Ação Civil Pública – Pretensão à inserção de informação em produtos comercializados identificados como contendo em sua composição alimento transgênico da frase “Contém na composição, alimento geneticamente modificado”. Demanda proposta à luz da Lei Estadual 10.467/99. Carência superveniente configurada. Matéria de competência da União regrada durante a fase de instrução processual pelo Dec. Federal 4.680/2003 que assegura o direito à informação contido na Lei 8078/1990 quanto aos alimentos e ingredientes alimentares destinados ao consumo humano ou animal que contenham ou sejam produzidos a partir de organismos geneticamente modificados, bem como pela Lei de Biossegurança. Normas federais que garantem o direito à informação no caso da existência de transgênicos acima do limite de um por cento. Impossibilidade da norma estadual, em caráter residual, afastar a regra federal, de cunho geral. Perda do interesse de agir por serem os produtos perecíveis e já não mais estarem sendo comercializados. Extinção do processo sem julgamento do mérito, por carência superveniente. Prejudicado o exame do apelo. (TJSP – Ap Rev 376.139.5/0 – (0002318657) – São Paulo – 2.ª Câmera de Direito Público – rel. Vera Angrisani – Dje 28.07.2009 – p.1072).
Direito do consumidor e administrativo – Ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal para defesa dos interesses difusos do consumidor – Agravo retido sobre a produção de prova pericial não conhecido – Normas sobre rotulagem de produtos alimentícios contendo OGM – Alegação de ilegalidade/inconstitucionalidade do art. 2.º do Dec. 4.680/2003 sobre rotulagem – Adequação da ação coletiva para defesa de interesses difusos do consumidor, mérito – direito à informação na embalagem/rótulo dos produtos sobre a composição do alimento – Lei 11.105/2005 sobre fiscalização de atividades com OGM‟s e a rotulagem compulsória – Ilegalidade do art. 2.º do Dec. 4.680/2003 eficácia subjetiva erga omnes da sentença – (...) 7 – O art. 40 da Lei 11.105/2005 estabelece a rotulagem compulsória de produtos transgênicos e seus derivados e ao art. 3.º, VI, conceitue OGM como aquele cujo material genético ADN/ARN tenha sido modificado por técnica de engenharia genética e o inc. VI, define organismos derivados de OGM como o produto que não possua capacidade autônoma de replicação ou que não
contenha forma viável de OGM. (...) (TRF-1.ª Reg. – AC 2007.40.00.000471-6/PI – rel. Des. Fed. Selene Maria de Almeida – DJe 07.11.2012 – p. 340).
Competência – Conflito – Meio ambiente – Liberação de organismo geneticamente modificado – Soja transgênica – Justiça Federal – Interesse da União “criminal – Conflito de competência – Liberação de organismo geneticamente modificado no meio ambiente – Sementes de soja transgênica – Falta de autorização da CTNBIO – (...) II – Cuidando-se de conduta de liberação, no meio ambiente, de organismo geneticamente modificado – Sementes de soja transgênica – Em desacordo com as normas estabelecidas pelo órgão competente, caracteriza- se, em tese, o crime descrito no art. 13, V, da Lei de Biossegurança, que regula manipulação de materiais referentes à biotecnologia e à engenharia genética. (...)” (STJ – CC 41.169 – 3.ª Seção – rel. Min. Gilson Dipp – DJU 02.08.2004 – p. 298).
Constitucional e ambiental – Biossegurança – Organismos geneticamente modificados – Exigibilidade ou dispensa de estudo de impacto ambiental – Atribuição da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBIO – Atuação do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA afastada – Exceção – Conclusão pela CTNBIO de ser o OGM potencialmente causador de significativa degradação do meio ambiente (art. 16, § 2.º da Lei 11.105/2005) – Embargos infringentes aos quais se nega provimento – I – Nos termos do art. 225, §1.º, II e V da CF, todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações mediante a preservação da diversidade e da integridade do patrimônio genético do País e fiscalização das entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; e o controle da produção, comercialização e do emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, qualidade de vida e o meio ambiente. (...) (TRF – 1.ª Reg. – EI 1998.34.00.027682-0/DF – rel. Des. Fed. Jirair Aram Meguerian – Dje 23.05.2014 – p.23).
