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5. METODOLOGIA

5.3. Dados utilizados e procedimentos analíticos

Neste estudo, foram utilizados dados, expressos em valores monetários, referentes às execuções orçamentárias anuais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, compreendendo o período de 1995 a 2004. Os dados originais estão disponíveis no site da Secretaria do Tesouro Nacional (www.stn.gov.br).

Os valores monetários foram deflacionados pelo IGP-DI da FGV, a preços de dezembro de 2004, utilizando o seguinte critério adotado pela Secretaria do Tesouro Nacional:

dez./2004 Deflator ano t = médio ano t − − IGP DI IGP DI

No que se refere aos indicadores de desempenho fiscal, foram utilizados duas categorias, levando em conta o grau de desagregação possível das informações orçamentárias disponíveis. A primeira categoria consiste em indicadores tradicionais de desempenho fiscal, selecionados de Cruz (2002) e Kohama (2000), e permite análise da evolução histórica do desempenho, ao longo do período de 1995 a 2004, quais sejam:

a) Taxa de arrecadação própria = (soma das receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial e de serviços)/receita total;

b) Grau de dependência de empréstimos = receita de operações de crédito internas e externas/receita total;

c) Taxa de despesa com a dívida = (despesas com encargos e juros das dívidas interna e externa e com amortizações das dívidas interna e externa)/receita total;

d) Taxa de despesa com pessoal = Despesas com pessoal e encargos/receita total; e

e) Taxa de déficit primário = (receitas não-financeiras menos despesas não- financeiras)/receita total.

A segunda categoria de indicadores de desempenho fiscal só é possível de ser calculada para os orçamentos executados após a implementação da LRF, que tornou obrigatória às três esferas de governo a publicação pormenorizada dos principais itens que servem de construção dos seus indicadores. Assim, a segunda categoria de indicadores permitiu analisar a gestão fiscal entre os anos de 2001 e 2004, quais sejam:

a) Despesa líquida com pessoal/receita corrente líquida (RCL);

b) (Soma das despesas com indenizações por demissão, com incentivos à demissão voluntária e decorrentes de decisões judiciais)/RCL;

c) (despesas com encargos e juros das dívidas interna e externa e com amortizações das dívidas interna e externa)/RCL;

d) Dívida relativa = dívida consolidada líquida/RCL; e e) Operações de crédito internas e externas/RCL.

Para a análise dos desempenhos sociais e alocativos das execuções orçamentárias, foram considerados os gastos classificados sob a ótica funcional e reagrupados de acordo com a conveniência da análise. Sendo assim, os gastos referentes às funções-meio do estado foram agregados e denominados “Funções Administrativas”, como segue: “Administração e Planejamento” (excluindo desta, as despesas com encargos, juros e amortizações da dívida pública), “Legislativa” e “Judiciária”. Quanto às funções-fim, estas foram eventualmente agregadas como segue: a) “Infra-Estrutura” (compreendendo as funções “Comunicações”, “Energia e Recursos Minerais” e “Transportes”); b) “Setor Produtivo” (compreendendo as funções “agricultura” e “Indústria, Comércio e Serviços”); c) “Funções Sociais” (compreendendo as funções “Defesa e Segurança Pública”, “Habitação e Urbanismo”, “Educação e Cultura” e “Saúde e Saneamento”); e d) “Funções Assistenciais” (compreendendo as funções “Assistência e Previdência” e “Trabalho”)51.

51 Note que as diferenças básicas entre “Funções Sociais” as “Assistenciais” é que, ao contrário das

primeiras, as segundas possuem caráter predominantemente assistencialista, não têm correspondência na contraprestação direta em bens e serviços e possuem vínculo mais estreito e restrito entre o serviço oferecido e o beneficiário.

Os indicadores sociais referem-se às despesas funcionais e à despesa com a dívida medidos em termos per capita. Tais indicadores são, respectivamente, estimativas da evolução média do grau de atendimento às demandas sociais locais por cada uma das funções-fim dos estados e da contribuição média de cada residente local no pagamento da dívida.

Quanto aos indicadores parciais de eficiência, cada um deles, refere-se ao montante das despesas destinadas a uma função-fim específica dividido pelo somatório das despesas destinadas às funções-meio (funções administrativas), e mostra o quanto, em R$, é despendido na função-fim específica para cada R$1,00 despendido nas funções administrativas. O mesmo indicador e interpretação são válidos para o caso da despesa com a dívida.

O indicador anual de eficiência global na alocação dos gastos orçamentários refere-se ao somatório das despesas destinadas às funções-fim (inclusive a despesa com a dívida) dividido pelo somatório das despesas destinadas às funções administrativas. Este indicador permite verificar a evolução do excedente médio de gravame das execuções orçamentárias estaduais. Parte da pressuposição de que, para um montante constante de despesa total, uma queda nas despesas em algumas funções-fim deveria ser compensada por um aumento no gasto em outras funções-fim, ou por um abatimento do estoque da dívida estadual, tal que o somatório dessas variações seja nulo. Por conseguinte, uma queda nas despesas em funções-fim ou na despesa com a dívida não deveria ser acompanhada de um aumento nas despesas com as funções-meio, uma vez que se caracterizaria uma perda de eficiência na alocação das despesas orçamentárias – perda de eficiência alocativa.

No que se refere aos dados dos anos de 2000 a 2004, com a entrada em vigor da Portaria n.° 42, de 14 de abril de 1999, houve a reclassificação dos gastos sob a ótica da finalidade de 16 para 28 funções. Sendo assim, procedeu-se a compatibilização da nova classificação para a anterior, considerando “Judiciária” (+ Essencial à Justiça e Direitos da Cidadania); “Administração e Planejamento” (+ Encargos Especiais); “Agricultura” (+ Organização Agrária);

“Educação e Cultura” (+ Desporto e Lazer); “Indústria, Comércio e Serviços” (+ Ciência e Tecnologia); e “Saúde e Saneamento” (+ Gestão Ambiental).