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Diana Cibele de Assis Ferreira UFPE/[email protected]

“Atualmente somos escravos do custo de vida”. (Jesus, 1995, p. 9). RESUMO

INTRODUÇÃO: O interesse em pesquisar sobre a história de Carolina Maria de Jesus se deu durante a vivência do componente curricular: Diversidade, Gênero e Relações Étnico-Raciais ofertado pelo curso de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru. Em meio as, discussões teóricas que eram trazidas pela professora Diana para serem debatidas em sala foi realizado pela turma uma atividade de pesquisa em comemoração aos 105 anos de Carolina Maria de Jesus. A partir desta atividade foi possível ampliar os estudos sobre a autora, sendo possível compreender sua relevância social ao tratar dos(as) descentes de escravizados (as) e sua influência no contexto social pós abolição, a qual dá ênfase nos seus escritos sobre o lugar social da população negra na história brasileira. Carolina Maria de Jesus: Carolina Maria (1914) nasceu na cidade de Sacramento-MG mudou-se para São Paulo (1947), onde trabalhou como empregada doméstica e morou na favela do Canindé. Local este que serviu de inspiração para a escrita de uma das obras literárias mais importantes da sua vida intitulada de: “O Quarto

de Despejo: diário de uma favelada”, obra esta que possibilitou que a mesma saísse da

favela para residir em uma outra localidade da cidade. Além desta obra Carolina de Jesus também foi autora de outras histórias que traziam a realidade vivenciada pela população pobre da cidade de São Paulo, no entanto estes escritos não tiveram tanta relevância quanto a sua primeira obra. Porém, não deixaram de ser importantes para a sociedade brasileira do século XX, assim como para a realidade contemporânea do século XXI, principalmente para a população afro brasileira que tem a possibilidade de compreender mais sobre a história do seu povo. História esta que foi invisibilidade pela classe branca hierárquica que viveu neste país ou como descreve o antropólogo Darcy Ribeiro “A classe dominante branca ou auto definição” (RIBEIRO, 1975, p. 158). Metodologia: Este trabalho trata-se de uma pesquisa bibliográfica tendo como principal fonte de estudo o livro: “Quarto de Despejo: diário de uma Favelada”, da autora Carolina Maria de Jesus, que através dos seus escritos narrou sua vida e a de pessoas do seu conviveu. À medida, que formos trazendo trechos da obra de Carolina de Jesus iremos interligá-los a algumas reflexões presentes nas obras do sociólogo Florestan Fernandes, dentre estas: “O negro

que possibilitaram uma melhor compreensão do contexto histórico da obra de Carolina de Jesus. Uma rosa em meio aos cravos: Carolina Maria de Jesus viveu no século XX época de significativas mudanças no contexto histórico brasileiro, uma vez que fazia pouco tempo que o país havia abolido a escravidão (1888) e passou do sistema imperialista para o republicano (1889). Em quase meados do século XX já na década de 1930 o país vivenciou o governo da Era Vargas. Logo, percebemos que o Brasil passou por várias modificações seja no contexto político, econômico, educacional e cultural. Dentro deste seguimento, podemos concordar com o sociólogo Antonino Cândido de Mello e Sousa ao afirmar que, “basta dizer que com a Independência desenvolveu-se cada vez mais a consciência de que a literatura brasileira era ou devia ser diferente” (SOUSA, 1999, p.36). Assim, conforme afirma Sousa (1999) que havia a necessidade de uma literatura diferente Carolina Maria de Jesus a fez longe dos holofotes e em meio a situação de pobreza em que vivia junto aos seus filhos. Dentro deste contexto ela pode dar vida a população negra e pobre que residia na favela sem nenhuma assistência das políticas básicas para a sobrevivência. Nesta perspectiva, Ribeiro (1975) enfatiza que “a incapacidade do sistema para assegurar-lhe qualquer participação nas formas modernas de existência compele estas massas marginalizadas a reinventar a vida urbana” (RIBEIRO, 1975, p.170). Sabemos a negação dos negros (as) dentro da sociedade criada para branco, quando Florestan Fernandes (1972) descreve: A crescer não só que não se processou uma democratização real da renda, do poder e do prestigio social em temos raciais. As oportunidades surgidas foram aproveitadas pelos grupos melhor localizados da " raça dominante[...]" (FERNANDES,1972, p.29). A sociedade brasileira pós- abolicionista era a responsável por não oferecer condições humanas dignas para sobrevivência. Em seu livro: “O significado do Protesto Negro”, Fernandes relata enfatiza que “os que ficaram nas cidades – em particular os que foram ou permaneceram em São Paulo comeram o pão que o diabo amassou” (FERNANDES, 2017, p 80). E sobre esta realidade Carolina Maria de Jesus também traz nos transcritos de seu livro: “O Quarto de