Administrativo. Direito ambiental. Processual civil. Multa. IBAMA. Plantio de Organismo Geneticamente Modificado - OGM. Irregularidade. Zona de amortecimento. Parque nacional. Alegação de falta de previsão legal. Conduta vedada pela Lei 11.460/2007. Necessidade de autorização. Inexistência de previsão no plano de manejo. Contradição aos fatos dos autos. Súmula 7/STJ. Violação do Comunicado 54/98 da CTNBIO. Ato administrativo. Conceito de lei federal. Não
cognição. Aplicação da súmula 518/STJ por analogia. Recurso. Alínea c. Paradigma oriundo do mesmo tribunal. Súmula 13/STJ. 1. Recurso especial interposto em prol da reversão de acórdão de Tribunal Regional Federal no qual se consignou a legalidade do ato de aplicação de multa administrativa pelo plantio não autorizado de organismo geneticamente modificado (OGM) na zona de amortecimento do Parque Nacional de Iguaçu (unidade de conservação). O recorrente alega negativa de vigência ao art. 7.º da Lei n. 11.460/2007, que revogou o art. 11 da Lei n.º 11.814 /2003, bem como a possibilidade do plantio de OGM em unidade de conservação, com base no art. 27 § 4.º e incisos I a IV, da Lei n. 9.985 /2000 (e Lei 11.105 /2005), além de violação do Comunicado n.º 54/98 da CTNBIO e divergência jurisprudencial. 2. Não há falar em negativa de vigência ao art. 7.º da Lei n. 11.460 /2007, pois, apesar de ter revogado o art. 11 da Lei n. 11.814 /2003, tal diploma legal continuou considerando vedada a conduta praticada, qual seja, o plantio de OGM em zona de amortecimento de unidade de conservação ambiental, sem que houvesse previsão no plano de manejo em questão. 3. Não é possível conhecer da alegação de violação do art. 27, § 4.º e incisos, da Lei n. 9.985/2000 e do teor da Lei n. 11.105/2005, uma vez que, que para rever a premissa fática de impossibilidade de plantio de OGM, no caso concreto, seria necessário contraditar os dados e fatos dos autos - plano de manejo, o que é vedado pela Súmula 7/STJ. 4. A alegação de violação de ato administrativo - Comunicado n.º 54 da CTNBIO da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - não é passível de ser sindicada na via do recurso especial, pois tal ato não se qualifica no conceito de lei federal e, logo, não abre a via da alínea a do permissivo constitucional. Aplicável, por analogia, a Súmula 518/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp 605.345/RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 24.3.2015; AgRg no AREsp 490.509/MS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 15.5.2014. 5. Não é possível conhecer do recurso especial com base na alínea “c” do permissivo constitucional quando o acórdão paradigma é oriundo do mesmo Tribunal do julgado recorrido, nos termos da Súmula 13/STJ: "A divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial." (Corte Especial, julgado em 8.11.1990, publicada no DJ de 14.11.1990, p. 13.025). Recurso especial conhecido em parte e improvido (...) (STJ - Recurso Especial - REsp 1220843 PR 2010/0208180-0 - relator Ministro Humberto Martins - data de julgamento: 16/04/2015, T2 - Segunda Turma - data de publicação: Dje 22/04/2015).
