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2– Definição e características da autoestima

Teremos ainda que considerar que principalmente nos desportos colectivos a valorização quando positiva dada pelos media traduz num reforço e melhoria do autoconceito.

Vários estudos tem sido realizados acerca deste conceito, podendo concluir que a actividade física contribui para a formação de um autoconceito positivo quaisquer que sejam as modalidades além de que quanto maior o nível de rendimento maior será o autoconceito. Vários estudos confirmam que a participação dos jovens nas actividades físicas tem um efeito positivo no autoconceito físico (Marsh e colaboradores, 1986; Tucker, 1982,) outros indicam que os pensamentos dos alunos relativamente ao seu autoconceito corporal e ao seu domínio da corporalidade (dimensional, motora e fisiológica) produzem efeitos em termos motivacionais para a prática da actividade física (Martins de Carvalho, 2006) assim como, os atletas apresentam um autoconceito maior que os não atletas (Marsh e colaboradores, 1994). Poderiamos ainda referenciar mais estudos em que há evidências entre a relação da prática do exercício físico e a melhoria do autoconceito em várias grupos de idades diferentes ( Blissmer, Katula, Duncan, & Mihalko, 2000; Mcauley, Mihalko, & Bane, 1997; Silva, Maia, Santos, Fonseca & Seabra, 2002, in Ribeiro, 2003). Existem no entanto estudos em que apresentam a relação entre a actividade física e o autoconceito como um aspecto negativo, estes casos devem-se fundamentalmente a atletas de alta competição em que não conseguem atinguir os objectivos pretendidos.

2– Definição e características da autoestima

Inicialmente a autoestima era considerada um constructo unidimensional. Esta prespectiva foi criticada por vários autores (Rosenberg, 1979; Harter, 1983, 1985) pois não eram contempladas as relações existentes entre as diversas dimensões da autoestima e também qualquer uma dessas dimensões tinha a mesma importância.

Posteriormente surgue a teoria da autoestima ser considerada um constructo multidimensional em que o individuo em cada fase da sua vida poderá avaliar de forma diferenciada os vários aspectos da sua vida em relação às diferentes dimensões (relações

53 sociais, capacidades académicas, aparência física). Vários autores (Marsh e colaboradores, 1984; Harter, 1985, in Fox & Corbin, 1989) contribuiram para esta teoria ser aceite, através de vários estudos que realizaram.

Os autores Shalvelson e colaboradores (1976) sugeriram que a autoestima fosse considerada como sendo uma estrutura hierárquica e multifacetada. Segundo estes autores o modelo seria organizado da seguinte forma. No cimo estaria a autoestima global resultado das percepções avaliativas das dimensões académicas, físicas, emocionais e sociais. Este domínio ir-se-ia subdividir em sub-domínios. O domínio académico seria o resultado das percepções avaliativas na área do inglês, história, matemática e ciências; o domínio físico seria o resultado das percepções avaliativas da habilidade e aparência física; o domínio emocional como resultado das percepções avaliativas dos diferentes estádios emocionais do indivíduo e o domínio social como resultado das avaliações perceptivas das relações com os pares e família.

Este modelo hieraquizado parece ser aquele que mais se adequa ao indivíduo em termos globais, pois temos no cume um constructo com maior estabilidade que no entanto poderá estar sujeito a alterações, provindas de autopercepções avaliativas de níveis mais baixos, podendo assim contribuir para a modificação de algumas dimensões da autoestima.

Recentemente a autoestima tem sido motivo de vários estudos, pelo facto que o seu constructo tem sofrido ultimamente uma evolução.

A autoestima de um indivíduo refere-se aos sentimentos valorativos que o mesmo elabora acerca de si prório de acordo com a autora Pereira (1991, in Castello-Branco & Pereira, 2001).

Ou seja, autoestima é a forma como o indíviduo se sente satisfeito com a forma como leva a sua vida e da forma como se sente satisfeito com aquilo que tem feito e com aquilo que na realidade é.

Sendo a adolescência um período crítico no desenvolvimento do indivíduo, com imensas alterações quer em termos fisiológicos, biológicos, cognitivos e psicológicos, implica que o indivíduo neste período faça diversas auto-análises em relação a si e em relação aos outros que partilham consigo o mesmo espaço e relações. Assim o adolescente vai construindo o seu self. A importância do estudo da autoestima nesta faixa etária tem a ver com o facto desta constituir um ajustamento psicológico e social para o desenvolvimento saudável do jovem.

54 De acordo com o papel que vai assumindo nos diferentes espaços assim o o adolescente vai assumindo diferentes selfs (como filho, amigo, aluno...). Ao assumir estes diferentes papéis, posturas, de acordo com os contextos em que está inserido por vezes acontece que o mesmo jovem apresente posturas contraditórias, ou mesmo sentimentos dicotómicos, ou seja o seu self real poderá ser sobreposto pelo falso self.

A autoestima é importante para os adolescentes sentirem-se bem consigo próprios assim como, sentirem-se realizados académicamente, pois quanto mais estes valorizarem as suas capacidades, mais facilmente superam as suas dificuldades e aumentam a sua autoestima. Por outro lado o facto de apresentarem sucesso académico é algo importante tanto em termos pessoais como familiares, assim ser-lhes-á possível manter o estatuto familiar ou de promoção da mobilidade social.

Castelo-Branco e Pereira (2001), são da mesma opinião pois consideram a autoestima como um indicador fiável do bom/mau ajustamento pessoal e do elevado/reduzido desempenho na aprendizagem e realização cognitiva, assim como no bem-estar geral.

