• Nenhum resultado encontrado

2. RESPONSABILIDADE CIVIL

2.5 PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE CIVIL

2.5.3 DANO

Pode-se dizer que o dano é a essência da responsabilidade civil, é o efeito da ação ou omissão geradora do dano.. Não ocorrendo dano não há falar em responsabilidade civil tendo em vista que está é decorrente da reparação do dano causado, do retorno do lesado ao “status quo”.

“Dano é a diminuição ou subtração de um bem jurídico. Lesão de interesse. Deve ser contra a vontade do prejudicado.”116

O dano é a “lesão a interesses juridicamente tuteláveis; é a ofensa ao patrimônio material ou moral de alguém”117.

______________

115 DIREITO, Carlos Alberto Menezes, op.citada, p. 7.

116 FIUZA, César. Direito Civil – Curso Completo. 9ªed, Belo Horizonte:Del Rey, 2006, p. 731. 117 DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 2ª ed, São Paulo: LTr, 2007,p.151

Dano também pode ser conceituado como um mal que se faz a outrem, um prejuízo ou deteriorização da coisa alheia, uma perda.118

De acordo com os ensinamentos de Pamplona Filho, para que o dano seja indenizável, é necessário preencher três requisitos: violação de um interesse patrimonial ou moral de uma pessoa física ou jurídica; certeza do dano, não sendo possível compensar a vítima por um suposto dano abstrato; subsistência do dano no momento de sua exigibilidade em juízo119.

Nas ações ajuizadas perante a Justiça do Trabalho, geralmente quando a ação é proposta o dano já ocorreu não havendo a necessidade de sua permanência, mas somente a comprovação de que houve o dano.

2.5.3.1 DANO MATERIAL

Dano material é entendido como aquele capaz de ser aferido quantitativamente enquanto que o dano moral é aquele que viola o direito de personalidade, atingindo interesse subjetivo sem cunho econômico120. O dano patrimonial corresponderia à perda de um valor determinado, ou seja, é o confronto entre o patrimônio que a vítima possui após o dano e o que possuiria se a lesão não tivesse ocorrido.121

O dano material comporta perdas e danos. Os danos emergentes retratam o prejuízo atual e os lucros cessantes envolvem o prejuízo futuro (art. 402 CC), exigindo prova efetiva do prejuízo sofrido pela vítima.

“O dano patrimonial, portanto, é aquele suscetível de avaliação pecuniária, podendo ser reparado por reposição em dinheiro, denominador comum da reparação. O dano emergente é aquele que mais se realça à primeira vista, o chamado dano positivo, traduz uma diminuição do patrimônio, uma perda por parte da vítima, aquilo que efetivamente se ______________

118 BUENO, Francisco Silveira. Mini dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, 2000, p. 214.

119 GAGLIANO, Pablo Stolze, PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil. Responsabilidade Civil, v.III, 4ªed. São Paulo:Saraiva, 2006, p.38/40.

120 DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 2ª ed, São Paulo: LTr, 2007,p. 151

121DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 20ª ed, São Paulo: Saraiva, 2006, vol. 7, p.62

perdeu. Geralmente, na prática, é o dano mais facilmente avaliável, porque depende exclusivamente de dados concretos. (...) O lucro cessante traduz- se na dicção legal, o que a vítima razoavelmente deixou de lucrar. Trata-se da projeção contábil nem sempre muito fácil de ser avaliada. Nessa hipótese, deve ser considerado o que a vítima teria recebido se não tivesse ocorrido o dano.”122

O dano material envolve também os gastos que a vítima tenha tido em decorrência do dano, v.g. ao sofrer um acidente a vítima efetua gastos com médicos, hospital, remédios e outros, que deverão estar incluídos na indenização por danos materiais.

2.5.3.2 DANO MORAL

O dano moral caracteriza-se pela violação de um direito de personalidade123, sendo a dor, a humilhação, a tristeza ou o desconforto emocional da vítima sentimentos presumido, conforme o caso e assim, dispensáveis de prova em juízo124.

“Na realidade, multifacetário o ser anímico, tudo aquilo que molesta gravemente a alma humana, ferindo-lhe gravemente os valores fundamentais inerentes à sua personalidade ou reconhecidos pela sociedade em que está integrado, qualifica-se, em linha de princípio, como dano moral; não há como enumerá-los exaustivamente, evidenciando-se na dor, na angústia, no sofrimento, na tristeza pela ausência de um ente querido falecido; no desprestígio, na desconsideração social, no descrédito à reputação, na humilhação pública, no devassamento da privacidade; no desequilíbrio da normalidade psíquica, nos traumatismos emocionais, na depressão ou no desgaste psicológico, nas situações de constrangimento moral.”125

Cavalieri entende que é prescindível uma reação psíquica da vítima, podendo ocorrer a ofensa aos direitos de personalidade sem vexame ou sofrimento. Essas ______________

122 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil. Responsabilidade Civil. 6ª ed, São Paulo: Atlas, 2006, vol. 4, p.32

123 “Na Constituição da República está inserta uma regra que traduz verdadeira cláusula geral de proteção à personalidade, qual seja, o art. 1º, III, da CF, não bastasse existem várias outras distribuídas pela Constituição com o intuito de que efetivamente se respeite a dignidade da pessoa humana e seus direitos de personalidade, desta forma, segundo Dallegrave, toda a ordem jurídica deve ser interpretada à luz do princípio da máxima efetividade dos direitos de personalidade. (art. 5º, V e X) (art. 186 CC)”. DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 2ª ed, São Paulo: LTr, 2007, p. 179.

