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Logo após a chegada da família na capital de Goiás, enquanto Francisco trabalha na construção civil, Helena e os filhos permanecem em uma precária casa situada em um bairro periférico da cidade. Para potencializar o sofrimento da família a narrativa cinematográfica nos mostra uma das filhas que havia ido à “venda” não trazer os alimentos para casa, pois o proprietário não lhes vende mais fiado, o clima é de forte chuva, e nas tomadas imediatamente anteriores descobrimos que um dos filhos da família – Wellington – foi acometido por paralisia infantil e dificilmente andará, some- se isto as crianças menores dizendo à mãe estarem

com fome e Helena nada tem para lhes dar. Dessa maneira, a narrativa parece preparar o espectador para o que vem a seguir, justificando e explicando a atitude dos garotos. É Mirosmar – o futuro Zezé di Camargo – que após ver o choro contido da mãe, tem uma idéia para conseguir algum dinheiro e ajudar no sustento da família. O garoto chama

Emival, e juntos, sob a forte chuva, mal conseguindo carregar seus instrumentos musicais – um violão e um acordeon - dirigem-se para a Rodoviária. Neste momento a tomada cinematográfica é construída tendo a câmera rente ao chão, mostrando os garotos lentamente se aproximarem desenhando com isso uma imagem de altivos e destemidos, transmite também a idéia de serem “esforçados”, “trabalhadores”, além de engenhosos e cientes da situação de miséria que se encontram. Momentos antes, quando a família pela primeira vez desembarcou na cidade grande, vimos várias duplas

cantando na estação e recebendo como paga alguns trocados. É com essa esperança que Mirosmar e Emival – ou Camargo e Camarguinho – como queria Francisco, começam a cantar, e voltam para casa levando algum dinheiro. O trabalho infantil é tratado pela narrativa como um dos muitos esforços dos aspirantes a cantores, pois, parece assumir a lógica burguesa, que propaga a idéia de que aquele que trabalha duro, “vence na vida”, e desde a mais tenra idade deve-se ensinar isto aos filhos. Este discurso subjaz toda a narrativa cinematográfica.

É na tumultuada rodoviária de Goiânia que Miranda, “um empresário exatamente de dupla caipira”, como se define o próprio personagem, “descobre” a dupla infantil que se apresentava diariamente naquele terminal em busca dos trocados que ajudava a sobrevivência dos Camargo. Note-se que neste filme, ao contrário daquilo que acontece em Estrada da Vida e Sonhei com Você a identidade de dupla caipira, não é negada, porém tampouco os garotos se definem como “caipiras”, como faz o boiadeiro Diogo em O Menino da Porteira, ao contrário, neste primeiro momento, os personagens aceitam ser chamados de “dupla caipira” e tentam tirar proveito desta identificação. Ali na estação cantam “No dia em que saí de casa” (Joel Marques), música que por várias vezes se faz presente na obra, e parece recriar o mesmo tom de discurso presente na narrativa filmíca. Vale observamos esta canção:

No dia em que eu saí de casa minha mãe me disse: Filho vem cá! Passou a mão em meus cabelos, olhou em meus olhos

Começou falar

Por onde você for eu sigo, com meu pensamento, sempre onde estiver Em minhas orações eu vou pedir a Deus que ilumine os passos seus... Eu sei que ela nunca compreendeu

Os meus motivos de sair de lá Mas ela sabe que depois que cresce O filho vira passarinho e quer voar... Eu bem queria continuar ali

Mas o destino quis me contrariar E o olhar de minha mãe na porta Eu deixei chorando a me abençoar...

A minha mãe naquele dia me falou do mundo como ele é Parece que ela conhecia cada pedra que eu iria por o pé

E sempre ao lado do meu pai da pequena cidade ela jamais saiu Ela me disse assim:

Meu filho vá com Deus que este mundo inteiro é seu...

