• Nenhum resultado encontrado

DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

No documento Apontamentos M1 (páginas 37-40)

Custo da casa

5 DADOS, INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO

Antes de mais pensamos ser essencial para quem se interesse pelas Novas Tecnologias de Informação, desenvolver os conceitos de dados, informação e conhecimento e suas relações. No âmbito do curso de Novas Tecnologias de Informação, estes são conceitos centrais, sendo importante uma reflexão sobre os mesmos e sobre as suas relações mútuas. Este pequeno texto tem como único objectivo fomentar a reflexão sobre estes conceitos.

Existem diversas formas de encarar os conceitos de dados, informação e conhecimento. Podemos definir dados como o veículo de conhecimento e informação, isto é, a forma como quer o conhecimento quer a informação podem ser armazenados e transferidos. Assim, os dados só se transformam em informação ou conhecimento quando interpretados pelo receptor. Da mesma forma o conhecimento e a informação só podem ser transmitidos a outra pessoa após a sua codificação como dados.

Este aspecto é particularmente interessante, na medida em que se os dados constituem o veículo de informação e conhecimento, poderemos dizer que um dos principais triunfos da humanidade consistiu na criação dos dados, ou seja, na atomização (no sentido de decomposição e posterior codificação) da informação e do conhecimento. Esta atomização constituiu o garante da preservação do conhecimento, viabilizando a sua transmissão por gerações. De facto, é sabido que antes de Guttenberg já os chineses utilizavam a imprensa. No entanto, o facto de o seu abecedário ser composto por conceitos e não letras impediu uma maior popularidade do invento. Ao invés, na Europa onde um pequeno conjunto de partículas básicas serve de base à codificação da informação, este invento transformou a comunicação e constituiu-se como um forte impulso para a difusão de informação e conhecimento.

Obviamente, que não podemos esquecer desenvolvimentos mais recentes, como a digitalização dos dados que produziu uma revolução idêntica à promovida pela imprensa. Hoje os elementos básicos da nossa comunicação reduzem-se a 0 e 1’s e os caracteres constituem apenas o interface humano. Podemos considerar que a dicotomia conhecimento/informação se baseia no facto de a informação ser descritiva, ou seja, relaciona-se com o passado e o presente; sendo que o conhecimento é eminentemente preditivo, por outras palavras, proporciona as bases para a predição do futuro, com determinado grau de certeza, baseado na informação referente ao passado e presente. Quer o

conhecimento quer a informação não carecem de ser verdadeiros para serem considerados como tal, a verdade do conhecimento e da informação é sempre relativa.

Existe, no entanto, quem tenha uma visão ligeiramente diferente. Os dados podem ser encarados como pontos sem significado no tempo e no espaço, sem referência quer ao tempo quer ao espaço. São como eventos fora de contexto, uma letra sem contexto, uma palavra sem contexto. O conceito chave, neste caso, é “ausência de contexto”, não possuindo contexto, não possui uma relação significante com qualquer outra coisa. Quando encontramos dados, o passo seguinte consiste normalmente em lhe atribuir algum significado. Fazemos isto associando-o a outras coisas. Concluímos que quando não existe contexto também não existe significado. Por isso criamos o contexto, que fabrica significado. Obviamente, se o contexto criado não é correcto o significado também o não será.

Um conjunto de dados sem qualquer relação entre eles não constitui informação. Os dados podem representar informação, mas o facto de serem ou não informação depende do entendimento do sujeito. O entendimento que posso fazer de um conjunto de dados depende das associações que seja capaz de fazer com os referidos dados. Estas associações estão dependentes das que eventualmente tenha feito no passado. Assim, informação é muito simplesmente o entendimento das relações entre “pedaços” de dados, ou entre dados e informação adicional.

Enquanto que a informação implica um entendimento da relação entre dados, geralmente não propicia fundamento para o facto de os dados serem como são, nem indicação de como os dados serão no futuro. A informação tem tendência para ser relativamente estática no tempo e linear na natureza. A informação é a relação entre dados, muito simplesmente, dependendo fortemente do contexto e com pequenas implicações para o futuro.

Para além da relação existe o padrão, sendo que este é mais do que a relação entre relações (sinergia). O padrão incorpora completude e consistência de relações o que, até certo ponto, cria o seu próprio contexto. O padrão também serve de paradigma que implica propriedades de repetição e predição.

Quando um padrão existe no meio de dados e informação, este tem o potencial de representar conhecimento. Mas só se transforma em conhecimento quando existe a capacidade de compreensão dos padrões e suas implicações. Ao contrário da informação, o padrão tem maior capacidade de criar o seu próprio contexto, não sendo por isso tão dependente do mesmo.

Quando compreendido o padrão que representa conhecimento também propicia um grande nível de segurança e previsibilidade sobre a forma como o padrão evoluirá com o tempo, tendo em conta que os padrões raramente são estáticos. Os padrões que representam conhecimento são também completos, propriedade que a informação não possui.

Existe ainda uma outra perspectiva, onde a diferença entre conhecimento e informação se baseia em três considerações fundamentais, a saber: a informação é fragmentada e particular, sendo o conhecimento estruturado e coerente; a informação é transitória e efémera, o conhecimento tem significado ou importância duradoura; a informação constitui um fluxo, o conhecimento um armazém, que resulta do fluxo de informação que poderá afectar o stock de conhecimento, adicionando-lhe algo, reestruturando-o ou modificando-o.

O conhecimento pode ser considerado um armazém de informação, sendo que nova informação provoca alterações nas estruturas do conhecimento. O conhecimento possui uma estrutura complexa, frequentemente vaga. A informação é adquirida por nos terem contado, o conhecimento é adquirido pensando, podemos construir novo conhecimento sem qualquer adição de nova informação. Resumindo podemos dizer que a informação é um processo sendo que o conhecimento é um estado.

No documento Apontamentos M1 (páginas 37-40)

Documentos relacionados