Ação Civil Pública. Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Obrigação de informação por parte da fabricante dos produtos qualquer que seja o percentual de OGM. Obrigação de informação sobre a presença de OGM apenas quando ultrapassar o patamar de 1% do produto. Aplicação, na espécie, do Decreto n. 4.680/2003, que regulamenta o direito de informação assegurado pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/90). Ausente de disposição legal em sentido contrário. Observância do princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da Constituição Federal. Descabimento, outrossim, da incidência do disposto no art. 40, Lei n. 11.105/2005 que, quanto a informação, remeteu a matéria à edição de regulamento, ainda não editado. Na lacuna do regulamento exigido pelo art. 40, Lei n. 11.105/2005, prevalece o Decreto n. 4.680/2003, que trata da matéria em seu art. 2º. Aplicação do disposto no art. 2º, par.2º, da LICC, vez que o Decreto n. 4.860/2003 foi recepcionado pela Lei n. 11.105/2005. Produtos fabricados pela ré, ainda que com a presença de OGM, que reclamam informação a respeito apenas quando o percentual ultrapassar o limite de 1% do produto e não, conforme pretendido pelo autor, qualquer que seja o percentual de OGM. Improcedência da ação reconhecida, sem a imposição do ônus da sucumbência ao autor vencido (art. 18, Lei n. 7.347/85). Apelo da ré provido, prejudicado o recurso do autor. (TJ-SP - APL: 00013867320128260704 SP 0001386-73.2012.8.26.0704 - relatora: Donegá Morandini - data de julgamento: 14/04/2015 - 3ª Câmara de Direito Privado - data de publicação: 17/04/2015)
Apelação Cível em Mandado de Segurança. Recomendação do Ministério Público. Transgenia. Fixação, nas gôndolas de supermercados, de cartazes informando tratar-se de produto que tem, em sua composição, Organismo Geneticamente Modificado - OGM. Ausência de direito líquido e certo e, propriamente, de ato coator. Sentença mantida. Recurso desprovido. Inexistindo ofensa a direito líquido e certo, dado que a impetrante não demonstrou a ausência de organismos geneticamente modificados na composição do produto que comercializa, além do que se constitui em direito do consumidor o amplo acesso a informações sobre aquilo que está adquirindo (art. 6º, III, do CDC - Lei n. 8.078/90), e inexistindo, ademais, ato coator, propriamente dito, pois mera recomendação não possui natureza mandamental, é de ser mantida a sentença denegatória da ordem. (TJ-SC - MS: 525018 SC 2008.052501-8 - relator: João Henrique Blasi - data de
julgamento: 24/06/2011 – 2.ª Câmara de Direito Público - data de publicação: Apelação Cível em Mandado de Segurança n. , da Capital).
Direito ambiental e processual civil. Organismos Geneticamente Modificados - OGM. Importação de milho transgênico. Parecer técnico conclusivo com extensão limitada ao objeto da consulta. Perda do objeto. Ausência de interesse processual. Apelação prejudicada. 1. Recurso interposto contra sentença que julgou improcedente pedido de anulação de parecer técnico exarado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CNTBIO que, em julho de 2000, permitiu a emissão de autorização para entrada de milho geneticamente modificado para consumo animal, importado da Argentina. 2. O parecer técnico conclusivo impugnado tinha extensão delimitada ao objeto da consulta: os grãos de milho geneticamente modificados que seriam importados para minorar as consequências da quebra da safra no ano 2000. O feito foi processado sem liminar e, em 25/11/2005, foi proferida sentença julgando improcedente o pedido. 3. Delimitada a extensão do ato impugnado e passados quase dez anos de sua publicação e da concretização de seus efeitos, revela-se ausente a utilidade do provimento judicial. Somente existe interesse processual quando a parte tem necessidade de vir a juízo para alcançar a tutela pretendida e, ainda, quando essa tutela jurisdicional pode trazer-lhe alguma utilidade do ponto de vista prático, o que não ocorre in casu. 4. Apelação do Ministério Público Federal prejudicada. (TRF-1 - AC: 7329 DF 0007329- 49.2001.4.01.3400 - relatora desembargadora federal Selene Maria de Almeida - data de julgamento: 05/07/2010 - Quinta Turma - data de publicação: e-DJF1 p.100 de 30/07/2010).
Administrativo. Mandado de Segurança. Plantio de OGM (Organismos Geneticamente Modificados). Lei 10.814/03. 1. O propósito do Estado do Paraná de instaurar competência concorrente com a União para legislar sobre o cultivo dos transgênicos foi obstado pelo STF, que suspendeu, em decisão liminar, os efeitos da Lei Estadual 14.162/03. 2. As informações técnicas sobre o plantio de transgênicos, concentradas no Ministério da Agricultura, não podem ser repassadas ao Estado, por ausência de previsão legal. 3. Mandado de segurança denegado. (STJ - MS: 9455 DF 2003/0232507-1 - relator: Ministra Eliana Calmon - data de Julgamento: 10/05/2006 - S1 - Primeira Seção - data de publicação: DJ 14.08.2006 p. 250)
Direito constitucional e ambiental - Organismos Geneticamente Modificados - OGM - Comercialização e beneficiamento - Inadmissibilidade. 1. Incumbe ao Poder
Público controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente (artigo 225, § 1.º, V, da Constituição Federal). 2. Decorrência dos princípios constitucionais da razoabilidade, eficiência e precaução. 3. Agravo de instrumento improvido. (TRF-3 - AG: 48585 MS 2007.03.00.048585-1 – relatora juíza federal convocada Mônica Nobre - data de julgamento: 27/03/2008, Quarta Turma).
