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10/09/2015

Satisfaz-nos sumamente (e muito nos honra) sermos recebidos nesta egrégia ‘Casa Barão de Melgaço’, nesta solenidade tão relevante, quando as nossas duas Academias estaduais irmãs realizam a primeira Sessão Conjunta da História.

O nosso mister acadêmico/literocultural tem-nos proporcionado algumas fortes emoções, em ocasiões marcantes acontecidas no Mato Grosso do Sul e em outras paragens. E chega-me agora esta inesquecível noite, em que a Academia Mato-Grossense de Letras me acolhe como Membro Correspondente, nesta inédita Sessão, que também empossa a nova Diretoria desta máxima entidade literária do estado.

Nesta ocasião, como não poderia deixar de ser, quero expressar o meu sincero agradecimento, espe- cialmente, aos acadêmicos autores da proposição deste título: Carlos Gomes de Carvalho, José Cidalino Carrara, Benedito Pedro Dorileo, Nilza Queiroz Freire, José Ferreira de Freitas, Pedro Rocha Jucá, Ubiratã Nascentes Alves, Tertuliano Amarilha, e Francisco Leal de Queiroz (este, querido confrade também da nossa ASL), e a todos ilustres imortais que sufragaram o meu nome.

Gratidão especial também àquele que tem sido atualmente elo fecundo deste intercâmbio acadêmico interestadual, o estimado amigo, confrade e colega Eduardo Mahon, que inclusive, na próxima noite de 2 de outubro, estará sendo empossado como Membro Correspondente da nossa Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, em Sessão Solene (em Campo Grande) que também empossará a acadêmica eleita Ileides Muller. Fica aqui, a todos, o convite para esta significativa solenidade.

Quero, neste instante, expressar também a minha gratidão aos queridos companheiros que nos acom- panham nesta Comitiva de Mato Grosso do Sul, confrades acadêmicos, escritores, amigos e amigas, e o secretário estadual de Cultura de MS, Athayde Nery.

Distintos presentes,

Com humildade e bom senso, serei sempre ciente da responsabilidade maior que a partir de hoje te- rei sobre os ombros, a de representar (como correspondente) no MS – e até em outras partes do país – a AML. E espero saber cumprir este honroso compromisso com a mesma amplitude e dedicação que venho empreendendo há 13 anos como membro efetivo (e atualmente secretário-geral) da ASL.

Assim, a minha fiel resposta à concessão deste título a mim confiado, que recebo com desvelo, é a renovação do meu compromisso permanente com a literatura e a cultura; a renovação do meu empenho, agora como elo legítimo desta Casa de Dom Aquino Correa, prometendo, outrossim, me aprofundar nos estudos da história e das letras mato-grossenses.

Caros confrades Acadêmicos, senhoras e senhores,

Sabemos que, quando concebeu a primeira Academia, Platão sonhava ver um espaço de discussão, no qual estudiosos abordariam temas por meio de diálogos adornados de sabedoria, defendendo a dignidade das letras e da cultura como um fértil vetor a irradiar luzes na memória do povo.

Já Machado de Assis, no seu discurso de abertura da primeira reunião oficial da ABL, em julho de 1897, recomendou: – “Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas páginas da nossa vida brasileira”.

Volume 3 – Série Discursos Acadêmicos

De certa forma, seguia, assim, o ‘Bruxo do Cosme Velho’, os passos iniciados por Platão, em 367 a.C. Cenários históricos à parte, esta quase centenária Academia Mato-Grossense de Letras e a nossa qua- rentona Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, nesta noite, estão, também de certa forma, exercitando fundamental parcela desses sonhos platônicos e milenares. Mas também estamos dando passo importan- tíssimo no tocante ao efetivo fortalecimento dos desígnios exigidos pelos tempos modernos, que nos im- pulsionam a sairmos do conservadorismo e do isolamento e, assim, estreitarmos os elos e o franco diálogo entre nossos pares e entre os diversos setores da sociedade.

