• Nenhum resultado encontrado

de acordo com PFISTER (2003), nos Estados Unidos

CAPÍTULO 2 REVISÃO DA LITERATURA

E, de acordo com PFISTER (2003), nos Estados Unidos

“não existe uma federação coordenadora e os principais provedores dos esporte não são os clubes (...) as atividades físicas e os esportes são organizados dentro do sistema educacional (escola, universidade), além disso, algumas instituições comerciais oferecem atividades físicas, principalmente fitness. Separadamente, há o esporte profissional, com suas próprias organizações e ligas.” PFISTER (2003)

A China, país sede das Olimpíadas de 2008, também serve de exemplo, pois estabeleceu um sistema administrativo centralizado para a cultura física e o esporte em 1952. Nos últimos anos, o desenvolvimento das mais variadas modalidades esportivas no país, resultaram no grande crescimento do número de medalhas nos Jogos Olímpicos, e também pela sua primeira participação em Copas do Mundo de Futebol em 2002, no Japão e na Coréia do Sul. Esses resultados são considerados não apenas os reflexos da habilidade atlética e do nível de aptidão física, mas também de medidas pelas quais as políticas públicas do país estão legitimadas (BAKER, PAN, CAO, & LIN, 2003).

Nos últimos cinquenta anos, o esporte passou a ser pensado e organizado de forma progressivamente centralizada pelos governos, atendendo a objetivos estratégicos políticos e sociais, reconhecendo e incorporando o esporte e a recreação com área distinta de política pública.

PRIETO CARZOLA (2009) fundamenta a necessidade do envolvimento do Estado no esporte, mesmo que mínimo, por se tratar de atividades necessárias aos indivíduos. Para ele o Estado deve se envolver com o esporte, primeiro por razão de saúde pública no sentido profilático e terapêutico, utilizando o esporte para o combate ao sedentarismo, stress e outras mazelas da sociedade moderna. O que leva ao segundo motivo, pois, ao reconhecer a importância que o lazer e o entretenimento representam para as sociedades modernas, o Estado deve ampliar o acesso da participação popular. Terceira razão: pela necessidade de estruturar e regular o esporte profissional, dado o efeito que as competições nacionais e internacionais trazem sobre o prestígio e orgulho nacional, dentro e fora do país.

Em Cuba, o amor pelo esporte inicia nas escolas. Na grade curricular existe o ensino da história esportiva do país e da região onde a escola se situa, deixando claro

34

que o esporte é utilizado também para ampliação da cultura geral dos alunos (SILVA, GONZÁLEZ & LOPES, 2013). Além disso, o esporte é considerado uma fonte de empregos e uma área intrinsecamente ligada á saúde. Os projetos e propostas são elaborados e financiados pelo governo, ou seja, a estrutura do esporte cubano é totalmente estatal. Até os clubes foram transformados em centros estatais de prática esportiva. Há pouco passaram a ser aceitos incentivos de recursos privados, mas o pleno controle das funções do esporte continua do governo (ALVES & PIERANTI, 2007).

Em Cuba quando se fala em resultados, não significa, necessariamente resultados em competição e sim, o número de atletas que o profissional consegue formar com qualidade.

Na Austrália, um país economicamente independente, existe uma mistura de instituições e iniciativas governamentais com organizações não governamentais à frente do sistema esportivo. Os clubes são os mais importantes incentivadores do esporte e, uma grande parte da população australiana é associada a um clube esportivo.

De acordo com BOUDENS (2000), para os países europeus, assim como no Brasil e na Austrália, a organização do desporto através de clubes confunde-se com a história da gestão esportiva.

Assim como em outros países da Europa, na Alemanha o esporte está baseado nos clubes. As organizações esportivas são autônomas, mas apoiadas pelos governos federais ou regionais através de subsídios, ou seja, o Estado fornece recurso financeiro adicional para certas atividades, como o esporte de elite, se os recursos financeiros das organizações esportivas não forem suficientes (PFISTER, 2003).

Quanto a Portugal, ROCHE (2002) descreve que seu sistema desportivo é composto pelos órgãos ligados ao estado; pelo associativismo desportivo, englobando federações, associações e clubes; pelo desporto escolar e militar e pelo setor privado. Diferente do que ocorre na Espanha, onde o autor classifica as organizações esportivas em quatro grandes grupos – organizações desportivas públicas, as privadas sem fins lucrativos, as empresas de serviços esportivos e as sociedades anônimas desportivas.

