local. E no tim, dirigiu-se aos outr'os peregrinos"em alemao, ingles, frances, italiano e espanhoJ.
Por concessilo do Padre Santo, Sua Eminencia deu,no fim da missa:
a benryiiopapal ilmultidiio, com in-dulgeneia plenaria.
B~N<;AO DOS DOENTES E ADEUS
Depois do pontifical realizou-se a ben~iio dos doentes, dada pelo Senhor Bispo de Ferentino. Pegou
a umbela 0 Senhor Ministro do Interior.
Depois da consagra~ao do Mun-do ao ImaculaMun-do Cora~ao de Maria, efectuou-se a procissiio do Adeus.
Centenas de milhar de leni;os bran-cos,na despedida a Nossa Senhora que passa na sua imagem, neste lugar que ela santitieou pela sua presenrya, e pouco depois toda a gente come~ou a dispersar.
Na tarde do dia )30Senhor Bispo de Leiria procedcu a ben,ao do sino da Cupela Oriental do Centro Internaeional do Exereito Azul de Nossa Senhora da Fatima.
Com a cruz bizantina, iconcs c nume-rosas bandcirasde paisesonde se enconlra eSlabelecido0ExeuiroAzul,organizou·se uma procissao que saiu da frente do cdi-ficio e n rodeou atl:acapela.
As ora~Ocs. salmos e anlifonas. foram reeitados: parte em latim, parleem eslavo antigo por Mons.Nicolau Bonetzky, ca-pelao e director do Centro: parte em fran-ces, pelo delegado do Exercito Azul em Fran9ll, Rev.P.-Andre Richard,director do jomal «L'Homme Nouvc'au».
osino,que funeiona manual c elcctri-camente,foi oferecido pelo Excrcito Azul frances crccebeu 0nomedeMarie-Frallce.
A assislencia era composta, na maior parte,por franc.:ses, belgas e alemaes.
Presentetambem 0Rev.1'.-Andreas J.
Fulls,dele!;ado nacional doExercito Azul na Alemanha.
No final,0Senhor D.Joao Percira Yc-n1mcio deu a bCn,ao episcopill.
oprimeiroaclo olicial da peregrina,ao depois de0coro dosseminaristas doVerbo nacional de Maio ao Santuario da Cova Divino eantar0<<veni,CrcalOr SpiriluS».
dalria foi a inaugura,ao das capelas da Os peregrinos hungaros exceutaram' can-via-sacra e de Santo Estevao, no Cabc>o, ticos na sua propria lingua.
tudo denominado «Calvario Hllngaro do A'via-sacra continuou pelos caminhos Cardcal Mindsi,enty». da serra, com, para gens em todas as As 7 horas damanha do dia 12 saiu capelas. Falaram em portugues, 0 Se-uma procisSiio de penilenoia de junto da nhor D. Joao e 0 Senhor P.· Tomas Capela dasApari,Ocs,com cerca de dois Videira, dominicano. Sacerdolcs dos di-mil peregrinos. 0 Senhor Bispo de Leiria, ferentes paiscsaprcsentaram algunslemas a presidir, acompanbado do Rev. Sr. em alcmao, hungaro, frances,ingles,. cs-Conego Jose Galamba de Oliveira e al- panholeitaliano.
guns sacerdoles de varias congrega,Ocs,- Nos Valinhos alguns peregrinos re-scminaristas c servitas. Entre os tn:- zaram uma «Ave Maria»em linguarussa zentos eSlrangeiros, uma centena de e todos pela 19reja do Silencio. ' bungaros refugiados em varios paisesda Cere.1 <!as IIhoraschegoua:procissao Europa e da America, agrupados ilroda ao alto do Cabe~o, ondc sc encontra a da bandeira nacional <!a lIungria. No capeladedicada a 51.°Estcvao,padrocil'O caminho rezou-se0ter,o. daHungr;a. Aguardavam csla procissao Ao c11egararOlundaoriental, junto do os Srs. Govemador Civil de Santarem, caminho que os paslorinhosseguiam com Presidente da camara deVila Nova de os seus rebanhos, encontra·seaprimeira Ourem,eseultor· >S0ares Branco emuitos esla,ao da via·sacra e fez-se a primeira peregrinos.
