A discordância de demandados e demandante, versando a mesma matéria, mas sob perspectivas diversas, focando pontos específicos diferenciados, encontra síntese nas conclusões 2ª a 18ª (danos patrimoniais) do recurso daqueles, alegando cálculo com base em valor errado, e conclusões 9ª a 13ª do recurso deste, divergindo do encurtamento do período de incapacidade operado pela Relação.
Em causa no presente recurso, no que concerne a esta componente, está apenas o pedido de condenação dos demandados no pagamento de medicamentos, sondas de algaliação, bebegel e fraldas, de que o demandante necessitará até atingir os 65 anos, conforme alegado nos artigos 157.º a 168.º do pedido de indemnização, computados no total de € 890.462,32, correspondente a 56 anos (dos 9 aos 65 – conforme referenciado nos artigos 167.º e 168.º da mesma peça processual).
É fora de dúvida que a sentença de Benavente a este propósito nada disse.
Para além destas despesas, o demandante invocou a necessidade de substituição das ajudas técnicas a adaptar ao seu crescimento, como cadeira de rodas, ortóteses e botas ortopédicas, pedindo a liquidação em execução de sentença das ajudas que se vierem a revelar necessárias - artigo 169º.
Sobre este aspecto nada disse igualmente a sentença, mas a questão ficou resolvida com a correcção operada pela Relação ao abrigo do artigo 380.º do Código de Processo Penal.
No recurso (subordinado) então interposto para a Relação, o demandante invocou exactamente a omissão de pronúncia sobre esses outros danos futuros previsíveis alegados e já determináveis, referentes a necessidade de medicamentos, algálias e fraldas, invocando nulidade da sentença por omissão de pronúncia, nos termos do artigo 379º, n.º 1, alínea c), do C P P – fls. 765/6 e conclusões 12ª, 13ª e 14ª.
Conhecendo da arguida nulidade de sentença, assim discorreu o acórdão recorrido, de fls. 847 a 849, que se transcreve integralmente, incluindo realces, esclarecendo-se para melhor percepção que a parte inicial, onde são referenciados factos provados, corresponde ao que alegara o demandante no recurso:
«5.2.4. Recurso do demandante DD relativa aos danos futuros previsíveis e determináveis, a sentença recorrida é omissa quanto ao ressarcimento de danos alegados e provados pelo demandante, determináveis já nesta data.
Com efeito, provou-se que o DD “tinha treino vesical instituído por auto-algaliação de três em três horas, ..., o que ainda agora acontece e se manterá o resto da sua vida” – nº 120 e 160 dos factos provados.
Provou-se a quantidade média de algálias necessárias por dia, e a quantidade de medicamentos necessários para aplicação das algálias, e os respectivos preços – nºs 163 e 164 dos factos provados.
Ficou ainda provado que o DD tinha, e continuará a ter para o resto da sua vida, treino intestinal instituído com supositórios de glicerina em dias alternados – nºs 121 e 166 dos factos provados.
E mais se provou as quantidades e custos do medicamento para esse efeito – nº 165 dos factos provados.
Também ficou provado que o DD deixou de ter o controle dos esfíncteres e tem perdas de urina o que o obriga a usar fraldas de dia e de noite, situação que é irreversível e obrigará a um gasto anual de cerca de
€ 300,00, nesta data – factos provados nºs 167, 168 e 169.
Também se demonstrou que o DD está obrigado para o resto da sua vida a tomar medicação, designadamente do foro urológico, tendo-se provado as quantidades e preços – factos provados nºs 160, 161 e 162.
Ora, esta necessidade de viver o resto dos seus dias com a toma diária de medicamentos, a obrigação de se auto-algaliar diariamente e de fazer treino intestinal instituído, o uso de fraldas de dia e de noite, constituem dano futuro mais que previsível e nesta data já determinável em face dos factos provados.
A título de danos futuros previsíveis e determináveis o demandante pediu a condenação dos demandados civis no pagamento de € 890.462,32 – artºs 157º a 168º do pedido de indemnização cível.
Valor que ficará muito aquém do que o DD terá que despender ao longo de toda a sua vida, uma vez que os preços dos medicamentos, fraldas, algálias, não se manterá o mesmo, e nem o DD deixará de necessitar destas ajudas quando perfizer os 65 anos de idade. E tudo já sem contabilizar o apoio de terceiros a que também estará sujeito para o resto da vida – factos provados nºs 144, 145 e 196.
