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Das Comissões

No documento Curso de Regimento Interno (páginas 170-200)

AULA 1 – PErmAnEntEsE tEmPoráriAs – dEFinição

Art. 22. As comissões da Câmara são:

I – permanentes, as de caráter técnico-legislativo ou especializado integrantes da estrutura institucional da Casa, copartícipes e agentes do processo legiferante, que têm por finalidade apreciar os assuntos ou proposições submetidos ao seu exame e sobre eles deliberar, assim como exercer o acompanhamento dos planos e progra-mas governamentais e a fiscalização orçamentária da União, no âmbito dos respec-tivos campos temáticos e áreas de atuação;

II – temporárias, as criadas para apreciar determinado assunto, que se extinguem ao término da legislatura, ou antes dele, quando alcançado o fim a que se destinam ou expirado seu prazo de duração.

Comentários

Com o advento da Constituição Federal de 1988, o papel das comissões foi ampliado e fortalecido, uma vez que elas desempenham funções primordiais para o aprimoramento da democracia brasileira. Essa valorização deveu-se, principalmente, à possibilidade de con-cluírem, em determinadas circunstâncias, o processo legislativo referente aos projetos de lei sem a necessidade da apreciação do Plenário das Casas Legislativas, o que se conhece como poder conclusivo das comissões. Na aula 10 do capítulo II discorremos sobre esse poder conclusivo.

As comissões são órgãos colegiados. Podem ser criadas na Câmara dos Deputados, no Senado Federal ou em âmbito misto, compostas por deputados federais e senadores. Para que se compreenda a diversidade do papel desempenhado pelas comissões, necessário se faz conhecer as suas espécies: permanentes e temporárias.

Na condição de perenes, as permanentes integram a estrutura institucional da Casa à qual pertencem. Participam, no âmbito de seus respectivos campos temáticos ou áreas de atividade, do processo de elaboração de normas jurídicas, mediante exame,

acompanhamento dos planos e programas governamentais, bem como a fiscalização financeira, orçamentária, contábil, operacional e patrimonial da União. Atualmente, a Câmara dos Deputados conta com 22 comissões permanentes, abrangendo os mais diversos campos temáticos ou áreas de atividade.

Já as temporárias, cuja existência é passageira, são criadas para apreciar assunto especí-fico. Sua extinção é certa sempre que ocorrer uma das três situações: 1) alcançar-se o fim a que se destinam; 2) expirar seu prazo de duração; 3) encerrar-se a legislatura (quatro anos é o tempo máximo de duração de qualquer comissão temporária na Câmara). Elas podem ser especiais, de inquérito (CPIs) e externas, cada uma com atuação específica conforme a razão de sua criação.

AULA 2 – dA rEPrEsEntAção ProPorcionALdAs BAncAdAs

Art. 23. Na constituição das comissões assegurar-se-á, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos e dos blocos parlamentares que participem da Casa, incluindo-se sempre um membro da Minoria, ainda que pela proporcio-nalidade não lhe caiba lugar.

Parágrafo único. O deputado que se desvincular de sua bancada perde automati-camente o direito à vaga que ocupava em razão dela, ainda que exerça cargo de natureza eletiva. (Parágrafo único acrescido pela Resolução nº 34 de 2005, em vigor desde 1/2/2007.)

Comentários

Conforme estudado na aula 14 do capítulo I, a Constituição Federal, no art. 58, § 1º, estabelece o princípio da proporcionalidade partidária (PPP), instrumento muito utiliza-do na composição utiliza-dos colegiautiliza-dos utiliza-do Congresso Nacional. O objetivo desse mandamento é refletir nos órgãos colegiados internos a dimensão de cada partido político ou bloco parlamentar representado na Casa Legislativa. Nesse sentido, sendo as comissões órgãos coletivos, elas são constituídas em conformidade com a proporção da quantidade de mem-bros de cada bancada partidária na Casa respectiva. Assim, quanto maior for a representa-ção de uma determinada agremiarepresenta-ção partidária na Câmara, maior será o número de seus representantes em determinada comissão dessa Casa Legislativa.

