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6 MATERIAL E MÉTODO

7.1 Dados pessoais e profissionais dos sujeitos do estudo

Com relação à idade, gênero e qualificação dos enfermeiros, sujeitos da pesquisa, os dados estão apresentados a seguir na Tabela 1.

Tabela 1- Distribuição dos enfermeiros do APH Móvel Avançado segundo gênero, qualificação profissional e idade em anos, Ribeirão Preto, setembro a novembro de 2008

Sexo Qualificação Idade Total

20 30 31 40 41 50 51 Doutor - 1 - - 1 Mestre 1 - 3 - 4 Especialista 1 1 2 - 4 Feminino Graduado 1 - - - 1 Subtotal 3 2 5 - 10 Masculino Mestre 1 - - - 1 Subtotal 1 - - - 1 Total 4 2 5 11 n=11

Ao considerarmos as características dos sujeitos que compuseram a amostra deste estudo, observa-se que 90% (10) são do sexo feminino e 10% (1) são do sexo masculino. Este fato ainda é sustentado pelo contexto histórico da enfermagem ser uma profissão preferencialmente feminina (PADILHA; VAGHETTI; BRODERSEN, 2006).

Ao considerarmos o nível de qualificação dos enfermeiros, sujeitos do estudo, pode-se observar que se trata de um grupo com qualificação profissional acadêmica elevada, sendo um com doutorado, cinco com mestrado e quatro especialistas.

Em relação à qualificação profissional, um enfermeiro possui apenas graduação em Enfermagem, quatro são especialistas, sendo que dois em Enfermagem do Trabalho, um em Saúde Pública e Neonatologia e outro em Administração em Enfermagem, um enfermeiro cursa mestrado em Enfermagem Fundamental, quatro são mestres em Enfermagem Fundamental, sendo que dois na temática do APH Móvel e um doutor em Enfermagem Fundamental na temática de Gestão Colegiada.

Com relação ao tempo de formação profissional e tempo de atuação no APH Avançado Móvel dos sujeitos da pesquisa, os dados estão apresentado, a seguir, na Tabela 2.

Tabela 2 – Distribuição dos enfermeiros dos APH Avançado Móvel, segundo tempo de atuação profissional em anos, Ribeirão Preto, setembro a novembro de 2008

Tempo de atuação profissional em anos n=11 Anos N % 1- 5 1 9,0 6-10 3 27,3 11-15 1 9,0 16 6 54,7 Total 11 100 Anos N % 1 3 3 27,2 4 5 4 36,4 > 6 4 36,4 Total 11 100

É possível observar que se trata de um grupo de enfermeiros que, na sua maioria, apresenta mais de 10 anos de prática profissional, o que vem de encontro com as necessidades descritas na Portaria 2048 (MS, 2002), quanto aos requisitos de habilidades, destreza e equilíbrio para compor a equipe de enfermeiros do APH Móvel. Outro contexto relevante é o tempo de experiência desses profissionais em APH Avançado Móvel, uma vez que 27,2% possuem de 1 a 3 anos, 36,4% possuem de 4 a5 anos e 36,4% possuem seis anos ou mais.

Esta realidade corrobora as necessidades de agilidade e refinamento de habilidades técnicas e a capacidade de observação e análise para diagnosticar e intervir nas situações de urgência (CICONET; MARQUES; LIMA, 2008; CYRILLO, 2005).

Foi possível verificar que todos os enfermeiros relataram não utilizar sistemas de classificações na prática de assistência. Tal fato é citado por Dell’Acqua e Miyadahira (2002), que o ensino do processo de enfermagem nas escolas de enfermagem do estado de São Paulo teve seu desenvolvimento na década de 1970, porém a implementação do uso das classificações de enfermagem é um fato recente no ensino de enfermagem.

Assim, como pudemos observar na amostra estudada, os enfermeiros, em sua maioria, possuem mais de 10 anos de formados e, portanto, não tiveram contato com as classificações de enfermagem em sua formação acadêmica.

A partir de 1998, a aprovação da Lei do Exercício Profissional de Enfermagem estabeleceu como atribuição privativa do enfermeiro, a prescrição de enfermagem, e a partir daí, o processo de enfermagem passou a ser alvo de maior preocupação para os enfermeiros brasileiros.

Corroborando a Lei do Exercício Profissional, a Resolução COFEN 272/2002 reitera ser função exclusiva do enfermeiro em realizar o processo de enfermagem, tendo como finalidade identificar situações de saúde-doença e subsidiar ações de enfermagem que possam contribuir para promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade (COFEN, 2002).