Daí que o ressarcimento imediato destes valores não deva sofrer qualquer redução pelo pagamento imediato, compensando-se com o que a inflação se encarregará de agravar nos custos.
A sentença recorrida é absolutamente omissa quanto a estes danos que o demandante alegou e provou, uma vez que sobre os mesmos não se pronuncia, limitando-se a referir os danos futuros previsíveis respeitantes às intervenções cirúrgicas e ajudas técnicas e relega-os para execução de sentença.
Vejamos.
É um facto notório - de acordo com os conhecimentos da Medicina – que quando atingir a idade de 20-25 anos o menor DD será submetido a intervenção cirúrgica que poderá reverter alguns dos problemas com que actualmente se confronta.
Do relatório do Instituto de Medicina Legal a fls. 482 consta que:
Foi observado nos serviços clínicos da companhia de seguros Alianz em meados de Janeiro de 2005, pelo Dr. R... de C..., sendo enviado ao serviço de Neurocirurgia do Hospital Egas Moniz onde se encontra em lista de espera para cirurgia que será efectuada quando tiver 20/25 anos.
Também consultou o Dr. A... do N..., neurocirurgião em Coimbra, que também informou que poderia ter alguma melhoria se fizesse uma cirurgia aos 20/25 anos.
Também a Companhia de Seguros Allianz veio indicar que a “incapacidade parcial permanente possa ser substancialmente diminuída se aos 18 anos se submeter com êxito a um transplante celular do epitélio olfactivo”.
Pelo que, com segurança, apenas se pode considerar que o DD nos próximos 15 anos terá de precisar das actuais medicações e fraldas, algalias, etc. pelo o montante indemnizatório será de fixar em € 23.851,67 x 15 anos = € 357.775,05 e que pelo pagamento imediato deverá ser reduzido em1/4, pelo se fixa em € 268.331,29 o montante de indemnização, a título de danos patrimoniais futuros e determináveis.
Assim, altera-se a sentença recorrida que, ao não atender aos danos futuros provados viola o disposto nos artºs 564º nºs 1 e 2 primeira parte, e 566º do C. Civil, fixando-se como danos patrimoniais futuros determináveis o montante de € 268.331,29 (duzentos e sessenta e oito mil trezentos e trinta e um euros e vinte e nove cêntimos), a pagar, solidariamente pelos demandados AA e T... F... R..., Lda.».
Esta decisão da Relação de Lisboa concitou a reacção dos demandados e do demandante, obviamente por razões diversas.
Os recorrentes demandados impugnam este segmento do acórdão recorrido, discordando apenas do montante de indemnização atribuído a título de danos patrimoniais futuros previsíveis e determináveis, fixados para os próximos 15 anos, no valor de 268.331,29 euros, calculado em seu entender com base num valor errado, invocando lapso de escrita no que toca ao preço das algálias, defendendo ser facto notório o seu preço, pretendendo a redução da indemnização para 20.531,25 euros – cfr. fls. 870 v.º e 871 e conclusões II - Danos Patrimoniais - 2ª a 19ª.
O demandante respondeu, alegando que os demandados ao impugnarem a sentença de 1ª instância não impugnaram os factos provados sob os n.º s 160 a 168, defendendo não constituir facto notório o preço das sondas urológicas, nem existir erro notório na apreciação da prova – cfr. fls. 882/4 das “contra alegações” e conclusões 1.ª a 4.ª.
Por seu turno, o demandante, no recurso subordinado, quanto à indemnização por danos futuros previsíveis determináveis, na motivação, a fls. 886/8, discorda da redução temporal operada, dizendo não constituir facto notório que o transplante celular do epitélio olfactivo possa reverter a situação em que se encontra;
invoca factos provados nos pontos 197, 195, 160 a 166 da sentença e a contradição da interpretação da Relação com tais factos provados e considera que o acórdão até excede em optimismo os relatórios médicos que aconselham a intervenção cirúrgica, defendendo resultar vício de erro notório na apreciação da prova, pedindo, a final, a revogação do acórdão e sua substituição por outro que, reconhecendo estes danos, os fixe por 56 anos, e fixe a indemnização no montante peticionado - conclusões 9ª a 13ª.