Criminal. Conflito de Competência. Liberação de organismo geneticamente modificado no meio ambiente. Sementes de soja transgênica. Falta de autorização da CNTBIO. Eventuais efeitos ambientais que não se restringem ao âmbito de estados da federação individualmente considerados. Possibilidade de consequências à saúde pública. Interesse da União no controle e regulamentação do manejo de sementes de OGM. Competência da Justiça Federal. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBIO) - Órgão diretamente ligado à Presidência da República, destinado a assessorar o governo na elaboração e na implementação da Política Nacional de Biossegurança é a responsável pela autorização do plantio de soja transgênica em território nacional. Cuidando-se de conduta de liberação, no meio ambiente, de organismo geneticamente modificado - sementes de soja transgênica - em desacordo com as normas estabelecidas pelo Órgão competente, caracteriza-se, em tese, o crime descrito no art. 13, inc. V, da Lei de Biossegurança, que regula manipulação de materiais referentes à Biotecnologia e à Engenharia Genética. Os eventuais efeitos ambientais decorrentes da liberação de organismos geneticamente modificados não se restringem ao âmbito dos Estados da Federação em que efetivamente ocorre o plantio ou descarte, sendo que seu uso indiscriminado pode acarretar consequências a direitos difusos, tais como a saúde pública. Evidenciado o interesse da União no controle e regulamentação do manejo de sementes de soja transgênica, inafastável a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito. Conflito conhecido para declarar a competência o Juízo Federal da Vara Criminal de Passo Fundo, SJ/RS, o Suscitado. (STJ - CC: 41301 RS 2004/0008716-4 - relator Ministro Gilson Dipp - data de julgamento: 12/05/2004 - S3 - Terceira Seção - data de publicação: DJ 17.05.2004 - p. 104RSTJ vol. 186 p. 469).
Ação Civil Pública. Gênero alimentício. Organismo Geneticamente Modificado. Dever de informar. 1. Ação Civil Pública por meio da qual o Ministério Público pretende compelir a agravada, Adria Alimentos do Brasil LTDA, informar aos consumidores o emprego de organismos geneticamente modificados (OGM) na formulação do produto "Tortinhas". 2. Dever de informar previsto na Lei de Biossegurança. Competência da Colenda Câmara Especial do Meio Ambiente, nos termos da Resolução Nº 512/2010. Precedente. Recurso não conhecido. (TJ-SP - AI: 00882006620128260000 SP 0088200-66.2012.8.26.0000 - relator Nogueira Diefenthaler - data de julgamento: 25/02/2013 - 5ª Câmara de Direito Público - data de publicação: 27/02/2013).
Administrativo. Apelação Cível. Ação Civil Pública. Lei n.º 11.105/2005. Organismos Geneticamente Modificados. Rotulagem. Fiscalização. Poder de Polícia. Omissão. Não comprovada. Improcedência do pedido que se confirma. Recurso improvido. 1. Trata-se de apelação cível interposta pelo Ministério Público Federal contra sentença prolatada pelo Douto Juízo Federal da 26.ª Vara da SJ/CE que julgou improcedente a pretensão autoral, visando compelir a União, a ANVISA, o Estado do Ceará e o Município de Fortaleza a exercerem regularmente o poder de polícia perante as empresas de produtos alimentícios com fabricação no Estado do Ceará, de forma a adequar os rótulos dos produtos alimentícios que utilizam organismos geneticamente modificados - OGM's às exigências da Lei 11.105/2005. 2. Adoção da técnica de julgamento per relationem. 3. "A existência de vários produtos alimentícios, cujas embalagens não obedecem às exigências de informação contidas na Lei 11.105/2005, por si só, não implica afirmar que a fiscalização não esteja sendo exercida." 4. "A dificuldade está em garantir a efetividade da fiscalização do que propriamente suprir omissão no exercício do poder de polícia." 5. "Determinadas omissões podem ser conformadas pelo Poder Judiciário dentro de alguns limites, mas isso há de ser feito a partir de provas inequívocas. Do contrário, o provimento jurisdicional não iria além de promover a instabilidade jurídica e conturbar o funcionamento dos serviços públicos." 6. Improcedência do pedido que se confirma. Apelação do MPF improvida. (TRF-5 - AC: 47122120114058100 - relator desembargador federal Manoel Erhardt - data de julgamento: 08/08/2013 - Primeira Turma - Data de Publicação: 15/08/2013).