paragcm. A capelinba estava oroamen- 0 Scnhor P.- Luis Kondor voltou a tada com coroas de verdura e flores, falar aos peregrinos, em portugues, ale-atadas com la,os das cores da bandeira mao e hungaro.
hUngara. '0 SCnhor Bispo de Leiria, revcslido
o Rev. Sr. P.- Kondor, do Verbo de milra ebaculo, benzcua capela en-Divino, membro da comissao da cons- quanto 0 eoro cantava a ladainha de tru,ao do «calvario hllngaro», proferiu todos os Santos. Em seguida Sua Ex.·
uma pnilica "m ponugues, hungaro e Rev.macelebrou a santa missano terra,o alemao em querceordou os sofrimenlos que encima a capela efez uma homilia.
dos cristaos perseguidos na sua fe, p~r- traduzida para as Iinguas hlingara e sonificadosneste calvario. alema. Na altura pr6pria recebcram a Sua Ex.aRcv.ma0Senhor D. Joilo Pe- sagrada comunhao algumas cenlenas de reira Vcnancio benzcu 81ltiiO a capela pessoas.
ANEXO 25º
queeraprecisamente domesmo Soares Branco. E assim se fez,urn pouco arevelia doproprio
SoaresBranco. 0 que e certo e que0presente crucifixo da basilica edele, embora sejauma copiado de Luanda.
2) Estatua de Pio XII da fPrac;.adomesmo nome no Santuario de Fatima.
3)Nossa Senhora de Fatima, chamada "Caminheira". Esta estatua, de marmore branco de Estremoz, foiexecutada por Jose Raimundo, de PeroPinheiro, eesteve prevista para ser colocada por detnis doaltar-mor dabasilica do Santuario, para poder ser elevada por urn dispositivo mecanico adequado. Noentanto, esse projecto naofoi levadoapratica ea imagem esteve 16anos guardada em Pero Pinheiro. Aofim desses anos, foi colocada, entao,junto da entrada doSantuario, numa bolsaentre0CentroPastoral e a entrada doSantuario.
Aquando da construc;.aodoCentro Pastoral, a estatua foicolocada no espac;.oarrelvado, em frente do mesmo Centro.
7) Calvario Hungaro. Perguntei-lhe se0modelo deNossa Senhora, desse grupo escultorico, era asua esposa. Hesitou, por uns momentos, masdepois confirmou.
9)Imagem deNossa Senhora acores (imitac;.aode Nossa Senhora do Perpetuo Socorro) e sacrano da Capela doHotel Pax. 0 sacrario e como queuma replica da propria forma da capela.
12)Vma imagem de Nossa Senhora de Fatima eos pastorinhos em gesso, numa igreja
1>i~ deBloomfontein, na Africa do SuI.
~~~;"
ANEXO 25º
Av. Frei Miguel Contreiras, 56 - 9°DtO 1700- LISBOA
Tel. 21 8495601
DOMINGOS SOARES BRANCO ESCULTOR
PROF.ESCOLA SUPERIOR DE BELAS·ARTES DE USBOA RESID~NCtA:
Av.FreiMiguel Contreiros,56.9.° Dlo.
Telef.:849 56 01 1700Lisboo
Palacio dos Corucheus Rua Alberto de Oliveira, 48
1700- LISBOA
Tel. e Fax:21 796 68 83
ATELIER N.· 1
Palaciodos Corucheus Ruo Alberto de Oliveira,48
Telef.e Fox:796 68 83 1700Lisboo
Oficina-Museu Soares Branco Oficina-Escola Quintada Raposa
OI"lCINA· MUSEU SOARESBRANCO OficinoEscoloQuint~do Ropma
19.cCoronelBritoGorjoo 2640 Mafro Telef.:061·S12595
Horario:J."06."dos 09.30 os12.30h.
14.006s17.00 h.