Esse princípio garante o quórum da maioria na composição dos colegiados, mas não deixa de considerar as bancadas menores. Com base nisso, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados dispõe que a bancada considerada Minoria sempre terá direito a ocupar um lugar nas comissões, pois esse segmento partidário também representa parcela importante da sociedade brasileira, devendo zelar pelo equilíbrio das discussões e delibe-rações, e, por conseguinte, precisa estar representado nos debates das comissões.

Dessa forma, o art. 13 do RICD considera Minoria “a representação imediatamente inferior que, em relação ao governo, expresse posição diversa da Maioria”. Nesse momento, é interessante ao leitor, caso tenha dúvidas em relação a esse conceito, rever a aula relativa à definição de Maioria e Minoria (aula 31 do capítulo IV).

Para preservar a estabilidade dos partidos e vincular a escolha do eleitor, o deputado que se desvincular de sua representação partidária arcará com o ônus de perder a vaga e o cargo que ocupar perante determinada comissão em razão da bancada a qual integrava, mesmo que se trate de cargo ocupado em razão de eleição, como os de direção de comissão. Trata--se de discussão vinculada à fidelidade partidária, instituto muito importante para manter a estabilidade das instituições políticas. Confira a aula 4 do capítulo XVI. Cumpre esclarecer que, por força da Resolução nº 2 de 2011, o disposto no parágrafo único do art. 23 do RICD não se aplica aos membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.

AULA 3 – dAs comPEtênciAs

Art. 24. Às comissões permanentes, em razão da matéria de sua competência, e às demais comissões, no que lhes for aplicável, cabe:

I – discutir e votar as proposições sujeitas à deliberação do Plenário que lhes forem distribuídas;

II – discutir e votar projetos de lei, dispensada a competência do Plenário, salvo o disposto no § 2º do art. 132 e excetuados os projetos:

a) de lei complementar;

b) de código;

c) de iniciativa popular;

d) de comissão;

e) relativos a matéria que não possa ser objeto de delegação, consoante o

§ 1º do art. 68 da Constituição Federal;

f) oriundos do Senado, ou por ele emendados, que tenham sido aprovados pelo Plenário de qualquer das Casas;

g) que tenham recebido pareceres divergentes;

h) em regime de urgência;

III – realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil;

IV – convocar ministro de Estado para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado, ou conceder-lhe audiência para expor assunto de relevância de seu ministério;

V – encaminhar, através da Mesa, pedidos escritos de informação a ministro de Estado;

VI – receber petições, reclamações ou representações de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades ou entidades públicas, na forma do art. 253;

VII – solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão;

VIII – acompanhar e apreciar programas de obras, planos nacionais, regionais e setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer, em articulação com a co-missão mista permanente de que trata o art. 166, § 1º, da Constituição Federal;

IX – exercer o acompanhamento e a fiscalização contábil, financeira, orçamentá-ria, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal, em articulação com a comissão mista permanente de que trata o art. 166, § 1º, da Constituição Federal;

X – determinar a realização, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, de diligências, perícias, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, or-çamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo poder público federal;

XI – exercer a fiscalização e o controle dos atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta;

XII – propor a sustação dos atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa, elaborando o respectivo decreto legislativo;

XIII – estudar qualquer assunto compreendido no respectivo campo temático ou área de atividade, podendo promover, em seu âmbito, conferências, exposições, palestras ou seminários;

XIV – solicitar audiência ou colaboração de órgãos ou entidades da administração pública direta, indireta ou fundacional, e da sociedade civil, para elucidação de ma-téria sujeita a seu pronunciamento, não implicando a diligência dilação dos prazos.

§ 1º Aplicam-se à tramitação dos projetos de lei submetidos à deliberação conclusi-va das comissões, no que couber, as disposições previstas para as matérias submeti-das à apreciação do Plenário da Câmara. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 58 de 1994.)

§ 2º As atribuições contidas nos incisos V e XII do caput não excluem a iniciativa concorrente de deputado.

Comentários

O art. 24 do RICD é de grande importância para o entendimento do processo legis-lativo, já que dispõe sobre as competências das comissões. Para melhor entendimento da matéria, passemos a analisar alguns dispositivos sobre o referido artigo.