124 DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Op citada, p.154

reações podem ser simplesmente a conseqüência do dano e não o dano propriamente dito. Sob esse enfoque se conceberia o dano moral a doentes mentais, as pessoas em tenra idade e outras situações difíceis.

Não interessa se a pessoa é pobre, desprovida de quaisquer bens materiais, ignorante, sem cultura. Até mesmo um deficiente mental, destituído de consciência do mundo ao seu redor, ainda assim, apenas por ser um indivíduo, é detentor dos direitos de personalidade consagrados na Constituição Federal. Dentre eles, o da dignidade da pessoa humana, que não é privilégio dos abastados econômica e culturalmente. A violação aos direitos de personalidade constitui em agressão à moral do indivíduo gerando o direito a reparação.

Assim, por mais pobre que seja o ser humano, e que não tenham sido violados os seus bens materiais, mas apenas a sua moral, gera o dever de indenizar decorrente da violação do seu caráter, denominando-se de dano moral126.

2.5.3.3 DANO ESTÉTICO

Segundo José Affonso Dallegrave Neto, “o dano moral e o dano estético não são cumuláveis, vez que o dano estético importa em um desdobramento do dano material ou está contido no dano moral”127.

Já outros doutrinadores aceitam o dano estético como um terceiro gênero de dano, sendo o dano moral decorrente da violação dos direitos de personalidade, enquanto o dano estético, (o dano físico causado por ação ou omissão de outrem, passível de indenização), um dano material que estaria na esfera patrimonial “stricto sensu”.

“Surpreendentemente, o dano estético não mereceu referência própria no novo Código, não obstante a importância que tem merecido da doutrina e da jurisprudência.(...) A estética do corpo passou a ser uma das principais preocupações de grande parte da sociedade. Pessoas de todas as idades ______________

126 CAVALIERI FILHO, Sérgio. Programa de Responsabilidade Civil. São Paulo, Editora Atlas S.A., 2007, p. 77

127 DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Responsabilidade Civil no Direito do Trabalho. 2ª ed, São Paulo: LTr, 2007, p.180

gastam tempo e dinheiro em busca da boa aparência.(...). Superou-se a controvérsia travada em sede jurisprudencial a respeito da indenização do dano estético cumulativamente com o dano moral. Prevaleceu no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que o dano estético é algo distinto do dano moral, correspondendo o primeiro a uma alteração morfológica de formação corporal que agride à visão, causando desagrado e repulsa; e o segundo, ao sofrimento mental – dor da alma, aflição e angústia a que a vítima é submetida.”128

O dano estético decorrente de uma deformidade física é diferente do dano moral que é aquele causado por uma agressão à moral. Entendemos que são danos distintos que geram o dever de indenização embasado em violações diferentes.

2.5.3.4 DANO MORAL COLETIVO

Sendo o dano moral aquele decorrente de lesão aos direitos de personalidade, o dano moral coletivo “é aquele que decorre da ofensa do patrimônio moral da coletividade, ou seja, exsurge da ocorrência de fato grave capaz de lesar a personalidade de um grupo, classe ou comunidade de pessoas, e por conseqüência, toda a sociedade em potencial129”.

“O dano extrapatrimonial coletivo, considerado lato sensu, atinge o direito de personalidade de caráter difuso, que tem como marcante a união de determinadas pessoas, a comunhão de interesses difusos e a indivisibilidade dos direitos e interesses violados, pois, quando ocorre um dano dessa natureza, atinge-se toda a coletividade de forma indiscriminada.(...) A ofensa coletiva traz uma sensação de desapreço pelos valores essências da coletividade, como a dignidade humana, os valores sociais do trabalho, a saúde, o bem-estar, a intimidade, a paz, etc.”130 No Direito do Trabalho encontramos os casos mais comuns de dano moral coletivo. Entre outros se exemplifica pela redução do trabalhador à condição análoga de escravo, por meio de práticas discriminatórias, “principalmente aquelas que afetam a saúde do trabalhador e as execráveis práticas de assédio moral

______________

128 DIREITO, Carlos Alberto Menezes e CAVALIERI FILHO, Sergio. Comentários ao Novo Código Civil: Da Responsabilidade Civil, das Preferências e privilégios creditória. Rio de Janeiro: Forense, 2004,p. 37.

129 MELO, Raimundo Simão. Direito Ambiental do Trabalho e a Saúde do Trabalhador. 2ªed. São Paulo: LTr, 2006, p.188/189

generalizado ou abuso de poder nas ordens de serviço emanadas do empregador”131.

A indenização possui um caráter compensatório que se confunde com o caráter preventivo, pois, ao arbitrar um determinado valor a título de dano moral coletivo, o juiz deverá ter em mente que o valor deve ser de tal monta a coibir possíveis reincidências.