Largo Coronel Brito Gorjao
2640- MAFRA
Tel.: 261 81 2595
Horario: 3a a 6a das 09.30 as 12.30h 14.00 as 17.00h
Encontrei-me com0Mestre Domingos Soares Branco, escultor, na Se de Leiria, aquando de mais urn dia de trabalho da inventaria~ao do patrimonio cultural e artfstico da Diocese, no dia 22 de Novembro de 1999.
Este escultor vai executar urn Cristo crucificado e as Imagens de Nossa Senhora com 0
Menino e a da Rainha Santa Isabel, para a Igreja de Santa Isabel da Cruz da Areia, em Leiria.
oparoco da Se ja me tinha mostrado ~. esbo~os das duas ultimas imagens. A de Santa Isabel apresenta-se com as roSqSmas tambem com 0seu bastao de peregrina de Santiago de Compostela. Gostei dela. Euma imagem que tern aos pesurn pobre. A imagem vai ser executada em fibra e de modo a que possa ser retirada do pedestal para poderser levada em procissao. A de Nossa Senhora com0Menino tambem e bem concebida, tendo a sua frente Cristo jovem, mas a mim pareceu-me urn Cristo demasiadamente feminino, 0que the foi notado por outras pessoas.
,Apoveitei esta ocasiao para pedir ao escultor que me fizesse uma memoria descritiva pormenorizada das pe~asartfsticas e cultuais que tern no Santuario, na sequencia do que ja tinha feito ha dias com0mestre Joao de Sousa Araujo, na ba.c;;flicado Santuario de Fatima.
De memoria referiu-se as seguintes obras executadas para 0Santuario e Cova da Iria:
1) Crucifixo da Capela-mor da basflica. 0mestre tinha executado urn modelo, de que Mons. Borges, entao Reitor do Santuario, nao gostou e que hoje se encontra guardado no Museu do Santuario. Entao, Monsenhor Borges, pediu ao Mario Vinhas para fazer urn
crucifixo segundo uma fotografia que tinha de urn Cristo crucificado de uma igreja de LuandC\.
ANEXO 26º
Figura 1
Figura 2
Figura 3
Figura 4 Figura 5
ANEXO 27º
ANEXO 28º
ANEXO 29º
Excertos das cartas dos Papas pós Vaticano II
João XXIII 23.6.1962
© SNPC | 05.09.12
Com efeito, é pela voz dos seus poetas e dos seus artistas que um povo, mesmo antes de ter conseguido o seu desenvolvimento económico (...), pode revelar o encanto e o mistério da sua fecundidade interior.
Esta voz do poeta e do artista instrui, educa, consola: é fonte da alegria mais pura e santa.
A mensagem de que é portadora passa por cima das barreiras artificiais que separam os homens uns dos outros. Nas horas de tristeza e de humilhação, no auge das guerras fratricidas, a voz do poeta e as harmonias musicais do artista levaram os homens a reflectir e sugeriram-lhes as ideais mais pacíficas.
http://www.snpcultura.org/joao_xxiii_e_os_artistas.html Lisboa 12/13/ 2012
Paulo VI
MENSAGEM DO PAPA PAULO VI NA CONCLUSÃO DO CONCÍLIO VATICANO II AOS ARTISTAS
8 de Dezembro de 1965 Aos artistas
Para todos vós, agora, artistas, que sois prisioneiros da beleza e que trabalhais para ela: poetas e letrados, pintores, escultores, arquitectos, músicos, homens do teatro, cineastas . . . A todos vós, a Igreja do Concílio afirma pela nossa voz: se sois os amigos da autêntica arte, sois nossos amigos.
Desde há muito que a Igreja se aliou convosco. Vós tendes edificado e decorado os seus templos, celebrado os seus dogmas, enriquecido a sua Liturgia. Tendes ajudado a Igreja a traduzir a sua divina mensagem na linguagem das formas e das figuras, a tornar perceptível o mundo invisível.
Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. E diz-vos pela nossa voz:
não permitais que se rompa uma aliança entre todas fecunda. Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade divina. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo.
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração. E isto por vossas mãos.