Vistas as reacções das partes, facilmente ressalta do exposto serem dois os problemas a resolver, a saber:
- o da redução do período de indemnização relativa a estes danos, circunscrevendo-os a decisão recorrida aos “próximos 15 anos”;
- e a sua quantificação, sendo esta questão a colocar em qualquer dos casos, ou seja, independentemente da resposta àquele primeiro problema.
Primeira questão
Em causa a redução a 15 anos do período em que o lesado terá necessidade de medicamentação, algaliação, uso de fraldas e bebegel, por força de uma intervenção cirúrgica a ter lugar no futuro, que
poderia operar uma reversão do estado clínico do demandante.
Desta compressão do período temporal de necessidade de medicamentos e tratamentos, resultou uma diminuição da indemnização.
Lembremos os termos exactos do prognóstico da Relação de Lisboa.
«É um facto notório - de acordo com os conhecimentos da Medicina – que quando atingir a idade de 20-25 anos o menor DD será submetido a intervenção cirúrgica que poderá reverter alguns dos problemas com que actualmente se confronta». (…)
«Pelo que, com segurança, apenas se pode considerar que o DD nos próximos 15 anos terá de precisar das actuais medicações e fraldas, algalias…».
Que dizer deste prognóstico, sem dúvida, eivado de optimismo?
Pressupostos da interpretação feita no acórdão são apenas duas informações retiradas de fls. 482 do relatório de uma “Perícia de avaliação do dano corporal”, realizada no Instituto Nacional de Medicina Legal em 08-05-2006, contidas no capítulo de “Informação - História do evento”, a qual contém apenas conclusões preliminares e de um relatório da seguradora demandada.
Há que analisar a questão em dois planos.
Primeiro a notoriedade. Depois, a conclusão retirada, ultrapassando as premissas.
I - Começando pela notoriedade.
Não carecem de prova nem de alegação os factos notórios, devendo considerar-se como tais os factos que são do conhecimento geral – artigo 514º, n.º 1, do Código de Processo Civil.
Não basta qualquer conhecimento, pois como dizia Alberto dos Reis, CPC Anotado, vol. III, págs. 259/260 “é indispensável um conhecimento de tal modo extenso, isto é, elevado a tal grau de difusão que o facto apareça, por assim dizer, revestido do carácter de certeza”.
Por outro lado, como a notoriedade implica a ideia de publicidade, ele terá de ser conhecido de grande maioria dos cidadãos.
Manuel de Andrade, Teoria Geral, vol. II., pág. 89, tinha por notório “tanto aquilo que é geralmente sabido, como aquilo que é de per si evidente”, pois o que se “evidencia” torna-se susceptível de ser notado por qualquer pessoa de normal diligência, independentemente do seu “generalizado conhecimento”.
Como se extrai do acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 28-05-2002, revista n.º 1163/02-2ª, STJSAC2002, pág. 192, um facto é notório quando o juiz o conhece como tal, colocado na posição do cidadão comum, regularmente informado, sem necessitar de recorrer a operações lógicas e cognitivas, nem a juízos presuntivos.
A informação de que o DD “se encontra em lista de espera para cirurgia que será efectuada quando tiver 20/25 anos” e as opiniões médicas referidas constam de documentos juntos aos autos, que apenas serão
conhecidos de, ou cognoscíveis por, um círculo muito restrito de pessoas com acesso aos mesmos.
Não se vê como possa constituir facto notório o saber-se se um paraplégico, que ficou nesse estado aos 8 anos, pode ter melhoria do seu estado se fizer uma cirurgia aos 20-25 anos e se a submissão, com êxito, a um transplante celular do epitélio olfactivo, aos 18 anos, pode diminuir substancialmente a incapacidade parcial permanente.
Acontece que nenhuma das referidas declarações documentais foi vertida nos factos provados, nem aliás, em rigor, o poderiam ser, pois não foi alegada tal matéria pelo demandante no enxerto cível, nem consta qualquer referência da contestação da seguradora, desconhecendo-se se foram alvo de discussão na audiência, de forma a entender-se o seu exacto sentido e alcance.
O acórdão recorrido assenta tão só nas declarações médicas, fazendo tábua rasa do que ficou provado -como se disse supra, a referência aos factos provados que antecedem a decisão recorrida neste segmento corresponde tão só ao que alegara o recorrente na motivação.
