10 TRABALHOS SUSCEPTÍVEIS DE ENVOLVER AMIANTO
12 TRABALHOS COM AMIANTO NOTIFICÁVEIS
12.5 TÉCNICAS DE SUPRESSÃO DE POEIRAS
12.5.2 Decapagem a húmido
Os materiais que contêm amianto podem ser humedecidos recorrendo a diversas técnicas de aplicação: pulverizador sem ar (para humedecer a superfície ou para materiais finos e porosos) e agulhas de injecção para materiais mais espessos ou materiais com superfície impermeável. Deve acrescentar-se um agente molhante à água, para que o amianto fique eficazmente húmido.
O método de injecção é apropriado para materiais tais como as guarnições de tubagens e os revestimentos aplicados à pistola e pode ser adequado para outros materiais com amianto com superfícies impermeáveis (por exemplo, painéis isolantes de amianto pintados). As agulhas de injecção podem ser montadas numa placa rígida (para superfícies planas) ou num tubo flexível de abastecimento (para superfícies curvas ou desiguais). Em locais de acesso difícil, pode ser necessário um ponto único de injecção (numa haste)
A injecção deve efectuar-se a baixa pressão (3,5 bar) de forma a que o material que contém amianto seja molhado sob a acção capilar sem espalhar água desnecessariamente. É importante deixar passar tempo suficiente para que todo o material seja adequadamente humedecido. Se o material apresentar zonas secas, tal poderá conduzir a concentrações muito mais elevadas de fibras de amianto no ar do local de trabalho.
As agulhas devem ser escolhidas com forma e tamanho que se adaptem às características dos materiais com amianto, por exemplo, agulhas longas com furos a todo o comprimento para revestimentos/isolamentos com mais de 1 cm de espessura.
As agulhas devem estar dispostas adequadamente para assegurar uma boa cobertura. O espaçamento deve ser suficientemente pequeno para assegurar que não se deixam zonas secas, e devem posicionar-se de modo que a gravidade auxilie a propagação da água (por exemplo, agulhas ao longo do topo de condutas horizontais; agulhas em anéis horizontais em torno de condutas verticais, a intervalos de aproximadamente um metro para condutas verticais).
Se o revestimento/isolamento estiver coberto por uma superfície dura que precise de ser perfurada para permitir inserir as agulhas de injecção, deve recorrer-se às técnicas de supressão de poeiras durante essa perfuração. Tal pode incluir o humedecimento com o pulverizador sem ar, e a operação pode realizar-se antecipadamente para que a água possa penetrar no material.
Figura 12.7 Isolamento de uma conduta com camadas múltiplas de amianto e penetração do agente molhante.
Figura 12.8 Diagrama do sistema de injecção. (1) tubo (2) guarnição (3) agulha de injecção alimentada através de (4) tubagem flexível.
Figura 12.9 O sistema de injecção com escoamento de água a partir dos vários orifícios de cada agulha. Fotografia cedida pelo HSE do Reino Unido, extraída do manual HSG 274. © Crown. Material reproduzido com autorização do director da HMSO (Her Majesty’s Stationery Office) e do Office of the Queen's Printer for Scotland.
Figura 12.10 Exemplo de um sistema de injecção multi-pontos utilizado para humidificar isolamentos de amianto aplicado à pistola.
Pulverizador sem ar (ou seja, um pulverizador que não utiliza ar nem gás para propelir a água) pode ser usado para molhar a superfície de materiais porosos (por exemplo, cobertores isolantes, cordas, juntas) e para preparar qualquer material antes da perfuração para a inserção de agulhas de injecção. O humedecimento com um pulverizador sem ar pode igualmente ser utilizado em painéis isolantes de amianto (para remoção em condições de ventilação por aspiração) e também para pequenos detritos durante a limpeza.
Os revestimentos/guarnições danificados são propícios à quebra durante o processo de injecção. As secções danificadas podem ser envolvidas em polietileno (ou película retráctil e fita adesiva) para evitar espalhar os detritos.
Pode ser necessário retirar uma chapa metálica, envolvendo a guarnição com amianto, a fim de a expor para a injecção. Se a chapa metálica puder ser perfurada, a guarnição deve ser injectada dessa forma. Se a chapa metálica puder ser removida sem danificar a guarnição, poderá ser essa a forma mais fácil de aceder para inserir as agulhas de injecção, e, nesse caso, a libertação de poeiras poderá ser controlada recorrendo a um pulverizador sem ar e à aspiração simultânea.