Que estas mãos sejam puras e desinteressadas. Lembrai-vos de que sois os guardiões da beleza no Mundo: que isso baste para vos afastar dos gostos efémeros e sem valor autêntico, para vos libertar da procura de expressões estranhas ou indecorosas.
Sede sempre e em toda a parte dignos do vosso ideal, e sereis dignos da Igreja, que, pela nossa voz, vos dirige neste dia a sua mensagem de amizade, de salvação, de graça e de bênção.
http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651208_
epilogo-concilio-artisti_po.html Lisboa 12/13/ 2012
CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS ARTISTAS 1999
A todos aqueles que apaixonadamente procuram novas «epifanias» da beleza para oferecê-las ao mundo como criação artística.
«Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa» (Gn 1,31).
12. Para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte. De facto, deve tornar perceptível e até o mais fascinante possível o mundo do espírito, do invisível, de Deus.
Por isso, tem de transpor para fórmulas significativas aquilo que, em si mesmo, é inefável. Ora, a arte possui uma capacidade muito própria de captar os diversos aspectos da mensagem,
traduzindo-os em cores, formas, sons que estimulam a intuição de quem os vê e ouve. E isto, sem privar a própria mensagem do seu valor transcendente e do seu halo de mistério.
A Igreja precisa particularmente de quem saiba realizar tudo isto no plano literário e figurativo, trabalhando com as infinitas possibilidades das imagens e suas valências simbólicas. O próprio Cristo utilizou amplamente as imagens na sua pregação, em plena coerência, aliás, com a opção que, pela Encarnação, fizera d'Ele mesmo o ícone do Deus invisível.
A Igreja tem igualmente necessidade dos músicos. Quantas composições sacras foram elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros crentes, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua decorosa realização.
No cântico, a fé é sentida como uma exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus.
A Igreja precisa de arquitectos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação. Depois das terríveis destruições da última guerra mundial e com o crescimento das cidades, uma nova geração de arquitectos se amalgamou com as exigências do culto cristão, confirmando a capacidade de inspiração que possui o tema religioso relativamente também aos critérios arquitectónicos do nosso tempo. De facto, não raro se construíram templos, que são simultaneamente lugares de oração e autênticas obras de arte.
A arte precisa da Igreja?
13. Portanto, a Igreja tem necessidade da arte. Pode-se dizer também que a arte precisa da Igreja?
A pergunta pode parecer provocatória. Mas, se for compreendida no seu recto sentido, obedece a uma motivação legítima e profunda. Na realidade, o artista vive sempre à procura do sentido mais íntimo das coisas; toda a sua preocupação é conseguir exprimir o mundo do inefável. Como não ver então a grande fonte de inspiração que pode ser, para ele, esta espécie de pátria da alma que é a religião? Não é porventura no âmbito religioso que se colocam as questões pessoais mais importantes e se procuram as respostas existenciais definitivas?
De facto, o tema religioso é dos mais tratados pelos artistas de cada época. A Igreja tem feito sempre apelo às suas capacidades criativas, para interpretar a mensagem evangélica e a sua aplicação à vida concreta da comunidade cristã. Esta colaboração tem sido fonte de mútuo enriquecimento espiritual. Em última instância, dela tirou vantagem a compreensão do homem, da sua imagem autêntica, da sua verdade. Sobressaiu também o laço peculiar que existe entre a arte e a revelação cristã. Isto não quer dizer que o génio humano não tenha encontrado estímulos
também noutros contextos religiosos; basta recordar a arte antiga, sobretudo grega e romana, e a arte ainda florescente das vetustas civilizações do Oriente. A verdade é que o cristianismo, em virtude do dogma central da encarnação do Verbo de Deus, oferece ao artista um horizonte particularmente rico de motivos de inspiração. Que grande empobrecimento seria para a arte o abandono desse manancial inexaurível que é o Evangelho!
Apelo aos artistas
14. Com esta Carta dirijo-me a vós, artistas do mundo inteiro, para vos confirmar a minha estima e contribuir para o restabelecimento duma cooperação mais profícua entre a arte e a Igreja. Convido-vos a descobrir a profundeza da dimensão espiritual e religiosa que sempre caracterizou a arte nas suas formas expressivas mais nobres. Nesta perspectiva, faço-vos um apelo a vós, artistas da palavra escrita e oral, do teatro e da música, das artes plásticas e das mais modernas tecnologias de comunicação.