(Composição: Joel Marques)

A canção versa sobre as durezas encontradas no “mundo” por aquele que canta, já prenunciadas - segundo a própria canção - pela mãe do cantador, que apesar de não

entender seus motivos, aceita a partida do filho e o incentiva a “ganhar o mundo”, “ser alguém na vida”. É com esse olhar, já distanciado, de quem já “ganhou a vida” – tal como faz o filme -, que agora pode olhar para trás e rever os duros momentos por qual passou e os conselhos maternos recebidos no passado, afinal, segundo a perspectiva da canção, o “mundo inteiro” parece ter sido “conquistado” por aquele que canta. Ao contrário das outras obras filmícas que trabalhamos nesta pesquisa, esta canção não nomeia a película, porém, parece sintetizar e coroar o tom de discurso presente na obra, seja por que ela vem a tona em momentos de tensão do filme – fixando-se sobremaneira junto ao espectador -, ou ainda, como dissemos reproduzir o tom de discurso criado por meio das imagens vistas na grande tela. Lembremos que a narrativa filmíca é construída à partir dos fios da memória do personagem Zezé, já rico e famoso, que relembra de como era a sua vida antes de “ganhar o mundo” e de todas as pedras que teria colocado nos pés até a conquista do sucesso.

Em um acerto firmado com Francisco, e após o consentimento, ainda que duvidoso de Helena, em estar agindo corretamente, Miranda leva a dupla – Camargo e Camarguinho – para excursionarem por todo o estado, em busca de fama, sucesso e dinheiro. Neste momento, vemos os garotos entoando trechos de canções conhecidíssimas do repertório musical caipira, como por exemplo, “Tristeza do Jeca”, “Menino da Porteira”, “Rio de Lágrimas”, canções que tomaram conhecimento através do antigo rádio de Francisco, quando ainda moravam no Sítio Novo, fazendo neste momento da película semelhante interpretação destas canções e das duplas que consideravam famosas. A platéia dos garotos, neste primeiro momento é formada por clientes de um restaurante à beira da estrada, ouvintes das pequenas estações de rádio locais, ou ainda, freqüentadores de pequenas festas - e como sugere a narrativa filmíca neste momento, é o “povão” - como já anunciou vinte anos antes Estrada da Vida – que gosta de ouvi-los parecendo indicar dessa maneira um futuro promissor à dupla. Neste primeiro momento em que Miranda entra na vida dos meninos, estes conhecerão o trabalho duro, a exploração e também alguma fartura que, por obra da malandragem de Miranda acaba sendo mais do próprio empresário que da família Camargo. Miranda, com suas camisas coloridas, suas correntes de ouro e seus óculos escuros, não difere muito de Malaquias, o empresário “trambiqueiro” presente nos filmes protagonizados por Milionário e José Rico.

De uma apresentação a outra Miranda rompe o trato feito com Francisco e Helena ao não mantê-los informados sobre o paradeiro dos filhos e tampouco retornar

Ilustração 3 – “Deby e

Dieberson”

semanalmente a casa dos Camargo, conforme havia combinado. Helena, muitíssimo preocupada impulsiona Francisco a procurá-los por toda a região, busca que se mostra inócua. Quando Miranda retorna a Goiânia Francisco não aceita mais que seus filhos viagem com o “empresário”, pois este havia se mostrado um “homem sem palavra”. Sem qualquer dinheiro, Mirosmar e Emival permanecem na casa dos pais, enquanto Miranda, agora com um carro novo – indicando o pequeno enriquecimento do empresário - parte. É Francisco que a partir de então tentará ser o “empresário” dos filhos, levando-os para concursos em rádios, sem sequer conseguir fazer que eles participem. Em um desses concursos novamente encontra Miranda, agora agenciando um outro garoto e dono de uma pequena agência de cantores. O sonho de Francisco volta com mais força neste momento, e depois de longa conversa com Helena, permitem que os filhos partam novamente com o empresário, que agora neste segundo momento, trata melhor os garotos que passam a gostar do personagem e também do trabalho que exercem. Miranda mostra-se arrependido, assume que errou ao não “avisar a mãe saudosa” sobre o paradeiro dos garotos, como diz o personagem, se redime frente aos pais dos meninos, pois afirma que cantores como “Camargo e Camarguinho” não existem, e rebatiza da dupla, que se apresentarão agora sob os nomes “Deby e Dieberson”, talvez - ainda que à revelia da própria narrativa – dando pistas que as antigas duplas caipiras perdiam espaço para as duplas sertanejas e que a indústria fonográfica agora apostava em duplas mais “modernas”, que lembravam os cantores de country music norte-americanos. Fazem mais sucesso agora do que nas viagens anteriores, divertem-se em parques de diversões, cantam para uma platéia de um rodeio, etc. e juntamente com Miranda experimentam um pouco de fartura.

