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Dados dos Profissionais da Equipe e Prontuário

V RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS

Questão 1 – Fale sobre a sua vida após a cirurgia a) Entrevista Amadeu

5. Dados dos Profissionais da Equipe e Prontuário

Amadeu ficou internado durante nove dias no hospital; a cirurgia foi tranqüila, apresentou deiscência de um dos pontos cirúrgicos, com saída de grande quantidade de secreção, mas teve uma boa recuperação. Após três meses da cirurgia, obteve uma boa evolução, com uma redução de 20% do peso.

Bia ficou internada seis dias no hospital, sua cirurgia foi tranqüila. Após três meses da cirurgia, obteve uma redução de 15% do peso. Não é compulsiva, sente muita sede devido à medicação e faz caminhada.

Caio ficou internado seis dias no hospital e foi um sucesso a cirurgia. Após três meses de cirurgia, teve uma redução de 23% do peso, faz caminhada.

Dirce ficou internada seis dias no hospital, sua cirurgia foi tranqüila. Após três meses de cirurgia, perdeu 15% do peso.

Elen ficou seis dias internada no hospital, sua cirurgia foi tranqüila. Em uma das consultas com a endocrinologista teve uma crise dissociativa antes e durante a consulta, na sala de espera; foi ao psiquiatra. Após três meses de cirurgia, perdeu 15% do peso. Está apresentando dificuldade a aderir ao tratamento dietético, sentindo fome.

Fernanda ficou sete dias internada no hospital. Paciente faz há um ano e meio acompanhamento com a endocrinologista do CHS; quando descobriu ter hipotireoidismo foi medicada com PUSAN; nesse período perdeu 25 quilos, faz acompanhamento com a psicóloga e nutricionista.

Foi internada em janeiro de 2006 para ser submetida à cirurgia bariátrica, mas devido às más condições do centro cirúrgico, pela falta de leito na UTI, a cirurgia foi cancelada e remarcada. Perdeu, após três meses de cirurgia, 17% do peso, não faz atividade física devido ao problema no joelho.

VI. DISCUSSÃO

Com o objetivo de fazer uma leitura fenomenológica da pessoa obesa nos três meses pós-cirúrgico bariátrico, irei identificar o significado que os sujeitos entrevistados dão a sua mobilidade no atual momento.

Desta forma, SER-NO-MUNDO é o essencial para o ser humano existir. Complementa Forghieri (1984), “Existir é estar em constante processo, indo sempre

adiante, caminhando para um futuro que se abre diante de nós, com possibilidades imprevisíveis e incontroláveis.”(p.19)

Assim, no desenvolvimento da personalidade da pessoa o corpo ocupa um lugar de extrema importância, e quando este sofre desadaptações, o corpo,

enquanto organismo reage nos aspectos emocionais, originando fenômenos psicossomáticos.

Na primeira questão, sobre a vida após os três meses de cirurgia que os sujeitos encontravam-se, observamos que houve uma mudança corporal significativa, concomitantemente um aumento de sua mobilidade social refletindo em seu estado emocional, onde os sujeitos relatavam sentir felicidade.

Ao ser submetido a uma cirurgia bariátrica o corpo modifica-se rapidamente, sendo importante considerar que a consciência do espaço está relacionada à consciência corporal, pois todo corpo ocupa um espaço e não há espaço sem corpo, e este possui uma mobilidade, e através da mobilidade e da comunicação à pessoa se coloca no mundo, para sua sobrevivência e com-vivência. O deslocamento do corpo no espaço desenvolve a noção de imagem corporal segura, e através dessa segurança sobre si que facilita as suas relações corporais. Complementa May; Angel; Ellemberg (1977), “meu corpo deve significar sempre e ao mesmo tempo meu

eu” (p.280).

A mudança corporal resultante da cirurgia bariátrica, faz com que a auto- imagem da pessoa obesa modifique, mas nem sempre pode corresponder à verdadeira imagem que a pessoa manifesta em suas relações sociais. Porque pode ocorrer um distanciamento entre o EU e a pessoa como um todo, originando a existência de um conflito, minimizando este conflito em uma escolha dentro das inúmeras escolhas que possui.

A representação que se faz do corpo, uma parte tem-se em comum com a descrição feita pela anatomia, mas o resultado se faz através da experiência vivida, da comunicação do meio que o circunda.

Como exemplo, os sujeitos referem que as pessoas dizem que estão mais magras, mais bonitas, que parecem serem outras pessoas.

Merleau-Ponty (1971) refere que a imagem corporal é construída a partir da familiaridade pré-reflexiva com o próprio corpo e das possibilidades de ação do próprio corpo; ou seja, é a partir da percepção da experiência vivida que possibilita sua identificação, através de sua mobilidade exploratória.

Assim, o esquema corporal ocorre com o conhecimento do próprio corpo através da experiência subjetiva, e a percepção corporal através das relações com o mundo exterior, sua mobilidade.

Todo contato social é favorável ao desenvolvimento humano, dependendo do tipo de relação, as inúmeras pessoas terão funções de diferentes significações, e que cada uma dará ao seu mundo de experiência pessoal.

Na segunda questão, é trabalhada o significado que os sujeitos dão a sua mobilidade: alegria, felicidade, vitória, ser bem melhor que antes, ser outra pessoa, coisa mais importante na vida, tudo.

Na pessoa que era um obeso mórbido e atualmente vivencia uma mobilidade menos comprometida, esse movimento, deslocamento apresentado a cada dia lhe dá um sentido e o torna significativo em sua vida, modificando até mesmo seu estado de humor.

Os sujeitos que antes possuíam uma passividade e limitação dos movimentos corporais, ao vivenciar e desfrutar de sua mobilidade a cada dia modifica seus horizontes, estimulando sua criatividade e aumentando a significação das vivencias.

O movimento corporal que se modifica a cada dia com a perda de peso, faz com que cada olhar, cada passo que se dê, significa a eleição de um ponto do espaço, acolhedor ou não, mas com uma mudança de significação diariamente. Por exemplo, os sujeitos referem que após a cirurgia o caminhar ganhou um outro significado em sua vida, andam melhor, mais leve, com maior disposição; Caio consegue correr atualmente, que para ele representa um significado talvez melhor que caminhar.

Através das significações que o paciente pós-cirúrgico refere a cada mobilidade conquistada, constata-se a evolução de sua capacidade exploratória vivencial, percebendo a modificação que está ocorrendo em sua vida, não somente corporal, mas de mobilidade social, relações inter e intrapessoais, valores e sentido que dá a sua vida atualmente, podendo minimizar ou prevenir o surgimento de patologias.

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