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1 11 de Setembro de 2001: envolvimento do Afeganistão

CAPÍTULO II INSTRUMENTOS

II. 1 11 de Setembro de 2001: envolvimento do Afeganistão

Há muito que os americanos conheciam Bin Laden que, de aliado táctico na luta de guerrilha contra o invasor afegão soviético, rapidamente se terá transformado no principal inimigo da América e de todo o mundo ocidental (pelo menos assim se fez crer junto da opinião pública à escala global, através da difusão de informação assegurada pela poderosa indústria dos media).

A expressão máxima da guerra santa, para a Al Qaeda assenta no principio de que “o Ocidente em geral, e os Estados Unidos em particular, têm um ódio pelo islão” e que “O terrorismo contra os Estados Unidos é benéfico e está justificado”, (de acordo com as declarações de Bin Laden num vídeo difundido a 27 de Dezembro de 2001, a acreditar nas noticias difundidas pelos média).82

Reforça-se, aqui, que o fundamentalismo em sentido lato parece ser uma tentativa que as religiões fazem de retornar às suas origens, por temerem desvios de interpretação à doutrina principal (Sampaio, 2004).

A religião islâmica é uma revelação divina do seu profeta Maomé, interpretado como uma figura perfeita, pelo que nada do que ele determinou como parte da doutrina pode ser alterado, sob pena de ser considerado blasfémia, perjúrio ou acção da divindade do mal. O fundamentalismo é, pois, uma espécie de reacção de defesa do organismo religioso e em especial no caso do Islão, é interpretado como meio de renascimento para voltar às suas origens, revigora e renasce (Sampaio, 2004).

A Al-Qaeda ao envolver-se nos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001 nos EUA e, parece traduzir-se num acto que se baseia nos princípios do fundamentalismo Islâmico ao exprimir no seu acto um cunho de natureza política, e de rejeição do modelo de vida

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57 adoptado pelos Estados Unidos em particular e pelo ocidente em geral. O renascimento, na cultura muçulmana, é interpretado como voltar atrás no rumo dos princípios da fé. A cultura muçulmana sacraliza o conhecimento antigo, transformando-o em dogma, no mesmo patamar das revelações religiosas do Corão. Do ponto de vista das interpretações dos muçulmanos, nomeadamente na visão mais tradicional, não é desejável que uma religião organizada como o islão, aceite incertezas ou admita inovações, por poder constituir um caminho de dúvidas quanto aos seus fundamentos (Sampaio, 2004).

O fundamentalismo islâmico conheceu no século XX um recrudescimento como forma de reacção ao movimento sufista no interior do islamismo. Este movimento levou a divergências e divisões dentro do islamismo e ao surgimento do fundamentalismo como movimento de reacção, na sequência de inúmeras acusações de desvio aos princípios do Corão. Os fundamentalistas acreditam que os tempos puros do islamismo corresponderam apenas, aos três primeiros séculos, com os Califas e, depois, tudo caiu em decadência (Carmo, 2001).

O fundador deste movimento de regresso às origens e aos fundamentos da religião foi Muhammad ibn Abd al-Wahhab. O Fundador Wahhbita viajou pelo mundo muçulmano, fazendo uma aliança com um chefe militar de um oásis, de uma das regiões da península da Arábia Saudita, Abd al Aziz ibn Saud. O movimento pertencente ao clã militar dos Saud, deu origem ao reino com o mesmo nome, e que esteve na génese daquele que é hoje conhecido como o reino milionário da Arábia Saudita. Foi esta a escola que formou Osama Bin-Laden, um Wahhabita, um iluminado dentro desta linha de pensamento religioso que procurava afastar do núcleo das crenças islâmicas toda e qualquer contaminação de influências ocidentais (Sampaio, 2004).

Mas outros movimentos de cariz fundamentalista foram surgindo dentro do islão, como a Irmandade Muçulmana, que teve a sua génese no Egipto no início do século XX e que defende um regresso à shari´a, que entendendo que os valores ocidentais não asseguraram a harmonia e a felicidade dos muçulmanos. Com a queda do Ex. Presidente Mubarack, este movimento tem assumido um papel preponderante na sociedade egípcia. De facto, neste

58 país, os diversos movimentos da Jihâd Islâmica tiveram expressão significativa, nomeadamente se forem associados ao assassinato de Anwar Sadat83.

No século passado surgiu ainda a Jihâd islâmica Palestiniana como um desdobramento do grupo egípcio, tendo iniciado a sua actividade centrada no antagonismo ao Estado de Israel (Larousse, Enciclopédia, 2009).

O fundamentalismo islâmico moderno é um movimento que parece ter nascido na década de 1980 no Irão tendo como protagonista o shiita Aiatolá Khomeini que constitui uma inspiração para muitos radicais islamitas, tendo o Irão servido de exemplo de Estado islâmico a ser seguido.

Enquanto durou o conflito no Afeganistão no decurso da guerra contra a URSS, muitos islamitas juntaram-se numa cruzada única com origem em vários braços fundamentalistas dos quais se terá destacado influenciado pelo wahhabismo, Osama Bin Laden, que terá unido forças com a Jihâd Islâmica Egípcia sob a influência de Ayman al-Zawahiri para formar aquilo que hoje se designa por Al-Qaeda (Alves, 2001).

Terá sido neste ambiente e neste “caldo” de correntes fundamentalistas que poderão ter sido reunidas as condições de partida para a preparação dos acontecimentos que vieram a ficar conhecidos como “o atentado terrorista do 11 de Setembro”, o mais marcante das últimas décadas e que fez mudar o mundo, tendo Bin Laden assumido, pelo menos a acreditar nas noticias difundidas pelos média à escala mundial, o papel de protagonista e maior inspirador de uma guerra santa contra o mundo ocidental.

As permanentes ameaças à paz e segurança da sociedade internacional vindas do Afeganistão desde a invasão da União Soviética, até à chegada do poder talibã, naturalmente colocaram em causa também a real importância deste no equilíbrio regional, na gestão geo-estratégica na Ásia Central.

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Militar e político egípcio, presidente do seu país de 1970 a 1981. Recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1978. Foi assassinado durante uma parada militar no Cairo por membros da Jihad Islâmica Egípcia infiltrada no exército.

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