3. O PROCESSO DECISÓRIO E OS SISTEMAS DE INFORMAÇÕES NAS EMPRESAS
3.2.1. DEFINIÇÃO E CARACTERÍSTICAS PARTICULARES DOS SISTEMAS
Por um bom tempo, as organizações fundamentaram as suas estruturas e práticas gerenciais nos princípios cartesianos, de forma a analisar ou compreender os problemas separadamente, impedindo em alguns casos, contatos interfuncionais e interdepartamentais. Tal fato pode ser melhor compreendido de acordo com Capra (1996, pg.48), onde para ele, “a ciência cartesiana acreditava que em qualquer sistema complexo o comportamento do todo podia ser analisado em termos das propriedades de suas partes”.
4 SEST/SENAT – Introdução aos princípios básicos de um SIG. Material desenvolvido para a instituição. Laboratório de Ensino a Distância, 2003.
A divisão comum à postura cartesiana foi se tornado ineficaz para a compreensão de fenômenos organizacionais e, consequentemente, para as tomadas de decisões à medida em que as inovações tecnológicas foram proporcionando uma geração de grande número de informações, em tempo real. Por isso, a necessidade de se analisar os acontecimentos, associada aos impactos causados pelas deficiências de um gerenciamento qualitativo e interpretativo de informações, fez com que a abordagem sistêmica começasse a prevalecer, provocando uma modificação dos parâmetros decisórios, bem como na forma de se estudar problemas.
De acordo com apontamentos de Capra (1996, pg.53), “antes da década de 40, os termos sistema e pensamento sistêmico tinham sido utilizados por vários cientistas, mas foram as concepções de Ludwig von Bertalanffy de um sistema aberto e de uma teoria geral dos sistemas que estabeleceram o pensamento sistêmico como um movimento científico de primeira grandeza. Com o forte apoio subseqüente vindo da cibernética, as concepções de pensamento sistêmico e de teoria sistêmica tornaram-se partes integrais da linguagem científica estabelecida, e levaram a numerosas metodologias e aplicações novas – engenharia de sistemas, análise de sistemas, dinâmica de sistemas, e assim por diante”. Vale ressaltar que nas décadas de 50 e 60, o pensamento sistêmico exerceu uma forte influência sobre a Engenharia e a Administração, nas quais as concepções sistêmicas eram aplicadas na resolução de problemas práticos.
A utilização da análise sistêmica nas organizações veio a possibilitar uma visão mais completa de todos os parâmetros organizacionais, resultando em decisões balizadas em um conhecimento maior das causas.
Os sistemas podem ser compreendidos como um conjunto de partes interdependentes que conjuntamente formam um todo, com um determinado objetivo.
De acordo com Cassarro (1999, pg.25), “sistema é um conjunto de partes e componentes, logicamente estruturados, com a finalidade de atender a um dado objetivo”.
Para Kast e Rosenzweig (1976, pg.122), “ sistema é um todo organizado ou complexo: um agregado ou uma combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo e integral”.
Figura 6. Ilustração visual de um sistema
E le m e n to E le m e n to E le m e n to A tiv id a d e A tiv id a d e D a d o s , In fo rm a ç ã o , E n e rg ia o u M a té ria
S a íd a
D a d o s , In fo rm a ç ã o , E n e rg ia o u M a té riaE n t r a d a
O SI ST EM A Fonte: Ensslin (1995)Existem vários tipos de sistemas no universo. Para tanto, Kast e Rosenzweig (1976, pg.122) demonstram que os sistemas podem ser classificados através de hierarquias de níveis que são:
• O primeiro nível é o da estrutura estática;
• O segundo nível é o do sistema dinâmico simples, com movimentos predeterminados e necessários;
• O terceiro nível, o sistema dos mecanismos de controle, é auto-regulável na manutenção do equilíbrio;
• O quarto nível é o da estrutura do sistema aberto, ou da estrutura que se mantém sozinha. É o nível em que a vida começa diferenciar da não-vida;
• O quinto nível é o genético-social, exemplificado pelas plantas;
• O sexto nível caracteriza-se pela mobilidade cada vez maior, por um comportamento teleológico cada vez mais acentuado e por uma autoconsciência cada vez mais pronunciada;
• O sétimo nível é o humano, individualmente considerado como um sistema provido de autoconsciência e capaz de utilizar a linguagem e o simbolismo;
• O oitavo nível é o sistema social ou os sistemas que têm por base uma organização humana, onde se tomam em consideração o conteúdo, o sentido das mensagens, a natureza e as dimensões dos sistemas de valores;
• O nono nível é o sistema transcendental. São os sistemas supremos e absolutos, que apresentam uma estrutura e um relacionamento sistemático.
Vale destacar que os sistemas existentes nos três primeiros níveis podem ser classificados como físicos ou mecânicos, e propiciam a base do conhecimento das ciências físicas. Já o quarto, quinto e o sexto nível estão relacionados com os sistemas biológicos. Por fim, os três últimos níveis relacionam-se com os sistemas humanos e sociais, constituindo o campo de interesse das ciências sociais.
Os sistemas têm como características básicas os seguintes pontos, conforme salientado por Chiavenato (1993, pg.482):
• Propósito ou objetivo – onde todo o sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. As unidades ou elementos, bem como os relacionamentos, definem um arranjo que visa sempre alcançar um objetivo.
• Globalismo ou totalidade – Todo o sistema tem uma natureza orgânica, pela qual uma ação que produza mudança em uma das unidades do sistema com muita probabilidade deverá
produzir mudanças em todas as outras unidades deste. O sistema sempre reagirá globalmente a qualquer estímulo produzido em qualquer parte ou unidade.
Ainda de acordo com Chiavenato (1993, pg.483), há uma grande variedade de sistemas e uma ampla gama de tipologias para classificá-los, de acordo com certas características básicas que são:
• Quanto à sua constituição, os sistemas podem ser físicos ou abstratos. Os sistemas físicos são compostos de equipamentos, maquinaria, objetos tangíveis. Podem ser descritos em termos quantitativos de desempenho. Os sistemas abstratos, por sua vez, são compostos por conceitos, planos, idéias. Muitas vezes só existem no pensamento das pessoas;
• Quanto à sua natureza, podem ser classificados como fechados ou abertos. Nos fechados, não há um intercâmbio com o meio ambiente. Não há nenhuma influência de ambas as partes. Os abertos são aqueles que apresentam relações de intercâmbio com o ambiente, através de entradas e saídas. Não podem viver em isolamento.
Os sistemas organizacionais apresentam diversas características fundamentais para o funcionamento do mesmo. Eles são planejados de forma a possibilitar às organizações a se ajustarem às alterações que são verificadas no seu ambiente para manter um certo equilíbrio dinâmico. Todo sistema existe dentro de um ambiente e se caracteriza por determinados parâmetros (Chiavenato, 1993). Para Ensslin (1995), os parâmetros são constantes que se inter-relacionam com as variáveis para representar um dado estado do sistema. Os parâmetros representam o controle que o usuário e o ambiente têm sobre o sistema. São eles:
• Entrada ou insumo – São pontos de contato do sistema com o ambiente externo, onde o mesmo importa recursos, materiais ou informação.
• Processamento – Constitui a operação interna do sistema que transforma e processa os insumos e proporciona as saídas.
• Saída – São pontos de contato do sistema com o ambiente externo, onde o mesmo exporta recursos, materiais ou informação.
• Retroalimentação – Constitui a função do sistema que compara a saída com um padrão ou critério evitando desvios.