Também sobre o esporte mundial e mais especificamente o esporte na Europa, cabe aqui destacar a iniciativa desenvolvida pela European Capitals & Cities of Sport Federation, (Federação das Capitais e Cidades Europeias do Esporte, ACES Europe), em Bruxelas (Bélgica), que realiza todos os anos uma premiação que estimula as cidades à prática esportiva e a atividade física para todos através do compromisso e

35

apoio ativo dos principais atores municipais responsáveis. Na Europa, já foram escolhidas 18 capitais do esporte desde o começo da iniciativa. Durante o processo de candidatura e avaliação alguns critérios são considerados: índices de participação, acesso e qualidade da infraestrutura e desempenho e realizações. Como o prêmio não é financeiro, mas o reconhecimento e o título de European Capital of Sport, a vontade e o processo das cidades estimularem a prática esportiva e se tornarem mais ativas são muito mais significativos para todos os cidadãos que se envolvem nesta iniciativa. Os princípios do ACES Europe são a integração social, qualidade de vida, saúde, bem estar e cidadania.

2.2 O ESPORTE E SUAS DIMENSÕES SOCIAIS

O esporte é um fenômeno tipicamente moderno, que tem sua configuração articulada com todas as outras dimensões sociais, culturais, econômicas, políticas, etc. Uma das suas dimensões sociais mais valorizadas é a educação.

As práticas esportivas fazem parte do patrimônio cultural de um povo, plenamente articuladas com uma cultura específica e sendo importantes ferramentas na construção de identidades nacionais.

Hoje em dia, o esporte deixou de perspectivar-se apenas no rendimento e conseguiu incorporar sentidos educativos e do bem estar social (TUBINO, 2007). Segundo o autor, só é possível entender a razão principal do esporte quando a prática esportiva puder chegar a um maior número de pessoas.

O esporte pode apresentar-se de três diferentes dimensões sociais, assim como Thomas Arnold sugeriu no início de seu desenvolvimento na época moderna: esporte educação, que busca integração social, desenvolvimento psicomotor e atividades físicas educativas; esporte participação, que tem relação íntima com o lazer e o tempo livre; esporte performance, que influencia no esporte popular através do fenômeno do efeito imitação.

Essa proposta serviu de base para a formulação da Política Nacional de Esporte, (BRASIL, 1998) e encontra eco em BRACHT (1999) quando afirma que o esporte é um fenômeno polissêmico. Ou então em outros autores:

"A visão do esporte como um fenômeno social plural, que abrange várias manifestações em que o

36

movimento humano está presente com objetivos diversos, rompe com a visão singular do esporte como uma manifestação fechada e restrita a espaços especializados e a pessoas particularmente dotadas para performances especiais. Amplia-se não apenas a visão de esporte, como também surgem vários “esportes”, conceitos e visões – fruto do domínio tecnológico, da atividade profissional, do comércio e negócio, do artigo de consumo, da indústria de entretenimento, do empreendimento de saúde, da educação". (ALVES; PIERANTI, 2007)

A perspectiva social do esporte é caracterizada pela complexidade, dependendo o seu desenvolvimento do domínio do conhecimento de diferentes áreas, como, entre outras, da antropologia, psicologia, filosofia, sociologia.

Como já citado, na obra "Dimensões sociais no esporte", TUBINO (op. cit.) classifica:

Esporte educação - A primeira dimensão social, e é o esporte ensinado nas escolas com pouca preocupação com resultados. Ele visa apenas a educar a criança e o jovem, e por isso, está diretamente ligado à cidadania. Este conceito ainda apresenta duas subdivisões: o esporte escolar e o esporte lazer.

Esporte participação - A segunda dimensão está inteiramente ligada a uma das subdivisões do esporte educação. Está voltado ao lazer, ao bem estar, à diversão, ao tempo livre e aos jogos que não enfatizem apenas os resultados.

O autor também afirma que essa é a dimensão de esporte que mais se aproxima da democracia:

"Pode-se até concluir preliminarmente, que os programas de esporte popular mais efetivos são aqueles nascidos nos grupos ou comunidades, e onde os protagonistas voluntariamente tornam-se os idealizadores, os agentes organizadores e os participantes das práticas criadas" (TUBINO, 2007).

Esporte performance - A última dimensão é a mais comum e considerada atualmente. Esse é o tipo de esporte ligado às grandes competições, à busca de recordes e de resultados cada vez melhores.

37

O autor considera essa dimensão como institucionalizada, ao qual são englobadas as federações, as confederações e que são altamente ligadas aos atletas de nível profissional e aos talentos esportivos:

“Há uma tendência natural para que seja praticado principalmente pelos chamados talentos esportivos, o que impede de ser considerado uma manifestação comprometida com os preceitos democráticos” (TUBINO, 2007).

Os projetos sociais estão inseridos na dimensão do esporte participação.