Podem surgir problemas de uniformidade no humedecimento se o material estiver danificado com fissuras internas ou sempre que a porosidade do material não for uniforme.
Quando as fissuras são aparentes, as agulhas devem ser colocadas com cuidado para maximizar a eficácia do humedecimento. Sempre que a porosidade for variável, pode revelar-se útil ajustar o caudal. Pode ser necessário envolver o material que contém amianto para facilitar a retenção de água e assegurar o seu humedecimento completo.
As caldeiras industriais de grande escala e grande potência podem apresentar os problemas seguintes:
• tubagens extensas e complexas, dificultando ou impossibilitando a selagem completa da zona confinada;
• grandes quantidades de guarnições em amianto muito espessas (com, por exemplo, cerca de 1 m);
• grandes quantidades de resíduos e pasta de amianto.
Os materiais com amianto correctamente humedecidos têm consistência de pasta e estão prontos a remover.
A melhor forma de remover os materiais que contêm amianto humedecidos consiste em recorrer ao uso de ferramentas manuais (por exemplo raspadeiras, formões, chaves de fendas).
Nunca se devem usar ferramentas eléctricas (como serras e lixadoras de discos) para cortar materiais que contenham amianto.
Os trabalhos devem ser organizados metodicamente, o material removido deve ser imediatamente colocado em sacos ou acondicionado; deve trabalhar-se progressivamente de cima para baixo a fim de impedir a recontaminação das superfícies limpas (por exemplo, primeiro os tectos/vigas, depois as paredes e finalmente o chão).
Depois de ter removido a maioria do material, podem ficar nas superfícies pequenas quantidades do mesmo. Por vezes, os resíduos aderem fortemente (por exemplo, no caso de tubagens com reentrâncias). Na remoção do amianto residual, deve dar-se preferência às ferramentas manuais, mas podem ser necessárias ferramentas eléctricas. Nestes casos, as ferramentas devem ser utilizadas com a potência mais baixa e com técnicas de supressão de poeiras (espumas, pulverizadores sem ar, ou ventilação por aspiração).
Figura 12.11 Ensacamento de resíduos junto ao ponto de remoção para prevenir a propagação e minimizar a exposição.
Se empregar pessoas que realizam trabalhos de remoção de amianto, deve prever uma supervisão eficaz para assegurar que:
• os procedimentos de segurança são respeitados; e
• só são utilizados os métodos de remoção especificados no plano de trabalho;
• NÃO se efectua qualquer alteração dos métodos de trabalho sem revisão prévia da avaliação dos riscos e do plano de trabalho;
• os trabalhos de remoção do amianto seguem as boas práticas (recomendadas no presente guia.
Se remove amianto:
• deve decidir a ordem de realização do trabalho que minimize a possibilidade de recontaminação das superfícies limpas, por exemplo, primeiro os tectos/vigas, depois as paredes e finalmente o chão.
• deve assegurar-se de que os filtros não ficam molhados, dado que isso prejudica a sua eficiência de filtração.
• é essencial uma boa gestão interna. Os resíduos devem ser limpos à medida que são produzidos. As estruturas em madeira dos tectos de amianto podem ter pregos, deve verificar se estes não estão salientes, o que seria perigoso se alguém os pisasse.
• Os materiais que contêm amianto devem ser removidos evitando ao máximo que se quebrem. Por exemplo, se um painel isolante de amianto tiver 4 pregos, deve ser removido intacto à excepção dos cantos onde se encontram os pregos. Os pregos devem ser removidos individualmente (com supressão de poeiras, tal como consta do capítulo 11);
• NÃO usar métodos diferentes dos especificados no plano de trabalho, e
• NÃO usar ferramentas eléctricas nos materiais com amianto (à excepção de aplicações específicas e limitadas, se essas aplicações estiverem incluídas na avaliação dos riscos e no plano de trabalho).
Se é inspector do trabalho, verifique se o trabalho está a ser realizado de acordo com o plano de trabalho, por exemplo:
• visualizando os trabalhos através das janelas;
• verificando se as ferramentas presentes no estaleiro ou na zona confinada são coerentes com os métodos descritos no plano de trabalho;
• verificando que NÃO estão a ser utilizadas ferramentas eléctricas.