Muito diversamente, os factos dados por provados apontam para a irreversibilidade da situação clínica do demandante, como resulta dos seguintes pontos de factos provados: n.º 166 (medicamentos e ajudas técnicas prescritos para o resto da vida); n.ºs 120, 168 e 195 (situação irreversível de ausência de controle dos esfíncteres, obrigando a uso de fraldas) e n.º 197 (as perspectivas são as de ter de viver numa cadeira de rodas até ao fim dos seus dias).
Acresce que o acórdão recorrido louva-se em dois documentos que inclusive se desconhece se foram tidos em conta pela Exma. Julgadora, uma vez que nada se concretiza na motivação da decisão sobre a matéria de facto em sede de referência a documentos probatórios, ou seja, assenta a decisão recorrida a interpretação que faz em dois documentos, com carácter narrativo/informativo, que não chegam eles próprios sequer a ter visibilidade no texto da decisão, não sendo notórios tão pouco por esta via, pois que não chegam sequer a ser notados na sentença de Benavente, onde não se enxerga qualquer referência expressa a tais documentos.
Do documento do INML em que se baseia a decisão recorrida apenas consta que o demandante “se encontra em lista de espera para cirurgia que será efectuada quando tiver 20/25 anos” e que o demandante também consultou o Dr. A... do N..., neurocirurgião em Coimbra, que também informou que poderia ter alguma melhoria se fizesse uma cirurgia aos 20/25 anos.
A este nível, o que ficou provado - note-se que o acórdão recorrido baseia-se em declarações documentadas e não em matéria de facto provada - foi que os pais do DD levaram-no a uma consulta no Instituto de Cirurgia Reconstrutiva do Dr. A... N..., com vista a uma possível intervenção cirúrgica da parestesia dos membros inferiores (facto provado n.º 148) e que existe probabilidade do DD necessitar de tratamentos e/ou intervenções cirúrgicas para melhoria do seu estado clínico actual ou para resolução de complicações intestinais, respiratórias, urinárias ou para resolução de escaras cutâneas (facto provado n.º 149), sendo que estes factos foram extractados do alegado nos artigos 142º e 143º do pedido de indemnização.
II - A conclusão retirada “com segurança”
Não se vê como a partir dos argumentos utilizados se pode concluir o que quer que seja, relativamente ao que se passará no futuro, e muito menos, com a proclamada segurança.
Afirmar-se que a submissão a intervenção cirúrgica “poderá reverter alguns dos problemas com que actualmente se confronta” acaba por ser uma afirmação anódina, ficando por saber até que ponto operará a reversão da situação, qual a sua extensão e profundidade e efeitos práticos e, por outro lado, operando a reversão apenas em “alguns dos problemas”, perguntar-se-á quais seriam os ultrapassados e quais os que permaneceriam.
Se o neurocirurgião de Coimbra foi de opinião que se o demandante fizesse a cirurgia aos 20-25 anos, poderia ter alguma melhoria, dando assim parecer com alguma parcimónia e cuidado, evidente se torna que estamos perante uma afirmação do acórdão prenhe de optimismo, a ultrapassar o que o especialista diz, colocando no terreno da certeza o que para o expert foi tido como uma mera possibilidade (poderia ter) e mesmo assim de modo relativo (alguma melhoria), mas, perguntar-se-á, melhoria, como? em quê?
com que grau de cumprimento de objectivos?
Apoia-se ainda o acórdão num documento da Companhia de Seguros A... onde se refere que a
“incapacidade parcial permanente possa ser substancialmente diminuída se aos 18 anos se submeter com êxito a um transplante celular do epitélio olfactivo”.
Igualmente a indicação encerra mera informação, em si mesma com carácter dubitativo, em primeiro lugar, porque é preciso que o transplante se processe com êxito, e depois, porque tendo sido um êxito, não se seguirá a certeza de ser alcançado bom resultado, apenas se indicando que poderá a incapacidade ser substancialmente diminuída, isto é, não se dá por adquirido o conseguir um bom resultado, que só o seria se a redução fosse substancial, ficando ainda por saber que limite atingiria a incapacidade no final, em caso de sucesso, na melhor das hipóteses - redução a 40%?, a 20%?, a 10%?.
Mas conferindo bondade ao afirmado, dando de barato que assim seria, sempre se colocaria então a questão de saber se na hipótese de o transplante correr bem aos 18 anos, seguir-se-ia ou não ainda a intervenção aos 20-25 anos.
Daqui que não possa afirmar-se que, com segurança, o DD apenas nos próximos 15 anos necessitará das actuais medicações, fraldas, algálias e bebegel.