Quando acreditamos que a dupla iniciará a tão desejada carreira, uma reviravolta na trama desvia os rumos da narrativa e acentua o tom melodramático que perpassa toda obra. Este pequeno momento de “fartura” – somente da dupla, não da família toda – é interrompido quando um acidente de trânsito termina com a morte de Emival, o Camarguinho, e recentemente rebatizado “Dieberson”. Ao som da canção “Calix Bento”, interpretada por Ney Matogrosso, vemos Miranda levar Mirosmar à casa dos pais e quando o garoto questiona sobre o paradeiro do irmão, Francisco, num rompante de fúria e dor pela perda do filho, mostra ao garoto o pequeno caixão branco, no porta-

malas do carro em que havia viajado. A canção “Calix Bento” vem a tona com toda a força e nos conduz à um dos momentos mais dramáticos do filme: Helena abraçada ao filho Mirosmar e a Francisco, choram copiosamente frente ao pequeno caixão branco.

Com a dupla desfeita, Mirosmar, então Camargo, pensa em parar de cantar pretendendo trabalhar com o pai, como percebemos em uma tomada que o garoto acompanha Francisco em um dia de trabalho na construção civil. Desta maneira novamente entra em cena o fato de que, sem outra formação, acabaria tendo de encarar o mesmo trabalho braçal do chefe da família. Para não decepcionar o pai e ter que passar a vida “lavando chão”, para ficarmos nas palavras usadas por Francisco, o menino mais velho, então agora adolescente, forma um novo duo, e seguindo a sugestão de um outro “empresário” que dizia que a dupla deveria ter um nome “fácil” se definem como Zezé e Dudu. Esta nova dupla ganha alguma projeção na capital goiana, mas ainda não conseguem se firmar na carreira de cantor e, portanto, muda-se para São Paulo, já com a mulher Zilú e suas duas filhas, em busca da tão desejada e sonhada oportunidade junto a uma grande gravadora. Zezé consegue gravar um primeiro disco solo, porém sem a divulgação e o marketing feito por uma grande gravadora, não faz sucesso e o disco “encalha” nas prateleiras das lojas. Em São Paulo Zezé vê uma de suas composições fazerem sucesso através dos já famosos Leandro e Leonardo – dupla de cantores conterrâneos e com trajetória semelhante à sua, como já dissemos anteriormente. Numa cena parecida com aquela existente em Estrada da Vida e protagonizada por Milionário e José Rico, Zezé descobre numa loja de discos que sua gravação não vende embora a sua composição projete a outra dupla em escala nacional. Com tônica bastante diversa do filme anterior, aqui esta cena não desperta o riso do espectador, como acontece com Milionário e José Rico, por serem surpreendidos pelo proprietário da loja quando tentam frustradamente esconderem seus discos, nesta narrativa, cria-se a comoção, pois temos acompanhado toda a dura jornada do personagem, e o vemos neste momento próximo a desistência da tão sonhada carreira.

