OBJETIVO:
Após a realização da atividade a seguir, você deverá ser capaz de: determinar sobre
comprar ou fazerprodutos. Esta decisão tem elementos quantitativo e qualitativo a serem
considerados. Nosso objetivo, contudo, é enfatizar o elemento qualitativo, que de forma similar a decisão anterior, tem como objetivo evitar a redução no lucro.
Para se obter um produto final, a ser adquirido por consumidores, que não objetivam sua comercialização, existem muitos “caminhos a serem percorridos”. Primeiramente, matérias primas básicas tem de ser obtidas, tal como, mineração, plantação, criação de animal, etc. O próximo passo é processar essas matérias primas básicas, removendo suas impurezas ou extraindo as matérias que serão utilizadas em processos adicionais. A seguir esse material utilizável entra num processo de fabricação para tomar uma forma desejada e servir como um insumo básico para produtos que serão manufaturados em processos adicionais. Finalmente, a obtenção do produto destinado ao consumidor final utiliza um ou vários insumos básicos no seu processo de produção, que uma vez pronto, é distribuído ao consumidor final.
Se uma empresa está envolvida em todos os passos descritos acima, pode-se classifica-la como uma companhia integrada verticalmente. Algumas entidades empregam a integração vertical para controlar todas as atividades relacionadas com seus produtos. Outras, preferem ter integração em escala inferior, fabricando certas partes e, as vezes, não produzindo insumo básico; algum.
A decisão de produzir um desses componentes (isto é, insumo básico) ou adquiri-lo externamente de um fornecedor é denominada decisão de comprar ou fazer. Assim sendo, decidir se compra ou faz é uma decisão relacionada ao processo de integração vertical ou de terceirização da empresa. Esse processo decisório, comprar ou fazer, tem considerações qualitativas e quantitativas.
As considerações qualitativas tem haver com itens como: ficar dependente de fornecedores; controlar a qualidade dos insumos básicos; relacionamento com fontes externas; mudança de tecnologia; etc. Firmas integradas são menos dependentes de fornecedores; teoricamente são capazes de assegurar o fluxo de insumos básicos à produção com mais segurança do que se esses fossem adquiridos de fontes externas. Além do mais, empresas que operam com alto grau de integração acham que controlam melhor a qualidade desses insumos básicos, em seus processos produtivos. Há, também, aqueles que procuram na integração manter seus segredos de produção; tendo a percepção de que obtém vantagem competitiva com os concorrentes.
As vantagens acima são contrabalançadas com alguns problemas oriundos da integração. Firmas que produzem seus próprios insumos básicos correm o risco de destruir o relacionamento de longo prazo com fornecedores; podendo, até, gerar autofagia. Os avanços tecnológicos desenvolvidos por esses fornecedores, visto serem especialistas no assunto, só são repassados aos clientes costumeiros. O custo do investimento em pesquisa para avanços tecnológicos pode ser caro para empresas altamente integradas. As firmas especializadas diluirão esses custos por terem capacidades produtivas superiores, dado estarem fornecendo a vários clientes. Em adição: demandas ocasionais podem não ser supridas por fontes externas, dado que essas entidades estarão atendendo seus clientes. Esse ponto pode ser relevante, pois a empresa pode perder fatia de mercado para concorrente, permitindo que os clientes passem a ser leais aos concorrentes.
Outro ponto importante a considerar na terceirização é de que esta permite a empresa focar seus processos, assim como seus funcionários, em suas atividades básicas; deixando para os fornecedores os itens operacionais em que esses são especialistas. Finalmente, mudança de tecnologia, na produção das partes, exigirá que a organização faça constante investimento em ativo permanente, tornando o processo e o custo dessa mais caro na produção interna do que na externa. Esses investimentos na fonte externa seriam diluídos nos vários clientes.
A abordagem quantitativa do problema comprar ou fazer lida com custo: qual o custo de produzir, comparado com o custo de adquirir o produto ? Tal como a decisão anterior, adicionar ou retirar produto ou departamento, os custos evitáveis e inevitáveis são os elementos relevantes a decisão. A diferença entre essas duas decisões é de que a anterior explicitava o lucro como critério, a alternativa que permite o maior lucro é a desejada. No caso atual, a decisão de comprar ou fazer tem por função objetiva a situação com o menor custo.
Para ilustrar, assuma que JCS Ltda., produtora da linha branca, no seu processo produtivo fabrica 8.000 peças de XYZ, que é empregada na montagem de forno de micro-onda. O Departamento de Contabilidade relata o custo para produzir a peça XYZ:
Custo Unitário da Peça XYZ
Unitário 8.000 unidades
Mão de Obra Direta 4 32.000 Custos Indiretos Variáveis 1 8.000 Salário do Supervisor da peça XYZ 3 24.000 Depreciação do equip específico para a peça XYZ 2 16.000 Custos Indiretos Alocados a peça XYZ 5 40.000 Custo Unitário – Total $21 $168.000 A JCS Ltda. recebeu uma proposta da empresa LLL Ltda. em fornecer as 8.000 peças XYZ por $19 cada. A primeira vista o preço de $19 é inferior ao custo de produção da peça, $21. Contudo, ao analisar detalhadamente a estrutura de custo apresentada pela tabela acima, tem-se que os custos evitáveis referente à peça são: Material Direto; Mão de Obra Direta; Custos Indiretos Variáveis; Salário do Supervisor; e, Depreciação do Equipamento Específico para a peça. Esses custos deixarão de existir se a peça não for mais fabricada. Os custos variáveis estão relacionados com número de unidades produzidas. Os custos com supervisor e a depreciação da máquina específica para a peça são fixos, mas deixarão de existir. O supervisor será despedido ou alocado para outra função e a máquina, que gera a despesa depreciação será vendida.
Os custos indiretos alocados a peça são inevitáveis e continuarão existindo, mesmo que a peça não seja mais fabricada. Eles referem-se as despesas com a gerência da fábrica e de apoio a produção: salário do gerente; secretária; engenharia; etc. A redução desses custos irá comprometer a capacidade operacional e produtiva da fábrica.
Como vimos, a produção das 8.000 peças de XYZ absorve um custo total de $168.000. Sendo que se pararmos de fabricá-la os custos serão reduzidos em $128.000. Pois, os $40.000 dos custos indiretos alocados a peça continuarão existindo. Assim sendo, os custos evitáveis de uma peça XYZ são de $16.
Se, por ventura, a JCS deixar de produzir a peça os custos serão: (1) o custo de adquirir as peças da LLL Ltda., que será $152.000, que é $19 multiplicado por 8.000 peças; e, (2) os custos inevitáveis da organização que são alocados a peça, montando $40.000. Dessa forma, esses dois custos montarão ao valor de $192.000. A organização estará reduzindo seu lucro em $24.000 (que é diferença entre $192.000 com $168.000), já que o custo da organização ficará mais caro nesse montante.
Essa mesma análise poderá ser feita considerando somente os custos evitáveis. Se produzir, os custos evitáveis por unidade são $16. Se comprar da LLL Ltda. serão $19. A diferença de $3 por unidade, em favor da produção interna, significará um aumento de custo total em $24.000 (que é $3 por unidade multiplicado por 8.000 unidades).