Despejo: diário de uma favelada” relatos sobre as dificuldades que vivenciou quando

morava na favela do Canindé, por ser mulher, negra e pobre “ as segundas-feiras eu não gosto de perder, saio cedo porque encontra-se muitas coisas no lixo”(JESUS, 1995, p. 100). Um outro aspecto trazido por Carolina Maria de Jesus nos seus escritos foi possibilitar aos seus leitores/as uma percepção critica visando assim, uma maior conscientização político-social quanto ao tratamento que era ofertado a camada pobre e negra brasileira no período pós abolição. Após ter lançado a sua obra: “Quarto de

Despejo: diário de uma Favelada”, Carolina Maria teve a possibilidade de conhecer

outros países e poder compartilhar suas experiências vividas na favela e todo o descaso com os mais pobres. O lançamento desta obra também possibilitou a realização de um sonho de Carolina que era morar em uma casa de alvenaria e sair da favela. No entanto, apesar de todo este reconhecimento durante a sua velhice ela acabou ficando esquecida enquanto autora. Falecendo no ano de 1977 em situações muito precárias. Resultados: Ao analisar a vida da Carolina Maria de Jesus, a partir de seu livro Quarto de Despejo: diário de uma Favelada, do documentário em homenagem ao seu centenário. Foi possível compreender, por meio dos relatos trazidos em sua obra as inúmeras dificuldades vivenciadas pela autora. Uma vez que, se tratava de um contexto social pós-abolição, ou seja, numa sociedade que havia sido pensada apenas para a população branca e não para os negros (as) (FERNANDES,2017). Partindo desta perspectiva, sabemos que este estudo bibliográfico não dará conta de responder a todos os questionamentos que possam advir

desta leitura, pois ainda são extremamente atuais, principalmente quando pensamos na forte incidência racista em nosso cotidiano. No entanto, ao pesquisarmos sobre a vida de Carolina Maria de Jesus, a partir da análise de sua principal obra: “O Quarto de Despejo:

diário de uma favelada” conseguimos compreender as situações de conflitos vivenciadas

pela autora que envolveram questões de classe e de gênero. Mas, percebemos que apesar de todas dificuldades vivenciadas pela autora analisada, a mesma conseguiu quebrar vários paradigmas de sua época ao escrever e lançar um livro possibilitando que a sua história e a de muitos/as outros/as que foram contemporâneos a ela pudesse se tornar pública. Desafiando assim, um sistema nacional, no qual a população negra era invisibilidade. Logo, com um lápis e um pedaço de papel, Carolina Maria de Jesus fez sua revolução, Guerreira de papelão.

Referências:

FERNANDES, Florestan. O Negro no mundo dos Brancos. Ed. Difusão europeia do livro: São Paulo, 1972.

Florestan. Significado do protesto negro. / Florestan, Fernandes. – 1. Ed. – São Paulo: Expressão Popular co – edição. Editora da Fundação Perseu Abramo., 2017.

JESUS, Carolina Maria de. Quarto De Despejo Diário, De Uma Favela. 5. Ed. Ática S. A São Paulo, 1995.

JESUS, Carolina.Centenário de Carolina de Jesus no IMS Rio. Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=yaXeesG6C5o >. Acesso em 18/02/19.

Referência Áudio Visual:

RIBEIRO, Darcy, 1922 – Estudos de antropologia da civilização, IV : os brasileiros, livro I – teoria do Brasil por Darcy Ribeiro 2. Ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira,1975.

SOUZA, Antônio Candido de Mello e, Iniciação á literatura: resumo para principiantes/ Antonio Candido. - 3. ed. - São Paulo: Humanistas /FFLCH/ USP,1999.

ENTRE SENZALAS E QUILOMBOS UMA VIDA POR LIBERDADE: O

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