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5.5 ANÁLISE DA COLETA DE DADOS

5.5.11 Data da obra e distância da margem do rio da Madre

Na tabela abaixo será analisado, conjuntamente, a data de obra e a distância da margem do rio da Madre até a moradia. Para melhor visualização, olhar Anexo B.

Tabela 1 – Data da obra e distância do Rio da Madre

Data da obra

Distância do rio Antes de 1965 1965 até 2011 Após 2012 Não sabem / não informado 5 metros - 6 - 3 5 – 10 metros - 10 1 2 10 – 30 metros - 8 2 8 30 – 50 metros 1 6 - 2 + de 50 metros - 1 - - Não sabem 1 3 - - Não informado 2 - - 4

Fonte: Elaboração da autora, 2018.

2 8 8 3 3 3 5 1 27 0 5 10 15 20 25 30

Considerando que a pesquisa não traz a distância de 15 metros (conforme Anexo A), utilizaremos a distância de até 10 metros.

Dessa forma, estabelecemos como base a largura de 30 metros, pois o rio pode variar de largura de acordo com o percurso.

Assim, de acordo com o Código Florestal de 1965 (que considera a metade da largura do rio, no caso 15 metros) e a Lei de Parcelamento do Solo Urbano aplicado a partir de 1979 até 2011 (com também 15 metros), 26,66% das residências estariam irregulares.

Já de acordo com o atual com o atual Código Florestal (que traz a distância de 50 metros para os cursos d‘água que tenham de 10 a 50 metros de largura), 5% das residências estariam irregulares.

De acordo com os que não sabem ou não informaram a data da obra, 8,33% estariam irregulares de acordo com o Código Florestal de 1965 e 25% estariam irregulares de acordo com o atual Código Florestal.

Para que a construção (casa) esteja regular, ela deve obedecer a legislação vigente à época da obra. Se após a construção a legislação mudar, ela não estará irregular, mas deverá se adequar as exigências da atual legislação.

Podemos observar (Anexo C) que muitas moradias não possuem limite de terreno, sendo que o limite é o próprio rio. No local foi observado que alguns moradores utilizam barreiras de pneus para tentar contenção da erosão do solo. Nessa área não deveria haver edificações e devido à proximidade do rio, algumas áreas da margem do rio estão deslizando, vindo a afetar a estrutura das moradias. (BENEDET, 2016).

Assim, as moradias que foram construídas até 2011 com menos de 15 metros de distância entre a casa e o rio e as que foram construídas após a vigência do atual Código Florestal (2012) com menos de 50 metros entre a casa e o rio, estão irregulares e deverão ser retiradas do local.

Entretanto, as moradias construídas até 2011 com mais de 15 metros de distância do rio, mesmo atendendo às exigências da época, estão dentro da área de preservação permanente, conforme o atual Código Florestal, e devem adequar-se para atender as exigências da atual legislação.

6 CONCLUSÃO

Apesar de terem surgido em momentos históricos diferentes, o direito à moradia, direito de segunda geração, e o direito ao meio ambiente, direito de terceira geração, apresentam-se como direito supranacional em decorrência da evolução da sociedade, tendo como fundamento a dignidade da pessoa humana.

Enquanto o direito ao meio ambiente foi positivado na Constituição Federal de 1988 no artigo 225, o direito à moradia foi incluído no art. 6ª da Constituição Federal como direito social em 2000, através da EC/26.

No caso de conflito entre direitos fundamentais, podemos definir o presente trabalho como uma colisão em sentido amplo, segundo a teoria de Robert Alexy, pois colidem direitos individuais fundamentais com bens coletivos constitucionalmente protegidos.

Diante da inexistência de um direito fundamental absoluto, havendo conflito entre eles, serão solucionados no caso concreto. No caso do conflito entre o direito ao meio ambiente e o direito à moradia, há a prevalência do primeiro sobre o segundo na jurisprudência brasileira, por se tratar de um direito de interesse público que atinge a coletividade e por isso prevalece sobre o direito do particular.

De acordo com os dados coletados, as moradias construídas entre 1965 e 2011, com distância inferior a 15 metros da margem do rio e as moradias construídas após o Código Florestal de 2012, numa distância inferior a 50 metros da margem do rio, estão irregulares.

Sendo assim, essas moradias irregulares deverão ser retiradas do local e o poder público deverá providenciar outra moradia adequada para as famílias desalojadas, mesmo em caráter provisório.

As casas construídas antes de 2011 com distância superior a 15 metros em relação ao rio permanecem no local, mas devem adequar-se para atender as exigências de proteção ao meio ambiente, pois se encontram em PP‘s de acordo com o atual Código Florestal.

Dentro dessas exigências, o esgoto sanitário é a mais urgente e deverá ser instalado no local, pois 28% das moradias despejam o esgoto à céu aberto e provavelmente no rio.

São estas, pois, as sugestões que se entendem como mais práticas e até necessárias para a solução do conflito ente o direito à moradia e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, no caso das habitações construídas em áreas de preservação permanente, com observância ao princípio da dignidade da pessoa humana.

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