4. DESENVOLVIMENTO DO FRAMEWORK INICIAL
4.1. Definição de Processos:
Só é recomendada a transformação digital após a maturação dos processos logísticos industriais atuais, visto que investimento em processos não bem definidos podem criar barreiras operacionais que, ao invés de benefícios, se tornarão dificuldades operativas, impactando negativamente a performance de processos logísticos, que devem ser enxergados como serviços aos clientes (internos e externos), e consequentemente, os resultados da indústria. Segundo (Mayer and Schneegass 2017) a robustez do CPLS é mandatória e pode ser definida como:
insensibilidade à interrupções e erros durante à operação, ou seja, processo à prova de falhas.
4.1.1. D.1) Entendimento do processo atual:
Nesta primeira etapa de aplicação é necessário o entendimento comum do processo no estágio que é denominado como “atual”, ou seja, antes de qualquer melhoria ou iniciativa de IoT.
Comumente nesta fase o entendimento do processo existente sob o ponto de vista de diferentes pessoas pode divergir. Isso acontece devido à vários fatores, dentre eles, é possível enfatizar que em diversos casos os processos que inicialmente desenhados vão sendo adaptados nas operações, e os documentos não são atualizados, criando divergências entre o documento padrão de processo e o que realmente acontece e é executado no dia-a-dia. As divergências de opiniões e pontos de vista de processos também podem variar entre diferentes níveis hierárquicos. Níveis de conhecimento e/ou autonomia diferentes podem ter percepções diferentes sobre como um processo deve realmente operar.
A falta de conhecimento comum e a definição de um processo padrão e que todos os integrantes entendam como fluxo “atual”, não permite o desenvolvimento das próximas etapas do modelo, visto que não se pode melhorar algo que não se conhece bem.
Para isto, sugere-se que nesta primeira etapa de aplicação do modelo, o processo seja desenhado e criado um conhecimento comum à todos os integrantes do time de responsáveis pela melhoria, sejam eles dos mais variados níveis
hierárquicos, respeitando todos os pontos de vistas, e em uma linguagem comum e de fácil acesso.
4.1.2. D.2) Desenho da solução técnica e tecnológica:
Após o estabelecimento do conhecimento comum sobre o processo atual, se faz necessário a definição de qual solução técnica e/ou tecnológica será aplicada neste processo. Este trabalho não tem por fim apresentar uma gama de possíveis soluções, nem ser por si só uma referência de possíveis dispositivos e/ou soluções disponíveis em mercado na data de sua elaboração. A definição de qual solução será utilizada em determinada solução deve ser definida pelos times responsáveis pelo projeto de melhoria, sempre visando algum tipo de otimização, como premissa de aplicação. Alguns outputs desejados de melhorias podem ser, por exemplo, a redução de custos operacionais, redução do tempo de processo, aumento na confiabilidade de informações, aumento na confiabilidade da tomada de decisões, melhoria de qualidade, aumento de flexibilidade de produção, aumento do nível de certeza dos processos produtivos, redução do número de defeitos, redução do número de reclamações de clientes, redução do lead time, redução do tempo de processamento, aumento da produção nominal, aumento do lucro real, redução do custo fixo, redução do custo variável, aumento da participação de mercado.
Como conceito já apresentado, a implementação de IoT visa a integração e criação de processos físico-cibernéticos (CPLS), e as soluções que podem ser aplicadas neste sentido são amplas e de diversos tipos e valores, desde sensores simples, até aplicações integradas em toda a cadeia.
4.1.3. D.3) Desenho do novo processo:
Após definido qual a solução será implementada no processo atual, é necessário desenhar como o novo processo, que também pode ser denominado
“processo futuro” deverá funcionar e/ou operar. Esta visão de como serão as novas atividades servirão como guia para desenvolvimento das próximas etapas do modelo – framework – e é fundamental para entendimento e criação do novo conhecimento.
O desenho do novo processo deve ser conduzido com uso de uma ferramenta visual que permita que todos os integrantes entendam, com clareza, as etapas a ordem de evolução em que devem ser executadas. É muito importante que todos tenham a visão exata de como o processo deverá ser e qual será o resultado futuro desta aplicação.
Como sugestão para esta etapa de aplicação, desenhar o processo “atual e o processo “novo” em dois quadros com a mesma proporção e em mesma escala, e dispor visualmente para que todos os integrantes consigam enxergar a diferença entre os dois processos e se familiarizar com as alterações propostas.
Uma ferramenta muito importante nesta etapa do processo é a chamada FMEA (Failure Mode and Effect Analysis), que visa mapear todos os possíveis modos de falha operacionais, técnicos e tecnológicos que podem ocorrer, decorrentes de erros humanos, erros sistêmicos e de interações entre processos físicos e cibernéticos.
A aplicação correta do FMEA garantirá a mitigação de todos os possíveis erros que prejudicarão a implementação do novo processo, orientando o time a focar nos modos de falha críticos, direcionando esforços e recursos para criar modos de correção automático, ou conhecimento de como evitar e/ou corrigir as falhas que venham possivelmente ocorrer. A aplicação do FMEA nesta fase de desenvolvimento, antes da implementação permite enxergar erros em modo de design, ou seja, antes que qualquer investimento tenha sido feito, o que pode fomentar uma revalidação da solução proposta.
Caso a solução proposta não mitigue o erro que foi identificado no FMEA, é possível redesenhar uma nova solução, ou um plano de ação para contenção do possível modo de falha.
Esta ferramenta é fundamental também para a fase T3 – Materiais oficiais, em que serão desenvolvidos os materiais oficiais de treinamento do novo processo.
Nesta fase, devem ser mapeados todos os possíveis caminhos ou modos que podem ocorrer durante a aplicação diária. Praticamente falando, o todos os modos de falha enxergados durante o FMEA devem estar presentes no material oficial, direcionando os treinadores que serão selecionados na fase T1 – Treinadores oficiais, para que saibam o que esperar, como agir, o que fazer e como treinar as pessoas para cada modo de falha já previamente mapeado.