Invocar-se-á a este propósito, acórdão de 15-07-1966, BMJ, n.º 159, pág. 383, ainda no domínio do Código de Seabra, onde se escreveu: “No cálculo das consequências do facto danoso, o juiz obedecerá ao critério da normalidade, procurando determiná-las segundo o curso ordinário dos acontecimentos. Nesse ponto o ónus da prova funciona a favor do demandante, cumprindo ao demandado demonstrar que essas consequências se não verificariam. Por isso não deve atender-se a meras possibilidades de recuperação do ofendido que podem ou não concretizar-se”.
Resulta do exposto que este segmento do acórdão recorrido, relativo à duração do período da necessidade destas despesas, não deverá subsistir, devendo ser revogado.
Deverá, em substituição, ser considerado o período que vai de Abril de 2006, data da interposição do pedido de indemnização, até aos 65 anos do demandante, como expressamente pedido (artigo168.º do pedido de indemnização).
Justificando-se a opção do indicado termo inicial pela circunstância de resultar dos autos que até então estas despesas foram suportadas pela seguradora e quando deixaram de estar a cargo desta, passaram a ser suportadas pelos pais do demandante, que as incluíram – mal – no pedido formulado e que foram desconsideradas - bem - com absolvição por falta de legitimidade.
Será de considerar, assim, o período de 55 anos (o demandante à data do pedido tinha 10 anos de idade e não 9, como por lapso dali consta, nos artigos 167.º e 189.º).
Segunda questão
Em causa neste aspecto está a quantificação dos danos futuros previsíveis e determináveis, restringindo-se, porém, o desacordo relativamente ao preço das algálias, defendendo os demandados que o valor global foi calculado com base num valor errado, exagerado daquelas, sendo facto notório o seu preço, com um valor mais baixo, tratando-se de lapso de escrita, existindo uma evidente violação de uma regra de direito probatório, pretendendo a redução do montante da indemnização (restrita aos 15 anos) para € 20.531,25 – cfr. fls. 870 v.º e 871 e conclusões II - Danos Patrimoniais - 2ª a 19ª.
O demandante respondeu, alegando que os demandados ao impugnarem a sentença de 1ª instância não impugnaram os factos provados sob os n.º s 160 a 168, defendendo não constituir facto notório o preço das sondas urológicas, nem existir erro notório na apreciação da prova – cfr. fls. 882/4 das “contra alegações” e conclusões 1ª a 4ª do recurso.
Apreciando.
Como já se referiu, a sentença de Benavente omitiu por completo pronúncia sobre esta parte do pedido (não colhe a posição dos demandados - expressa na motivação, no item M), a fls. 871 - de virem agora dizer que não foram vencidos relativamente a absolvição de pagamentos de medicamentos, algálias e fraldas, pois se certo é que foram efectivamente absolvidos, a verdade é que então em causa estavam despesas já efectuadas e pagas pelos pais do demandante DD, que por isso mesmo, por ilegitimidade daqueles, determinou a absolvição dos demandados quanto a tais parcelas, estando aqui e agora em causa apenas despesas futuras, realizadas pós Abril de 2006, que igualmente integravam a causa de pedir).
Face à omissão de pronúncia da sentença de Benavente, o demandante, no recurso interposto, arguiu a nulidade correspondente.
E notificados do recurso, em dupla via, os demandados, assim alertados da posição da parte contrária, nada disseram.
Na verdade, o recorrente procedeu à notificação do recurso à Mandatária dos demandados, nos termos do artigo 229.º-A, do CPC em 7-4-2008 (fls. 776) e procedeu o tribunal a essa notificação por carta de 27-08-2008 (fls. 781).
Os demandados interpuseram recurso da sentença de Benavente, circunscrito apenas a matéria de direito e à parte civil, como inclusive proclamam no intróito da motivação, como consta de fls. 739.
Na fundamentação da sua divergência, no presente recurso, os demandados socorrem-se de diversas qualificações, que arrancando da afirmação de que o cálculo do valor das algálias teve por base um valor errado, passam por estar-se perante um lapso de escrita, um facto notório (quanto ao preço), errada
Na fundamentação da sua divergência, no presente recurso, os demandados socorrem-se de diversas qualificações, que arrancando da afirmação de que o cálculo do valor das algálias teve por base um valor errado, passam por estar-se perante um lapso de escrita, um facto notório (quanto ao preço), errada