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4. LIBERDADE SINDICAL COMO DIREITO FUNDAMENTAL

4.3. DECLARAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS E A LIBERDADE SINDICAL

A Convenção de Viena é tida como a lei dos tratados. Seu texto foi concluído em 23 de maio de 1969. Em que pese tenha assinado referida convenção, o Brasil ainda não a ratificou. De acordo com seu artigo 2 º, alínea a: “... ‘tratado’

significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica;” Os tratados,

pois, podem ser entendidos como acordos internacionais juridicamente obrigatórios e vinculantes, atuando como a principal fonte de obrigação do direito internacional. Além de “tratado”, as expressões mais utilizadas são “convenções”, “pacto”, “protocolo”, “carta” e “convênio”. Os tratados em vigor vinculam as partes que os firmaram, as quais devem cumpri-los de boa-fé (pacta sunt servanda). Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (Convenção de Viena, artigos 26 e 27). Trata-se de afirmação do princípio da boa-fé, segundo qual cabe ao Estado soberano, que livremente contraiu obrigação no âmbito internacional, conferir plena efetividade ao tratado de que é parte94.

Os tratados, além de assinados, necessitam ser ratificados pelos Estados-partes para fins de produção de efeito interno. No caso brasileiro, ao Presidente da República compete celebrar os tratados, cuja ratificação dependerá de prévia análise do Congresso Nacional mediante decreto-legislativo (CF, artigos 49, I e 84, III).

Ao se falar em tratados, destacam-se as declarações de direitos

humanos, cujo conteúdo envolve matéria da maior importância. A universalização e a internacionalização da liberdade sindical decorrem de sua integração ao texto de diversas declarações internacionais de direitos humanos. Dentre os vários instrumentos internacionais que abrangem o tema, faz-se novamente menção àquele que representa um marco da efetivação dos direitos fundamentais, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, cujos artigos XX e XXIII asseguram a liberdade de associação e a liberdade sindical:

“Artigo XX

1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.

(...)

Artigo XXIII (...)

4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.”

É importante mencionar também a Carta da Organização dos Estados Americanos de 1948, aprovada pelo Congresso Nacional pelo Decreto Legislativo n. 64/49 e promulgada pelo Presidente da República pelo Decreto n. 30.544/52, cujo artigo 45, alínea c, estabelece:

“... os empregadores e os trabalhadores, tanto rurais como urbanos,

têm o direito de se associarem livremente para a defesa e promoção de seus interesses, inclusive o direito de negociação coletiva e o de greve por parte dos trabalhadores, o reconhecimento da personalidade jurídica das associações e a proteção de sua liberdade e independência, tudo de acordo com a respectiva legislação;”

Não menos importante, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) de 1969, promulgada pelo Presidente da República pelo Decreto n. 678/92, cujo artigo 16 assegura tanto a liberdade de associação quanto a liberdade sindical:

“Artigo 16 - Liberdade de associação

1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se livremente com fins ideológicos, religiosos, políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza.”

Também há que se fazer menção ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo n. 226/01 e promulgado pelo Decreto n. 592/92, que em seu artigo 22 assegura:

“Artigo 22

1. Toda pessoa terá o direito de associar-se livremente a outras, inclusive o direito de constituir sindicatos e a eles filiar-se, para proteção de seus interesses.”

Da mesma forma, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, também aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo n. 226/01 e promulgado pelo Decreto n. 592/92, que tutela a liberdade sindical como direito fundamental:

“Artigo 8º (...)

a) O direito de toda pessoa de fundar com outras sindicatos e de filiar-se ao sindicato de sua escolha, sujeitando-se unicamente aos estatutos da organização interessada, com o objeto de promover e de proteger seus interesses econômicos e sociais. O exercício desse direito só poderá ser objeto das restrições previstas em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou para proteger direitos e as liberdades alheias.

b) O direito dos sindicatos de formar federações ou confederações nacionais e o direito dessas de formar organizações sindicais internacionais ou de filiar-se às mesmas;

c) O direito dos sindicatos de exercer livremente suas atividades, sem quaisquer limitações além daquelas previstas em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou para proteger direitos e as liberdades das demais pessoas.”

Há que se salientar que a distinção feita outrora quanto ao suposto déficit de efetividade das declarações internacionais de direitos humanos em relação aos direitos fundamentais devidamente positivados nos ordenamentos internos de cada nação não prospera no caso brasileiro. Com exceção da Declaração Universal de Direitos Humanos, todos os demais instrumentos citados integram o ordenamento jurídico pátrio, já que submetidos ao procedimento formal estabelecido para ratificação. Por certo, referidos instrumentos normativos atuam como indicativo

marcante do status de direito fundamental a ser atribuído à liberdade sindical95. Posteriormente, será realizada uma análise um pouco mais aprofundada sobre a produção de efeitos jurídicos de tais tratados no âmbito interno objetivando-se delinear a estrutura de tutela da liberdade sindical no ordenamento jurídico brasileiro.