A realização do processo de enfermagem por determinação do Conselho de Enfermagem é atual e utilização das classificações de enfermagem é ainda mais recente no Brasil, tanto nas instituições de saúde como no ensino de graduação.

Quando citamos o ensino de graduação em enfermagem, não podemos ignorar a papel dos professores e o campo de atividade prática em que esse é desenvolvido. A formação acadêmica dos enfermeiros, muitas vezes, contribui para que estes não busquem nem apliquem uma assistência sistematizada, pois durante aulas práticas, pode-se perceber uma preocupação maior, tanto por parte dos docentes, quanto aos alunos, em adquirir habilidades técnicas. Assim, deixam de identificar os problemas de enfermagem do paciente e de planejar os cuidados, ficando a assistência, neste caso, limitada a ações isoladas, no decorrer de suas atividades focadas no modelo tecnicista estabelecido.

Andrade e Vieira (2005) relatam perceber, empiricamente, uma dicotomia entre ensino e prática de trabalho nas instituições, gerando inseguranças e descrédito nos futuros enfermeiros, uma vez que muitas situações de ensino situam-se no nível do ideal

sistematizado, buscando a qualidade, enquanto os serviços onde se realizam suas aprendizagens práticas deixam de atentar para estas condições.

Quando abordamos o contexto do APH Avançado Móvel, esta prática do processo de enfermagem torna-se mais distante, posto que, é um local recente para atuação de enfermeiros, e poucos estudos têm auxiliado a organização dessa prática. Ainda nos deparamos com a falta de conhecimentos específicos para a atuação em APH Móvel avançado na formação do enfermeiro.

Esta problemática se intensifica na prática dos enfermeiros como um reflexo de sua formação, aliada ao descaso das instituições de saúde, dificultando, assim, o cumprimento da legislação da categoria.

Portanto, o desafio na prática clínica do enfermeiro nas urgências e emergências está em atender de forma sistematizada o paciente à luz do referencial teórico-metodológico de enfermagem e cumprir a legislação estabelecida por meio dos órgãos fiscalizadores da profissão.

Em resposta a essas inquietações, os enfermeiros da USA do SAMU de Ribeirão Preto (SP) a partir do estudo de Cyrillo (2005), sentem-se estimulados a elaborar uma ficha de atendimento que contempla a utilização da classificação dos diagnósticos da NANDA e das intervenções da NIC. Assim, os enfermeiros desse serviço iniciaram uma aproximação do conhecimento sobre a temática de taxonomias, porém há pouco tempo trabalham com as classificações de enfermagem.

A utilização de classificações de enfermagem é uma realidade presente na prática clínica dos enfermeiros na empresa São Francisco Resgate, após uma reestruturação da ficha de atendimento de enfermagem que passou a contemplar os diagnósticos de enfermagem da NANDA, porém não utiliza as demais taxonomias.

O cuidado de enfermagem de emergência pré-hospitalar tem acompanhado o desenvolvimento médico de técnicas avançadas neste contexto, se apropriando do domínio científico e humano da assistência, sendo o primeiro passo na cadeia do cuidado (SUSERUD, 2005).

O método científico na enfermagem sem dúvida tem sido debatido e questionado no ensino, pesquisa e assistência. Desde então, o processo de enfermagem busca qualificar a assistência a ser prestada com a visão holística e sua influência na satisfação do paciente, como também do enfermeiro. Portanto, consequentes mudanças na profissão de enfermagem têm se tornado de extrema relevância, com adoção de modelos científicos para o cuidado de

enfermagem próprio. Nesse sentido, destaca-se uma tendência atualmente observada na enfermagem, qual seja, a prática baseada em evidência.

Na atualidade, o êxito dessa prática tem dirigido a comunidade científica e as expectativas dos pacientes, recomendando a necessidade de observar os cuidados ao paciente, do ponto de vista holístico, atendendo à satisfação das necessidades de maneira integral, ou seja, no componente emocional, de relacionamento, de segurança, de conhecimento, de realização, dentre outros com resultados na recuperação e na sua sobrevivência (ANGUITA; RODRIGUEZ, 2004).

Em relação ao segundo e terceiro objetivos específicos, nas Tabelas 3 e 4 são apresentadas as atividades que os enfermeiros citaram como realizadas nas vítimas de trauma no APH Avançado Móvel para o diagnóstico Volume de líquidos deficiente e Risco de volume de líquidos deficiente , assim como a natureza das ações dos enfermeiros.

7.2 Distribuição das atividades citadas pelos enfermeiros como as realizadas nas Vítimas