As inúmeras tentativas falidas de tentar ganhar o mercado e firmar-se como cantor já estão quase levando Zezé à desistência quando o irmão mais novo, Welson, muda-se para São Paulo e compõe com ele uma nova parceria. Mesmo sem saber tocar qualquer instrumento e tampouco cantar, Welson – em um primeiro momento - encontra nesta mudança uma escapatória para abandonar a casa dos pais e deixar para trás definitivamente uma antiga namorada. Por várias e rápidas cenas, vemos Welson ensaiar a cantoria e aprender os primeiros acordes em um violão – presente de Francisco

Ilustração 4 – Zezé di Camargo e

Luciano

– para desespero de Zilú e suas duas filhas. Lentamente vemos o rapaz aprender a tocar e cantar em duo com o irmão, que passa a ser visto por este personagem, como um homem forte, talentoso, preocupado com a família, dando a impressão de assumir a mesma luta quixotesca de Francisco. Com isso, Welson parece dar um novo sopro de esperança para a realização do grande sonho de Francisco.

Decidem dar-se os nomes artísticos de Zezé di Camargo e Luciano e, depois de muita insistência, conseguem contrato com uma

gravadora, que cobra da dupla uma música de sucesso a qualquer custo. Zezé, pressionado por esta exigência se exaspera e termina por expulsar algumas clientes da mulher Zilú que sustenta a família vendendo quinquilharias em sua casa. Segundo a ótica assumida pela narrativa, é justamente para reconciliar-se com

Zilú que Zezé compõe a canção “É o amor”, que atenderia as exigências da gravadora, para além de fazer as pazes com a esposa, coroando definitivamente seu “bom mocismo”. Enquanto vemos o personagem preocupado e escrevendo a futura canção que lhe levaria ao sucesso, ouvimos os acordes da própria canção, interpretada por Maria Bethânia. Mas, ainda assim, é a intervenção providencial do incansável Francisco que faria a música tornar-se um sucesso em todo o país, “obrigando” a gravadora a lançar e a promover comercialmente os seus filhos. Com uma cópia em fita cassete do disco produzido, Francisco leva a gravação até uma rádio goiana, troca todo seu salário pelas antigas fichas telefônicas e liga incansavelmente para a rádio pedindo que toquem a música. Distribui fichas aos colegas de trabalho na construção civil e pede que façam o mesmo. Os cantores, neste primeiro momento, não tomam conhecimento de mais este ato de Francisco. O resultado desta empreitada é que durante o jantar de natal, com a família toda reunida ouve o radialista dizer: “E agora, chegando ao primeiro lugar da nossa parada, É o amor, com Zezé di Camargo e Luciano”. A família toda comemora. O sonho de Francisco começa a se realizar.

A música começa a tocar e é entrecortada por cenas mostrando que a partir de então a dupla faria sucesso e realizaria definitivamente o sonho de Francisco. Faz-se um corte e voltamos ao início da narrativa para dar continuidade ao show, mostrado há aproximadamente duas horas ao espectador, onde finalmente a dupla canta na íntegra seu primeiro sucesso, sob a comoção da platéia e também dos espectadores do filme. O narrador cinematográfico faz um novo corte e com isso vemos Zezé di Camargo e

Luciano retornarem ao velho sítio onde viveram quando crianças. De dentro da caminhonete “cabine dupla” de última geração, dizem:

Luciano: É a primeira vez que eu tô vendo de perto o “Sítio Novo” onde começou tudo, onde nasceu você...

Zezé: Na verdade você tá indo na casa que eu nasci, que a mãe foi criada, que lá era o sítio do meu avô. Meu pai na época era chamado, pelos amigos de doido, mais doido era nós!

Com a câmera assumindo a perspectiva dos cantores, vemos novamente a precária casa onde moravam os Camargo em tempos de pobreza. Prossegue Zezé contando sua história a Luciano:

Zezé: Isso aqui é a melhor lembrança que eu tenho da minha vida. Melhor período da minha vida. Tenho guardado na minha memória todos os minutos que vivi aqui neste pedaço de chão! Neste aqui!