Em relação ao rendimento académico Covington (1984, 2001), considera que este está mais associado à percepção de competência escolar ou ao autoconceito académico. Byrne (1996), entende que a percepção de ser bom aluno está de forma positiva associada à autoestima.

Para a “construção” da nossa autoestima também é importante a percepção que os outros tem acerca de nós próprios, ou seja, o factor social torna-se importante na medida em é baseado naquilo que nós pensamos que os outros pensam acerca de nós. Assim a autoestima está ligada aos aspectos avaliativos e emocionais do autoconceito.

Com o objectivo de tentar clarificar o significado de autoestima apresentaremos de seguida algumas defenições dadas por vários autores.

James (1890, in Bednar e colaboradores, 1989), considera a autoestima como o resultado entre os objectivos individuais concretizados e os objectivos individuais pretendidos nos vários domínios (material, social e emocional). Para este autor as dimensões não têm todo o mesmo valor, pois de acordo com as prioridades do indivíduo assim existem dominios mais valorizados. Se estes forem posteriormente bem sucedidos então a autoestima será mais alta.

55 Para Coopersmith (1967), a autoestima é um juízo pessoal de merecimento que se apresenta através de um processo de decisão das atitudes que o indivíduo aprova ou desaprova em relação a si próprio. As atitudes podem ser expressas de forma verbal ou não verbal de acordo com o que o indivíduo julga ser capaz de atingir com sucesso. Para este autor a autoestima tem quatro componentes: poder (habilidade de influenciar e controlar os outros); outros significativos (aceitação, atenção e afeição dos outros); virtude (princípios morais e éticos pelos quais se rege); competência (alta e bem sucedida na tentativa de atingir os objectivos definidos e altos níveis de inteligência.

Rosenberg (1979), considera a autoestima como a avaliação que o indivíduo faz em relação ao seu próprio valor. Nesssa avaliação são consideradas todas as avaliações das pessoas que o indivíduo considera importantes para si (família, amigos, professores) assim como as suas autopercepções nas diversas áreas (familiar física profissional, social). Para este autor a autoestima tem três componentes: como o indivíduo se vê a si mesmo (o eu existente); como gostaria de ser (o eu desejado); como se tenta mostrar aos outros (o eu revelado). Batista (1995), refere que Rosenberg por último intrepretava a autoestima de duas formas: a maneira como as pessoas se vê quando olham para si próprias e a maneira como se descrevem nas várias dimensões.

No entanto Gecas (1982) considera que autoestima apresenta propriedades motivacionais de acordo com dois aspectos diferentes: a auto-saliência em que pretende o aumento da autoestima pessoal; a auto-manutenção em que pretende que o indivíduo não perca aquilo que já possui. Estas duas propriedades têm caracteristicas diferentes, uma pretende o sucesso a outra resolve estratégias que tem a ver com o medo de fracassar (Vaz Serra, 2001).

Pope e colaboradores (1988) considera a autoestima como uma avaliação subjectiva da informação que o indivíduo tem, acerca de si próprio que está inserida no autoconceito, ou seja esta avaliação depende dos sentimentos que o indivíduo tem acerca de si próprio e da forma como está inserido nas diversas áreas. Para este autor as componentes da autoestima são: social, autoestima global, familiar, académica e imagem corporal.

Também Pelham e Swann (1989), dão relevância aos factores cognitivos da auto- estima, considerando que a sua organização é complexa e está multideterminada. Para estes autores a autoestima global apresenta três componentes: tendência para experimentar estados afectivos positivos e negativos; a forma como as pessoas interiorizam as suas auto-

56 imagens; as concepções específicas de si mesmo, dos seus aspectos positivos e dos aspectos menos positivos.

Hewitt (1991, in Almeida, 1995) considera a autoestima como o conjunto de sentimentos positivos e negativos que cada indivíduo tem consigo próprio, resultado das experiências vivenciadas.

Campbell e Lavallee (1993), consideram que os efeitos nefastos de uma baixa auto- estima do indivíduo podem influenciar no seu funcionamento social, ou seja, indivíduos com baixa auto-estima geralmente são mais sensíveis e dependentes dos estímulos do meio social em que estão inseridos.

Blaine e Crocker (1993, in Peixoto e colaboradores, 2006), consideram que os indivíduos que apresentam uma baixa autoestima têm como prioridade evitar o insucesso, a rejeição, preocupando-se com a sua protecção, enquanto os outros que apresentam uma elevada autoestima preocupam-se mais com a sua valorização.

Liderman (1994) define a autoestima como uma percepção hierarquica e multifactorial, na qual cada pessoa sente de forma positiva acerca de si próprio.

Vasconcelos (1995), o indivíduo avalia-se a si próprio de forma diferente e em relação a áreas diferentes (rendimento académico, aparência física, relações sociais) ao longo da sua vida, de acordo com o momento pelo qual está a passar. A autoestima é assim considerada de forma multidimensional.

Para Vaz Serra (2001, in Castelo-Branco, 2006) a autoestima é considerada uma forma avaliativa do autoconceito referindo-se aos sentimentos sobre o próprio valor. Este conceito apresenta dois componentes: sentido de competência relacionado com o desempenho eficaz, tendo em consideração os processos de auto-atribuição e comparação social; a virtude, como forma representativa do valor pessoal em função dos valores do comportamneto pessoal e interpessoal.

Para estes autores, existem dois aspectos em comum relativamente á autoestima: é a forma como as pessoas se vê a si próprias e o valor atribuem a si.

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