Inicialmente, vale ressaltar que as competências descritas se referem, em regra, às co-missões permanentes e às especiais. Relativamente a estas, destacamos a mencionada no art. 34, II, do RICD (CESP criada para emitir parecer em substituição a mais de três comissões de mérito).

Assim, compete às comissões discutir e votar proposições sujeitas à deliberação do Plenário e apreciar projetos de lei ordinária que dispensarem a competência do Plenário, o que se denomina “poder conclusivo das comissões” ou “apreciação conclusiva das comis-sões” (CF, art. 58, § 2º, I, e RICD, art. 24, II). Sobre esse assunto, dedicamos comentários à aula 10 do capítulo II.

As alíneas do inciso II do art. 24 do RICD relacionam as matérias que necessaria-mente devam ser apreciadas em Plenário, ou seja, projetos de lei sobre os quais não incide o poder conclusivo das comissões. Como exemplo, citamos os projetos de iniciativa po-pular, que, pela sua singularidade, merecem ser apreciados pelo Plenário da Câmara dos Deputados após seu exame pelas comissões da Casa. Afinal, não seria razoável que projeto que obtivesse 1% (um por cento) das assinaturas do eleitorado nacional, distribuído em pelo menos cinco estados (isto é, em pelo menos cinco unidades da federação, dentre os 26 estados e o Distrito Federal), com não menos de três décimos por cento (três milésimos) de subscrições em cada um deles (CF, art. 61, § 2º, e RICD, art. 252), fosse debatido e votado apenas no âmbito das comissões. O mesmo se pode dizer em relação aos projetos de código. O Código Civil, por exemplo, trata de uma enorme diversidade de matérias, motivo pelo qual a análise do projeto que o propõe deva ser realizada pelo conjunto de deputados federais, e não apenas pelos membros da comissão especial criada para dar pa-recer sobre esse projeto (arts. 34, I, e 205, § 1º).

Outra importante competência das comissões refere-se à realização de audiência pú-blica, instituto que visa à aproximação do cidadão com o Parlamento federal. Nela, é pos-sível reunir representantes da sociedade organizada para debater com os parlamentares assuntos de interesse da população. Para isso, são agendadas reuniões com vistas a colher subsídios para instruir matéria legislativa em tramitação, bem como para tratar de assun-tos de interesse público relevante, mediante requerimento de qualquer membro da comis-são ou a pedido da entidade interessada (art. 255).

Cumprindo o princípio de freios e contrapesos entre os poderes da República, as co-missões podem convocar ministros de Estado (CF, art. 58, III) ou quaisquer titulares de órgãos diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem, pessoalmen-te, informações sobre assunto previamente determinado, conforme prescreve o art. 50, caput, da Constituição Federal. Além disso, o ministro de Estado pode comparecer às comissões por sua iniciativa para expor assunto relevante de seu ministério.

Outro instrumento de fiscalização utilizado pelo Legislativo é o pedido escrito de informação a ministro de Estado. Também com fundamentação constitucional (art. 50,

§ 2º), serve para obter informações relevantes por escrito, importando em crime de

prestação de informações falsas. Os detalhes sobre esse requerimento encontram-se no art. 116 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

Com base nos mecanismos de exame previstos nos arts. 70 e 71 da Constituição Federal, cabe às comissões promover a fiscalização financeira, orçamentária, contábil, operacional e patrimonial da União e entidades congêneres, em consonância com os trabalhos desenvol-vidos pela comissão mista prevista no art. 166, § 1º, da Constituição Federal – Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (prevista na Resolução-CN nº 1 de 2006 e corriqueiramente conhecida como Comissão Mista de Orçamento).

Assim, diversos são os instrumentos de que o Legislativo se vale, por meio das comis-sões, para equilibrar o exercício do poder, evitando eventuais abusos, como a faculdade de propor a sustação dos atos normativos (regulamentações de normas jurídicas) do Poder Executivo que excedam os limites, conforme prevê o inciso V do art. 49 da Carta Magna.

