Fluxograma 3: Identificação da Gestão Profissional ou Familiar
3.5 Definição Operacional das Variáveis (Variáveis De Controle)
3.5.1 Concentração de Ações Ordinárias do Controlador (CAO)
Está variável é definida pelo percentual de ações ordinárias em posse do controlador (es) da empresa registradas no IAN ou no FR em cada ano pesquisado, indica o poder de voto e consequentemente a influência dos controladores nas decisões da empresa.
No caso de múltiplos controladores registrados no IAN/FR foi somada a participação de cada um a fim de totalizar o percentual (%) de ações ordinárias em posse dos controladores. Essa mesma proxy foi utilizada nos trabalhos de Fernandes Junior (2010) e Villalonga e Amit (2006).
3.5.2 Direito ao Fluxo de Caixa do Controlador (DFC)
A variável de Direito ao Fluxo de Caixa do Controlador é definida pela soma das ações ordinárias e preferenciais em posse dos controladores, dividida pelo total de ações da companhia. Indica a participação dos controladores na divisão dos lucros/dividendos. Nos
casos onde a empresa possui somente uma classe de ações (ordinárias), a variável DFC será igual ao 3.5.1, essa proxy também foi utilizada no trabalho do Fernandes Junior (2010).
3.5.3 Excesso de direito ao voto em relação ao fluxo de caixa. (EDV)
No Brasil, tem-se de duas classes de ações ordinárias e preferenciais, com e sem direito a voto respectivamente. O EDV representa a divisão do percentual das ações ordinárias (item 3.5.1) pelo percentual do direto do fluxo caixa (item 3.5.2) em posse dos controladores. Indica a relação existente entre o percentual de controle acionário e o percentual de direito sobre o fluxo de caixa da empresa por parte dos controladores.
EDV =
!"#$%! - 1
Esta variável foi utilizada nos trabalhos de Villalonga e Amit (2006) e Fernandes e Junior (2010).
3.5.4 Tamanho da Empresa (TAE)
O tamanho da companhia é controlado na maioria dos trabalhos, devido aos efeitos gerados pela escala, influência de mercado e diferenças de acesso ao capital entre outros fatores. Existem alguns parâmetros que os autores geralmente utilizam como proxy de tamanho, dentre estes estão, o número de funcionários, receita, e valor dos ativos.
Neste trabalho utilizou-se o Log do Ativo como medida de tamanho das companhias conforme formula abaixo:
TAE = log(Ativo)
3.5.5 Setor
Para classificação das empresas por setor foi utilizado à base de dados da Economática que contempla 19 categorias conforme quadro 17.
Quadro 17: Classificação do Setor de Atuação 1 Agro e Pesca 2 Alimentos e Bebidas 3 Comércio 4 Construção 5 Eletroeletrônicos 6 Energia Elétrica 7 Máquinas Industriais 8 Mineração
9 Minerais não Metálicos
10 Outros
11 Papel e Celulose
12 Petróleo e Gás
13 Química
14 Siderúrgica & Metalúrgica
15 Software e Dados 16 Telecomunicações 17 Têxtil 18 Transporte Serviços 19 Veículos e peças Fonte: Economática.
A variável setor é importante já que permite controlar aspectos referentes ao segmento econômico de atuação da empresa, sabe-se que por hora setores econômicos podem ter resultados maiores ou menores em detrimentos de situações de mercado e de conjunturas econômicas, além de diferentes oportunidade de investimento, risco e rentabilidade. Esta proxy também foi utilizada pelos autores, Anderson e Reeb (2003), Fernandes e Junior (2010) e Carvalho e Oliveira (2011).
Os 19 setores de atuação das companhias são representados nos modelos econométricos por variáveis dummy.
3.5.6 Idade
Esta variável é medida em anos de existência, considerando a data da fundação ou constituição da empresa conforme dados da CVM e informações do site infomoney. A idade foi calculada pela subtração de cada ano do período avaliado (2005-2012) pelo ano de fundação/constituição da empresa.
Segundo Shleifer e Vishny (1997) as empresas familiares mais antigas tiveram resultados piores que as mais jovens, os autores atrelam um dos fatores desse resultado a dificuldade dos grandes acionistas/gestores sairem do controle/gestão da empresa mesmo quando não são mais aptos para tal função, e mesmo quando esta transição ocorre são comuns problemas de sucessão e conflitos familiares, que prejudicam a empresa.
Pardo e Del Val (2009) salientam que há muitos estudos afirmando que menos de um terço das empresas familiares sobrevivem pela segunda geração, e apenas metade sobrevivem para a terceira geração. Deste modo, a variável idade assume sua importância no modelo de acordo com a fórmula abaixo.
Idade = log(Idade) 3.5.7 Risco do Negócio (DP_Roa)
Como variável de Risco do negócio será utilizado o Desvio Padrão do ROA, conforme o trabalho de Gatti (2013). Será calculado o Desvio Padrão do ROA dos oito anos pesquisados e aplicado essa variável em todos os anos para cada empresa. Vale salientar que, para as empresas onde houve troca de controle no decorrer dos oito anos, foi calculado o Desvio Padrão ROA separado para cada tipo de controle. A variável risco justifica-se pela proposição das empresas familiares serem mais conservadoras em detrimento de que geralmente o controladores possuem grande participação na empresa e teriam muito a perder em caso de insucesso em um projeto de alto risco.
DP_Roa = !"# = 1( !"#$%é&#') !"*+ ,
3.5.8 Endividamento (AL1)
Como fator de controle na apuração do desempenho das empresas foi utilizado o endividamento financeiro geral (AL1). O controle de uma variável de estrutura de capital na apuração do desempenho e valor é comumente usado na grande parte dos trabalhos.
AL1 =)Debentures)e)Financiamento)de)Curto)e)Longo)Prazo Ativo)Total
3.5.9 Ano da Observação (Ano)
Considerando que os efeitos sazonais, podem afetar o desempenho das companhias, tal efeito é controlado pela variável indicativa do ano em que um determinado conjunto de informações é gerado. Esta variável é representada por dummys nos modelos econométricos.
3.5.10 Nível de Governança (NBC)
Alguns trabalhos sugerem a influência da governança corporativa no valor, desempenho e alavancagem das empresas, Silveira e Barros (2006) e Bridger (2006), deste modo neste trabalho é incluso essa variável de controle.
Como proxy são considerados os níveis diferenciados de governança corporativa da Bovespa. No quadro 18, são demonstrados as classificações existentes para os níveis de governança das empresas da amostra.
Quadro 18: Níveis de Governança
Níveis de Governança 1 Balcão Organizado 2 Básico 3 Bovespa Mais 4 Nível 1 5 Nível 2 6 Novo Mercado 7 Tradicional Bovespa Fonte: Bovespa.
Para interpretação do nível de governança nos modelos econométricos, foi utilizado a variável dummy para separação dos grupos, sendo que as empresas classificadas no Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado formaram o 1° grupo e as demais empresas formaram o 2° grupo.
3.5.11 Variáveis Adicionais Q de Tobin (ROE e V_Rol)
Nas equações onde o Q de Tobin é a variável dependente foi incluído entre as variáveis explicativas, uma variável de desempenho operacional no caso o ROE na forma do cálculo apresentado no item 3.4, e outra variável para controlar o crescimento da empresa, neste caso optou-se pela utilização da variação da receita operacional (V_Rol) anual líquida de cada empresa durante o período avaliado conforme fórmula expressa a seguir:
V_Rol =
!"#$%!#&!"#$%!#'– 1