E aqui vale relembrar – é bem verdade – Graça Aranha, exceção moderna daqueles pioneiros, que as- sim asseverou acerca do sentido genérico do espírito acadêmico: – “Há uma necessidade de transformação filosófica, social e artística. É o surto da consciência, que busca o universal além do relativismo científico. A Academia não pode se desviar desse movimento regenerador. A Academia deve se renovar, para não morrer!”

Hoje, ao participarmos desta histórica Sessão Solene Conjunta, deixamos aqui o calor da nossa ‘more- nitude’ e assimilamos um pouco desta contagiante ‘cuiabania’, ao tempo em que fazemos valer uma das finalidades precípuas da nossa entidade literária, ou seja: a busca do congraçamento e a maior aproximação entre os representantes gerais da cultura e outros segmentos.

Enfim, nesta noite, perpetuamos nesta Casa a flama literofraternal da nossa Academia do Sul, que teve como principais idealizadores e fundadores dois membros desta AML, Ulisses de Almeida Serra e José Couto Vieira Pontes.

Senhoras e senhores,

As Academias de Letras – como sabemos – além de serem as legítimas guardiãs do vernáculo, afinadas com os desígnios do idioma, precisam estar atualmente compromissadas com o presente e o futuro do estado e até do país, buscando também, através da palavra e ações, a justiça social, a equidade, a ética e a liberdade. E para isto, obviamente, é necessário que estas Casas de Letras sejam aquecidas por energias vigorosas, produtivas, enaltecendo os aspectos renovadores do pensamento, e engajadas a compromissos sociais e de vanguarda, abertas também para opções de entretenimento de todos.

Temos acompanhado as ações atuais desta Academia Mato-Grossense de Letras. E quão felizes estamos ao constatar nas atuais diretrizes deste sodalício os ditames de modernidade pulsando em intensas e ecléticas atividades, o que tem sido motivo constante de justos aplausos por parte de todos que seguem o dia-a-dia desta instituição, que, assim, denota que uma Academia de Letras não se coaduna com aquela “petrificação decorativa” já censurada também por Bilac, outro intelectual de pensamento bem à frente do seu tempo.

Destarte, finalizando estas considerações, quero deixar aqui patenteado – por meio de um poema de minha autoria – um justo tributo à AML, especialmente ao seu presidente acad. Eduardo Mahon (que hoje encerra sua marcante e inovadora gestão), também à nova presidente acadêmica Marília Beatriz, e a todos os membros desta Casa:

IMORTAL PRELÚDIO PASSARINHO [ou: Quem disse que (n)uma Academia...] Ah, quem disse que uma Academia

é casa sisuda

sem modernidade e sem alegria? Quem disse que lá

só entra Platão [sempre de plantão com fardo e fardão

sem plantel nem plateia] ‒ ah, de quem esta ideia!?... | 192

Revista da Academia Mato-Grossense de Letras – AML

... de que lá só respira

aquele Xenocrates com a sua turma de bem antes de Cristo?

Ah, quem falou isto!?

Quem disse que uma Academia é ‘torre de marfim’

marasmo, enfim, sem sal e sem sol... Clube de formais com odor de formol, árdegos patronos, nádegas de poltronas

na quinta bolorenta, ‘pharmácia’ para as ‘lágrymas’ de um inerte grêmio de quarenta,

‘viveiro de águias’ com charme esquentado em chá ‘re/quintado’ e bolinho de aipim ou casa de aranha

sem graça

sem raça, sem som no jardim? Ah, uma Academia

é Casa de Letras [das mais belas letras) de rito imortal...

Entanto, também é-deve-ser vanguarda e trigo fecundo, compromisso do/com/o novo, morada do povo

renovo além-mundo...

Jamais contrapasso, vento sem moinhos, jamais mero passo que passa |sozinho|, jamais descompassos

m

as sim passarinhos!... Muito Obrigado! 193 |

Parte 3