Por derradeiro, observe que a diversidade de atribuições das comissões legislativas re-vela a importância a elas atribuída pela própria Constituição Federal. Nelas, o cidadão pode ser ouvido não apenas indiretamente, por meio de seus representantes eleitos, mas também de forma direta, quando convidado ou convocado a participar de seus trabalhos.

AULA 4 – dAs comissõEs PErmAnEntEs – do númErodE mEmBros

Art. 25. O número de membros efetivos das comissões permanentes será fixado por ato da Mesa, ouvido o Colégio de Líderes, no início dos trabalhos de cada legislatura. (Caput do artigo com redação dada pela Resolução nº 34 de 2005, em vigor desde 1/2/2007.)

§ 1º A fixação levará em conta a composição da Casa em face do número de co-missões, de modo a permitir a observância, tanto quanto possível, do princípio da proporcionalidade partidária e demais critérios e normas para a representação das bancadas.

§ 2º Nenhuma comissão terá mais de doze centésimos nem menos de três e meio centésimos do total de deputados, desprezando-se a fração. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 20 de 2004.)

§ 3º O número total de vagas nas comissões não excederá o da composição da Câmara, não computados os membros da Mesa.

Comentários

A definição da quantidade de membros de cada comissão permanente é importante providência a ser estabelecida por ato da Mesa no início de cada legislatura, valendo como base para os próximos quatro anos. Nesse caso, o disposto no art. 15, X, deve ser inter-pretado em consonância com o disposto no art. 25, caput, com a redação oferecida pela

Resolução nº 34 de 2005. Com isso, os partidos e blocos parlamentares passam a conhecer o número de vagas disponíveis em cada colegiado que venham a ocupar com base nas eleições gerais, representando a vontade do povo.

A quantidade de vagas leva em conta o número de comissões permanentes (nos últimos anos, a Câmara dos Deputados contava com 20, mas, em fevereiro de 2013, por conta da al-teração promovida pela Resolução nº 21 de 2013, e em fevereiro de 2014, devido à alal-teração realizada pela Resolução nº 54 de 2014, a Casa passou a contar com 22 comissões perma-nentes). Também é observado o importante princípio da proporcionalidade partidária, que traduz a quantidade de membros de cada bancada. Esse fundamento é tão importante que a própria Constituição Federal o estabeleceu para refletir a vontade dos cidadãos ao votar em seus candidatos, que, necessariamente, são vinculados a um partido político.

Há limites de cadeiras disponíveis em cada comissão permanente. Assim, quanto aos membros titulares, nenhuma delas pode contar com mais de doze centésimos nem menos do que três e meio centésimos dos membros da Câmara, desprezando-se do resultado a fração. Traduzindo-se em número de vagas, o cálculo resulta em:

• quantidade máxima de vagas: 12/100 x 513 = 61,56  61 vagas.

• quantidade mínima de vagas: 3,5/100 x 513 = 17,95  17 vagas.

Assim, considerando-se as 22 comissões permanentes, nenhuma delas pode contar com mais do que 61 vagas nem menos do que 17 lugares disponíveis a serem ocupados pelos representantes de partidos ou blocos parlamentares, na qualidade de titulares.

IMPORTANTE

O art. 1º da Resolução nº 12 de 2012 aumentou, até o dia 31 de janeiro de 2015, o limite máximo de membros efetivos de comissão permanente fixado no § 2º do art. 25 do RICD em 0,01 (um centésimo ou 1/100) do total de deputados, desprezando-se a fração. Dessa forma, até o final da 54ª Legislatura, a quantidade máxima de vagas passa a ser a seguinte:

Quantidade máxima de vagas: 12/100 + 1/100 = 13/100 x 513 = 66,69  66 vagas

No cômputo total, será deduzida a quantidade de vagas da Mesa, pois, em conformi-dade com o art. 14 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, a Mesa dessa Casa tem a qualidade de Comissão Diretora, não sendo possível aos seus membros acumula-rem vagas nas comissões permanentes, uma vez que ocupam cargo de destaque perante o órgão dirigente.