Este apelo dirijo-o de modo especial a vós, artistas cristãos: a cada um queria recordar que a aliança que sempre vigorou entre Evangelho e arte, independentemente das exigências funcionais, implica o convite a penetrar, pela intuição criativa, no mistério de Deus encarnado e contemporaneamente no mistério do homem.
Cada ser humano é, de certo modo, um desconhecido para si mesmo. Jesus Cristo não Se limita a manifestar Deus, mas «revela o homem a si mesmo». (23) Em Cristo, Deus reconciliou consigo o mundo. Todos os crentes são chamados a dar testemunho disto; mas compete a vós, homens e mulheres que dedicastes a vossa vida à arte, afirmar com a riqueza da vossa genialidade que, em Cristo, o mundo está redimido: está redimido o homem, está redimido o corpo humano, está redimida a criação inteira, da qual S. Paulo escreveu que «aguarda ansiosa a revelação dos filhos de Deus»
(Rm 8,19). Aguarda a revelação dos filhos de Deus, também através da arte e na arte. Esta é a vossa tarefa. Em contacto com as obras de arte, a humanidade de todos os tempos — também a de hoje — espera ser iluminada acerca do próprio caminho e destino.
Espírito Criador e inspiração artística
15. Na Igreja, ressoa muitas vezes esta invocação ao Espírito Santo: Veni, Creator Spiritus..., «Vinde, Espírito Criador, as nossas mentes visitai, enchei da vossa graça os corações que criastes». (24) Ao Espírito Santo, «o Sopro» (ruah), acena já o livro do Génesis: «A terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus movia-Se sobre a superfície das águas» (1,2). Existe grande afinidade lexical entre «sopro — expiração» e «inspiração». O Espírito é o misterioso artista do universo. Na perspectiva do terceiro milénio, faço votos de que todos os artistas possam receber em abundância o dom daquelas inspirações criativas donde tem início toda a autêntica obra de arte.
Queridos artistas, como bem sabeis, são muitos os estímulos, interiores e exteriores, que podem inspirar o vosso talento. Toda a autêntica inspiração, porém, encerra em si qualquer frémito daquele
«sopro» com que o Espírito Criador permeava, já desde o início, a obra da criação. Presidindo às misteriosas leis que governam o universo, o sopro divino do Espírito Criador vem ao encontro do génio do homem e estimula a sua capacidade criativa. Abençoa-o com uma espécie de iluminação interior, que junta a indicação do bem à do belo, e acorda nele as energias da mente e do coração, tornando-o apto para conceber a ideia e dar-lhe forma na obra de arte. Fala-se então justamente, embora de forma analógica, de «momentos de graça», porque o ser humano tem a possibilidade de fazer uma certa experiência do Absoluto que o transcende.
A «Beleza» que salva
16. Já no limiar do terceiro milénio, desejo a todos vós, artistas caríssimos, que sejais abençoados, com particular intensidade, por essas inspirações criativas. A beleza, que transmitireis às gerações futuras, seja tal que avive nelas o assombro. Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o assombro é a única atitude condigna.
De tal assombro poderá brotar aquele entusiasmo de que fala Norwid na poesia, a que me referi ao início. Os homens de hoje e de amanhã têm necessidade deste entusiasmo, para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. Com tal entusiasmo, a humanidade poderá, depois de cada extravio, levantar-se de novo e retomar o seu caminho. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intuição, que «a beleza salvará o mundo». (25)
A beleza é chave do mistério e apelo ao transcendente. É convite a saborear a vida e a sonhar o futuro.
Por isso, a beleza das coisas criadas não pode saciar, e suscita aquela arcana saudade de Deus que
um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis:
«Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!». (26)
Que as vossas múltiplas sendas, artistas do mundo, possam conduzir todas àquele Oceano infinito de beleza, onde o assombro se converte em admiração, inebriamento, alegria inexprimível.
