1.4 DDGS na alimentação dos suínos
1.4.1 DDGS de milho
al., 2017) foram conduzidos durante os últimos anos para avaliar a composição química de nutrientes, digestibilidade, valor alimentar e propriedades associadas ao DDGS.
Fatores limitantes na utilização do DDGS na alimentação de aves e suínos é a variação na composição nutricional entre as fontes (Fastinger & Mahan, 2006; Stein et al., 2007;
Whitney et al., 2006), baixas concentrações de lisina e tripsina (Spiehs et al., 2002), elevada temperatura durante a secagem pode facilmente interferir na disponibilidade de aminoácidos por causar Reações de Maillard, onde há complexação entre aminoácidos e carboidratos (Pedersen et al., 2007) e a alta composição de fibras pode afetar o consumo e, consequentemente, o ganho de peso (Stuani et al., 2016). Portanto, tem sido recomendado analisar a composição do DDGS antes de seu fornecimento na alimentação animal, no qual a qualidade do DDGS depende da seleção de culturas, fermentação, temperatura e duração de secagem (Spiehs et al., 2002).
A composição do DDGS é de grande importância para a utilização desse ingrediente na alimentação animal. Porém como grande parte do cereal destinado a produção de etanol é transformado em álcool, a composição do mesmo é variada. A inconstância da caracterização química do DDGS pode ser considerada como limitação, tendo em vista a imprecisão que esta pode causar na formulação das dietas e nas respostas zootécnicas como consequência do imbalanço nutricional (Stuani et al., 2016). A variação na composição mineral dos DDGS pode ser influenciada pela cultivar, produção, características do solo onde o grão foi cultivado (Godoy et al., 2009) e fontes de adubação.
O DDGS apresenta composição química intermediária ao milho e farelo de soja, mas com maiores teores de fibra bruta, FDA, FDN, extrato etéreo, fósforo, energia metabolizável e tirosina (Stuani et al. 2016). De acordo com Urriola et al. (2010), que avaliaram diferentes fontes de DDGS para suínos em crescimento, a digestibilidade aparente ileal de aminoácido e a digestibilidade aparente total de fibras pode contribuir para as diferenças na digestibilidade da energia em DDGS.
A possivel diminuição do desempenho dos suinos com a inclusão de níveis elevados de DDGS na dieta terá que ser compensado por uma redução no custo da dieta. Portanto, o nível de inclusão precisa ser avaliado com base na relação custo/beneficio.
1.4.1 DDGS de milho
De acordo com Stein & Shurson (2009), as concentrações de fósforo variam de 0,60 a 0,70% e a concentração de extrato etéreo é de 10 a 14%. O amido presente no DDGS é baixo, isto é, entre 3 e 11% porque a maior parte da fração do amido é fermentado, enquanto outros componentes, como a fibra bruta aumenta a concentração. A digestibilidade aparente total da fibra dietética é inferior a 50%, o que resulta em valores de digestibilidade reduzidas para
A EM dos grãos secos destilados com soluvel associado ao método de determinação, obteve 3.668 e 3.213 kcal kg-1 pelo método de coleta total e técnica de marcador de óxido de cromo, respectivamente (Corassa et al., 2017). Em sua abordagem analítica, Stuani et al. 3.703 e 3.426 kcal/kg de MS, respectivamente, e para DDGS de sorgo determinados valores de 5.108, 3.878, 3,549 kcal/kg de MS para DDGS de sorgo. Maiores concentrações de AA nos DDGS de alto valor proteico, no qual a digestibilidade de aminoácidos foi maior em DDGS de milho e menor em DDGS de sorgo. O conteúdo de P em DDGS de milho foi menor que o tradicional DDGS de milho.
As concentrações da maioria de aminoácidos no DDGS são aproximadamente três vezes maiores do que aqueles no milho, ao compilar resultados de 39 fontes de DDGS de
milho, uma de sorgo e duas de trigo, obtiveram variação na digestibilidade de aminoácidos entre diferentes amostras (Stein & Shurson, 2009).
As variações dentro das amostras de DDGS sugerem uma modificação nas estratégias de processamento Belyea et al. (2004), trabalharam com amostras de milho e DDGS, analisando proteína, extrato etéreo, amido e outros nutrientes. As concentrações de proteína bruta, fibra bruta e amido foram semelhantes entre as amostras de milho, porém menores quando comparados ao DDGS. Observaram correlações significativas entre as concentrações dos nutrientes no milho e no DDGS.
O milho é considerado um ingrediente com baixo valor proteico (pobre em lisina e balanço de aminoácidos). Da mesma forma, os DDGS apresentam proteína de baixa qualidade para suínos devido ao seu baixo conteúdo de lisina em relação ao seu teor de proteína bruta.
Depois da lisina, a treonina é o segundo aminoácido limitante, seguido do triptofano. Estes aminoácidos devem ser atentamente observados durante a formulação de rações para suínos quando se utiliza mais de 10% de DDGS na dieta. A digestibilidade de aminoácidos também pode variar entre as diferentes fontes de DDGS (Shurson et al., 2008).
A maioria dos aminoácidos do DDGS analisados apresentou digestibilidade aproximadamente de dez unidades percentuais menores que o milho, o que pode ser resultado da maior concentração de fibra alimentar. Isso porque a maior parte do amido no grão é convertido em etanol durante o processo de fermentação e apenas uma pequena quantidade está presente no DDGS (Belyea et al., 2004).
Há correlação entre a intensidade de cor do DDGS e a digestibilidade de aminoácidos, onde as amostras mais claras apresentam maior digestibilidade de aminoácidos que as amostras mais escuras. Isso porque os DDGS durante o processo de secagem podem passar por aquecimento excessivo levando a perdas do digestibilidade de aminoácidos e degradação de proteínas (Urriola et al., 2009).
No experimento de Adeola & Ragland (2016), avaliaram a digestibilidade dos aminoácidos dos grãos secos destilados (DDG), grãos secos destilados com solúveis (DDGS), grãos de alta proteina secos destilados (HP-DDG) e grãos de alta proteína secos destilados com solúveis (HP-DDGS) para suínos na fase de crescimento. Foram utilizadas cinco dietas, onde quatro continham os ingredientes citados e a dieta controle livre de nitrogênio. Como resultado a digestibilidade foi geralmente maior em HP-DDG do que comparados a outros co-podutos do processamento de moagem de milho para fabricação do etanol.
O conteúdo de fibras dietéticas presentes no DDGS podem ter efeitos diretos na fisiologia digestiva do animal, por interagir com a microbiota intestinal (Bindelle et al., 2008), aumentar a taxa de passagem do alimento e comprometem a digestibilidade do mesmo.
A maior concentração de fibra alimentar no DDGS, em comparação com milho e farelo de soja, pode ser uma das principais razões para a diminuição da digestibilidade da energia do DDGS em comparação com o milho (Urriola et al., 2010). A eficiência da utilização de energia em ingredientes para rações fibrosas como DDGS para suínos é afetada pela digestibilidade de fibra bruta e a produção de ácidos graxos voláteis. A fibra alimentar diminui absorção de N e aminoácidos pelo organismo resultando numa maior excreção fecal de N (Spiehs et al. (2002); Yang et al. (2010)).
De acordo com Nyachotti et al. (2005), em geral, o DDGS de milho possui concentração maior de proteína bruta (PB), extrato etéreo (EE) e fibra em detergente neutro (FDN) que o próprio grão utilizado. Essa maior concentração é devido a maior parte do amido presente no grão ser convertido em álcool e dióxido de carbono durante a fermentação, elevando a concentração dos outros componentes.