Então, de acordo com o § 3º do art. 25, o total de vagas (de titulares) disponíveis em todas as comissões permanentes é de 506. Vejamos como se chega a esse número:

• da quantidade de membros da Câmara subtrai-se (-) a quantidade de membros da Mesa Diretora  513 - 7 = 506 vagas disponíveis nas

comis-Vale lembrar que a dedução referente aos membros da Mesa Diretora não inclui os suplentes de secretário da Mesa, pois, em última análise, os suplentes de secretário não são membros da Mesa Diretora. Confira a aula 1 do capítulo V para rever a organização da Mesa da Câmara e os impedimentos de seus membros.

É importante ressaltar que, na prática, esse quantitativo não inclui as cadeiras de ti-tulares das comissões permanentes que se encontrem ressalvadas no § 2º do art. 26, quais sejam, a Comissão de Legislação Participativa (CLP) e a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO). Por força das Resoluções nos 12 de 2012, e 22 de 2013, essa ressalva se aplica, até 31 de janeiro de 2015, também à Comissão de In-tegração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (CINDRA) e à Comissão de Cultura (CCULT), respectivamente.

Dessa forma, o deputado que for titular de uma dessas comissões poderá ser titular em outra comissão permanente, acumulando titularidade em comissões permanentes. De acor-do com o Ato da Mesa nº 130 de 2014, o total de vagas de titulares nas comissões perma-nentes é de 604 – além das 7 vagas na Mesa, que atua na qualidade de Comissão Diretora.

Com efeito, a diferença entre o quantitativo resultante do disposto no § 3º do art. 25 do RICD e a soma de todas as vagas de titulares nas comissões permanentes com base no Ato da Mesa citado justifica-se, exatamente, pelas cinco comissões em que a titularidade pode ser acumulada com a de outra comissão permanente, como se pode vislumbrar a seguir:

506 + 20 (CTUR) + 20 (CCULT) + 20 (CINDRA) + 18 (CLP) + 20 (CSPCCO) = 604 Em conclusão, há atualmente 604 vagas de titulares nas comissões permanentes da Câmara dos Deputados.

AULA 5 – dAs comissõEs PErmAnEntEs – dA distriBUiçãodAs vAgAs Art. 26. A distribuição das vagas nas comissões permanentes entre os partidos e blocos parlamentares será organizada pela Mesa logo após a fixação da respectiva composição numérica e mantida durante toda a legislatura. (Caput do artigo com redação dada pela Resolução nº 34 de 2005, em vigor desde 1/2/2007.)

§ 1º Cada partido ou bloco parlamentar terá em cada comissão tantos suplentes quantos os seus membros efetivos.

§ 2º Nenhum deputado poderá fazer parte, como membro titular, de mais de 1 (uma) comissão permanente, ressalvada a Comissão de Legislação Participativa e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 30 de 2005.)*

§ 3º Ao deputado, salvo se membro da Mesa, será sempre assegurado o direi-to de integrar, como titular, pelo menos uma comissão, ainda que sem legenda partidária ou quando esta não possa concorrer às vagas existentes pelo cálculo da proporcionalidade.

§ 4º As alterações numéricas que venham a ocorrer nas bancadas dos partidos ou blocos parlamentares decorrentes de mudanças de filiação partidária não impor-tarão em modificações na composição das comissões, cujo número de vagas de cada representação partidária será fixado pelo resultado final obtido nas eleições e permanecerá inalterado durante toda a legislatura. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 34 de 2005, em vigor desde 1/2/2007.)

*Também serão cumulativas, até o dia 31 de janeiro de 2015: a Comissão de Cultura, por força do disposto no art. 3º-A da Resolução nº 21 de 2013, acrescido pela Resolução nº 22 de 2013; a Comissão de Integração Na-cional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia – nome alterado pela Resolução nº 23 de 2013 –, por força do disposto no art. 2º da Resolução nº 12 de 2012; e a Comissão de Turismo, por força do disposto no art. 4º da Resolução nº 54 de 2014.

Comentários

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na condição de supervisora dos trabalhos legislativos, é o órgão responsável pela distribuição das vagas nas comissões permanentes.

Desde 1º de fevereiro de 2007, essa definição será mantida durante toda a legislatura (4 anos), com o objetivo de refletir a vontade do povo ao eleger seus representantes, ini-bindo-se desfiliações partidárias que desvirtuem esse propósito. Até 31/1/2007 vigorou a previsão de que a distribuição de vagas seria procedida em cada sessão legislativa.