Sirva-vos de guia e inspiração o mistério de Cristo ressuscitado, em cuja contemplação se alegra a Igreja nestes dias.
Acompanhe-vos a Virgem Santa, a «toda bela», cuja efígie inumeráveis artistas delinearam e o grande Dante contempla nos esplendores do Paraíso como «beleza, que alegria era dos olhos de todos os outros santos». (27)
«Eleva-se do caos o mundo do espírito»! A partir destas palavras, que Adam Mickiewicz escrevera numa hora de grande aflição para a pátria polaca, (28) formulo um voto para vós: que a vossa arte contribua para a consolidação duma beleza autêntica que, como revérbero do Espírito de Deus, transfigure a matéria, abrindo os ânimos ao sentido do eterno!
Com os meus votos mais cordiais!
Vaticano, 4 de Abril de 1999, Solenidade da Páscoa da Ressurreição.
http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/documents/hf_jp-ii_let_23041999_
artists_po.html Lisboa 12 13 2012
Discurso de Bento XVI aos Artistas
Infelizmente, o momento actual está marcado não só por fenómenos negativos a nível social e
económico, mas também por um esmorecimento da esperança, por uma certa desconfiança nas relações humanas, e por isso crescem os sinais de resignação, agressividade e desespero. Depois, o mundo no qual vivemos corre o risco de mudar o seu rosto devido à obra nem sempre sábia do homem o qual, em vez de cultivar a sua beleza, explora sem consciência os recursos do planeta para vantagem de poucos e não raramente desfigura as suas maravilhas naturais. O que pode voltar a dar entusiasmo e confiança, o que pode encorajar o ânimo humano a reencontrar o caminho, a elevar o olhar para o horizonte, a sonhar uma vida digna da sua vocação, a não ser a beleza? Vós bem sabeis, queridos artistas, que a experiência do belo, do belo autêntico, não efémero nem superficial, não é algo acessório ou secundário na busca do sentido e da felicidade, porque esta experiência não afasta da realidade, mas, ao contrário, leva a um confronto cerrado com a vida quotidiana, para o libertar da obscuridade e o transfigurar, para o tornar luminoso, belo.
Queridos Artistas, encaminhando-me para a conclusão, gostaria de vos dirigir também eu, como já fez o meu Predecessor, um cordial, amistoso e apaixonado apelo. Vós sois guardiães da beleza; vós tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. Sede portanto gratos pelos dons recebidos e plenamente conscientes da grande responsabilidade de comunicar a beleza, de fazer comunicar na beleza e através da beleza! Sede também vós, através da vossa arte, anunciadores e testemunhas de esperança para a humanidade! E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita! A fé nada tira ao vosso génio, à vossa arte, aliás exalta-os e alimenta-os, encoraja-os a cruzar o limiar e a contemplar com olhos fascinados e comovidos a meta última e definitiva, o sol sem ocaso que ilumina e torna belo o presente.
Santo Agostinho, cantor apaixonado da beleza, reflectindo sobre o destino último do homem e quase comentando ante litteram a cena do Juízo que hoje tendes diante dos vossos olhos, escrevia assim:
"Gozaremos, portanto de uma visão, ó irmãos, jamais contemplada pelos olhos, jamais ouvida pelos ouvidos, jamais imaginada pela fantasia: uma visão que supera todas as belezas terrenas, do ouro, da prata, dos bosques e dos campos, do mar e do céu, do sol e da lua, das estrelas e dos anjos; a razão é esta: que ela é a fonte de qualquer outra beleza" (In Ep. Jo. Tr. 4, 5: PL 35, 2008). Desejo que todos vós, queridos Artistas, tenhais nos vossos olhos, nas vossas mãos, no vosso coração esta visão, para que vos dê alegria e inspire sempre as vossas belas obras. Ao abençoar-vos de coração, saúdo-vos, como já fez Paulo VI, com uma só expressão: até breve!
Bento XVI
Vaticano, Capela Sistina, 21.11.2009
© SNPC | Actualizado em 02.12.09
http://www.snpcultura.org/pcm_bento_xvi_artistas_1.html Lisboa 12/13/ 2012