Na seqüência, conheceremos finalmente o verdadeiro Francisco e Helena que se apresentará ao espectador, com toda a família Camargo reunida defronte à antiga moradia no suposto Sítio Novo. E, deste modo, o filme acaba assumindo um tom biográfico que fica difícil de ser contestado. Soma-se à isso a sua linearidade narrativa e o depoimento, no final da fita, do próprio

Francisco: “É, foi loucura! Loucura, loucura, loucura! Loucura mesmo! Num tinha um homem que tinha essa coragem de sair assim, arrastando os filhos passando fome! Só eu que era louco! Eu tomei nome de louco demais! Dos parentes, da família, chamava eu de louco! Eu era louco!!”

Mas, pelos espectadores e pela narrativa Francisco está completamente redimido: lá estão seus filhos, famosos, ricos e toda a família em melhores condições junto com eles.

Zezé de Camargo e Luciano terminam o filme cantando. Na cena final, leva-se o espectador uma nova e última emoção. Enquanto os filhos cantam novamente a música “No dia em que eu saí de casa”, Francisco e Helena sobem ao palco obrigando-os a dar uma pausa para conter as lágrimas, levando o público ao delírio. Com esse aumento da carga emotiva temos a sensação que a tarefa de seu Francisco fora cumprida: seus filhos tornaram-se “alguém na vida”.

Ilustração 5 – A verdadeira família

Observando esta narrativa em sua totalidade, observamos que a música entra na vida da família Camargo como única possibilidade de ascensão social. Entretanto, com um olhar mais atento, notamos que o filme ao tomar como trilha sonora musical canções conhecidíssimas do repertório caipira faz um “passeio” pela produção fonográfica sertaneja das últimas décadas, e mostra como ela teria se urbanizado e se contaminado de novas sonoridades, temas e instrumentos musicais. Quando Francisco, Helena e seus filhos - na primeira parte do filme – moravam no Sitio Novo, ouvimos seja por meio do cantar dos personagens, pelos programas radiofônicos que ouviam, ou pela inserção das canções em determinadas cenas, as tradicionais músicas caipiras, interpretadas pelas antigas duplas. Já na segunda parte da película – quando se tornam moradores e proletários urbanos – essas canções perdem espaço e são “substituídas” pelas novas músicas sertanejas, ou quando ouvimos algumas das antigas composições, estas são interpretadas por cantores associados a produção fonográfica conhecida pela sigla MPB (Música Popular Brasileira) reforçando a idéia que o país havia se urbanizado, assim como a produção musical deste estilo que agora era aceito e divulgado por vários outros cantores, inclusive àqueles considerados mais “engajados” e “refinados” em sua produção fonográfica das décadas anteriores.

Além disto, as canções presentes nesta narrativa acentuam a função dramática que envolve a construção e a montagem de muitas cenas. Para ficarmos em alguns exemplos, lembremos do momento em que Francisco, Helena e seus filhos deixam o Sitio Novo rumo a capital goiana. A tristeza de Helena é reforçada pela incidência da música “Poeira” (Luiz Bonan, Serafim Colombo Gomes), interpretada por Pena Branca e Xavantinho. Outro momento que merece destaque é quando vemos o pequeno caixão e descobrimos que Emival havia morrido e somos embalados pela canção “Calix Bento”, na voz de Ney Matogrosso. Ou ainda quando, já nos minutos finais da fita, Zezé vaga pela noite paulistana, após a briga com Zilú, e conforme a narrativa afirma compõe “É o amor” que vem à tona com toda a força na voz de Maria Bethânia.

Percebemos com isto que a música – dentro diegese da obra, em sua construção -– recebe uma funcionalidade dramática, que acaba por acentuar e conduzir a emoção dos espectadores da fita. Este recurso por ser intensamente utilizado durante toda a película acaba por ora prevenir, ora anunciar os futuros acontecimentos, ou ainda como comentarista das situações vistas. Desse modo, a música presente neste filme, converte- se em grande elemento dramático, constituindo-se em um suporte fundamental da narração que vemos na grande tela.

Ilustração 6 – Helena eFrancisco