Para substituir o membro ausente em eventuais faltas, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados estabeleceu que a mesma quantidade de membros titulares das comissões é reservada a membros suplentes de cada partido ou bloco parlamentar que se faça representar na Casa. Assim, ressalvada a titularidade cumulativa na Comissão de Legislação Participativa, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Orga-nizado, na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia, na Comissão de Cultura e na Comissão de Turismo (essas três últimas, até o dia 31 de janeiro de 2015, por força da Resolução nº 12 de 2012, da Resolução nº 22 de 2013, e do disposto na Resolução nº 54 de 2014, respectivamente), se uma determinada agremiação partidária for composta por cinco deputados federais – e não ocupar cargo na Mesa nem o de presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos –, a bancada terá direito a ocupar cinco vagas como titular distribuídas em tantas comissões permanentes quantas lhe couber participação, bem como fazer cinco indicações para as respectivas suplências.

Para evitar que os deputados se multipliquem como membros titulares em diversas comissões, muitas vezes sobrecarregando as suas próprias atribuições, o RICD permitiu o

e na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Em caráter ex-cepcionalíssimo, e somente até 31/1/2015, resoluções estenderam essa possibilidade de acumulação à Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Ama-zônia, à Comissão de Cultura e à Comissão de Turismo. Na condição de suplente, não há limitação para a participação dos deputados.

Considerando-se a importância do exercício parlamentar no âmbito das comissões, o Regimento Interno assegura ao deputado, salvo se membro da Mesa ou presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, o direito de ocupar pelo menos uma vaga, na qualidade de titular, nas comissões permanentes, mesmo que o representante esteja momentaneamente sem filiação partidária (RICD, art. 26, § 3º, c/c Resolução nº 26 de 2013, art. 4º). Isso garante ao parlamentar a defesa de suas teses, mediante o voto, na comissão em que se faz presente como membro titular.

Desde 1º de fevereiro de 2007, caso ocorram mudanças na quantidade de parlamenta-res nas bancadas de partido ou bloco parlamentar em decorrência de desfiliação partidária, as vagas nas comissões permanentes não serão afetadas até que se inicie nova legislatura.

Assim, as mobilidades que ocorrerem em virtude de mudança partidária não terão reper-cussão imediata na quantidade de vagas por partido ou bloco parlamentar. Porém, nos termos do art. 23 do RICD, o deputado que se desvincular de sua bancada perde automa-ticamente o direito à vaga que ocupava em razão dela, ainda que exerça cargo de natureza eletiva. Trata-se de dispositivo que visa valorizar a fidelidade partidária, apenando os re-presentantes que não permaneceram na agremiação pela qual disputou o pleito eleitoral.

Até 31/1/2007, as modificações prevaleciam a partir da sessão legislativa seguinte.

AULA 6 – dAs comissõEs PErmAnEntEs – dA rEPrEsEntAção nUméricA

Art. 27. A representação numérica das bancadas em cada comissão será estabeleci-da com a divisão do número de membros do partido ou bloco parlamentar, aferido na forma do § 4º do art. 8º deste Regimento, pelo quociente resultante da divisão do número de membros da Câmara dos Deputados pelo número de membros da comissão; o inteiro do quociente assim obtido, denominado quociente partidário, representará o número de lugares a que o partido ou bloco parlamentar poderá con-correr na comissão. (Caput do artigo com redação dada pela Resolução nº 34 de 2005, em vigor desde 1/2/2007.)

§ 1º As vagas que sobrarem, uma vez aplicado o critério do caput, serão destinadas aos partidos ou blocos parlamentares, levando-se em conta as frações do quociente partidário, da maior para a menor.

§ 2º Se verificado, após aplicados os critérios do caput e do parágrafo anterior, que há partido ou bloco parlamentar sem lugares suficientes nas comissões para a sua bancada, ou deputado sem legenda partidária, observar-se-á o seguinte:

No documento Curso de Regimento Interno (páginas 170-200)

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