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Definição da Problemática e Objectivos do estudo

CAPÍTULO III – METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO

1. Definição da Problemática e Objectivos do estudo

O desenvolvimento organizacional e profissional e os processos de actuação dos professores têm feito sentir a importância crescente da coordenação do ensino. Deste modo, os Departamentos Curriculares pela sua constituição e papel são espaços propícios à interacção pessoal e profissional, à construção de saberes pluridimensionais

49 Os dados foram recolhidos na escola sede de um agrupamento (vertical) de escolas, constituído há

e integradores e à tomada colegial de decisões pedagógicas e curriculares que se reflectem na política educativa de cada escola.

Do mesmo modo, a forma como os professores organizam o seu trabalho e como se relacionam entre si, a adopção de determinadas modalidades de trabalho, tem repercussões a nível da aprendizagem dos alunos e na vida profissional dos professores. Ao constituírem-se em função de critérios disciplinares são, para Lima (2000:66), “ um poderoso factor de criação de subculturas no interior das escolas (…) que diluem, simultaneamente, a importância do estabelecimento de ensino como quadro primeiro de referência dos docentes, passando o departamento a desempenhar esse papel”, perspectiva que entre outras razões, condicionaram a nossa escolha.

Efectivamente, e dada a crescente complexificação dos sistemas educativos e dos papéis atribuídos à estrutura de coordenação e aos professores coordenadores, estes actores têm sido chamados a exercer uma multiplicidade de funções que passam pela coordenação do trabalho dos outros professores (coordenação vertical e horizontal), pela coordenação pedagógica, e, mais recentemente, pelo desempenho das funções de avaliação. Enquanto estrutura com assento no órgão pedagógico, intervém na avaliação interna de escola e ao analisarmos a recente legislação50 somos conduzidos ao um novo

papel de avaliador na medida em que o coordenador de Departamento passa a intervir no processo de avaliação dos professores integrados no sistema educativo e na admissão de professores na carreira profissional.

Na nossa perspectiva estas novas funções e responsabilidades apontam para novas exigências quanto à formação e ao perfil competencial e profissional destes professores que ultrapassam, necessariamente, aquelas que a gestão do currículo exige.

Estes factores, aliados à nossa experiência profissional e à constatação da escassez de investigações aprofundadas e sistematizadas da problemática que elegemos para o nosso estudo – a Coordenação do Departamento Curricular e o seu actor conduziu – nos a descrever e interpretar esta realidade num agrupamento de escolas que se propôs enfrentar o processo de contratualização da autonomia.

50 Alteração ao Estatuto da Carreira Docente dos educadores de Infância e professores do ensino básico e

1.2. Questões de investigação

As razões que apontámos para a relevância desta estrutura de gestão intermédia, levaram-nos a considerar pertinente aprofundar a análise sobre o papel desta estrutura de gestão intermédia e a definir a seguinte questão central de investigação:

Qual o papel do departamento curricular e do coordenador de departamento na definição das políticas de escola e na gestão intermédia da organização?

Através dessa questão central pretendíamos contribuir para o conhecimento das concepções, práticas e dinâmicas instituídas na gestão intermédia e analisar o seu papel na definição da política educativa interna à escola. Nesse sentido, estabelecemos as seguintes opções de investigação que presidiram à definição de objectivos gerais da mesma:

1. Identificar e descrever as concepções, as dinâmicas e lógicas de acção no interior dos departamentos curriculares;

2. Identificar o papel e a acção do coordenador de departamento na gestão do departamento e o seu contributo para a definição da política educativa de escola.

Tendo presentes estas problemáticas, efectuámos a revisão da literatura e com base no suporte legislativo sobre as estruturas de coordenação, considerámos:

 A Coordenação do Departamento Curricular como estrutura da gestão intermédia da organização escolar;

 A liderança do Coordenador do Departamento, na medida em que a sua tarefa de coordenação se faz sentir no âmbito da supervisão e liderança dos outros professores.

Estes procedimentos permitiram circunscrever o nosso tema de estudo definido definindo os seguintes objectivos desta pesquisa:

 Identificar os níveis e áreas de intervenção do coordenador do departamento, assim como os constrangimentos que afectam o desempenho do cargo;

 Analisar os processos utilizados pelo coordenador na tomada de decisão, na mobilização dos professores, na negociação e na gestão de conflitos;

 Conhecer o modo como se processa a actividade micropolítica nos departamentos em estudo;

 Analisar o impacto das novas directrizes políticas, em particular a celebração dos contratos de autonomia e o novo estatuto da carreira docente, nas práticas de coordenação;

 Identificar as representações que os actores locais possuem sobre a coordenação do departamento.

Com base nestes objectivos de investigação realizámos três entrevistas exploratórias: a um coordenador de departamento em exercício de funções e a dois professores desse departamento. Estes elementos, conjugados com as leituras efectuadas, permitiram-nos definir as questões “ chave” do nosso estudo:

a. Que perfil deve estar subjacente ao desempenho do cargo de coordenador do departamento?

b. Como são concebidas as atribuições e o papel do coordenador enquanto elemento da estrutura de gestão intermédia?

c. Que lógicas de acção e que práticas emergem na coordenação do departamento? d. De que modo as lógicas de acção e as dinâmicas dos departamentos influenciam

a política interna da escola?

e. Quais as principais áreas e níveis de intervenção do coordenador de departamento?

f. Qual a relevância das novas directrizes políticas, em particular a celebração dos contratos de autonomia e o novo estatuto da carreira docente, nas práticas da coordenação?

Importa salientar que estas questões funcionaram, essencialmente, como uma matriz orientadora do estudo, de natureza muito aberta, dado que optámos pela realização de um estudo de natureza qualitativa que de acordo com Bogdan & Biklen (1994:16) pretende mostrar que as questões a investigar não se estabelecem mediante a operacionalização de variáveis “ mas são “formuladas com o objectivo de investigar o fenómeno em toda a sua complexidade e em contexto natural” com recurso a estratégias e técnicas qualitativas, permitindo ao investigador qualitativo perceber o processo e o modo como os sujeitos da investigação dão sentido às suas experiências e interpretam a realidade onde se movimentam.