRALIMP (2011) estima o nível total de terceirização do mercado de limpeza profissional: entre 66 e 76% do serviço realizado é mediante contratação de empresas terceirizadas e, no entendimento da referida instituição, essa é uma tendência que não encontra espaço para desaceleração.

A ABRALIMP (2011) indica que o desenvolvimento do mercado de limpeza profissional se dá de forma contínua e apresenta o crescimento do mercado do período de 2004 a 2010 – conforme gráfico 6.

Gráfico 6 – Crescimento do mercado de limpeza profissional de 2004 a 2010

Fonte: Abralimp (2011). Elaboração própria.

60 Site SEBRAE Nacional. Disponível em: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/A-

terceiriza%C3%A7%C3%A3o-no-setor-da-limpeza Acesso em 29/11/2015.

61 Limpeza profissional é compreendida pelo mercado como todas as atividades de limpeza interna e externa,

Como é possível perceber, houve crescimento contínuo desse setor entre 2004 e 2006. Já no período subsequente, a saber, de 2007 a 2009, observa-se que o setor continuou crescendo, porém, que houve uma desaceleração nesse crescimento – e que essa desaceleração foi contínua, de forma que o menor percentual de crescimento do setor foi no ano de 2009. Depois de três anos de crescimento desacelerado, em 2010 o setor apresenta crescimento significativo, o maior de do período analisado.

Sobre as “acelerações” e “desacelerações” no crescimento do setor, a ABRALIMP (2011) justifica que, em alguns anos, circunstâncias externas a este influenciaram e refletiram nos índices. Mas, de uma forma geral, esta associação e as empresas do segmento de limpeza profissional acreditam que o crescimento do setor está em ressonância com os índices do PIB nacional.

Destaca-se, ainda, que, de acordo com a ABRALIMP (2011), o setor de limpeza profissional é um dos maiores empregadores do Brasil e deve continuar a crescer, estimulado pelo movimento de terceirização e pela crescente utilização de produtos e equipamentos de uso profissional.

CAPÍTULO IV – A TERCEIRIZAÇÃO EM SANTA MARIA: UM OLHAR SOBRE O